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Será que dá?

A preparação da equipe brasileira para o pré-olímpico mundial, que acontece na Grécia, terminou ontem. Após os três jogos, algumas ressalvas a se fazer. No meu ponto de vista, a estréia foi melhor do que o esperado. Derrota apertada para os donos da casa, 72 a 65. Detalhe; os gregos jogaram com sua forte equipe titular. No jogo seguinte, contra a Croácia, a seleção jogou um ótimo basquete nos três primeiros períodos e acabou vencendo os croatas com certa facilidade, 86 a 77. O jogo final, que aconteceu ontem, era contra os australianos. O Brasil apresentou os mesmos problemas que havia mostrado diante de gregos e croatas: Inconsistência. Os titulares mantiveram um bom nível e deixaram o Brasil no jogo durante grande parte do tempo. O problema aconteceu quando os reservas tiveram que ir pra quadra. Quando isso ocorreu, nas três partidas, a equipe teve uma grande queda na sua produção. No final das contas, 89 a 84 para o time da terra dos cangurus.
Nossa equipe estréia na próxima terça-feira no pré-olímpico. O adversário parece não assustar, é o fraco Líbano. Entretanto, a pergunta que fica é a seguinte: Será que dá? Bom, vou me despir do ofício jornalístico e dar a minha sicera opinião: Eu acho muito difícil que o Brasil se classifique pras Olimpíadas com essa esquadra que aí está. Não que o torneio esteja com um nível altíssimo de basquete, muito pelo contrário, vejo uma competição fraquíssima tecnicamente e com apenas duas boas equipes: Grécia e Eslovênia.
É engraçado se pararmos pra pensar. Se tivessemos contando com os serviços dos jogadores da NBA; Leandrinho, Nenê e Ânderson Varejão, classificaria o Brasil como franco favorito a pelo menos uma das três vagas. Sem a turminha do estrelato, nossas chances se reduzem à metade (talvez até menos).
Como já foi dito, o primeiro embate será contra o Líbano. É uma equipe que dentro da África é quase imbatível; todavia, dentro do basquete mundial, não passa de uma força terciária. O segundo jogo com certeza será bem mais difícil. Contra os anfitriões gregos, a vitória será praticamente impossível. Primeiro porque eles jogam em casa, isso já garante amplo favoritismo aos helênicos, segundo porque indiscutivelmente eles têm bem mais time que nós. Não acho que seja totalmente impossível vencer; A Grécia já não é mais a mesma de dois anos atrás, é um time envelhecido, que carece de renovação, só que ainda deve ser respeitado.
Caso passemos de fase (provavelmente em segundo lugar), nosso possível adversário nas quartas de final será a Alemanha, que deve se classificar com facilidade no grupo B, que ainda conta com Cabo Verde e Nova Zelândia. A principio, os alemães assustam pelo simples fato de contar com o megastar Dirk Nowitzki. De fato, é um exímio jogador; ele já provou isso sendo o MVP da NBA. Só que é a famosa equipe de um jogador só; se conseguirmos anular Nowitzki, a chance de vitórias é bem grande (O problema é anulá-lo, mas isso já é outra história).
O grupo C conta com Coréia do Sul, Esovênia e Canadá, enquanto o grupo D é composto por Croácia, Camarões e Porto Rico. Creio que se classificam Eslovênia e Canadá no C e Croácia e Porto Rico no D, nessa respectiva ordem. Palpites feitos, vamos às semifinais: De um lado Grécia (que venceria um hipotético confronto contra a Nova Zelândia) contra Eslovênia (venceria Porto Rico, no caso). Esse é o caminho fácil para o Brasil, já que ao meu ver, Grécia e Eslovênia são as duas equipes mais fortes do torneio. Sobraria para o Brasil, no caso de uma vitória contra a Alemanha, enfrentar os croatas, que venceriam os canadenses na minha pequena simulação.
Grécia e Eslovênia seria um duelo imprevisível. Se tivesse que apostar, iria no time da casa, pelo simples fato de jogar em seu país. Já Brasil e Croácia fariam um embate interessante. Mesmo tendo vencido os croatas no torneio preparatório, não acho que venceríamos eles de novo. Simplesmente porque acho que a Croácia é mais time que o Brasil. Com as duas vagas garantidas (Grécia e Croácia), sobraria uma terceira, disputada contra os eslovenos. Aí meu amigo, se já acho difícil vencer os croatas, o que dirá a Eslovênia?
Claro que tudo isso é apenas hipótese. Podemos tanto vencer o torneio quanto ser eliminados na primeira fase. Eu fico aqui na torcida para a classificação, por mais que meus prognósticos não sejam nada animadores.
