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E se Duncan tivesse ido para o Mavericks?
Caros leitores do Spurs Brasil; hoje, nosso ex-blogueiro Leonardo Sacco escreve um texto especial. Uma espécie de brincadeira. O autor tenta prever o que aconteceria se o Dallas Mavericks tivesse a primeira escolha do draft de 1997, e tivesse selecionado Tim Duncan. O texto é meio longo, mas vale a leitura. Caso gostem, o escritor promete voltar com mais textos da série “E se?”.
O ano era ruim para o Dallas Mavericks. Acostumado com campanhas pífias desde o começo da década, o time já ia mal das pernas quando perdeu o promissor armador Jason Kidd para o Phoenix Suns. E a temporada de 1996/97 terminou com uma campanha nada animadora: 54 derrotas, apenas 24 vitórias e um futuro que se fazia presente apenas nas através do jovem ala Michael Finley, um cestinha em potencial. Panorama pior era vivido apenas pelos rivais texanos do San Antonio Spurs. Com um problema nas costas do pivô David Robinson, seu principal jogador, o time prateado fazia feio e era um dos grandes sacos de pancada da liga naquele ano. Conseguiu terminar com campanha ainda mais negativa.
A saída encontrada pelos dois rivais era rezar pela loteria que definiria o draft de 1997. Pela pior campanha, o Spurs precisava menos da sorte para ter a primeira escolha; os torcedores já faziam festa ao imaginar uma dupla formada por Robinson e Tim Duncan, apontado por todos os especialistas como a iminente primeira escolha do recrutamento em questão. Os torcedores do Mavericks, por sua vez, se conformavam em ter que achar algum bom jogador nas escolhas seguintes – a diretoria cogitava, até, utilizar suas picks para conseguir bons negócios e algum dinheiro.
E foi assim, sem nenhuma esperança, que os diretores de Dallas ouviram incrédulos o anúncio: a primeira escolha do draft de 1997 era do Mavericks. Para o Spurs, restou um segundo lugar que mais parecia inútil – nenhum jogador cotado para ser selecionado parecia ter o impacto imediato de Duncan. As semanas que antecederam o draft foram de sentimentos opostos no Texas. O lado de Dallas estava em festa com a chance de ouro de ter um potencial enorme em seu elenco; o lado de San Antonio lamentava a chance perdida por puro azar.

Conseguem imaginá-lo com outra camisa?
O ala-pivô, é claro, foi escolhido sem maiores rodeios pelo Mavericks. Conhecido por ter passado toda sua infância se dedicando ao nado, Duncan chegou a Dallas sem fazer muito alarde. Com seu jeito pacato, mudou-se para a cidade apenas algumas semanas antes de começar a treinar e participou de poucas atividades de marketing – no qual se mostrava terrível devido à sua timidez. Seu talento, porém, foi visto logo nos primeiros treinamentos. Dominante, foi colocado logo de cara entre os titulares pelo técnico Don Nelson, que assumira a equipe no lugar de Jim Cleamons, considerado inexperiente demais para montar um time em torno de um jovem astro.
Na estreia da temporada, a Reunion Arena estava completamente abarrotada para presenciar a estreia do novo craque. Vestindo a camisa 1, em referência à escolha no draft, Duncan estreou bem, com 21 pontos, 15 rebotes e três tocos na vitória contra o forte Utah Jazz de John Stockton e Karl Malone – esse dominado pelo jovem ala-pivô logo no primeiro encontro entre ambos. A esperança, a partir daí, surgiu com muita força em Dallas. Com o jovem jogador sendo o centro de tudo e com o apoio do pontuador Finley, parecia que a hora de o Mavericks chegar com força entre os melhores da liga estava pintando.
O que era pouco esperado, todavia, é que o jogo proposto por Nelson, com muita velocidade, seria prejudicial para Duncan, que caiu vertiginosamente nas partidas seguintes. A temporada acabaria com uma decepcionante campanha de 41 vitórias e 41 derrotas, melhor que no ano anterior, mas insuficiente para garantir a vaga aos playoffs. Timmy, por sua vez, garantiria o prêmio de melhor novato ao fechar o ano com médias de 14,3 pontos e 11,4 rebotes. Na disputa, superou o jovem Tracy McGrady, deixado de lado no draft por Gregg Popovich, técnico do Spurs, que alegara que aquele era um jogador jovem e sem a rodagem necessária – havia saído direto da high school para ser selecionado pelo Toronto Raptors.
Em seu segundo ano, Duncan ganhou um reforço de peso: vindo do Phoenix Suns, o armador Steve Nash caiu como uma luva para o Mavericks. O lockout pelo qual a NBA passou naquele ano diminuiu pela metade o número de jogos da temporada regular e facilitou a chegada do Mavericks aos playoffs. O time de Dallas cairia apenas nas finais de conferência, quando foi derrotado pelo Portland TrailBlazers, que levaria o título da liga na sequência. Os bons resultados e o time promissor atraíram os milhares de dólares de Mark Cuban, excêntrico milionário que comprou a franquia na metade de 2000.
