Arquivo mensal: julho 2008

Spurs renova com Kurt Thomas

A equipe do San Antonio Spurs anunciou ontem que renovou seu contrato com o ala-pivô Kurt Thomas. Os termos da renovação não foram divulgados.

Thomas chegou a San Antonio no fim de fevereiro desse ano. Em 28 jogos pela equipe texana, alcançou médias de 4,5 pontos e 4,9 rebotes em 18,7 minutos por partida. Nos 17 jogos disputados pelos playoffs dessa temporada, suas médias foram de 4,1 pontos e 4,9 rebotes em 15,8 minutos por jogo.

Entrevista com Wlamir Marques

Spurs Brasil – Wlamir, obrigado pelo tempo disponível, saiba que é um prazer inenarrável entrevistá-lo. Comecemos com o assunto que tomou conta do basquete nos últimos dias: a eliminação do Brasil no Pré-Olímpico Mundial. O senhor poderia dar o seu parecer sobre a campanha brasileira?

Vlamir Marques – Creio que a não classificação da seleção brasileira no Pré-Olímpico da Grécia não foi surpresa. Quem está no meio do basquete e convive com o seu dia a dia sabia disso, a surpresa seria se classificasse. Desde o momento em que houve aquela debandada de jogadores, onde foram convocados 14 atletas e só 8 aderiram ao projeto do técnico Monsalve. Sabia-se de antemão que as chances já seriam difíceis com a equipe completa, imagine com a mescla a que ela teve que ser submetida. Faltou qualidade técnica acima de tudo, não faltou vontade e nem interesse desse grupo de jogadores, mas ela careceu de jogadores de decisão e isso ficou nítido quando o imprevisto surgiu e não souberam superá-lo. Há certa parte da crônica esportiva creditando ao técnico uma nova forma de jogo, isso não bastou, porque nem isso foi mostrado nos momentos cruciais, voltamos ao antigo, ou seja, tentamos a individualidade quando não a possuímos em alto conceito. Infelizmente fomos inferiores e assim continuamos, vamos demorar muito para nos igualarmos às grandes equipes do mundo.

SB – A eliminação brasileira coloca em xeque o trabalho do técnico Moncho Monsalve?

WM – Não podemos julgar o técnico Monsalve por esse Pré-Olímpico, não houve tempo e nem motivos para criticá-lo de forma mais aberta. Não podemos dizer se ele foi bem ou foi mal, o material humano não correspondeu às suas e às nossas expectativas. Houve uma esperança que se diluiu com muita facilidade, não conseguimos ter um confronto sequer para um julgamento mais apurado do seu trabalho. Nessa seleção tudo se perdoou por ser uma seleção improvisada e sem lastro internacional, sem retrospecto, sem valores que a definissem como uma seleção realmente forte e capaz de sucessos. Ela foi tão frágil como ele, sem recursos para modificar em tão pouco tempo alguns vícios que sempre nos deixam na mão. Vamos aguardar um pouco mais, isso se ele for mantido no cargo.

SB – Se o senhor pudesse, qual seria o seu quinteto titular ideal para a seleção brasileira?

WM – Se eu pudesse, em primeiro lugar não faria nada do que foi feito. Acho que tudo foi feito de forma equivocada e não aceitaria certas imposições. Se eu não pudesse ter o LEANDRINHO, NENÊ, ANDERSON VAREJÃO, VALTINHO E O TIAGO SPLITTER, minha equipe base e muito bem preparada, com tempo de entrosamento e com submissão absoluta nos meus conceitos de jogo, eu não aceitaria ser o técnico da seleção brasileira. Nos meus conceitos pessoais ou eu estou com todos ao meu redor, com os melhores jogadores decididos à luta, ou então não contem comigo apenas pela vaidade em ser o técnico da seleção do meu país.

SB – Na época em que o senhor jogou, o Brasil atingiu feitos reconhecidos até hoje, como o bi-campeonato mundial. Qual o principal fator que o senhor enxerga como determinante para o abismo entre a sua geração e a geração atual?

