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É… ele é o MVP!

Parecia ser esse o sentimento de Stan Van Gundy quando LeBron James fez cesta impossível e deu a primeira vitória ao Cleveland Cavaliers na série contra o Orlando Magic, evitando o que seria uma catástrofe para a franquia de Ohio. Agora, a série vai para a Flórida empatada.
Quando Hedo Turkoglu fez importantíssima jogada e, deixando apeanas um segundo no placar, colocou o Magic dois pontos à frente no marcador, parecia que, mais do que a partida, a série estava definida. Mas LeBron encontrou uma brasa de esperança e incendiou a Quicken Loans Arena com uma bola de três completamente inimaginável.
Talvez, para Turkoglu, tenha faltado a humildade para admitir que o jogo ainda estava aberto e contestar o arremesso do adversário com a mesma vontade com que ele devolveu o Magic à partida depois de estar perdendo por 23 pontos. Talvez tenha faltado apenas destreza defensiva para o turco, ou, talvez, nada nem ninguém pudesse parar James naquele momento. E é esse tipo de dúvida que separa ótimos jogadores, como o ala de Orlando, de MVP’s como o craque dos Cavaliers.
James ainda aproveitou para calar qualquer ameaça de crítica que possa ter surgido quando ele passou a bola para West no último lance da primeira partida. Para quem ainda tinha dúvidas, elas foram pulverizadas – LeBron tem sim poder de decisão. Mais do que isso, talvez. Tem aquele toque especial que um time precisa para ser campeão.
Mas calma lá, fãs do Cleveland Cavaliers. Vale lembrar que a vitória foi providencial para manter a equipe no páreo – porém, a situação não é das mais confortáveis. A equipe precisa vencer pelo menos uma das três partidas a serem disputadas em Orlando para passar às finais e não perder a maior oportunidade que a franquia de Ohio já teve para ser campeã. Mas contar com um jogador como LeBron James já é meio caminho andado para isso.
Rashard Lewis garante zebra em Cleveland


É MINHA! Mesmo eliminado por faltas, Superman comeu a bola (30 pontos e 13 rebotes)
Quem diria! Muita gente deve ter ido dormir com a certeza de que o Cleveland Cavaliers de LeBron James sairia vencedor no duelo contra o Orlando Magic. De fato, no intervalo, a equipe de Ohio vencia por 16 pontos de vantagem, o que fazia parecer que um massacre estava por vir.
Quem dormiu perdeu uma partida eletrizante, em que, numa retomada fantástica, o Orlando Magic virou nos últimos segundos (107 a 106) e inverteu o mando de quadra da série. O autor da proeza foi o muitas vezes criticado Rashard Lewis. Podem falar o que quiser, que seu salário é alto (e realmente é), que em alguns jogos ele parece que toma um calmante e fica sonolento, que isso e que aquilo, mas o que ninguém pode negar é a sua eficiência e importância para esse elenco. Frio como gelo, Lewis converteu uma bola de três pontos há poucos segundos do final e deixou o Magic com um pé no triunfo. A bola decisiva ainda foi para o Cleveland (dou um doce para quem advinhar quem deu o arremesso final)… errou quem disse LeBron James. O queridinho da mídia até chamou a responsabilidade e encarou os marcadores, mas, quando viu seu companheiro Delonte West livrinho, tocou a bola. Sem sucesso no chute, o rebote entre o próprio James e Hedo Turkoglu rapidamente se tornou uma bola presa, e, consequentemente, jump ball com apenas um segundo no marcador.
LeBron James saiu de quadra com 49 pontos, seis rebotes e oito assistências – marca pra lá de expressiva. Sim, ele fez tudo o que estava ao seu alcance: batalhou, jogou duro e converteu algumas bolas decisivas. Há quem diga que ele pipocou no lance final por ter passado a bola para um companheiro melhor posicionado – besteira, besteira. LeBron fez o certo; sozinho naquela jogada, dificilmente ele conseguiria alguma coisa, já que estava muito bem marcado.
