Reconstrução do Spurs – O garrafão

Termina hoje a série “Reconstrução do Spurs”, que aponta possíveis movimentações para a equipe texana nesta offseason. O especial começou há três semanas, quando escrevi sobre a situação dos principais jogadores do plantel do time. Em seguida, mostrei o que poderia ser feito para reforçar as posições 1 e 2 do elenco do Spurs, e, no último sábado, falei sobre a principal carência da equipe na última temporada – a ala. Pata terminar, é hora de falar sobre os grandalhões – os big men da equipe texana e possíveis reforços para a posição.

Os alas-pivôs e pivôs que fizeram parte do elenco do Spurs na última temporada vivem situações diferentes. Tim Duncan, lenda viva da franquia, obviamente será mantido. O jovem DeJuan Blair agradou em sua primeira temporada, e também me parece garantido. Antonio McDyess tem mais dois anos de contrato com a franquia, mas, por ter um salário salgado – receberá aproximadamente US$ 10 milhões neste período – pode ser empurrado em alguma troca. Para finalizar, Matt Bonner e Ian Mahinmi são agentes livres, e ainda têm situação indefinida.

Uma cena que temos esperança de ver em breve

De qualquer modo, o plantel da equipe deve sofrer alterações nessas posições. Rumores falam sobre possíveis trocas para garantir posições mais altas no draft e recrutar jovens para o garrafão (veja mais abaixo). Além disso, os torcedores texanos anseiam pela chegada de um famoso pivô brasileiro para fazer companhia para Tim Duncan… Essas e outras possíveis movimentações serão melhor explicadas nos tópicos a seguir:

1) Reforços “caseiros”

Se quiser mesmo se livrar de Matt Bonner e de Ian Mahinmi, o Spurs pode encontrar reposição mais facilmente do que muitos imaginam. A franquia texana tem os direitos de dois big men que jogaram a última temporada no continente europeu. Confira quem são:

Robertas Javtokas – O veterano pivô lituano de 30 anos foi a 56ª escolha do draft de 2001 – sabe-se lá porque, o Spurs sempre manteve os direitos sobre ele. O jogador, de 2,11m e 112kg, disputou a última temporada pelo BC Khimki, de Moscou (RUS). Na Euroliga – principal competição de clubes do continente – o atleta teve média de 10,1 pontos (60,1% de aproveitamento dos arremessos de quadra) e 6,4 rebotes em pouco menos de 26 minutos por partida.

Tiago Splitter – Splitter, a 27ª escolha do draft de 2007, é o reforço que dez entre dez torcedores do Spurs querem para a próxima temporada – e tudo indica que ele jogará mesmo na equipe texana. O brasileiro, alvo de um post semanal deste blog, sobrou no campeonato espanhol – foi o MVP da temporada regular, com média de 14,7 pontos (com 58% de aproveitamento nos arremessos de quadra) e 6,3 rebotes em pouco mais de 26 minutos por partida. Nos playoffs da Liga ACB, esses números se transformaram em 14,2 pontos (58,5% de aproveitamento) e 7,8 rebotes em cerca de 33 minutos por jogo. Seu desempenho lhe valeu ainda o prêmio de MVP das finais, quando comandou o Caja Laboral que varreu o Regal FC Barcelona, atual campeão da Euroliga, em três jogos. Por falar na competição continental, nela Splitter fez 13 pontos  (53,5% de aproveitamento) e pegou 5,4 rebotes em pouco menos de 27 minutos de média por partida.

2) O Draft

Rumores dizem que o San Antonio Spurs pode querer trocar algum de seus jogadores por uma escolha mais alta no próximo recrutamento de calouros – atualmente, a equipe texana está na 20ª colocação. O objetivo seria draftar mais um big man, assim como no ano passado – quando a escolha mais alta foi usada com DeJuan Blair. Veja os nomes que podem pintar na equipe:

Derrick Favors – Como já nos contou Bruno Pongas, Favors, o principal big man do draft, seria um alvo em potencial do Spurs. O ala-pivô, cotado para ser a terceira escolha do próximo recrutamento, tem como pontos fortes o atleticismo e a defesa, e, como pontos fracos o arremesso e o jogo de costas para a cesta. Na última temporada – sua primeira universitária -, jogando pela Universidade Georgia Tech, teve médias de 12,4 pontos, 8,4 rebotes e 2,1 tocos por jogo. Para consegui-lo, o Spurs teria que negociar com o New Jersey Nets – detentor da terceira escolha do próximo draft. As principais moedas de troca da franquia texana são Tony Parker e Richard Jefferson; como o Nets já tem um bom armador, Devin Harris, Jefferson seria o escolhido para ser envolvido em um possível negócio.

Ed Davis – Como já postei nesta semana, Davis, cotado para ser uma escolha Top 10 do próximo draft, também seria alvo do Spurs. Na última temporada – sua segunda com a universidade de North Carolina -, teve médias de 13,4 pontos, 9,6 rebotes e 2,8 tocos por jogo. Tem a defesa e a agilidade como pontos fortes, mas precisa melhorar seu arremesso e seu jogo de costas para a cesta. Como o Indiana Pacers tem justamente a décima escolha e estaria interessado em contar com Parker, um negócio que agradaria as duas partes pode sair.