WM – Fica muito difícil ou quase impossível compararmos gerações. Se eu tiver que falar do meu tempo de seleção só vou falar em dificuldades, não pensem que tudo era maravilhoso porque nunca foi. No ano de 1958 surgiu nesse país uma geração que se juntando a mim e ao Amaury, vejam bem, os mais antigos, eu com 21 anos e o Amaury com 22, formamos a base de grandes jogadores nesse país. Por ocasião de um Campeonato Sul-Americano a ser disputado em Santiago do Chile, o técnico Kanela convocou uma seleção que no ano seguinte, 1959, nove daqueles atletas foram campeões mundiais. Ali foi o marco de tudo e de todas as conquistas passadas. Éramos muito jovens e nos submetíamos a tudo, treinávamos durante quatro ou cinco meses para um mundial ou para uma Olimpíada. Fomos arrojados e fervorosos nas nossas buscas. Abandonamos família, escola, amigos, namoradas, etc., só para nos dedicarmos a um só objetivo, jogar basquete e defender o Brasil. Dá prá fazer isso hoje? Os atletas profissionais se submeterão a dormir em alojamentos de marinheiros? Em quadras de basquete onde nós afastávamos as camas para treinar e arrumávamos tudo de novo para dormir? Meus caros amigos, não acho que hoje tem que ser assim, não se justificam mais essas coisas, apenas que nós éramos felizes e sabíamos disso, nos matávamos de tanto treinar e isso fez-nos inesquecíveis, porque até hoje ninguém conseguiu fazer tanto pelo país como nós fizemos. Não dá para comparar nada. Cada época tem a sua mala para carregar, a nossa era um enorme baú.

SB – Qual era a relação dos jogadores com a direção da CBB na época que o senhor atuava pela nossa seleção?

WM – Não havia nenhum tipo de relação entre nós jogadores e a CBB que não fosse de respeito. Éramos convocados e respeitávamos a ordem, nos apresentávamos e só treinávamos, não havia nenhum tipo de litígio. Nem o dinheiro era questão a ser discutida porque nos éramos amadores e a ajuda de custo para as nossas despesas eram custeadas pelos nossos clubes. O presidente da CBB nessa época era um almirante da marinha brasileira. Foi uma figura ímpar a quem o basquete deve todas as honras. ALMIRANTE MEIRA, um grande amigo que não entendia nada de basquete, mas entendia muito de comando e de amizade. Foi muito grande a sua participação em tudo que nós conquistamos. A CBB era muito diferente de hoje, também não dá para comparar, os “homens” eram outros.

SB – Falando sobre basquete estrangeiro: qual o melhor jogador que o senhor viu atuar fora do país em toda a sua vida? Por quê?

WM – O melhor jogador de basquete que eu vi atuar em toda a minha vida é muito fácil de responder. Seria muito difícil se você me perguntasse qual foi o melhor da minha época. Aí eu cometeria muitas injustiças, porque eu vi vários melhores e joguei contra eles. O Michael Jordan é uma unanimidade mundial, não há como compará-lo com ninguém, mesmo na NBA dificilmente aparecerá outro que chegue perto da sua grande capacidade individual. Tive a oportunidade de vê-lo jogar às vésperas de ir para a NBA, nas Olimpíadas de Los Angeles em 1994, fui como comentarista da Rede Manchete, ali ele já era o craque daquele time onde todos viraram grandes estrelas da NBA.

SB – Amaury Pasos, em entrevista concedida a mim, afirmou que Oscar Schmidt foi um jogador individualista e que usou a seleção para sua autopromoção. Qual a opinião do senhor sobre Oscar?

