Arquivo da categoria: Artigos
Evitando zebras


Ao fundo, Pau Gasol observa atentamente a jogada. Lamar Odom e Linas Kleiza disputam bola; aliás, alguém viu o Kleiza por aí?
No jogo cinco da série entre Los Angeles Lakers e Denver Nuggets, melhor para os californianos, que deram um chega pra lá na zebra e venceram por 103 a 94. Com o triunfo, os angelinos ficam muito perto de sua segunda final consecutiva na NBA; no ano passado, foram derrotados pelo Boston Celtics em seis jogos.
Ontem, os comandados de Phil Jackson contaram com uma ‘ajuda extra’ – a do ala Lamar Odom, que andava meio apagado durante a série. Odom conseguiu 19 pontos e 14 rebotes, pontuando um de seus melhores (talvez o único) desempenhos na temporada até aqui. Além dele, atletas como Derek Fisher, que também andava apagado na série, voltaram a jogar bem, o que demonstrou o poderio da equipe de Los Angeles, pois sua principal estrela, Kobe Bryant, passou por noite ‘comum’ – entenda por 22 pontos, oito rebotes e sete desperdicios de bola.
Mesmo com a derrota, o Denver continua com ótimas chances de levar a série para o duelo derradeiro – que seria hipoteticamente em Los Angeles. Panorama diferente tem a série da Conferência Leste: hoje a bola sobe às 21h30 (horário de Brasília) para Cleveland Cavaliers e Orlando Magic. Vencendo o confronto por três a um, uma vitória do time da Flórida coloca a equipe na grande final da liga. LeBron James precisará jogar mais do que nunca para reverter o quadro negativo do Cavs até aqui.
Duas finais distintas


Ninguém faz milagre sozinho; LeBron James é a prova disso
Los Angeles Lakers e Denver Nuggets fazem uma das séries mais equilibradas dos últimos anos. De um lado está Kobe Bryant, sempre com uma carta na manga no final dos jogos e pronto para decidir a qualquer momento. Do outro, vemos o cerebral Chauncey Billups fazendo tudo e mais um pouco e comandando o vasto arsenal de ataque do Colorado.
Daqui a pouco os times voltam a se enfrentar, e, infelizmente para os fanáticos por NBA, a ESPN Internacional, detentora dos direitos da liga para o Brasil, transmitirá apenas o finalzinho do jogo – o motivo? Os enfrentamentos das semifinais da Copa do Brasil de futebol. Para aqueles que procuram alternativas na internet, recomendo aqui um bom site. Vale lembrar que a bola sobe às 22h00 (horário de Brasília).
Do outro lado, Orlando Magic e Cleveland Cavaliers fazem um duelo complexo. Na noite de ontem, na Amway Arena, em Orlando, o Magic conseguiu levar o jogo para o tempo-extra apenas nos instantes finais, com uma cesta do sempre decisivo Rashard Lewis. Na prorrogação, o superstar LeBron James errou muito, entregou bolas que nunca perderia em jogos normais e errou arremessos decisivos; amarelou? Sou daqueles que prefere dizer que o jogador passou por um final de jogo infeliz, pois acredito que o Cavs nunca ganhará um título se escorando nas costas do camisa 23.
Mo Willians muito falou antes do jogo, mas ficou devendo na ‘hora h’,;apenas cinco arremessos convertidos em 15 tentados. Zydrunas Ilgauskas é um grande jogador, um pivô com inteligência acima da média. No entanto, deixar ele sozinho com Dwight Howard está matando o Cavs. Aliás, quem vai parar o superman? Pois é, talvez esse seja o ‘fator x’ dessa série, já que ninguém tem porte suficiente para brecar o ímpeto físico de D12. Além desses, o banco de Cleveland continua muito abaixo da média; assim, como alguém pode culpar LeBron James? Se existe alguém que merece ser poupado das críticas é o ainda jovem jogador do Cavs.
A bela campanha da equipe de Ohio na temporada foi bastante exaltada, inclusive por esse próprio blog. Contudo, nenhum time havia exposto tanto os defeitos de Cleveland antes com o Magic está fazendo. O confronto já está definido? De forma alguma! Ambos voltam a se enfrentar na quinta-feira, e, por jogar em casa, LeBron James e companhia continuam favoritos. Como mero jornalista, opino que Orlando leva essa série por méritos próprios, já que o Cavs é isso aí desde o início da temporada – um ótimo time, um bom elenco, mas com uma série de defeitos que não haviam sido aprofundados anteriormente.
Enquanto isso, em Orlando…