O time de Mike Brown foi muito falado na imprensa, e era tido como favorito absoluto nessas semifinais, inclusive por nós da equipe Spurs Brasil. No entanto, o jogo contra o Magic evidenciou alguns problemas ofuscados durante a boa campanha até aqui. Dos 106 pontos anotados pelo Cavs durante o jogo, apenas cinco vieram do banco de reservas, ao passo que, no Orlando, os suplentes contribuiram com 25. Tamanha disparidade se deve em partes ao péssimo desempenho do banco de Brown, mas a sobrecarga em cima dos titulares foi outro fator fator primordial. Os quatro reservas que estiveram em quadra (Joe Smith, Wally Szczerbiak, Ben Wallace e Daniel Gibson) jogaram menos do que o costume, especialmente Gibson e Smith. No Magic, Van Gundy preferiu manter seus suplentes por mais tempo em quadra – o que no final do jogo acabou surtindo efeito.
Fator X
Falar de Dwight Howard, assim como de LeBron James, Kobe Bryant e Chauncey Billups, é chover no molhado. Tirando o superman, um jogador é essencial para o sistema ofensivo do Orlando Magic. Hedo Turkoglu é uma espécie de termômetro do time. O turco deixou papéis de coadjuvante na carreira (como em Sacramento e em San Antonio) para se tornar um atleta chave na Flórida. O embate de hoje deixou isso muito claro: o ala esteve mal durante os três primeiros períodos; contudo, quando resolveu acordar, deu um gás extra e ajudou a motivar o elenco rumo à vitória.
Os próximos jogos
O Orlando Magic vem provando sucessivamente que está aí para brigar pelo título (embora muita gente ainda seja um pouco reticente quanto a isso). A prova mais do que concreta foi o jogo de hoje, quando conseguiu reverter uma grande vantagem mesmo atuando fora de casa. Com o mando de quadra para si, creio que o Magic tem tudo para colocar LeBron James e companhia na parede já no jogo dois. Uma nova vitória da equipe da Flórida pode significar sérios problemas para o Cavs, que parece carregar o peso do favoritismo nas costas, pois no duelo de hoje claramente se acomodou após abrir confortável vantagem.
Sinal amarelo ligado em Cleveland.
Denver joga bem, mas…


É, Carmelo, nem adianta se esconder; Fisher e Bryant te esperam no jogo dois. Vai dar pro Denver?
Deu Lakers! Na noite de ontem aconteceu o primeiro embate envolvendo Los Angeles Lakers e Denver Nuggets. Embalado pela boa campanha nos playoffs, o time do Colorado jogou melhor durante todo o tempo, mas, no final, prevaleceu a experiência dos angelinos, que saíram vencedores por 105 a 103.
Por que? Mesmo jogando em casa, o Lakers se viu dominado nos dois primeiros períodos. No segundo quarto, no entanto, houve uma pane no Nuggets e o time da casa conseguiu encostar no marcador. No final do quarto, apareceu a estrela de Derek Fisher. O armador estava com zero pontos até aquele momento; mas, quando recebeu a bola há poucos segundos do final, acertou um chute de três pontos e colocou L.A. à frente mesmo tendo jogado mal durante ambos os períodos.
Trevor Ariza estava mal; ídem a Derek Fisher, Pau Gasol, Andrew Bynum e Lamar Odom. Mesmo assim, os californianos conseguiram equilibrar o jogo contra um Denver inspirado. Indícios de superioridade absoluta? Talvez! Os comandados de George Karl vacilaram quando menos podiam, e, mesmo atuando confiantes, sucumbiram à experiência de um time que dificilmente perdoa seus adversários. O que fazer? Algumas poucas vezes vi o Lakers fazer seguidos jogos ruins nessa temporada, o que significa que a próxima partida deverá ser mais dura do que a primeira. Ao Denver, é fato que fica aquele sentimento do: “Dava pra ter ganho”, e talvez isso dê uma desanimada no elenco. Mas quem jogou de igual pra igual com o Lakers no jogo um tem plenas chances de triunfar no segundo duelo.
Quem brilhou?
Kobe Bryant fez o que era esperado de sua parte. Chamou a responsabilidade e decidiu quando foi preciso. Derek Fisher foi aquele jogador providencial, que me lembrou o mesmo Fisher que um dia entristeceu os torcedores de San Antonio ao fazer uma cesta com apenas 0.4 segundos no marcador.