WM – Concordo em parte com o Amaury, não em tudo. Eu fui o primeiro técnico a colocar o Oscar jogando em equipe adulta no ano de 1975, na S.E. Palmeiras, ele era juvenil. Conheço-o desde os tempos em que ele jogava em Brasília, nos Jeb´s de 1973. Ele defendia o Distrito Federal e eu era o coordenador de basquete dessa competição. O Oscar foi acima de tudo um grande profissional, coisa que a minha geração não conseguiu ser. Ele soube fazer e faz ainda muito bem o seu marketing pessoal e não o recrimino por isso. Ele usufrui disso muito bem e isso sempre gerou controvérsias ou ciúmes da sua autopromoção. A sua busca individual o levou a ser uma personalidade única e isso ela também levou para a quadra. Não recrimino a sua forma de jogar, ele é assim e assim se fez, é um grande nome mundial e isso graças a seu desempenho de arremessos da linha de três pontos. Foi um dos maiores cestinhas do basquete mundial e isso não se podem negar. O que se questiona nessa forma de jogar é a sua individualidade, quando o basquete é um esporte coletivo. Se ele jogava dessa forma é porque houve permissão dos seus técnicos para que assim ele jogasse. Uma vez eu disse no programa Bola Da Vez da ESPN Brasil que o Oscar não jogaria na seleção brasileira da nossa época. E completei dizendo que ele não jogaria dessa forma, porque com aquele 2,04 m. ele seria um pivô marcando o pivô contrário e tendo que pegar todos os rebotes de defesa, como fazia o Ubiratã, e soltar essa bola rápida para nós fazermos o contra ataque. Aí um amigo seu muito próximo, vendo o programa disse pra ele que eu havia dito que ele não jogaria na seleção brasileira na nossa época. O Oscar a partir daí cortou as relações de amizade comigo e ficamos muito tempo sem nos falarmos. Há uma grande diferença nessa avaliação, é claro que ele jogaria, soltaríamos foguetes se tivéssemos alguém como ele na nossa geração, seríamos melhores e maiores. Quem sabe seríamos tri e não bi-campeões mundiais.

SB – Oscar rejeitou propostas para atuar na NBA para continuar defendendo a seleção. O senhor recebeu alguma proposta da Liga Norte-Americana de Basquete?

WM – A FIBA (FEDERATION INTERNATIONAL OF BASKET-BALL AMATEUR) até certo tempo atrás era uma entidade que cuidava muito do basquete procurando preservar os valores amadorísticos. O basquete sempre foi considerado uma modalidade amadora e o que imperava era o amadorismo marrom. Nós todos usufruímos disso enquanto jogávamos; nada nos permitia sermos profissionais declarados, tudo era por baixo do pano. Nunca a NBA fez qualquer convite a qualquer atleta do mundo durante esse período, que eu saiba não houve, não me lembro de um caso sequer. Recebi convite para jogar nos EUA, mas para estudar e jogar, UNIVERSIDADE DE SETTON HALL-NEW JERSEY, logo após as Olimpíadas de Melbourne em 1956. Não fui, nem pensei em sair do Brasil, era muito jovem, 19 anos, senti medo porque na época isso era uma aventura para mim. Antes eu havia recebido convites para jogar na Argentina, também recusado por mim. Nas Olimpíadas de Roma em 1960 eu e o Amaury recebemos convite para jogarmos na Europa. Eu já estava casado e com filhos, jamais pensei nisso. Também a proposta não era coisa para pensar em independência financeira, elas por elas eu preferia ficar aqui mesmo no Brasil.

SB – Quais relações o senhor ainda mantém com o basquete?

WM – Eu nasci em 1937 e comecei no basquete em 1948, quando o Brasil foi medalha de bronze nas Olimpíadas de Londres. Então eu tinha 11 anos e agora estou com 71, posso dizer que estou no basquete há 60 anos. Desde 1948 nunca mais me afastei do basquete e acho que vou morrer com ele nas minhas entranhas. Hoje sou professor da cadeira de basquete da FEFISA (FACULDADE DE EDUCAÇÃO FISICA DE SANTO ANDRÉ) faz 34 anos. Atualmente também sou comentarista de basquete da ESPN Brasil desde 2001. Tudo que eu fiz na minha vida sempre foi com algo ligado ao basquete, nunca me afastei das quadras, acho que ela sempre me recebeu muito bem e será lá o meu fim também.

