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Voto de confiança

Torcemos para uma equipe imprevisível. Nesta temporada, o San Antonio Spurs provou que pode ser contrário a qualquer tipo de prognóstico. Nas últimas semanas, o time protagonizou vitórias sobre os quatro principais favoritos ao título da NBA (Boston Celtics, Cleveland Cavaliers, Los Angeles Lakers e Orlando Magic) e perdeu partidas fáceis, como para o New Jersey Nets – time de pior campanha da Liga – e ontem, em casa, para um desinteressado Memphis Grizzlies desfalcado de Marc Gasol e Ronnie Brewer.
Se não sabemos o que podemos esperar da nossa equipe nesta temporada, sabemos muito bem o que podemos esperar da franquia – principalmente com a gestão de R.C. Buford e Gregg Popovich. Com os dois à frente do Spurs, o planejamento manteve o time na briga por títulos. Não à toa, a equipe disputará os playoffs pela 13ª temporada, maior sequência ativa de todos os 30 times da NBA.
Drafts bem executados renderam bons reforços, como os recentes Tony Parker, George Hill, Manu Ginobili e DeJuan Blair. Contratações cirúrgicas sempre ajudaram a completar posições carentes na equipe. Porém, a política sempre foi apostar nos atletas advindos do draft, e fazer com que eles constituíssem carreira exclusivamente em San Antonio.
Por isso, não questiono a renovação do contrato de Manu. Acho, sim, que o salário que será pago ao argentino é alto demais – principalmente na última temporada. Porém, não podemos negar que a recuperação que o argentino teve nesta temporada foi o principal motivo da empolgação pré-playoffs dos torcedores do Spurs. O atleta tem características que nenhum outro tem no elenco, como vibração, criatividade e, porque não, catimba.
Críticas à parte, confio no trabalho de Buford e Popovich. Trabalho este que tem erros, sim, como a perda do ala-pivô Luis Scola – erro este já admitido pelo general manager do Spurs em plena ESPN. Tenho total confiança no trabalho da dupla e, assim, não olho com desconfiança para o novo contrato de Ginobili.
Com vocês, a melhor jogadora do mundo
Vou deixar o San Antonio Spurs um pouco de lado na coluna de hoje para falar sobre a WNBA, que começa no próximo mês.
Se alguma atleta da WNBA pudesse um dia ser comparada a Michael Jordan, essa seria Diana Taurasi.
Ela é rápida, inteligente, defende, ataca, arremessa com uma qualidade incrível… é, sem dúvidas, uma jogadora completa, como se fosse o Kobe Bryant na NBA atual.
Decidi dedicar este espaço a Diana Taurasi por um único motivo. Hoje, li a notícia de que ela anotou 37 pontos na semifinal da Euroliga de basquete – um número raro para uma mulher. Além dos 37 tentos, a ala adicionou outros 12 rebotes e seis assistências.
Logicamente sua equipe, o Spartak Moscou, venceu. E venceu um time forte e rico: o UMMC Ekaterinburg.
Vale lembrar aqui nesse texto que as jogadoras da WNBA também atuam na Europa, já que a temporada norte-americana é mais curta e os salários deixam a desejar.
Na WNBA, Diana Taurasi tem uma carreira privilegiada. Já ganhou o título duas vezes com a camisa do Phoenix Mercury – atual vencedor do torneio – e também conquistou o MVP [melhor jogadora] da temporada regular e dos playoffs. Além, é claro, de ser condecorada no basquete europeu pelo estelar Spartak Moscou.
Pelo selecionado norte-americano, Taurasi possui duas medalhas de ouro no currículo – em Atenas (2004) e Pequim (2008). Isso sem falar de sua brilhante carreira universitária por Connecticut.
Uma jogadora completa, com história na liga profissional estadunidense, no basquete internacional e por seu país. Será que é justo compará-la a Michael Jordan? Eu acho que sim…
Temos uma jóia em mãos