Spurs Brasil entrevista Amaury Pasos
O Spurs Brasil mostra em entrevista com o lendário ex-jogador Amaury Pasos todos os detalhes e opiniões da carreira deste que foi um dos maiores jogadores de toda a história do basquete brasileiro. Confiram a entrevista abaixo:
Spurs Brasil – O senhor é mundialmente conhecido por seus feitos com o selecionado brasileiro nas décadas de 1950 e 1960. Qual a sensação de ter levado seu país ao ápice no esporte que praticou?
Amaury Passos – Integrei a equipe representativa do basquete de nosso país entre os anos de 1954 (II Mundial do Rio de Janeiro – Brasil vice-campeão), então com 18 anos de idade, e 1967 (IV Mundial de Montevidéu – Brasil 3º lugar). Poderia ter alongado minha participação nas competições, pelo menos até os Jogos Olímpicos de Munique em 1972, ocasião em que completaria presença em cinco Olimpíadas. Mas em 1967 já era pai de três filhos e havia uma vida adiante para enfrentar, assim deixei de integrar a seleção e as exigências de longos períodos de treinamento e viagens para dedicar-me aos negócios da família. Não me arrependo.
Durante todo esse período conquistei o reconhecimento quase que unânime daqueles que acompanharam minha trajetória e obtive, principalmente, sentimento de gratificação pelos resultados alcançados. Naqueles tempos, muito mais que no presente, o Brasil era o país do futebol, a pátria de chuteiras, época de Pelé, Garrincha e outros. Figurar ao lado daqueles jogadores e ser notado foi algo notável. Recordo que, em 1960 ou 1961, o jornal Gazeta Esportiva publicou o resultado de uma pesquisa feita na Europa para escolher os melhores esportistas do mundo; figurei em 13º lugar, o Pelé em 15º…
Não quero significar que tenha sido melhor que Pelé, mas que o alcance dos feitos do basquetebol brasileiro já era de conhecimento mundial.
Hoje, mais do que naquela época, fico admirado e surpreso de haver contribuído para levar nosso país, integrante do chamado terceiro mundo, à condição de uma das três forças do basquetebol mundial, ao lado dos Estados Unidos e União Soviética.
SB – Quais os fatos que mais marcaram a sua carreira desde que a mesma se iniciou?
AP – Sem dúvida, posso citar os títulos conquistados pelas equipes das quais fiz parte, como os dois campeonatos mundiais e as duas medalhas olímpicas de bronze. Individualmente, a recente inclusão de meu nome no Hall da Fama da FIBA, considerando que a mesma filiou durante seus 75 anos de existência 175 países, os quais através de suas confederações, federações e ligas, congregaram 85.000.000 de jogadores filiados. Desses, apenas nove estão escolhidos e inclusos até a presente data no Hall da Fama. Doravante serão incluídos dois a cada dois anos.
SB – O senhor começou sua vida profissional dentro do basquete atuando como pivô e atuou até como armador. O senhor acredita que essa sua capacidade de atuar em diversas posições o ajudou na carreira na Seleção?
AP – Quando de minha (inesperada) inclusão como jogador da seleção brasileira no Mundial de 1954, fui escolhido para jogar na função de “pivot” por força de minha estatura – 1,91m – considerada elevada naquela época. Tive um bom desempenho junto com meu companheiro Wlamir Marques (então com 17 anos) e fomos considerados os dois melhores jogadores da equipe brasileira, apesar de sermos os mais novos. O Togo Renan Soares, conhecido como Kanela, técnico da seleção, rompeu com toda a tradição até então vigente e incluiu o Wlamir e a mim, contra tudo e todos e mudou, para melhor, o sistema de jogo brasileiro, iniciando assim a chamada “década de ouro” de nosso basquetebol, nunca mais igualada.
Após este início como “pivot”, o surgimento de jogadores de porte mais elevado fez com que me deslocasse para jogar como “lateral”, função que cumpri durante muito tempo, até ser guindado à função de armador. Sem dúvida que a experiência nas três posições me transformou num jogador, talvez não melhor, porém mais completo que os outros.
SB – O senhor poderia nos contar mais sobre a história de seus títulos mundiais pela seleção brasileira?
AP – Disputei quatro campeonatos mundiais: em 1954 no Rio de Janeiro, em 1959 em Santiago do Chile, em 1963 no Rio de Janeiro, e em 1967 em Montevidéu. Poderia ter participado em 1970 na Iugoslávia, o Kanela insistiu para que fosse, mas já havia decidido interromper os longos períodos de treinamento e viagens e jogava apenas representando o Corinthians ao lado de Wlamir, Ubiratan, Rosa Branca, Mical e René, nos Campeonatos do Estado.