SB – Voltando à seleção brasileira: há salvação para o calvário que nosso basquete se encontra?

WM – Confesso a você que o nosso basquete não está em um calvário como você afirma. Não sou tão negativista assim, não estamos nem melhor e nem pior do que ninguém; estão todos iguais. Não podemos tirar as nossas conclusões por um Pré-Olímpico onde a nossa força não se fez presente em toda a sua plenitude. O que acontece é que sermos campeões Sulamericanos ou Pan-americanos já não nos basta mais. Queremos ser novamente campeões mundiais ou medalhistas olímpicos, e isso está muito longe de conseguirmos novamente, não somente por nós , mas pela evolução que a modalidade tomou em todo mundo, onde as forças são muito maiores e o equilíbrio nos tira qualquer vantagem que outrora já tivemos. Estamos mal internamente, estamos cometendo falhas inadmissíveis, as vaidades e os desmandos estão minando as nossas forças, mas me parece que agora estamos vendo alguns acertos que poderão nos tirar desse marasmo em que nos encontramos. A criação de uma Liga Nacional já é o começo da nossa evolução interna, embora isso não seja o suficiente para as grandes conquistas internacionais. Melhorando internamente há uma grande chance de melhorarmos tudo, essa é a nossa esperança, desde que os homens de comando sejam os homens certos para isso.

SB – O senhor poderia eleger seu “time do sonhos” de todos os tempos do basquete?

WM – Não vou colocar os brasileiros nesse sonho, apenas os estrangeiros que eu vi jogar. Vamos lá: MICHAEL JORDAN, KOBE BRYANT, BILL RUSSELL, JERRY LUCAS, JERRY WEST e como o sexto homem o OSCAR ROBERTSON. É claro que haverá discórdia, cada um tem a sua visão e a sua opinião e é difícil apontar apenas cinco.

SB – Como e quando o senhor decidiu se tornar jogador de basquete?

WM – Comecei a jogar basquete em São Vicente, São Paulo, no C.R. Tumiarú. Quando iniciei os primeiros passos no basquete eu competia em natação, jogava vôlei, fazia atletismo e jogava futebol no gol. Era garoto e praticava tudo ao mesmo tempo. Um dia tive um problema de dilatação do coração e o médico recomendou a minha mãe que eu praticasse menos esporte. Foi quando já com 13 anos eu resolvi só jogar basquete, até porque no fundo da minha casa estava uma quadra de basquete do meu clube. Pulei o muro e nunca mais saí da quadra, até hoje. A partir daí, muito cedo fui convocado para a seleção paulista juvenil, e com 16 anos já estava na seleção brasileira de adultos. Bem, daí começou uma carreira que não parou mais. Esse é o começo da minha história. Fui um garoto muito feliz na minha querida São Vicente e no meu inesquecível Tumiarú.

SB – Qual motivação o senhor vê para explicar o fato de o basquete ter diminuído seu apreço popular no Brasil?

WM – O basquete brasileiro começou a perder o seu encanto no Brasil a partir do momento em que as grandes conquistas internacionais cessaram e outras não tiveram continuidade. Com isso perdemos a mídia televisiva aberta e a garantia de bons espetáculos pela falta de grandes jogadores no nosso país. As estrelas foram se apagando e a chama foi diminuindo, até que chegou aonde chegou. Faltam-nos também grandes equipes de apelo popular, tal como o Corinthians, Palmeiras, Vasco, Botafogo, Fluminense, Flamengo, Santos, Internacional, São Paulo, possuírem grandes elencos e participarem ativamente dos campeonatos nacionais. Já possuímos isso no Brasil, mas com a falência dos clubes de grande chamada popular o basquete foi sacrificado e ficou apenas o futebol como carro chefe. Embora tenhamos no Rio um Flamengo que não abdica da sua participação no basquete nacional. Falta-nos um melhor campeonato interno no país, de nível nacional, para não termos que ficar apenas com o maravilhoso Campeonato Paulista. Acho que isso já estamos conseguindo, há uma Liga Nacional em vias de concretização. É claro que outros motivos provocaram essa queda de apreço popular, mas essa entrevista é muito pequena para apontar tudo que aconteceu ou que acontece no nosso basquete brasileiro.