Com dinheiro em caixa e a dupla Duncan-Nash, o Dallas passou a ser frequentador habitual dos playoffs. Na temporada 1999/00, porém, um problema físico do ala-pivô após o All-Star Game prejudicou o Mavericks, que deixou a vaga nos playoffs escapar na última partida, derrota fora de casa para o Milwaukee Bucks, que vencera com uma bola de três no estouro do cronômetro, convertida pelo novato Dirk Nowitzki, destaque daquele time no ano. A volta de Duncan no ano seguinte levou o Mavericks de novo à pós-temporada, mas a falta de um companheiro mais forte debaixo da cesta ficava evidente na derrota diante do Lakers de Shaquille O’Neal, na final de conferência. Duncan e o Mavericks, assim, passavam a ficar marcados por sempre nadar e morrer na praia.
Para solucionar o problema, Cuban e sua diretoria apostaram em Raef LaFrentz, pivô que se destacava no Denver Nuggets. O atleta se mostrou um ótimo companheiro para Duncan, mas pecava por se lesionar demais. Sempre no estaleiro, LaFrentz fazia falta, e o Dallas via seu grande rival Spurs começar a crescer com a chegada do argentino Manu Ginobili e do francês Tony Parker, que aos poucos iam se mostrando uma boa dupla de armadores para David Robinson. No Mavericks, o panorama só piorava com mais dois revezes consecutivos na pós-temporada, ambas para o Lakers de O’Neal.
Sem títulos e sem um esquema de jogo que agradasse, Don Nelson deixou o time em 2004. E essa seria a primeira das mudanças pelas quais o Dallas passaria naquele ano. Nash deixara o time para retornar ao Suns, time no qual se consagraria duas vezes MVP no esquema run’n’gun. Sem um armador puro, o time apostou nas chegadas do treinador Avery Johnson, ídolo em San Antonio e especialista em defesa, e na dupla de alas formada por Josh Howard e Antawn Jamison. Ao lado de Duncan, os dois foram responsáveis pelo primeiro título de conferência da história do Mavericks, em 2004. O time, porém, pecou pela inexperiência em finais e, apesar do desempenho magnífico de Duncan, perdeu a série em melhor de sete contra o forte Detroit Pistons por 4 a 3. O ala-pivô fecharia a finalíssima com médias de 27,8 pontos, 13,4 rebotes e 6,4 assistências por partida.
Mais experiente e agora com a carga de ter disputado um série final, Duncan foi essencial para que o Mavericks chegasse, em 2005, a mais uma final de conferência, vencida, no entanto, pelo ofensivo time do Suns. Em um embate épico, o time de Phoenix atropelou o de Dallas, mostrando que poder ofensivo era sim capaz de atingir as finais – vencidas, novamente, pelo Pistons. A torcida, porém, parecia mais tranquila que nas últimas vezes, e viu em 2006 seu ano decisivo.
Com a chegada do jovem armador Devin Harris após algumas trocas, o Mavericks tinha o seguinte quinteto na temporada 2005/06: Harris, Howard, Jamison, Duncan e Erick Dampier, que chegara para substituir LaFrentz, dispensado devido ao físico frágil. O time voou na temporada regular, atropelando adversários até os playoffs. A melhor campanha geral fez com que Duncan recebesse seu primeiro MVP. Na pós-temporada, vitórias fáceis e mais um título de conferência. Na grande final, o inexperiente Miami Heat. De um lado, Duncan. Do outro, novamente O’Neal. O resultado, repetido. Surpreendendo a todos, o time da Flórida venceu e oficializou Shaquille como pedra no sapato do Mavericks.
A nova derrota fez com que a carreira de Duncan mudasse para sempre. Durante o mercado de transferências, foi envolvido em uma troca com o Bucks, na qual Nowitzki e o ala Michael Redd foram enviados para Dallas em troca do ala-pivô e de Jamison. O Dallas nunca mais teria um desempenho desse tipo, brilhando sempre apenas durante a temporada regular. O Bucks, por sua vez, passou a frequentar mais os playoffs, mas nunca com grandes avanços.
Descontente com isso, Duncan quis testar o mercado e passou a ser o mais cobiçado dos agentes livres daquele ano. Para a surpresa de todos, acabou assinando com o Spurs, time que o perdera durante um sorteio de loteria e que ele aprendera a derrotar em seus anos de Mavericks. Sua chegada aconteceu com desconfiança. Os torcedores, porém, sabiam que sua chegada ao elenco transformaria a franquia, comandada pelos estrangeiros Ginobili e Parker após a aposentadoria de Robinson.