Cada uma dessas competições possui um encanto diferente: em 1954 foi a expectativa da estréia, especialmente pelo inesperado de minha escolha para fazer parte da seleção, pois somente fui convocado em virtude do pedido de dispensa de Miltinho, um jogador do Corinthians, e por um pedido ao Kanela de meu técnico Mario Amâncio Duarte do clube Tietê, onde jogava. Quando da minha ida ao Rio para o início dos treinamentos, o Amâncio me disse que provavelmente seria cortado no primeiro corte, mas que esses 10 ou 15 dias treinando junto com a seleção brasileira seriam muito bons para meu desempenho futuro. Eu estava radiante, 18 anos na seleção brasileira! Pois não apenas não fui cortado, mas me tornei titular da equipe ao lado de Wlamir, Angelim, Algodão e Mair, e tive um desempenho notado durante o campeonato jogando como “pivot”, e nos sagramos vice-campeões mundiais, perdendo apenas a final contra os Estados Unidos.
Em 1959, em Santiago do Chile, a emoção de havermos sido campeões mundiais pela primeira vez e eu haver sido considerado o MVP do campeonato foram os fatos marcantes que jamais esquecerei.
Em 1963, mais uma vez na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro com seu povo entusiasta e o Maracanãzinho lotado até o teto, foi inesquecível a conquista do bi-campeonato, e mais uma vez tive a honra de ser considerado o MVP do campeonato.
Finalmente, 1967 em Montevidéu, suspeitava um gosto de despedida, terminamos em terceiro empatados com Iugoslávia e União Soviética, devido ao saldo de cestas ficamos com o bronze, olhando o passado disse para mim mesmo: “Quatro campeonatos: dois primeiros, um segundo e um terceiro não está nada mal…”
SB – Atualmente a seleção passa por uma grave crise, não aparecendo nos Jogos Olímpicos desde 1996. Qual a visão do senhor sobre essa situação?
AP – Não vejo nada novo, vejo tudo igual. Você é ainda muito novo, mas tenha presente que estamos no Brasil. Sou patriota, nunca recebi dinheiro para representar meu país, sempre achei um privilégio, amava a camisa que vestia e a bandeira que nos guiava. Mas te digo que estamos num país “meia boca”, aqui nada é sério, a começar dos dirigentes, presidente, senadores, deputados, governadores e prefeitos: a turma do primeiro, segundo e terceiro escalão. Não prestam, e às custas de esmolas como o [projeto governamental] “Bolsa Família” e outras mais, conseguem obter dos 60% de semi-analfabetos e desocupados do país os votos para perpetuarem-se no poder.
Especificamente no basquetebol não foi aproveitado o grande prestígio que o país desfrutou após a “década de ouro”, e nada se fez para incutir e desenvolver sua prática, especialmente na escola pública de todo o país, e incluir as modalidades esportivas como parte fundamental do ensino nas aulas de educação física. Basta ver a vergonhosa classificação que a ONU outorgou a nosso ensino para ver que o desenvolvimento de esportes como complemento educacional é algo que vai demorar muito para se tornar realidade. Basta folhear um jornal diário, mesmo O Estadão e a Folha de S. Paulo, e verificar que a parte dita “esportiva” concentra 90% de seu espaço ao futebol. Nosso presidente “nunca antes na historia deste país…” adota metáforas futebolísticas a todo instante, e o atual “pogresso” por ele propalado é ainda carente de condições de infra-estrutura que possam permitir ao nosso país um crescimento sustentável, não só no esporte como em todos os setores de atividade cultural, industrial e produtiva. Com raríssimas exceções, nada funciona em nosso país: educação, saúde pública, saneamento básico, segurança pública, sistemas judicial e político (que horror!!!), estradas, aeroportos, portos….chega!
SB – Algumas pessoas criticam o ex-jogador Oscar Schimidt por ter preferido defender a seleção a jogar na NBA. O senhor teve propostas para atuar na Liga norte-americana? Qual sua visão sobre a recusa de Oscar?