SB – Atualmente, pagam-se salários exorbitantes para jogadores de pouca técnica ou habilidade. Os altos salários e as novas formas de marketing associadas ao basquete prejudicam a identificação dos atletas com suas respectivas seleções?

WM – Sobre os salários altíssimos pagos aos jogadores de basquete ou no esporte em geral, são provenientes de recursos auferidos com as suas presenças nas praças esportivas. Sabemos que existem salários e salários, nem todos contemplam a verdadeira qualidade do atleta. Alguns salários fogem realmente da nossa realidade, mas tem gente que paga e isso ninguém pode ser contra, é benéfico ao atleta e prejudicial ao empregador, não se pode evitar essas discrepâncias. O fato dos atletas negarem-se a representar os seus países por questões financeiras, custa-me acreditar que isso possa existir aqui no nosso país. Os jogadores da NBA são o resultado de um grande investimento e isso tem que ser preservado, é a vida pessoal que está em jogo e devem respeito aos seus donos, nessa hora não existe o antipatriota, existe apenas o profissional e isso não se discute. O marketing apenas faz parte de uma grande arrecadação financeira, o resto é de foro íntimo de cada um.

SB – Qual a lição mais importante que o basquete ensinou para o homem Wlamir Marques?

Não somente com o basquete, mas lidar com o esporte aprendi lições incríveis. Ser respeitador dos meus superiores, ser participativo, ser disciplinado, ser humilde, ser simples e altamente sincero nos meus objetivos, ser colega e conselheiro, ser atleta e conhecer os meus deveres e obrigações, reconhecer os meus erros, valorizar o adversário, enfim, aprendi muita coisa que me levou a utilizá-las até hoje na minha vida e no meu cotidiano. Tudo que eu aprendi no passado trouxe para o presente, isso me fez uma pessoa melhor e mais contemplativa com a vida. O esporte é uma grande escola, ali aprendemos de tudo. Cursamos o Fundamental, o Médio, a Universidade, Pós Graduação, Mestrado e Doutorado, as aulas são maravilhosas e os professores não reprovam, apenas aconselham.

SB – Qual o maior exemplo de organização competitiva para o basquete brasileiro: a NBA ou as Ligas Européias?

WM – A NBA é um grande exemplo de marketing e de organização, é inigualável no que se propõe, não há nada semelhante no mundo, seja em qualquer modalidade esportiva, mas não é o basquete da FIBA e isso fica ali como coisa apenas deles, regras deles, jogadores deles, marketing deles e assim são os EUA, são coisas que dão certo e eles sabem fazer isso muito bem. Na Europa é mais próximo de nós e das nossas estruturas, na forma de jogar e de organizar os torneios. A FIBA é um órgão mundial e as suas regras regem o basquete mundial e europeu. Sendo assim eu vejo que estamos mais próximos do velho mundo, embora alguns exemplos da NBA possam ser imitados. Estamos mais próximos da FIBA, a NBA prá nós é uma utopia.

SB – Qual a relação entre Wlamir e Amaury dentro e fora das quadras de acordo com a sua percepção?

WM – A nossa relação é a melhor possível, somos amigos desde os nossos 17 ou 18 anos de idade. Sempre nos demos muito bem e sempre houve um sentimento de respeito muito grande entre nós. Fomos companheiros de quarto em todas as nossas participações e isso nos deu um lastro de confidências muito próprias para as nossas evoluções de vida. Não nos vemos muito, mas nos falamos sempre pelo telefone, afinal nessa cidade de São Paulo, assim como qualquer cidade grande, fica difícil o deslocamento conforme a idade vai aumentado, me parece que as distâncias vão aumentando. Agradeço muito ao Amaury por ter me ajudado a ser o que sou, é um grande amigo e sei que nós podemos confiar um no outro. Foi o melhor jogador brasileiro que eu vi jogar até hoje. Essa é uma grande história.