O impacto da chegada foi imediato. Duncan levou o time à melhor campanha da temporada 2007/08, sendo eleito mais uma vez MVP, mas foi derrotado na final de conferência para o Lakers de Kobe Bryant e Pau Gasol. Comandado por Gregg Popovich, o ala-pivô voltou a mostrar o basquete do início de sua carreira, e o Spurs passou a ser uma das forças do Oeste. Timmy, porém, seguia com sua sina dos tempos de Dallas, de estar sempre no quase e nunca ganhar o anel. Seguiu como um dos melhores da liga até 2011, ano no qual resolveu fazer sua última temporada.
No ano derradeiro, levou o Spurs à melhor campanha da regular, atropelando adversários também nos playoffs. Na final de conferência, ficou frente a frente com Nowitzki e o Dallas pela primeira vez em um jogo de pós-temporada. Após seis partidas muito disputadas, o AT&T Center estava lotado para o confronto decisivo. Depois de uma partida muito equilibrada, overtime. E foi aí que a estrela de Duncan brilhou. Um tiro certeiro para três pontos, no estouro do cronômetro, colocou o Spurs novamente nas finais. Os torcedores do Dallas, incrédulos, assistiam sua cria colocar ponto final em mais uma tentativa de título. Pior que isso: levava o Spurs, grande rival, a mais uma final.
O adversário era o Boston Celtics. Mais uma vez Shaquille O’Neal estava no caminho de Duncan. Nos seis primeiros jogos, mandos de quadra respeitados. O duelo derradeiro, novamente, ficava para o AT&T Center abarrotado. O Spurs nunca estivera perto da glória como agora – nem Tim Duncan. O jogo, mais do que uma final, marcava a despedida de um jogador que, em sua carreira, havia sido lendário. E o adeus foi digno. Anel para o Spurs, MVP para Duncan – um combinado mais que perfeito.
Spurs (2) vs Grizzlies (4) – O fim

91×99
O torcedor do San Antonio Spurs esperava um final diferente para a temporada, um final muito diferente desse adeus precoce. A campanha de 61 vitórias na fase regular e a liderança do Oeste deixaram um sabor doce, mas que logo azedou. Cair diante do Memphis Grizzlies, na primeira rodada dos playoffs, estava longe dos planos.

As férias chegaram antes que o planejado (AP Photo)
Mas o que aconteceu na última sexta-feira foi apenas uma morte anunciada desde o jogo 1. Pode-se dizer que o Spurs entrou na partida desta sexta-feira apenas respirando por aparelhos, após ser reanimado por Manu Ginobili e Gary Neal no jogo 5. Ah sim, o placar de ontem? 99 a 91, mas isso é o que menos importa.
O Spurs lutou, é bem verdade. Vendeu caro o revés. Mas fracassou. Depois de entrar muito mal no primeiro quarto e equilibrar a partida no segundo e terceiro períodos, o time texano ainda deu esperanças ao seu torcedor quando buscou a virada e chegou a marcar 80 a 79. Mas foi apenas o último suspiro.

Randolph: O algoz (Photo Andy Lyons/Getty Images)
Zach Randolph, sim, ele mesmo, fez aquilo que poucos podiam imaginar que o ala-pivô seria capaz alguns anos atrás. Talento ele sempre teve, todos sabem, mas o que vimos em quadra foi um verdadeiro líder.
Randolph colocou a bola embaixo do braço e resolveu. Já vinha em uma grande noite, mas coroou a partida com um final impecável, que entrará para a ainda curta história do Grizzlies. Pontuou de todas as formas, com arremessos, ganchos e até contra-ataques. Fez o que quis e como quis, sem se importar com quem estava em seu encalço.
Dessa vez, sem brincadeiras infames, sem tempo para um novo milagre. Sucumbiu um gigante, mas diante de outro gigante, que foi Zach Randolph. Vitória merecida.
Memphis dominou toda a série. Mesmo quando perdeu, foi apenas por um acaso. Parabéns a Lionel Hollins, técnico da equipe. Dizer que deu um nó tático em Gregg Popovich soa como exagero, mas soube, sem dúvida, explorar as deficiências e fraquezas de um adversário teóricamente mais forte.
Ao Spurs, este ainda é um assunto longo e que terá consequências além daquilo que podemos analisar no momento. Ao Spurs, resta levantar a cabeça e já começar a pensar na temporada 2011/2012, provavelmente a última de Tim Duncan.
Destaques da partida
San Antonio Spurs
Tony Parker – 23 pontos
Manu Ginobili – 16 pontos
Tim Duncan – 12 pontos, dez rebotes e três bloqueios
Memphis Grizzlies
Zach Randolph – 31 pontos e 11 rebotes
Marc Gasol – 12 pontos e 13 rebotes
Tony Allen – 11 pontos e quatro roubos de bola
Tim Duncan está “no ponto” para os playoffs
Prestes a completar 35 anos, Tim Duncan está a um passo da aposentadoria. Nesta temporada, Gregg Popovich, técnico do Spurs, poupou sua principal estrela o máximo que pôde. Resultado? Duncan jogou, em média, 28.4 minutos por noite – número mais baixo de sua carreira.