AP – Sou suspeito para referências ao Oscar. Nada tenho contra sua pessoa, mas tenho contra sua atuação e o legado que deixou. Um companheiro, também campeão mundial, Edson Bispo dos Santos se refere ao Oscar como “o jogador que conseguiu transformar o basquetebol em esporte individual”. De fato, tal foi seu comportamento ao longo dos anos em que utilizou a equipe do Brasil para autopromoção como grande anotador de pontos. Sem dúvida foi um grande finalizador, talvez um dos melhores de toda a história do basquete, cestinha de Jogos Olímpicos e Mundiais. No entanto, não obteve nada, a não ser um terceiro lugar no Mundial das Filipinas e primeiro nos Jogos Panamericanos de Indianópolis, títulos de expressão internacional. Ele mesmo diz que trocaria tudo por uma medalha olímpica…duvido. A sua atuação nas equipes brasileiras foi desestimulante e inibidora para o surgimento de jogadores que mostraram durante esse período condições de formar EQUIPE que pudesse haver levado o Brasil a ostentar uma posição melhor no ranking internacional. Durante a “década de ouro”, o Brasil era terceiro colocado, agora está na décima quinta posição. O basquetebol é um jogo técnico, tático, solidário e de posse de bola definida. Chega de Oscar…
Fui convidado, após os Jogos Olímpicos de Roma, para jogar no Los Angeles Jets, pelo técnico assistente da equipe americana, o primeiro “dream team”; todos os primeiros oito jogadores se tornaram posteriormente profissionais e estão na relação dos 50 melhores de todos os tempos da NBA: Oscar Robertson, Jerry West, Bob Boozer, Walt Bellamy e Lester Lane. Não aceitei, pois seria considerado profissional e não poderia mais representar o Brasil. Além disso, em dezembro de 1960, me casei, e precisava começar a participar dos negócios da família. Não sei se me arrependi.
SB – O senhor ainda mantém contato com o basquete de algum modo? Gostaria de exercer alguma função dentro da CBB?
AP – Não exerço nenhuma atividade dentro do basquetebol. Já fui técnico da equipe do Monte Líbano. Também já desenvolvi projetos para candidatos derrotados à Prefeitura e Governo de São Paulo denominados “Esporte na Escola Pública” e “Demonstração do dia 7 de Setembro”, todos arquivados e jogados fora. A CBB é hoje um órgão como muitos outros; a CBF, o COB, a CBV, a FPB, dominados por políticos que se perpetuam no cargo, obviamente para auferir vantagens pessoais e para os “compadres”, tudo cópia de nosso governo federal. Não consigo lutar contra essas instituições.
SB – Seu contato com Togo Renan Soares, o Kanela, era constante. O senhor poderia nos falar mais sobre esse grande ícone de nosso basquete?
AP – O Kanela é a grande personalidade de todos os tempos do basquetebol brasileiro: idealista, perseverante, psicólogo e temperamental, foi o grande técnico responsável por todos os títulos obtidos pelo Brasil. Nunca mais tivemos um técnico como ele. Não são suficientes os adjetivos para classificá-lo.
SB – O senhor poderia eleger cinco jogadores e um treinador para montar o seu “time dos sonhos” de todos os tempos?
AP – O treinador já está escolhido: Kanela. Os jogadores (não me incluo): Wlamir, Rosa Branca, Marquinhos, Menon e Waldemar.
SB – O senhor acompanha jogos da NBA atualmente? Se acompanhar, qual time o senhor mais gosta de ver?
AP – Acompanho, não assiduamente. Era torcedor do San Antonio, não torcia pelo Lakers por causa de uma antipatia em relação ao Kobe Bryant causada pela sua forma de ser. Mas ele se tornou um bom menino, e agora sua atitude e sua forma solidária de jogar merecem toda minha consideração: é o melhor jogador da NBA, pena que não teve companheiros à altura para ser campeão nesta temporada. No presente, a equipe mais bem estruturada é o Boston Celtics, campeão. Porém, sou torcedor do Lakers, que precisa mudar de técnico e contratar dois bons jogadores. Esse Gasol, como diz minha filha: “Vamos rezar!”
SB – Tiago Splitter é pivô titular da seleção e recentemente rejeitou trocar seu time na Espanha pelo San Antonio Spurs. Como o senhor enxerga essa rejeição, uma vez que o sonho de 9 em 10 jogadores é atuar pela NBA?
AP – É uma decisão pessoal. É um jogador jovem, têm muito tempo pela frente e poderá ainda rever sua postura, já que posse enorme potencial e progredirá bastante. Acho também que a maneira de jogar fora da NBA é benéfica para qualquer jogador, dada a importância que se aprende a ter sobre a posse da bola.
SB – Quais as principais diferenças em geral do basquete na sua época para os dias de hoje?
AP – O porte físico, não só de estatura como de preparação. Os jogadores de hoje são verdadeiros gladiadores, basta observar esse fenômeno do LeBron James, é um monstro e, acima de tudo, é ágil e rápido. Também o Shaquille O´Neal, com seus 2,16m, impressiona pela força física e velocidade. São fantásticos. Não havia exemplos assim em minha época.
SB – Como era o comportamento da dupla Amaury-Wlamir dentro e fora das quadras?
AP – Esta é uma pergunta agradável. Até os dias de hoje o Wlamir é meu amigo. Foi meu companheiro de equipe, companheiro de quarto em concentrações, confidente. Especialmente, temos uma espécie de “contrato”: se você me perguntar quem foi o melhor jogador brasileiro até hoje eu respondo: foi Wlamir. Se você perguntar pra ele, ele responderá: foi Amaury
SB – O senhor se considera um ícone do basquete brasileiro?