SBO senhor aceitaria o cargo de presidente da CBB atualmente? Por quê?

WM – Se eu disser que aceito o cargo de presidente da CBB seria para me candidatar imediatamente, mas não vejo isso como meta na minha cabeça. Estou com 71 anos de idade e estou mais para encerrar a minha carreira na praia do que ficar aparando arestas dos incompreendidos e dos vaidosos dirigentes do  esporte brasileiro. Não sirvo pra ser corrupto e nem para ser corrompido, não faço parte de maracutaias e nem de desmandos vaidosos, sou livre para fazer e falar o que quiser, não servirei jamais para acordos maquiavélicos e egoistas. Sei que capacidade não me falta, sei tudo o que acontece no basquete brasileiro, até das coisas que não são mostradas publicamente, por isso e por muito mais coisas que eu não me atrevo a ser o presidente de nada, sou muito honesto para ser o presidente de alguma coisa nesse país.

SB – Qual sua maior frustração como jogador de basquete?

WM – A minha maior frustração foi como jogador de basquete no ano de 1972. Fui convidado pelo técnico Kanela para ser o seu assistente técnico e jogador nas Olimpíadas de Munique. Cheguei a participar dos primeiros treinamentos, ajudei na preparação por certo tempo, mas depois eu desisti. Nessa época estava no segundo ano da faculdade de educação física (FEFISA) e fiquei com receios de perder o ano caso me ausentasse por um longo período. Então pedi ao Kanela a minha dispensa e ele, entendendo a minha situação, aceitou o pedido. Hoje eu imagino que não perderia o ano de forma nenhuma, tinha até garantias governamentais para o meu afastamento da faculdade, mas na época não pensei nisso. A frustração é que com as Olimpíadas de Munique eu faria cinco Olimpíadas como atleta e deixei escapar o que seria pra mim uma grande honra. Participei das Olimpíadas de Melbourne-1956, Roma-1960, Tókio-1964, México-1968. No ano de 1964 fui escolhido pelo COB para ser o porta-bandeira da delegação brasileira em Tókio.

SB – Como o homem Wlamir enxerga o jogador Wlamir?

WM – O Wlamir foi quando jovem um garoto muito feliz. Garoto de praia e de muito sol, sempre correndo atrás de uma bola e da água também, pois a natação foi o seu primeiro esporte como praticante. Muito cedo foi convocado para a seleção brasileira de adultos e com 17 anos foi vice-campeão mundial, com 22 foi campeão mundial, com 23 foi medalha de bronze em Roma, com 26 foi bi campeão mundial, com 27 foi outra vez medalha de bronze e com 33 voltou a ser vice-campeão mundial. Jogou até o ano de 1974 quando foi técnico e professor de educação física. Confesso que como homem viveu grande parte alienado de uma vida comum e normal, isso motivado por uma vida de treinamentos e viagens que o afastavam constantemente do convívio com a sua família. Sempre acreditou que com isso garantia por algum tempo o sustento da sua família. Acho o Wlamir um bom amigo, eu confio nele, é às vezes crianção, mas é por excesso de felicidades, ele é uma cara muito feliz com a vida e com o que DEUS lhe deu.

Rocky Mountain Revue – Spurs vs Mavericks

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No clássico entre as equipes texanas, melhor para o Dallas Mavericks, que enfrentou dificuldades para bater o San Antonio Spurs na Rocky Mountain Revue.

O Spurs começou muito bem o jogo e terminou o primeiro período com uma vantagem de cinco pontos. No segundo quarto, o Dallas foi arrasador e compensou a má atuação de antes. O duelo foi para o intervalo com o Dallas vencendo por quatro pontos. Na volta, tivemos um quarto equilibradíssimo, as duas equipes jogaram muito bem e levaram a decisão para o período final. Com vantagem de apenas um ponto para o Mavs, todos esperavam que o último quarto fosse emocionante. Não foi o que aconteceu; comandado por Gerald Green (27 pontos), o Dallas foi mais uma vez superior e saiu de quadra com a vitória.