'NOT IN MY HOUSE, JAMES'. Marcin Gortat distribui tocos no MVP, que parece um pouco irritado com o acontecido
Após perder o segundo jogo da série de uma maneira frustrante, o Orlando Magic voltou a sorrir na noite de ontem após vencer o Cleveland Cavaliers por 99 a 89. Aliás, você lembra qual foi a última vez que o Cavs perdeu por dez ou mais pontos? Acho que ninguém lembra.
O jogo já parecia se inclinar para um final pouco favorável à equipe de Ohio; durante o primeiro tempo, o polonês Marcin Gortat, que por incrível que pareça vem sendo peça importante no esquema do Magic, distribuiu dois tocos diante do superstar e MVP, LeBron James. Ainda na primeira etapa, o armador reserva Anthony Johnson usou todo o seu excesso de peso para dar uma cotovelada pouco amistosa no coitado do Mo Williams. A agressão, que poderia ser claramente qualificada como tentativa de homicídio, rendeu um belo olho roxo ao jogador do Cavs.
O triunfo deixa ampla vantagem aos comandados de Stan Van Gundy, que agora, mais do que nunca, têm a série sob controle – e pensar que o confronto já poderia estar 3 a 0 se não fosse a pontaria certeira do camisa 23 de Cleveland no jogo dois. Mesmo assim, uma vitória no próximo embate praticamente garante a equipe da Disney na grande final da liga. Cá entre nós, mesmo enfrentando uma equipe de respeito como o Magic, seria vergonhoso para o Cavs chegar com toda essa pompa aos playoffs e nem ao menos conseguir o título de conferência.
Do outro lado do país, Los Angeles Lakers e Denver Nuggets continuam travando um duelo pra lá de interessante. Após vencer o jogo dois em L.A, os Nuggets perderam a chance de dominar a série ao sofrer derrota em casa por 103 a 97. A jogada chave da partida foi protagonizada ridiculamente pelo ala-pivô Kenyon Martin (eu digo que ele é enganador e ninguém acredita). Com dois pontos a menos no marcador e pouco mais de dez segundos por jogar, Martin simplesmente desencanou de passar a bola decentemente e entregou de bandeija para Trevor Ariza, que agradeceu a assistênca e foi pra galera. Hoje, os dois times voltam a se enfrentar, mais uma vez em Denver, e derrota é praticamente sinônimo de adeus para os Nuggets.
Rashard Lewis garante zebra em Cleveland


É MINHA! Mesmo eliminado por faltas, Superman comeu a bola (30 pontos e 13 rebotes)
Quem diria! Muita gente deve ter ido dormir com a certeza de que o Cleveland Cavaliers de LeBron James sairia vencedor no duelo contra o Orlando Magic. De fato, no intervalo, a equipe de Ohio vencia por 16 pontos de vantagem, o que fazia parecer que um massacre estava por vir.
Quem dormiu perdeu uma partida eletrizante, em que, numa retomada fantástica, o Orlando Magic virou nos últimos segundos (107 a 106) e inverteu o mando de quadra da série. O autor da proeza foi o muitas vezes criticado Rashard Lewis. Podem falar o que quiser, que seu salário é alto (e realmente é), que em alguns jogos ele parece que toma um calmante e fica sonolento, que isso e que aquilo, mas o que ninguém pode negar é a sua eficiência e importância para esse elenco. Frio como gelo, Lewis converteu uma bola de três pontos há poucos segundos do final e deixou o Magic com um pé no triunfo. A bola decisiva ainda foi para o Cleveland (dou um doce para quem advinhar quem deu o arremesso final)… errou quem disse LeBron James. O queridinho da mídia até chamou a responsabilidade e encarou os marcadores, mas, quando viu seu companheiro Delonte West livrinho, tocou a bola. Sem sucesso no chute, o rebote entre o próprio James e Hedo Turkoglu rapidamente se tornou uma bola presa, e, consequentemente, jump ball com apenas um segundo no marcador.
LeBron James saiu de quadra com 49 pontos, seis rebotes e oito assistências – marca pra lá de expressiva. Sim, ele fez tudo o que estava ao seu alcance: batalhou, jogou duro e converteu algumas bolas decisivas. Há quem diga que ele pipocou no lance final por ter passado a bola para um companheiro melhor posicionado – besteira, besteira. LeBron fez o certo; sozinho naquela jogada, dificilmente ele conseguiria alguma coisa, já que estava muito bem marcado.
O time de Mike Brown foi muito falado na imprensa, e era tido como favorito absoluto nessas semifinais, inclusive por nós da equipe Spurs Brasil. No entanto, o jogo contra o Magic evidenciou alguns problemas ofuscados durante a boa campanha até aqui. Dos 106 pontos anotados pelo Cavs durante o jogo, apenas cinco vieram do banco de reservas, ao passo que, no Orlando, os suplentes contribuiram com 25. Tamanha disparidade se deve em partes ao péssimo desempenho do banco de Brown, mas a sobrecarga em cima dos titulares foi outro fator fator primordial. Os quatro reservas que estiveram em quadra (Joe Smith, Wally Szczerbiak, Ben Wallace e Daniel Gibson) jogaram menos do que o costume, especialmente Gibson e Smith. No Magic, Van Gundy preferiu manter seus suplentes por mais tempo em quadra – o que no final do jogo acabou surtindo efeito.
Fator X
Falar de Dwight Howard, assim como de LeBron James, Kobe Bryant e Chauncey Billups, é chover no molhado. Tirando o superman, um jogador é essencial para o sistema ofensivo do Orlando Magic. Hedo Turkoglu é uma espécie de termômetro do time. O turco deixou papéis de coadjuvante na carreira (como em Sacramento e em San Antonio) para se tornar um atleta chave na Flórida. O embate de hoje deixou isso muito claro: o ala esteve mal durante os três primeiros períodos; contudo, quando resolveu acordar, deu um gás extra e ajudou a motivar o elenco rumo à vitória.
Os próximos jogos
O Orlando Magic vem provando sucessivamente que está aí para brigar pelo título (embora muita gente ainda seja um pouco reticente quanto a isso). A prova mais do que concreta foi o jogo de hoje, quando conseguiu reverter uma grande vantagem mesmo atuando fora de casa. Com o mando de quadra para si, creio que o Magic tem tudo para colocar LeBron James e companhia na parede já no jogo dois. Uma nova vitória da equipe da Flórida pode significar sérios problemas para o Cavs, que parece carregar o peso do favoritismo nas costas, pois no duelo de hoje claramente se acomodou após abrir confortável vantagem.
Sinal amarelo ligado em Cleveland.
Denver joga bem, mas…