AP – Considero-me um dos bons jogadores que o Brasil teve, talvez um dos mais completos.
SB – Como que o senhor iniciou sua carreira? Sua família incentivou desde sempre sua opção em ser jogador de basquete?
AP – Meu primeiro esporte foi a natação, ainda durante a época em que morei na Argentina. Explico: sou brasileiro nato, filho de argentinos, aos cinco anos minha mãe ficou muito doente e voltamos para Buenos Aires. Nadei pela ACM de lá, e disputava as provas de nado livre 50m, 100m, 400m. Fui campeão argentino infantil dos 400m. Fugia do treino de natação para jogar basquete com meus amigos. Meu pai também jogava na ACM, e aos poucos fui trocando a natação pelo basquete. Aos 15 anos já jogava na equipe principal da 1ª divisão, “Buchardo”. Tenho, na Argentina, grandes amigos e grandes jogadores, como Oscar Furlong (que era meu ídolo), campeão mundial de 1950, recentemente indicado junto comigo para o Hall da Fama, aos 82 anos.
SB – Quais as maiores dificuldades encontradas pelo senhor e pelos outros jogadores na época em que o senhor atuava?
AP – Particularmente, a única dificuldade que eu tinha era a de furar as “panelas” dos clubes e seleções; de resto. sempre fui “filhinho do papai”, e nada me faltou. Alguns companheiros não tiveram essa sorte e passaram sempre dificuldades para se manterem.
SB – Qual a grande rivalidade que o senhor acha que o Brasil tinha na época em que o senhor estava na seleção?
AP – Estados Unidos, União Soviética e Iugoslávia. Antes, tivemos que quebrar uma hegemonia dividida pela Argentina e Uruguai durante 15 anos. Isso começou no Sul-americano de 1955, no Chile, quando fomos campeões.
SB – Por fim, gostaria de agradecer sua participação em nome de toda a equipe Spurs Brasil. Muito obrigado mesmo, é um prazer entrevistar uma lenda do basquete brasileiro. Minha última pergunta é: Quem foi o Amaury jogador na visão do Amaury pessoa?
AP – Nunca me vi jogando. Essa é uma grande frustração. As pessoas me dizem que eu era isso e aquilo, mas eu me pergunto: será que era? Obviamente, devo ter sido bom, mas não sei o quanto. No entanto, sempre fui possuído por uma vontade enorme de vencer com minha equipe. Julgo sempre, em todas as ocasiões, haver jogado procurando o melhor para o time.
Spurs Brasil Mock Draft

Caro amigo leitor e cara amiga leitora,
Na presente data me valerei deste espaço para fazer previsões sobre o recrutamento de novatos que a NBA promoverá nesta noite. Será uma espécie de mock draft, processo realizado por alguns especialistas onde o draft é “simulado” e comentado. E, para isso, contarei com a ajuda do colunista Glauber da Rocha. Vamos à lista:
1 – Chicago Bulls (Leonardo Sacco) – Derrick Rose
Desde que obteve o direito sobre a primeira escolha, o Bulls aponta para o armador. Nascido na cidade-sede do time e com um futuro brilhante pela frente, é menos citado pela mídia do que Michael Beasley, mas pode render muito para a franquia, uma vez que com sua chegada a troca do armador atual Kirk Hinrich seria inevitável. E Kirk é uma ótima moeda de troca no mercado.
2 – Miami Heat (Glauber da Rocha) – Michael Beasley
Beasley e Rose já eram certos como top 2 no recrutamento. A ordem é um mero detalhe. O Heat escolherá Beasley não pela necessidade de um bom ala-pivô, mas para não perder um jogador de grande potencial e que talvez possa ser envolvido numa boa troca. Uma escolha mais arriscada seria o armador OJ Mayo.
3 – Minnesota Timberwolves (Leonardo Sacco) – OJ Mayo
As três primeiras escolhas desse recrutamento parecem ser consenso entre a maioria das pessoas que acompanham a NBA. E, apesar do armador OJ Mayo ter ciscado no terreno de vários times, acredito em sua ida ao T’Wolves, para formar uma dupla de muito potencial com Al Jefferson. O time de Minnesota, ao escolher Mayo, teria um dos plantéis com maior potencial em toda a Liga.
4 – Seattle Supersonics (Glauber da Rocha) – Brook Lopez
O Sonics tem duas grandes necessidades: um armador e um pivô. Caso prefira um pivô, Brook Lopez é um dos grandes homens de garrafão, com muita qualidade, força e presença embaixo da cesta. Caso prefiram um armador, podem escolher Bayless ou Westbrook.