Pelo lado de Denver, Carmelo Anthony vem mostrando que é aquele grande jogador que se especulou um dia. Ontem, uma partida impecável, com 14 arremessos acertados em 20 tentados (média impressionante). É redundante falar sobre Chauncey Billups, pois a dinâmica de jogo que ele dá para o Nuggets é algo de outro mundo. Ontem ele ficou aquém de seus grandes desempenhos, errando alguns arremessos livres que fizeram falta no final. No entanto, mostrou ser aquele jogador decisivo que todos esperam que ele seja; duas bolas de três no final do jogo (quando a coisa realmente pegou) provaram isso.
Hoje teremos o primeiro embate da série entre Cleveland Cavaliers e Orlando Magic. O Cavs é favorito, mas será que dá para brincar com os poderes do Superman? Resta esperar!
As duas finais
O ápice da NBA está chegando. Depois de muitas partidas, muitas noites gastas em jogos e muitas decepções e alegrias assimiladas. Com as finais de conferência aí, peço licença para colocar abaixo minhas análises sobre os duelos entre Los Angeles Lakers e Denver Nuggets no Oeste e Cleveland Cavaliers e Orlando Magic no Leste.
Time-a-time
Los Angeles Lakers
Talvez a equipe mais badalada no ínicio da temporada, o Lakers sofreu com a ausência do pivô Andrew Bynum, que mais uma vez ficou um belo tempo afastado nas quadras com lesão no joelho. O ala-armador Kobe Bryant, como de praxe, brilhou e abrilhantou a NBA. O ala-pivô Pau Gasol foi outra peça importantíssima, principalmente na ausência de Bynum. Os angelinos foram, durante toda a temporada, favoritíssimos no Oeste. Porém, algumas atuaões contestáveis na pós-temporada diminuiram a pompa e acenderam a luz amarela. Em 2009, o Lakers e Phil Jackson terão seu grande teste de fogo. Poderá Kobe vencer sem Shaquille O’Neal? Phil Jackson ainda pode render? A chegada de Pau Gasol será convertida em títulos? São essas perguntas que devem ser respondidas nas próximas semanas.
O nome: Kobe Bryant, sem dúvidas. Desde a saída de O’Neal, é o craque solitário do time. Ganhou a companhia de Gasol e Bynum, mas nenhum dos dois consegue alcançar a magnitude do ala-armador.
Termômetro: Quente. É favorito no Oeste e tem boas chances de faturar o título da NBA.
Denver Nuggets
Não restam dúvidas de que o Nuggets é a grande surpresa de 2008/2009. Mal cotado no ínicio da temporada, o time do Colorado conseguiu, em uma troca, mudar seu destino. Se desfez de um Allen Iverson em franca decadência e juntou ao seu plantel um dos melhores armadores da liga, Chauncey Billups. Deixou times como San Antonio Spurs, Houston Rockets e New Orleans Hornets – sempre tachados de favoritos – comendo poeira, e chegou sem qualquer contestação às finais de sua conferência. Com o astro Carmelo Anthony jogando em um nível altíssimo e as gratas aparições do brasileiro Nenê no garrafão, a franquia almeja ir ainda mais longe.
O nome: Chauncey Billups. Carmelo Anthony pode ser o grande astro dos Nuggets, mas sem Billups nada seria possível. O armador faz o time funcionar como não se via desde muito tempo atrás. É o nome do Denver nessa temporada.
Termômetro: Morno. Não tem a tradição e nem a força do Lakers, mas caso passe pelos angelinos no Oeste chegará embalado demais e sedento pelo título.
Cleveland Cavaliers
Para muitos, até 2003 o Cavaliers não era nada. Depois da citada data, virou apenas o “time do LeBron”. Hoje, sem dúvidas, é a franquia que vem apresentando o melhor basquete na temporada. LeBron James surpreende a cada jogo, mostrando nível melhor em cada partida que disputa. O armador Mo Williams chegou para ser o escudeiro do astro e tem sido muito mais: melhorou o arremesso de perímetro do time e deu mais organização tanto no ataque quanto na defesa. O sistema defensivo da equipe, por sinal, tem enchido os olhos daqueles que, como eu, gostam da parte tática do basquete. Entrará, sem dúvidas, para a História. A moral, por sua vez, é das mais altas possíveis: oito jogos na pós-temporada e oito vitórias, além da melhor campanha da liga na regular.