O terceiro dia de competição marcou a primeira derrota da equipe de San Antonio. O time estreou com vitória frente ao Utah Jazz e venceu a segunda partida contra o D-League Ambassadors. O próximo jogo será amanhã, contra o Atlanta Hawks.

Destaques da partida

San Antonio Spurs

George Hill – 18 pontos (14-7), 4 rebotes e 4 assistências

Ian Mahinmi – 17 pontos e 10 rebotes

James Gist – 9 pontos e 7 rebotes

Dallas Mavericks

Gerald Green – 27 pontos e 5 rebotes

Reyshawn Terry – 14 pontos

Bate-papo com Dimitris Diamantidis

Após a conquista da vaga para os Jogos Olímpicos, o ala grego Dimitris Diamantidis, um dos destaques de sua equipe, concedeu uma pequena entrevista ao site da FIBA. Ele falou sobre as adversidades dentro do torneio pré-olímpico e também sobre as chances da Grécia em Beijing.

Frases de Diamantidis

Sobre o jogo contra Porto Rico:

“Sabíamos que ia ser o nosso oponente mais difícil em todo o torneio pré-olímpico, mas estivemos todos concentrados, fizemos uma boa defesa e ganhamos. O mais importante é que conseguimos atingir nossa meta e nos classificamos para Beijing.”

Sobre o restante da preparação:

“É prazeroso poder ter alguns dias de descanso. Todos viemos com tremendos esforços e não tivemos o tempo que queríamos para poder recarregar as baterias. Agora, com uma mente mais descansada, continuaremos o trabalho visando Beijing. Nosso objetivo principal é treinar para nos fortalecermos ainda mais e estarmos melhores nos Jogos Olímpicos.”

Sobre as aspirações da equipe nos Jogos Olímpicos:

“O objetivo que nós propusemos é pensar em cada jogo separadamente e rever o que fizemos após ter completado nossas obrigações na fase de grupos. O que devo dizer é que não devemos nos empolgar com facilidade. A equipe é boa, tem potencial, mas devemos provar isso a cada jogo. Entusiasmo demais pode ser prejudicial.”

Sobre a mobilização do público:

“Agradecemos às pessoas pelo apoio. Será muito bom vê-los também em Beijing, apoiando não só o basquete, mas todos os atletas gregos. Espero que todos nós aproveitemos os Jogos Olímpicos.”

A história do San Antonio Spurs – Os anos na ABA

Por Renan Ronchi

Cliff Hagan

Olá torcedores do time mais vencedor da época. Pra quem não me conhece, permitam-me me apresentar. Meu nome é Renan Ronchi e escrevo para o NBA Champions, blog que alguns devem conhecer, outros não. Para quem conhece, sabe que meu time do coração é o Chicago Bulls e eu não virei a casaca ou coisa parecida. Trata-se uma coluna de 5 partes que será postada toda segunda feira e que contará a história do San Antonio Spurs desde a época que os seus pais nasceram. Afinal de contas, antes de Tim Duncan e David Robinson o Spurs também teve um time, certo?

O Spurs é um time até que recente na NBA. Veio em 1976 com a queda da ABA, assim como o Denver Nuggets, o Indiana Pacers e uma porrada de times aí. Mas o time é mais antigo do que se pensa. O time foi um dos primeiros 11 times a jogar na ABA, liga que iniciou em 1967 suas competições oficiais. Na verdade, a ABA não deveria ser bem levada a sério. Começou com um basquete diferente, cheio de coisas que as pessoas gostavam na NBA, liga que já existia há 20 anos. Tanto que o primeiro Slam Dunk Contest veio na ABA, e muitas outras coisas do nosso All Star Weekend (além de ser a pioneira da linha dos 3 pontos). Mas o negócio acabou sendo levado mais a sério do que se imaginava. O Spurs não veio já com seu logo bonitinho e com o nome de Spurs. Veio da cidade do maior rival do atual time e com um nome meio.. esquisito. Dallas Charrapals era o nome do time que vinha para a ABA com o objetivo de ser o primeiro campeão da história da liga, liderados pelo jogador e mais tarde técnico Cliff Hagan (foto acima).