É, Carmelo, nem adianta se esconder; Fisher e Bryant te esperam no jogo dois. Vai dar pro Denver?
Deu Lakers! Na noite de ontem aconteceu o primeiro embate envolvendo Los Angeles Lakers e Denver Nuggets. Embalado pela boa campanha nos playoffs, o time do Colorado jogou melhor durante todo o tempo, mas, no final, prevaleceu a experiência dos angelinos, que saíram vencedores por 105 a 103.
Por que? Mesmo jogando em casa, o Lakers se viu dominado nos dois primeiros períodos. No segundo quarto, no entanto, houve uma pane no Nuggets e o time da casa conseguiu encostar no marcador. No final do quarto, apareceu a estrela de Derek Fisher. O armador estava com zero pontos até aquele momento; mas, quando recebeu a bola há poucos segundos do final, acertou um chute de três pontos e colocou L.A. à frente mesmo tendo jogado mal durante ambos os períodos.
Trevor Ariza estava mal; ídem a Derek Fisher, Pau Gasol, Andrew Bynum e Lamar Odom. Mesmo assim, os californianos conseguiram equilibrar o jogo contra um Denver inspirado. Indícios de superioridade absoluta? Talvez! Os comandados de George Karl vacilaram quando menos podiam, e, mesmo atuando confiantes, sucumbiram à experiência de um time que dificilmente perdoa seus adversários. O que fazer? Algumas poucas vezes vi o Lakers fazer seguidos jogos ruins nessa temporada, o que significa que a próxima partida deverá ser mais dura do que a primeira. Ao Denver, é fato que fica aquele sentimento do: “Dava pra ter ganho”, e talvez isso dê uma desanimada no elenco. Mas quem jogou de igual pra igual com o Lakers no jogo um tem plenas chances de triunfar no segundo duelo.
Quem brilhou?
Kobe Bryant fez o que era esperado de sua parte. Chamou a responsabilidade e decidiu quando foi preciso. Derek Fisher foi aquele jogador providencial, que me lembrou o mesmo Fisher que um dia entristeceu os torcedores de San Antonio ao fazer uma cesta com apenas 0.4 segundos no marcador.
Pelo lado de Denver, Carmelo Anthony vem mostrando que é aquele grande jogador que se especulou um dia. Ontem, uma partida impecável, com 14 arremessos acertados em 20 tentados (média impressionante). É redundante falar sobre Chauncey Billups, pois a dinâmica de jogo que ele dá para o Nuggets é algo de outro mundo. Ontem ele ficou aquém de seus grandes desempenhos, errando alguns arremessos livres que fizeram falta no final. No entanto, mostrou ser aquele jogador decisivo que todos esperam que ele seja; duas bolas de três no final do jogo (quando a coisa realmente pegou) provaram isso.
Hoje teremos o primeiro embate da série entre Cleveland Cavaliers e Orlando Magic. O Cavs é favorito, mas será que dá para brincar com os poderes do Superman? Resta esperar!

Você precisa fazer login para comentar.