Samardo Samuels – Para contar com esse jogador, o Spurs não precisaria de trocas. O ala-pivô, cotado para ser uma escolha de segunda rodada, pode acabar sendo selecionado na 49ª escolha, que pertence ao Spurs. Samuels, que já trabalhou com a comissão técnica texana nesta offseason, completou sua segunda temporada na universidade de Lousiville com médias de 15,3 pontos e sete rebotes em 29,3 minutos por partida. Tem como ponto forte a força física, mas precisa desenvolver a defesa e o arremesso.

3) Free Agents

No mercado que promete ser o mais agitado de todos os tempos, o Spurs terá quatro agentes livres: Roger Mason, Keith Bogans, Matt Bonner e Ian Mahinmi. Se não renovar com nenhum dos quatro, a franquia econimizará cerca de US$ 13 milhões para a próxima temporada. Confira quais grandalhões poderiam ser trazidos com esta verba:

Brendan Haywood – Em uma NBA carente de pivôs como a atual, foi triste ver o excelente denfesor Haywood perdendo minutos para o limitado Eric Dampier no garrafão do Dallas Mavericks. O pivô, que ganhou US$ 6 milhões na temporada encerrada, seria uma ótima opção para dar alguns minutos de descanso para Tim Duncan.

Darko Milicic – O sérvio ficou marcado negativamente por ter sido uma segunda escolha de draft, e por realmente não ter apresentado um basquete que justificasse esse status. Porém, o considero um pivô bastante útil – principalmente defensivamente. Fez uma segunda metade de temporada sólida com o Minnesota Timberwoves, incluindo um double-double contra o Los Angeles Lakers. Milicic já declarou que gostaria de voltar para a Europa, mas uma proposta de um time de ponta poderia convencê-lo a ficar. Mas, para isso, ele teria de aceitar uma diminuição no seu salário da última temporada, que foi de US$ 7,5 milhões.

David Lee – Um sonho. Trazê-lo seria uma tarefa das mais difíceis, já que devem aparecer ótimas propostas para o bom jogador do New York Knicks, que ganhou US$ 7 milhões na última teporada. De qualquer modo, valeria uma investida.

Drew Gooden – O cigano da NBA teve uma rápida passagem pelo Spurs, e mal teve tempo para se firmar. Considero-o um bom jogador e aceitaria-o de volta com facilidade – principalmente levando em conta o bom final de temporada que ele fez no Los Angeles Clippers. Com a volta de Blake Griffin, ele perderia espaço, o que poderia facilitar uma transferência. Na última temporada, seu salário foi de US$ 4,5 milhões.

Luis Scola – Depois de toda a novela que se fez em torno de sua vinda para a NBA, duvido que ele aceitaria jogar no Spurs. Porém, de qualquer maneira, seria um excelente reforço para o garrafão da equipe, principalmente por ser relativamente barato – ganhou cerca de US$ 3,8 milhões do Houston Rockets na última temporada. Poderia reviver, ao lado de Tiago Splitter, o garrafão campeão com o antigo TAU Cerámica.

Theo Ratliff – Outro que teve poucas chances de mostrar basquete no Spurs e que, no meu entendimento, foi mal aproveitado. Agregaria experiência e força defensiva ao elenco, e poderia dar alguns minutos a mais de descanso para Tim Duncan. Seu salário no Charlotte Bobcats era de “apenas” US$ 1,3 milhões.

Udonis Haslem – Seria uma boa opção para compor o elenco e vir do banco de reservas – função que fez na última temporada pelo Miami Heat – ou até mesmo para começar como titularno lugar de Antonio McDyess. Para fazer essa função de role player, porém, teria de aceitar ganhar menos do que os US$ 7,1 milhões que recebeu na última temporada.

Zydrunas Ilgauskas – O Big Z é ídolo em Cleveland, mas, na última temporada, foi envolvido em uma “mutreta” para reforçar a equipe, e foi contratado novamente com um salário de US$ 600 mil. Estava jogando pouco tempo após seu retorno – o lituano poderia ser útil se aceitasse um salário baixo e a condição de reserva de Tim Duncan.

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é site manager da Fifa e podcaster do Cultura Pop. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para UOL, Basketeria e mob36.

Publicado em 19/06/2010, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Avatar de K-delmondes K-delmondes

    Pow seria xou Scola e Duncan e o Splitter vindo do banco…o garrafão ficaria bastante forte

  2. Avatar de Bruno Roveri Bruno Roveri

    Torço pelos diretores do Spurs pensarem em tentar trazer David Lee, gosto do jogo dele…Haslem tm é um nome que poderia ajudar, mais acredito que, se não envolvermos o Parker, o Favors seria amelhor opção..um jogador jovem e forte….

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