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A importância do elenco de apoio

Sou torcedor do Dallas Mavericks e fui convidado para falar sobre a NBA, principalmente sobre o Spurs, com um outro olhar.
Meu nome já apareceu em um artigo desse mesmo site, quando Leonardo falou de mim como um “grande amigo torcedor do Dallas” e que “preferia ver o time dele perdendo do que o meu ganhando” (o que é uma grande mentira).
O jogo 3 da série final entre Lakers e Boston aconteceu ontem, com vitória do time de Los Angeles por 87×81. Essa série tem mostrado para todos os times da NBA que para conseguir uma equipe de sucesso é necessário elencos de apoio competentes. Os grandes jogadores quase sempre fazem o que se espera deles. Kobe fez 36 pontos ontem, mas em boa parte do jogo sofreu na eficiente marcação de Ray Allen. Foi quando o Lakers ficou atrás no placar. Lamar Odom e Pau Gasol estavam sumidos da partida. Então apareceu Sasha Vujacic, que acertou importantes arremessos de 3 . Ele acabou a partida com 20 pontos, sendo um importante trunfo para o Lakers no jogo.
No primeiro jogo, em Boston, quem fez bem esse papel foi Rajon Rondo, que na minha opinião vem fazendo uma série acima das expectativas. Allen, Pierce e Garnett fizeram o que tinham que fazer, mas o Lakers contou com boa atuação de Odom, Gasol e do veterano Fisher. Então, quem apareceu como diferencial, não só pelos pontos ou pelas assistências, mas pelos rebotes ofensivos conseguidos, foi Rondo.
No jogo 2 o Celtics sobrou até o final da partida, quando Kobe comandou uma reação do Lakers, que quase encostou no placar. Garnett estava um pouco abaixo da média, mas a dupla Rondo e Powe fez uma grande partida. Rajon terminou com 16 assistências, muitas delas destinadas a Leon Powe, que surpreendeu a todos com 21 pontos.
Acho que o campeão da NBA será quem tiver um elenco mais preparado para contribuir com os grandes jogadores. Meu palpite? Acho que será o Boston, por ter mais estrelas e um elenco de apoio mais competente, em que sempre um se sobressai e aparece decisivamente.
Ele tem a faca, o queijo e tudo mais nas mãos
O que um profissional de qualquer área busca após ingressar no mercado de trabalho? A resposta está na ponta da língua dos bilhões de trabalhadores ao redor do mundo: sucesso profissional e alto retorno financeiro. Em outras palavras, os profissionais buscam o melhor lugar para trabalhar, onde sejam reconhecidos e bem remunerados.
Transferindo essa lógica para o basquete mundial, temos a seguinte seqüência: você se forma jogador e deseja jogar na NBA, a milionária e concorrida liga norte-americana de basquete. Os melhores jogadores, os melhores técnicos e os melhores salários estão lá. Ninguém recusaria uma proposta para entrar nesse “mundo mágico do basquete”, certo? Errado!
Diversos jogadores foram recrutados e considerados aptos para jogar por algum time da NBA, mas recusaram ou adiaram a proposta por algum tempo. Luis Scola e Manu Ginóbili são dois exemplos de jogadores que atuavam em clubes europeus, foram selecionados no recrutamento de calouros e adiaram suas vindas para a liga norte-americana. E, segundo rumores, o pivô brasileiro Tiago Splitter pretende engrossar essa lista.
Splitter foi selecionado no draft de 2007, na primeira rodada, pelo San Antonio Spurs. Entretanto, uma cláusula em seu contrato com sua equipe na Espanha, o TAU Cerámica, o impediu-o de vir direto para a NBA. O jogador teria que aguardar mais um ano para ser liberado. Passados esses doze meses, eis que surge a possibilidade do brasileiro não atuar pela equipe texana. E a motivação não viria de nenhum dos dois times envolvidos nas negociações, e sim do próprio Tiago. Após receber milionária proposta para seguir jogando na Espanha, o pivô balançou, e segundo publicações espanholas, estaria disposto a largar o sonho de atuar na NBA. O abastado salário que receberia e a forte ligação que tem com a equipe seriam os motivos dessa desistência.
Não quero julgar Splitter e nem condená-lo, mas acho que se o jogador desistir de atuar na NBA para ganhar mais na Espanha – como está sendo veiculado na imprensa – ele estará fazendo uma grande besteira. A equipe que o recrutou não é qualquer uma. É a franquia que mais venceu a liga nos últimos 10 anos, que possui planejamento e ótimos jogadores, como Tim Duncan, uma lenda do basquete, considerado um dos melhores jogadores da história em sua posição. Um ala-pivô que teria muito a ensinar para Tiago – que é bom jogador, mas ainda tem muito a aprender.