O primeiro ano foi uma surpresa decepcionante. O time era bom para os padrões da época, mas acabou com um 41-37 na temporada regular, e nos playoffs foi eliminado facilmente pelo New Orleans Buccaneers. Os anos foram passando, o time continuou sem ganhar nada e logo os problemas financeiros começaram a aparecer. Os dirigentes começaram a pensar que “Dallas” era nome de boneca e trocaram para “Texas” na temporada de 1970/1971. A coisa mostrou ser um fiasco maior ainda. Chegaram a mudar de ginásio no Texas duas vezes. Em 1972 voltaram para Dallas e, pela primeira vez em sua existência, o time não chegou aos playoffs. Isso foi a gota d’água para os dirigentes, que colocaram a franquia à venda. O time acabou sendo comprado por um bando de homens de terno e gravata e cheios da grana e que trariam o time para San Antonio. O nome do time também seria mudado. Originalmente o nome seria San Antonio Gunslingers. Sei lá de onde tiraram isso, mas logo perceberam que o nome era uma droga e mudaram para Spurs. As cores originais (vermelho, branco e azul) foram mudadas para preto e prata e enfim o Spurs poderia começar sua temporada nova completamente mudado e pronto para tentar ganhar campeonatos.

O homem que assumia as pontas do time agora era James Silas, veterano na ABA. Desde aquela época, o ponto forte do Spurs era sua defesa. Em mais de 60% da temporada regular, o time adversário conseguiu menos de 100 pontos no jogo, o que mostrava que mesmo para os padrões daquela época o time sempre pensou da mesma maneira. Silas agora não estaria mais sozinho e o time adquiriria reforços pesados. Trouxe Swen Nater, o novato do ano da época, e a lenda da época que todos os fãs do Spurs conhecem, “The Iceman” George Gervin. A ABA, por sua vez, achou que Gervin no Spurs prejudicaria a liga e tentou parar a troca, mas o Spurs levou o caso para a justiça e ganhou a causa, trazendo Gervin oficialmente em 7 de janeiro. Agora sim, eles podiam pensar em anéis.

O time ficou em terceiro lugar no oeste na temporada regular, mas novamente viria a perder na primeira rodada dos playoffs. Dessa vez seria para o Indiana Pacers, em 7 jogos. No ano seguinte, o Spurs aumentaria seu poder defensivo se tornando o “time pé no saco” da época no HemisFair Arena (casa do Spurs), ou seja, aquele time que poderia não ganhar o campeonato, mas poderia ganhar de qualquer adversário em casa. Com a demissão do técnico Tom Nissalke, Bob Bass viria a comandar o time com uma preocupação defensiva maior e com um novo arsenal para o ataque do time. Isso foi suficiente para o Spurs ficar em segundo no oeste com 51-33, mas perderia no primeiro round para o Indiana Pacers de novo, dessa vez em 6 jogos.

Esse foi o histórico do Spurs na curta época em que a ABA existiu. Um time que tinha sérios problemas para enfrentar o estilo corrido do Pacers e que nunca conseguiu chegar muito longe nos playoffs pois, quando estava pronto para ganhar um título, a crise na ABA aconteceu. Devido à não ter contratos com os canais de TV (a NBA era soberana por existir a mais tempo) e de uma crise com os salários dos jogadores a ABA acabou deixando de existir. Mas isso não significou o fim do Spurs. O time era forte e não podia terminar assim. No próximo post, você verá o Spurs em seu início na NBA, ainda sob o comando de George Gervin que agora estava experiente e lideraria a liga em pontos várias vezes nos anos que passariam. Até a próxima segunda!