A tática de Popovich de descansar seu fiel escudeiro parece ter dado certo. Mesmo afetado pela idade avançada, Timmy afirma que está “no ponto” para a disputa dos playoffs. “Me sinto bem”, afirmou o astro, após o triunfo de sábado sobre o Utah Jazz. “Meu tornozelo ainda está mais ou menos, mas eu me sinto cheio de energia”, completou.
Splitter treina para melhorar aproveitamento
Quem assiste aos jogos do Spurs sabe que o brasileiro Tiago Splitter tem um aproveitamento sofrível na linha dos lances livres. Com 54% de aproveitamento, o brazuca é nada mais nada menos do que o pior jogador da equipe neste quesito. Para melhorar, Splitter vem treinando duro com o especialista Chip Engelland, profissional reconhecido por seu talento nos corredores da NBA. Resta ver se ele consegue dar um jeito no brasileiro…
Dr. J coloca Spurs como favorito ao título do Oeste
Muitas vezes taxado de time chato, o San Antonio Spurs possui alguns admiradores. Um deles é o lendário Julius Erving, o “Dr. J”. Em entrevista recente ao The New York Times, o ex-jogador revelou que gosta bastante de assistir aos jogos dos comandados de Gregg Popovich.
“Eu gosto do Spurs. Eles jogavam muito com Tim Duncan de costas para a cesta, mas agora mudaram e se espalham por toda a quadra. Tony Parker conduz o time, enquanto Manu Ginobili faz qualquer outra coisa. Duncan participa bem menos do que já participou um dia”, avaliou o ex-astro.
Segundo ele, o San Antonio Spurs é favorito na Conferência Oeste. “A equipe está muito bem, acho que eles levam o Oeste”. No entanto, para Dr. J, o grande favorito ao título é o Boston Celtics. “Eles (Boston) têm uma grande chance, já que têm mais profundidade no elenco. Eu gosto do que Doc Rivers está fazendo: ele está descansando seus jogadores cedo para tê-los inteiros no final. Além disso, eles sabem o que fazer para vencer”, finalizou.
Intermináveis e lendários
* Hoje publico um texto que deveria ter ido ao ar há muito tempo, mais especificamente após a derrota do Spurs para o Boston Celtics lá no começo da temporada. Por algum motivo essa pequena matéria ficou guardada no meu computador e nunca foi publicada. Apesar de ter perdido um pouco da força com o tempo, vale a pena dar uma olhada, afinal Tim Duncan e Shaquille O’Neal fazem parte da história da NBA.
Juntos, Tim Duncan e Shaquille O’Neal somam oito títulos e três troféus de MVP. Ambos dominaram a NBA durante a última década e travaram batalhas épicas nos playoffs da Conferência Oeste. Agora em lados opostos, ambos querem o quinto e muito provavelmente último anel de suas carreiras.
“Nós dois sabemos que existem muitos anos para trás e poucos pela frente”, disse Timmy, após a derrota de ontem para o Boston Celtics. “Estamos aproveitando esse tempo que sobrou. Somos os padrinhos agora, os caras velhos da liga. Muitas histórias juntos, muitas batalhas”, relembrou o astro do San Antonio Spurs.
A cada entrevista, Duncan parece mais nostálgico. Suas palavras transmitem um quê de melancolia e chegam a emocionar. “Todos os combates nos playoffs, todos os All-Star Games; passamos por muitas coisas juntos, mas agora somos velhos como o tempo”, lamentou o melhor ala-pivô de todos os tempos.
Shaquille, ao contrário de Timmy, sempre teve um estilo mais polêmico. Falador, o pivô provocou muitos de seus adversários dentro e fora das quadras. Por Duncan, no entanto, Shaq sempre mostrou respeito. “Ele tinha muito respeito pelo Tim”, revelou Malik Rose, ex-jogador do Spurs, que presenciou grande parte das batalhas épicas entre San Antonio Spurs e Los Angeles Lakers durante a década passada.
Antes de se decidir pelo Boston Celtics, O’Neal disse publicamente que gostaria de jogar em San Antonio. Na época, suas palavras mostraram um pouco do respeito que existe entre os dois. “Eu gostaria muito de ir para San Antonio, jogar com o Timmy e ganhar mais um título”.
O desejo de Shaquille O’Neal jamais se realizará. Ele e Duncan marcaram época e seus nomes devem ser lembrados por anos, assim como ficaram para a história Bill Russell e Wilt Chamberlain.






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