Além do aprendizado, Splitter cairia como uma luva na equipe, que hoje é uma das mais velhas de toda a NBA. E, se todos esses motivos não superam o dinheiro, que ele olhe para seus compatriotas Leandrinho Barbosa e Nenê Hilário que, respectivamente, tem ganhos anuais que batem na casa dos US$7 e US$10 milhões.
Tiago Splitter tem a faca, o queijo, o prato, o pão e tudo mais em suas mãos. O Spurs precisa se rejuvenescer, carece de pivôs com jogo parecido com o do brasileiro e ainda pode oferecer um aprendizado que ninguém mais poderá para o jogador. E se dinheiro é o “problema”, só Splitter continuar jogando da forma como sempre jogou na Espanha que ele logo conquistará a torcida texana (vide novamente Leandrinho, Nenê e, dessa vez, Anderson Varejão) que conseqüentemente receberá mais cifrões em seu salário.
Sei que não tenho o direito de me meter no que pensa o jogador e nem tenho a pretensão de que ele (re)conheça minha opinião. Mas se eu estivesse em sua pele, não pensaria duas vezes…
O duplo X da questão
Se você, leitor, tem acompanhado os duelos da série entre New Orleans Hornets e San Antonio Spurs válidos pelas semifinais da conferência Oeste, pôde notar um detalhe que tem feito toda a diferença nas partidas. Prestem atenção nos seguintes dados e entenderão a que me refiro: os Hornets venceram os jogos um, dois e cinco, todos em seu ginásio. Nessas partidas, o principal astro da equipe, Chris Paul, anotou 17 pontos e 13 assistências, 30 pontos e 12 assistências e finalmente 22 pontos e 14 assistências nos respectivos duelos. Já nas três vitórias da equipe texana – todas em partidas no AT&T Center – CP3 não anotou sequer um double-double.
Pois bem, esse é o “x” da questão. Ou melhor, os “x”, uma vez que estamos falando de duas estatísticas. E o fato de o armador dos Hornets não conseguir anotar mais de dois dígitos nos dois quesitos que mais o destacam é o fator que pode fazer o San Antonio Spurs vencer a série, mesmo atuando fora de casa no confronto derradeiro.
Sem CP3 pontuando com a mesma eficiência que arma ou vice-versa, o time de Nova Orleans perde sua arma ofensiva. Afinal, as bolas de garrafão para David West e em alguns casos para Tyson Chandler e as na linha de três para Peja Stojakovic saem em sua maioria das mãos de Paul. Pois bem, sem o double-double do jogador os Hornets são presa fácil, pois sua eficiência ofensiva fica vulnerável.
No papel, tudo é muito bonito, mas na prática o buraco é um pouco mais embaixo. Partamos então para o que deve, de fato, ocorrer. A defesa de San Antonio é considerada uma das melhores – senão a melhor – de toda a NBA. Bruce Bowen e Tim Duncan frequentemente são escalados para o primeiro time de defesa da Liga. Ou seja, esse é o trunfo prático do Spurs: Bowen gruda literalmente em Paul, deixando Parker na sobra do perímetro (na marcação provavelmente do ala-armador dos Hornets) enquanto Duncan exerce o homem-a-homem em David West. Mas, para que tudo isso funcione, Manu Ginóbili e Tony Parker precisam estar bem no ataque, para que Tim possa se focar mais em sua defesa.
Enfim, o desafio está lançado e o Spurs sabe fazer o que é necessário. Está na hora de mostrar porque o time é chamado de “chato” por 8 entre 10 espectadores da NBA. Está na hora de anular Paul na New Orleans Arena. E sim, eu sei que falar é fácil e o difícil é fazer, caro leitor.
Respeite os mais velhos, moleque!
Abusado, ousado, surpreendente, craque. Não sei em quais desses adjetivos posso classificá-lo hoje. Na verdade todos o englobam. Ele colocou a bola debaixo do braço e despachou um grande time da Liga, além de estar dando um enorme trabalho aos campeões: abusado. Infiltrações e arremessos inesperados… e que dão certo: ousado. Assistências perfeitas para os companheiros: surpreendente. A soma de todos esses fatores citados: craque. De quem estou falando? Chris Paul, é claro. E por que estou falando? Porque me rendi ao talento desse jovem armador.
Confesso que em 2004, ano em que ele foi draftado, não vi com sangue nos olhos (como a maioria dos amantes de NBA) o fato de CP3 ter ficado atrás do também armador (e também craque) Deron Williams. Não conhecia o jogo de nenhum dos dois e, ainda hoje, não faço comparações entre ambos. O que acontece é que nunca, desde que esse recrutamento ocorreu, eu tinha reparado tanto nesse jogador como nos últimos dias. E me arrependo de não ter o feito.