Quando o San Antonio Spurs selecionou o desconhecido George Hill na 26ª escolha do Draft de 2008, todos ficaram surpresos. A escolha chegou a ser criticada por muitos, principalmente porque a equipe deixou passar nomes mais conhecidos como Chris Douglas-Roberts e DeAndre Jordan. Mas quem conhecia o excelente trabalho que a franquia faz em recrutamentos estava tranquilo. Basta olhar o retrospecto: Manu Ginobili veio apenas na 57ª escolha, Tony Parker veio na 28ª, Luis Scola foi selecionado na 55ª, e Tiago Splitter na 28ª.
Procedente de uma uma universidade pouco tradicional, a IUPUI, do estado de Indiana, Hill não emplacou logo na primeira temporada na NBA. Como quase todos os novatos, sofreu com a irregularidade, mas demonstrou potencial quando precisou substituir Tony Parker – quando o francês deixou o time lesionado. Também impressionou Gregg Popovich, principalmente pela excelente capacidade defensiva que demonstrou.
Talvez ainda seja um pouco precipitado da minha parte fazer qualquer tipo de previsão, mas, depois de anos sofrendo com jogadores como Beno Udrih e Jacque Vaughn, hoje temos um armador reserva que tem tudo para ser melhor que o titular dentro de alguns anos. E eu explico.
Vejo a trajetória de Tony Parker e George Hill de maneira muito parecida. A diferença foi que Parker chegou e precisou já entrar como titular, sem muito tempo para se adaptar. A maturidade veio com o passar dos anos e hoje o francês tornou-se o que é.
Já Hill teve certo tempo para amadurecer antes de ser “jogado aos leões”. Porém, notem as semelhanças: tanto ele como Parker sofreram com a irregularidade do início na NBA. Foram sendo “podados” por Popovich para se adequarem à filosofia da equipe.
Agora as semelhanças no jogo. Tanto Parker como Hill são muito rápidos e infiltram muito bem. Não são grandes passadores e a maioria de suas assistências surgem após infiltrar e tocar para um dos pivôs em baixo da cesta ou encontrar um companheiro livre no perímetro.
O que me faz acreditar que Hill possa ser melhor que Parker são dois fatores. A defesa e o atleticismo. Claramente o jovem é melhor defensor que o francês. Parker nunca foi um primor na defesa, embora tenha melhorado nos últimos anos. Já Hill mostra-se um excelente defensor, com capacidade para melhorar ainda mais. Isso também graças à explosão física que ele tem. O camisa #3 é mais forte e mais atlético que o camisa #9.
Outra coisa que podemos levar em conta é a consistência do arremesso. A imensa maioria dos pontos de Parker saem nas infiltrações, algo que ele faz com maestria, por sinal. Nas últimas duas ou três temporadas, o armador desenvolveu um arremesso confiável de 2 pontos, mas continua pecando nos tiros atrás do arco. Já Hill tem os arremessos de 3 pontos como uma das chaves de seu jogo. São 39,8% de acerto nesta temporada. Ainda falta melhorar nos tiros de média distância, mas nada que mais um ou dois anos de treinamentos não resolvam.
Temos uma verdadeira jóia a ser lapidada. Em meio a tantos temores relacionadas a idade do elenco, é bom saber que temos em quem depositar nossas esperanças no futuro.
O segredo da mágica

O San Antonio Spurs venceu ontem o Orlando Magic e voltou a encher seus torcedores de esperança. Apesar da decepcionante derrota para o New Jersey Nets – time de pior campanha da NBA -, as vitórias recentes sobre equipes como Oklahoma City Thunder, Los Angeles Lakers e Boston Celtics me fazem pensar que não é devaneio colocar a equipe texana com chances de brigar, ao menos, pela Conferência Oeste. Mas, hoje, peço licença aos leitores do blog para deixar o Spurs um pouco de lado para falar sobre o adversário da última partida.
O Orlando Magic tem hoje a terceira melhor campanha da Liga – está atrás apenas das potências Cleveland Cavaliers e Los Angeles Lakers. Em seu plantel, estão dois dos meus jogadores favoritos de toda a NBA – Vince Carter e Dwight Howard, o que faz com que a equipe seja a minha predileta na Conferência Leste. O pivô, aliás, é o último de uma escola que abusa da força física para dominar os garrafões – em uma era de alas-pivôs improvisados na posição cinco, ele deita e rola embaixo da tabela, sendo o principal responsável pelo ressurgimento da equipe, que chegou inclusive à final na última temporada.
Ao verem o grandalhão pegando rebotes à vontade e distribuindo tocos como se não houvesse amanhã, os técnicos adversários não resistem e implantam, a todo momento, dobras na marcação do pivô. Um erro, na minha opinião, já que, ao meu ver, Howard não é a principal arma ofensiva no Magic – são, sim, as bolas de três pontos. E essa arma fica ainda mais forte quando a marcação sobre o superman é dupla, já que alguém sobra livre no perimetro. Assim, Jameer Nelson, J.J. Reddick, Matt Barnes, Michael Pietrus, Rashard Lewis e o já citado Carter fazem a festa da torcida de Orlando.
Gregg Popovich está entre os técnicos que preferem dobrar sobre Howard. No primeiro embate entre os dois times, o resultado foi um verdadeiro desastre. Ontem, a tática funcionou: Howard foi eliminado após cometer a sexta falta com apenas dez pontos e seis rebotes. Porém, mesmo assim, quatro jogadores de perímetro da equipe conseguiram chegar à marca de 15 pontos. Prova que, mais uma vez, choveram bolas de três pra cima do adversário. E vale lembrar: a atuação de Manu Ginobili também fez a diferença desta vez.
Agora, só podemos voltar a enfrentar Dwight Howard e o Orlando Magic em uma possível final da NBA. É difícil, sabendo que eles têm de superar o Cavs e nós temos de bater, entre outros, o Lakers. Se acontecer, fica minha torcida para que Pop deixe Duncan se virar como pode com Howard, enquanto marca bem os quatro homens de perímetro do Magic.
Os desgastantes 82 jogos