5 – Memphis Grizzlies (Leonardo Sacco) – Kevin Love
O potencial do armador Jerryd Bayless me agrada e muito. Entretanto, o time de Memphis conta com dois excelentes e jovens jogadores na armação da equipe: Rudy Gay e Michael Conley. Sendo assim, selecionaria para a franquia o pivô Kevin Love para suprir a falta que Pau Gasol tem feito ao garrafão da equipe, apesar do estilo de jogo e da forma fisica dos dois ser totalmente diferente.
6 -New York Knicks (Glauber da Rocha) – Eric Gordon
Um exímio cestinha, que liderou sua divisão em pontos. Gordon se encaixará perfeitamente no Run and Gun do novo técnico do Knicks, Mike D’Antoni. Uma grande escolha neste ponto também seria o jovem italiano Danilo Gallinari.
7 – Los Angeles Clippers (Leonardo Sacco) – Jerryd Bayless
Para mim, Bayless é um dos melhores jogadores a serem selecionados nesse recrutamento. Porém, como Glauber selecionou Brook Lopez para o Sonics e os times seguintes não necessitam de um jogador para posição, Jerryd perde algumas posições em nosso mock e acaba indo parar em Los Angeles.
8 – Milwaukee Bucks (Glauber da Rocha) – Danilo Gallinari
O jovem italiano, que joga profissionalmente na liga de seu país desde 2006 com 17 anos, vem pra ser um dos grandes jogadores internacionais deste Draft, com um ótimo arremesso e uma leitura de jogo incrível.
9 – Charlotte Bobcats (Leonardo Sacco) – DeAndre Jordan
DeAndre é um grande jogador, um dos melhores de garrafão desse draft ao meu ver. Sua explosão e presença de garrafão podem ser essenciais ao Bobcats. Caso a renovação de Emeka Okafor ocorra, ambos podem fazer uma grande dupla.
10 – New Jersey Nets (Glauber da Rocha) – Russel Westbrook
Depois da saída de Jason Kidd, os Nets precisam adquirir um bom armador. Westbrook pode jogar nas posições 1 e 2; um jogador rápido, com boa infiltração e uma boa defesa.
11 – Indiana Pacers (Leonardo Sacco) – DJ Augustin
Augustin é um excelente armador, e, com a inconstância do titular da equipe, Jamaal Tinsley, considero quase que certa a escolha do jogador pelos Pacers. O fato que pode atrapalhar é que DJ é visto como um dos melhores do draft, e pode ser selecionado antes que o Pacers o faça.
12 – Sacramento Kings (Glauber da Rocha) – Anthony Randolph
Uma grande necessidade do Kings é um bom ala-pivô, e Randolph seria uma boa escolha nesse momento. Um ala-pivô versátil, que precisa ganhar um pouco mais de peso para se impor nessa posição. Mas o Kings pode acabar optando por um armador e escolher Mario Chalmers.
13 – Portland Trail Blazers (Leonardo Sacco) – Brandon Rush
O Blazers é hoje um dos times que tem o grupo com mais futuro em toda a Liga. Jogadores como Brandon Roy e Greg Oden fazem do time um expoente para o futuro. E a adição do ala Brandon Rush a esse grupo só faz a franquia ampliar seus horizontes em um futuro próximo.
14 – Golden State Warriors (Glauber da Rocha) – Donte Greene
O Warriors é uma grande incógnita. Greene é um jogador que adicionaria muito ao time com um bom posicionamento no rebote. Além disso, o atleta é um bom bloqueador. O Warriors pode surpreender e escolher um pivô, como Kosta Koufos.
15 – Phoenix Suns – Joe Alexander
16 – Philadelphia 76ers – Kosta Koufos
17 – Toronto Raptors – Robin Lopez
18 – Washington Wizards – Alexis Ajinca
19 – Cleveland Cavaliers – Mario Chalmers
20 – Charlotte Bobcats – Darrell Arthur
21 – New Jersey Nets – Javale McGee
22 – Orlando Magic – Courney Lee
23 – Utah Jazz – Roy Hibbert
24 – Seattle Supersonics – Serge Ibaka
25 – Houston Rockets – Jason Thompson
26 – San Antonio Spurs
Leonardo Sacco – Chris Douglas-Roberts – Meu desejo maior para o Spurs seria Mario Chalmers, um dos bons armadores nesse draft. Mas, como jogador deve ser escolhido umas quatro ou cinco escolhas antes da vez do time texano draftar, fico mesmo com Douglas-Roberts, que é versatil e pode fazer bem o papel de terceiro ala da equipe.
Glauber da Rocha – Ryan Anderson – Um bom defensor e reboteador, com arremesso muito bom e que ainda sabe infiltrar; pode se comparar ao que Robert Horry fazia pelo time; contudo, Anderson é mais completo que Horry. Pode ser uma grata surpresa no Spurs.