Mesmo com todas as vozes apontando Paul como possível MVP da temporada atual, não me dei ao luxo de assistir um jogo do New Orleans Hornets. Nem nas vezes em que esse time atuou contra o meu San Antonio Spurs. Amargo arrependimento. Não consegui vir CP3 ir de seu recrutamento até a fase em que se encontra (tenho certeza que ainda não atingiu seu ápice). Finalmente assisti o armador jogando. E como joga…
No alto de seus 23 anos (completados ontem), Chris Paul parece ser um jogador com diversos anos, diversas pós-temporadas marcadas em seu currículo. A frieza com que joga me encantou. Não temeu o Dallas. Não está temendo o atual campeão da NBA. Ele está decidido a fazer história. E já fez.
Acredito na virada do Spurs, acredito sempre em meu time. Creio que a força e a experiência acabarão levando a melhor. Não tenho absoluta certeza, mas acredito. E Paul que me perdoe, mas espero que não seja dessa vez. E você, leitor, deve estar se perguntando o motivo de eu ter feito um texto só para elogiar um adversário. Pois digo que o melhor do esporte é saber reconhecer quando se está perdendo. Como já disse, ainda acredito na virada. Mas reconheço o craque que os Hornets possuem.
Ao Chris Paul, em tom de brincadeira, peço: Respeite os mais velhos, moleque!
Artigo – Os aposentáveis
Com contratos expirantes e avançada idade, alguns jogadores da equipe do San Antonio Spurs têm uma situação que permite que se especule sobre sua aposentadoria. Analisarei a seguir a situação desses atletas para ver se os boatos são compatíveis.
O ala-pivô Robert Horry já tem sua retirada praticamente confirmada ao fim da temporada. Em sua carreira, ele tem médias de 24,5 minutos, 7 pontos e 4,8 rebotes por jogo, enquanto que, em 07-08, esses números caem para 13 minutos, 2,5 pontos e 2,4 rebotes por partida. Além disso, o jogador passou por alguns problemas de contusão nesse ano; recentemente, está no estaleiro por problemas médicos.
Para substituí-lo no garrafão, a equipe de San Antonio conta com duas jovem promessas. A primeira delas é o pivô Ian Mahinmi, de 21 anos, que, atuando nessa temporada na D-League, liga de desenvolvimento filiada à NBA, tem médias de 17,1 pontos e 8,2 rebotes por jogo. O jogador chegou a atuar em 6 jogos no começo da NBA nessa época, obtendo médias de 3,8 minutos, 3,5 pontos e 0,8 rebotes por partida. Outra opção é o brasileiro Tiago Splitter, que se juntará aos Spurs para a próxima temporada. Em sua última época atuando pelo time espanhol TAU Ceramica, o ala-pivô de 23 anos contribuiu em muito para sua equipe chegar ao final four da Euroliga de 07-08.
Brent Barry é outro que pode, em breve, parar de jogar. O ala armador atravessa uma tumultuada temporada, envolvido na polêmica troca com os Sonics e atualmente machucado. Em sua carreira, Barry atingiu médias de 26,7 minutos, 9,7 pontos e 3,3 assistências por partida; na época vigente, esses números caem para 18,7 minutos, 7,3 pontos e 1,8 passes decisivos. A queda não é tão expressiva como a de Horry, mas eu não me surpreenderia em ver o jogador aposentado ao fim da temporada.
Há quem diga que Barry poderia, ao parar de jogar, ter a companhia de seu colega de posição Michael Finley. O também ala armador marca no boxscore uma média de 16,7 pontos, 4,6 rebotes e 3,2 assistências por jogo em 35,8 minutos na carreira. Esse ano, mesmo com médias menores, de 26,7 minutos, 9,9 pontos, 3,2 rebotes e 1,4 assistências por partida, Finley é titular do San Antonio Spurs, e acho difícil que se aposente ao fim da época.
Em todo o caso, a diretoria do time texano já procura alternativas para o perímetro. Recentemente, o ala de 24 anos Bobby Jones foi contratado para um período de testes em San Antonio e, em 3 jogos, anotou 0,7 pontos, 0,7 rebotes e 0,7 roubadas de bola em 6,7 minutos por jogo. O ala armador de 27 anos, DerMarr Johnson, assinou há poucos dias em situação parecida, e, nos 4 jogos que disputou com os Spurs, apresentou médias de 4,5 minutos e 3,5 pontos. Temos também o armador Darius Washington, companheiro de equipe de Ian Mahinmi na D-League. O atleta, em 18 aparições na NBA pelo time de San Antonio, registrou 2,9 pontos, 1,1 rebotes e 0,8 assistências em 8,1 minutos em quadra.
Veremos como o time se comportará frente aos jogadores aposentados e se terá boa capacidade de renovação.