Caros leitores, antes de mais nada, eu gostaria de pedir desculpas a vocês pela minha ausência nesta coluna na semana passada. Como todos sabem, temos uma vida fora do blog e, infelizmente, não podemos nos dedicar exclusivamente a este espaço. Devido a alguns imprevistos, não tive o tempo necessário para elaborar meu texto, então peço desculpas a todos.
Mas, de volta ao universo da NBA, já há algum tempo estive refletindo sobre a extenuante rotina de jogos da NBA. São 82 jogos em um período que vai de novembro até, mais ou menos, o meio de abril. Isso só na temporada regular, fora os jogos dos playoffs, que podem somar outros 28, caso a equipe chegue à final disputando sete jogos em todas as séries.
Juntando isso ao grande número de viagens, já que os Estados Unidos possuem vasto território e com equipes espalhadas em diversas áreas, o resultado são as inúmeras lesões que os jogadores sofrem e a queda de rendimento das equipes, devido ao desgaste físico.
No caso do Spurs, temos vários exemplos. Tony Parker está fora até os playoffs devido devido a uma fratura na mão, mas chegou a perder alguns jogos da temporada com dores no pé e problemas no tornozelo. Manu Ginobili também; durante quase duas temporadas, sofreu com probelams nos tornozelos. Tim Duncan tem as dores no joelho que insistem em pertubá-lo. Isso sem falar de outros casos de jogadores que ficaram fora de algumas partidas desta temporada, como Roger Mason e Matt Bonner.
Pela NBA, temos outros exemplos. Talvez o mais claro seja o Portland TrailBlazers. Sem Greg Oden e Joel Przybilla, fora já há alguns meses, Travis Outlaw (que já foi trocado), Rudy Fernandez, Nicolas Batum e Brandon Roy já tiveram problemas físicos que os afastaram da equipe. Isso sem falar de outros casos históricos de jogadores que tiveram suas carreiras atrapalhadas pelas lesões, como Tracy McGrady e Grant Hill.
Perto dos 162 (!!!) jogos da MLB, liga de beisebol norte-americana, os 82 jogos da NBA parecem pouco, mas reparem que a NFL, liga de futebol americano, tem apenas 16 em sua temporada regular. Será que reduzir o número de jogos para 60, por exemplo, mudaria os classificados? Na minha opinião, não.
Basta olhar a tabela hoje e ver que os oito classificados já estão praticamente definidos, exceto a última vaga do Leste, e dificilmente grandes mudanças vão acontecer na tabela. Quem hoje está lá em cima, continuará lá em cima nos próximos jogos e também já estava lá em cima há dez jogos. Quem estava em baixo, a mesma coisa.
Sei que os interesses comerciais da liga são grandes, claro. Mais jogos geram mais pessoas nos ginásios, mais transmissões de TV, mais dinheiro… Mas nem sempre os interesses financeiros podem se sobressair sobre o espetáculo. Queremos ver nossos ídolos inteiros em quadra, e não nos departamentos médicos ou entrando em quadra em frangalhos.





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