27 – Portland Trail Blazers – Nicolas Batum
28 – Memphis Grizzlies – J.J. Hickson
29 – Detroit Pistons – Omer Asik
30 – Boston Celtics – Ante Tomic
A empáfia de Iziane

Olá, caro leitor!
Após alguns dias do episódio lamentável protagonizado pela (ex) jogadora da seleção brasileira de basquete, a maranhense Iziane, o Spurs Brasil relembra o episódio e o que se sucedeu depois de todo aquele rebuliço, que pouco foi noticiado pela imprensa.
Para você, que não lembra, ou simplesmente não ficou sabendo do ocorrido, aí vai um breve resumo dos acontecimentos: O jogo era Brasil e Bielorrúsia, a partida valia uma vaga para os Jogos Olímpicos de Beijing. Com pouco tempo no cronômetro para o final da partida, o Brasil estava perdendo, com chances ínfimas de virar. Foi então que Bassul chamou Iziane para entrar em quadra. A jogadora disse que não entraria, e no ato o técnico disse: “Você está fora!”. A partir daí começou uma chuva de críticas para cima de Iziane e conseqüentemente ela foi cortada do Pré-olímpico e das Olimpíadas.
Após todo esse episódio, a atleta, que é uma das brasileiras na WNBA -joga no fraquíssimo Atlanta Dream – voltou a falar, e, quando abriu a boca, parece que não mediu muito as palavras. Surpreendente e lamentavelmente, Iziane disse que se arrepende do que fez, mas, que se tivesse nova oportunidade, faria tudo novamente. “Eu me arrependo sim, do que fiz, pois foi ruim para a minha imagem e para a do basquete brasileiro. Em agosto vou ter a sensação de que poderia estar lá. Mas eu faria tudo de novo se ele me tirasse novamente”, disse Iziane em entrevista ao ‘Jornal Extra’. Ou seja, ela não se arrependeu nem um pouco de sua atitude.
Ironicamente ou não, a atleta disse que ficou feliz com a classificação da equipe para os Jogos, e falou que a primeira coisa que fez quando chegou nos Estados Unidos foi ver o resultado do jogo via internet: “Fiquei muito feliz, de coração. As meninas são muito guerreiras. O Brasil precisava dessa vaga”, completou a jogadora.
O basquete vive dias complicados. Há os eternos problemas fora das quatro linhas, problemas dos quais nem vou perder meu tempo citando, pois, a cada dia que passa, o assunto se torna mais batido e ninguém consegue tomar uma atitude. Portanto, vou passar por cima disso no momento. Mesmo tentando ignorá-los, é claro que esse montante de problemas se reflete dentro de quadra. É impossível se ter um time organizado se a organização não vem do topo. Não adianta nada trazer técnicos estrangeiros, ter atletas renomados que são estrelas na WNBA/NBA se a organização não vem de cima. Isso tudo acaba sendo refletido em quadra, e muitas das vezes a culpa não é dos jogadores nem dos técnicos.
O caso de Iziane é um pouco mais complicado. Todos sabem que seus problemas com o técnico Paulo Bassul vêm desde o juvenil. O treinador crê que Iziane prejudica o esquema tático da seleção por ser uma jogadora individualista. A jogadora, em entrevistas, disse que Bassul, por não morrer de amores pelo seu estilo de jogo, acaba punindo-a em momentos decisivos das partidas, deixando-a no banco de reservas. Uma amiga minha, que inclusive já foi treinada pelo Bassul também nas categorias de base, afirmou que o técnico deixa um pouco a desejar em alguns quesitos, tanto no tático quanto no relacionamento com as atletas.
Agora, por mais que Bassul seja um péssimo treinador em alguns pontos (Não vou entrar nesse mérito), a atitude que a Iziane tomou não se justifica. Acho que uma estrela tem sim que se impor de alguma maneira, mas creio que ela escolheu a pior forma para isso. Foi uma atitude infantil, que uma jogadora desse nível nunca poderia tomar. Como ela mesmo reconheceu, fica feio para o basquete brasileiro, e principalmente para sua própria imagem. O curioso é que, depois que ela voltou à WNBA, a técnica do Atlanta Dream tem deixado-a de molho. O episódio na seleção brasileira também repercutiu nos Estados Unidos, e a imagem da jogadora, infelizmente, sai um pouco manchada após esse pré-olímpico. Pelo menos, ela está consciente dos rumos que sua carreira está tomando.