O nome: LeBron James e não são necessárias explicações.
Termômetro: Muito quente. Com seu estilo de jogo encaixado e a melhor campanha da temporada regular na sua bagagem, o Cavaliers é, apesar do desgosto de muitos, o grande favorito ao título.
Orlando Magic
O Magic provou nessa temporada que com organização se vai longe. A diretoria da franquia acertou em apostar no pivô Dwight Howard e soube planejar o futuro do time em torno do jogador: deu certo. Hedo Turkoglu e Rashard Lewis se mostraram ótimos apoiadores do astro. Jameer Nelson, que perderá as finais lesionado, é ausência certa e será sentida: o jogador vinha sendo um dos melhores armadores da NBA. A bela vitória sobre o Boston Celtics nas semifinais do Leste será um dos fatores que deverão mover esse time.
O nome: Dwight Howard é o nome do time. Com atuações monstruosas, é a grande arma ofensiva do time e tem sido excepcional na defesa.
Termômetro: Frio. Não acredito que o Magic possa ser campeão. Passar pelo Cavaliers já é matéria quase impossível. Mas chegar até esse ponto foi importantíssmo para uma equipe que parece ter muito futuro.
Chegou a hora!


Kobe Bryant tem a grande chance de calar os críticos e mostrar que pode triunfar sem Shaq (Foto: Arquivo Spurs Brasil)
Quem diria! O longo período da NBA está cada vez mais perto de chegar ao seu final, caro leitor do Spurs Brasil! Agora, já temos as finais de conferência definidas. No leste, Orlando Magic surpreendeu no jogo 7 e sapecou uma vitória incontestável mesmo jogando em Boston. No oeste, mesmo depois de passar sufoco, o Los Angeles Lakers também garantiu sua vaga.
Muito se falou do Orlando Magic na temporada regular. Logo nos primeiros 20 jogos, a equipe da Flórida despertou o interesse da mídia – que pouco demorou a credenciar o time como um dos favoritos no leste. Dito e feito; após uma temporada impecável, o Magic chega com sobras à final de conferência. O Boston jogou sem Garnett? Sim, até eu creio que, se completo, KG e companhia eram favoritos à vaga. No entanto, como também é necessária sorte para se vencer, o Magic contou com uma ajudinha dos santos para se firmar entre os quatro melhores do torneiro. Vale lembrar que Orlando tem jogado sem o seu armador titular, Jameer Nelson, desde meados da temporada regular. Aqui, a diretoria soube agir com destreza e logo firmou acordo com o ex-Rockets Rafer Alston.
Falando em Rockets, palmas mais do que merecidas para os texanos de Houston. Sem Tracy ‘pé frio’ McGrady, a equipe conseguiu finalmente avançar à segunda rodada dos playoffs. No duelo contra o Los Angeles Lakers, outra baixa; a do pivô Yao Ming. Mesmo com elenco devastado pelos problemas físicos, o Rockets lutou com braveza e conseguiu levar a complicada série até o jogo 7, quando a derrota foi inevitável.
O Lakers, que já havia sido criticado nesse mesmo espaço por estar jogando abaixo do que pode, terá que redobrar os esforços se quiser derrotar o Denver Nuggets – que vem jogando o melhor basquete dessa pós-temporada ao lado do Cleveland Cavaliers. Kobe Bryant teve algumas dificuldades para se livrar do cerco defensivo armado pelos texanos – talvez esse seja um trunfo para o Nuggets, que deve ter estudado minuciosamente os duelos angelinos nas semifinais do oeste. Com sua principal estrela bem marcada, sobrará artilharia pesada para Pau Gasol, que tem passe livre na defasada defesa do Colorado. Mesmo assim, se o Lakers quiser chegar à sua segunda final consecutiva, é bom que haja uma boa ajuda do elenco de apoio.
De volta ao leste, Cavs e Magic fazem um duelo de estrelas. LeBron James carrega nas costas todo o favoritismo da melhor campanha da temporada regular. Do outro lado, Dwight Howard fará de tudo para levar Orlando à glória máxima do basquete – o título da NBA. É, caro leitor, ficamos de fora das fases decisivas nesse ano, mas, mesmo assim, temos ótimos representantes do bom basquete para acompanhar; desfrutem!

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