As disparidades que rondam o basquete americano

Quem vê os jogos da WNBA na televisão (os poucos que são transmitidos), pode pensar que as jogadoras, além de bonitas, também ganham os mesmos salários astronômicos que os jogadores da NBA. Quem partiu desse pressuposto deve começar a rever seus conceitos. Jogar na liga profissional norte-americana é o sonho de toda universitária que pratica o esporte nos Estados Unidos. Mas, o que quase ninguém aqui sabe é que os salários da liga feminina de basquete chegam a ser ridículos se comparados ao que ganham os jogadores da NBA.
Para se ter uma idéia, vamos às comparações: O teto salarial da WNBA é 772 mil dólares por ano, enquanto o da NBA é de 55,6 milhões, ou seja, todo o dinheiro que circula referente a salários na liga feminina corresponde a apenas 1,39% do dinheiro movimentado dentro da masculina. Com base nesses dados, na NBA, cada jogador que componha uma equipe de 12 jogadores ganha em média 4,6 milhões de dólares/ano, enquanto na WNBA, a mesma equipe, com as mesmas 12 jogadoras, ganha em média a ínfima quantia de 64 mil dólares/ano, o que dá pouco mais de cinco mil dólares por mês. Continuando com as disparidades, o salário inicial de uma novata recém chegada da universidade varia de 36 a 44 mil dólares/ano de acordo com sua posição no draft. Já na NBA, a primeira escolha do draft tem direito a um salário de mais de quatro milhões de dólares. Para deixar os desavisados de queixo caído, um jogador medíocre recém saído da universidade ganha aproximadamente uma quantia que varia de 440 a 770 mil dólares/ano. Para quem começou a ler esse artigo e não prestou muita atenção nele, voltem um pouco e vejam que o teto salarial de toda uma equipe da WNBA é 772 mil, ou seja, um jogador de nível “D” na NBA ganha o mesmo que toda uma equipe da liga feminina. Para finalizar as comparações envolvendo salários, o ordenado máximo possível que uma jogadora pode receber é 95 mil dólares/ano, ao passo que na NBA esses valores passam da casa dos 20 milhões.
Com tantos números e contas, a pergunta que fica é: Onde quero chegar com isso? A resposta é simples; para os apaixonados pelo basquete feminino (grupo no qual eu me incluo) é inadmissível ver tamanha disparidade. Para situar um pouco mais o leitor, a maior parte das jogadoras que atuam no basquete americano também jogam no basquete europeu. Como isso funciona? A temporada da WNBA é bem curta; são apenas quatro meses (Na NBA são nove), de maio até agosto, depois há um período de férias, e o resto do calendário é ocupado pelos campeonatos europeus. E é no velho continente que as jogadoras conseguem ganhar um bom dinheiro. Lá, as equipes valorizam mais a atleta e pagam um salário decente; uma jogadora de alto nível chega a ganhar em uma única temporada o que não ganharia em seis ou sete anos de WNBA. Por esse motivo se torna tão vantajoso jogar em duas equipes. A liga americana continua sendo mais importante e valorizada pelas jogadoras, mas, quando surge uma oportunidade de encher o bolso e ainda manter o ritmo de jogo para a próxima temporada, por que não aceitá-la?
É claro que existem motivos para tudo isso ocorrer. Primeiramente, a WNBA é uma liga que não tem grande apelo do público norte-americano. Dificilmente se vê um ginásio lotado de gente como vemos em quase todos os jogos da NBA. A publicidade é muito menor, e os grandes vilões disso tudo são os próprios times. Como assim? A maioria das equipes da liga, salvo algumas exceções, está filiada com a franquia masculina. Por exemplo: San Antonio Spurs e San Antonio Silver Stars. O que acontece é que 95% dos investimentos são direcionados ao time da NBA, e o motivo para isso é bem simples, só é investido dinheiro onde se tem retorno. O basquete masculino dos Estados Unidos é um produto que gera lucro e é vendido para o mundo todo. Em qualquer país se sabe quem são Michael Jordan, Kobe Bryant ou Lebron James. Agora eu pergunto a você, caro leitor: Vocês conhecem Lauren Jackson, Diana Taurasi, Tamika Catchings ou Katie Douglas? Com muito esforço, devem conhecer a australiana Lauren Jackson, não pelo o que ela apresenta dentro de quadra, o que é fantástico diga-se passagem, mas sim pelas belas curvas da loira.
Pesquisas dão conta que nem o próprio americano se interessa por sua liga feminina de basquete. O pior de tudo é que nas medições de audiência, até o basquete universitário feminino ganha da WNBA. Há algo muito errado nisso, e tem que ser mudado urgentemente. O fato positivo é que a liga é bastante jovem, tem apenas 12 anos de existência, e ao longo desses anos muitas coisas mudaram e grandes melhorias foram feitas. Então, é esperar para ver como se desenvolve a liga com o desenrolar dos anos.

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