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Mills e o bem para Parker e Manu

A melhor notícia para o San Antonio Spurs nessa entressafra de temporadas talvez tenha sido a renovação de contrato do armador Patrick Mills. Sem muitas chances nos playoffs depois de chegar no time quase na reta final da temporada regular, ele terá finalmente a preparação adequada para poder exercer aquela função que a franquia busca faz algum tempo: o armador reserva de Tony Parker.
Com uma pré-temporada inteira com o time e mais ciente das armações que Gregg Popovich faz com a equipe, o australiano poderá render mais. Mas acredito que ele não será fator crucial na rotação de Parker. A presença de Mills poderá ser ainda mais importante para que outro membro do Big Three consiga jogar mais e melhor. Falo de Manu Ginobili.

Mills poderá ser o elo por atuações ainda melhores de Parker e Manu
Nos poucos jogos que fez pelo Spurs e nos outros que já havia feito pela NBA – além de seus presenças defendendo a Austrália –, Mills deixou claro seu funcionamento dentro de quadra. Exímio arremessador, funciona como espécie de combo guard, jamais como armador puro. Características semelhantes às de Parker, mas que fazem dele mais do que um reserva necessário. Transformam o australiano em um ótimo complemento para Manu e peça crucial na formação de uma segunda unidade mais confiável.
Mills não conduzirá a bola e criará jogadas para os outros. Seu aproveitamento na linha dos três pontos é que fará dele peça-chave na rotação. Sem o poder de infiltração de Parker, ele deverá revezar com Ginobili como armador principal da segunda unidade. Faz o Spurs ter mais opções de jogadas de longa distância, o que é essencial. Para se ter uma ideia, no pouco tempo de quadra que teve na temporada 2011/2012, o armador converteu 24 dos 56 chutes de três que tentou com a camisa do Spurs. Uma média que deve fazer Popovich pensar em mais jogadas que possam ser finalizadas por ele.
O australiano, mesmo não sendo uma estrela, será essencial para tirar o peso das costas de Ginobili quando ele for a principal referência do perímetro. Não deverá ter um tempo de quadra muito extenso, principalmente com o crescimento esperado de Kawhi Leonard e a manutenção – também esperada – da boa fase de Gary Neal. E Pop sabe que apenas uma rotação muito bem feita, com diferentes alternativas e sem sobrecarga nos astros, será capaz de colocar o Spurs no patamar do Los Angeles Lakers e do Oklahoma City Thunder.
Se os rivais largam na frente pela quantidade de talento que possuem em seus elencos, aos poucos o Spurs mostra que a chave para seu sucesso não passará apenas por seus craques. Popovich sabe que depende muito dos coadjuvantes para ir longe na temporada.
3 pontos
– Mills é muito mais jogador do que Cory Joseph atualmente. A renovação dele foi um tiro certeiro da diretoria.
– A presença de Mills favorece também uma adaptação mais gradual de Nando de Colo.
– Se por um lado é uma pena que Rafael Hettsheimeir não tenha assinado com o Spurs, por outro é essencial que ele mantenha seu jogo em evolução. E isso ele fará mais na Europa do que na NBA, sem dúvidas.
A nova era por trás do uniforme do Spurs

Li diversas reações de torcedores aos novos uniformes do San Antonio Spurs, lançados na quarta-feira (19) e que servirão como vestimenta alternativa, uma espécie de terceiro uniforme, para o time. Muitos acharam legal a iniciativa, outros não gostaram e acharam bem feia a nova camisa da equipe. Mas foi no site americano Spurs Nation que li a opinião mais legal sobre o lançamento até agora.
Os novos uniformes do Spurs têm um detalhe especial: não possuem o nome da equipe, como é comum em todas as camisas da NBA. Há apenas a espora, símbolo da franquia. O espaço em cinza e vazio é grande. E pode ser um indicativo do que espera a liga em um futuro bastante próximo.

Muita gente não gostou. E pode piorar… (D. Clarke Evans/NBAE/Getty)
Não é novidade que o basquete norte-americano – assim como os Estados Unidos como um todo – passa por uma grande recessão. O dinheiro que entra é menor e o que sai é cada vez maior, com altos salários para jogadores que, em certas vezes, sequer estariam na NBA fosse uma época onde houvesse mais qualidade técnica, como foi a década de 1990, por exemplo. O apelo com o público, desde a aposentadoria de Michael Jordan, também é decadente. Falta um ídolo coletivo.
LeBron James, o mais apto a assumir esse papel, caiu em desgraça popular quando decidiu trocar o Cleveland Cavaliers pelo Miami Heat usando um programa de TV em rede nacional para fazê-lo. Perdeu, aí, a chance de ser a estrela da companhia toda. E a NBA perdeu a chance de impulsionar seu negócio de novo. E onde entra o novo uniforme do Spurs nisso tudo? Justamente na criação de uma nova fonte de renda, os patrocínios.
Em meio ao mercado de transações desse ano, o comissário David Stern fez história ao abrir brecha para que os times, a partir da temporada 2013/2014, pudessem começar a usar camisetas com patrocínios embaixo do braço, na região da axila. Levou pedradas. Os mais tradicionais não enxergam como ‘sujar’ os uniformes da NBA com patrocinadores. Mas isso deverá ser apenas o começo. Stern e as franquias precisam de dinheiro. E uma transação em especial os fez crescer os olhos para a oportunidade.
Quando o Manchester United, do futebol inglês, anunciou patrocínio de R$ 90 milhões anuais com a Chevrolet, Stern e os donos de franquia pararam para pensar e concluíram – o óbvio – que a NBA tem força de mercado suficiente para fazer dos patrocínios uma fonte de renda sólida e confiável. E a o uniforme do Spurs pode ser uma prévia disso. Tem espaço suficiente para um patrocinador no peito. Ao invés do nome do time, apenas seu símbolo. E, abaixo, o patrocínio. Tem quem goste. E tem quem odeie.
Tradições existem e geralmente, quando são quebradas, causam comoção. Principalmente porque quase sempre são quebradas pelo dinheiro, pelo avanço tecnológico ou pelos dois aliados. O caminho da NBA parece sem volta. Se faz necessário achar uma fonte de renda que saia do lugar comum consagrado na liga já há seis décadas. O uniforme novo do Spurs pode ter sido muito mais do que simplesmente inovador em seu estilo. Pode ter sido a porta de entrada para uma nova era na NBA: a era dos patrocínios.
Spurs apresenta uniforme alternativo

Nem branco e nem preto. O novo uniforme do San Antonio Spurs para a temporada 2012/2013 da NBA será cinza. O modelo alternativo, que funcionará como um terceiro modelo a ser utilizado, foi apresentado nesta quarta-feira (19) pela equipe e será usado pela primeira vez no dia 1º de novembro, contra o Oklahoma City Thunder, no primeiro jogo da temporada disputado no AT&T Center. Os alas Kawhi Leonard e Danny Green pagaram de modelo e fizeram parte da divulgação.

Leonard e Green apresentam o novo uniforme. Aprovado? (D. Clarke Evans/NBAE/Getty)
E aí, aprovado?
Spurs pode ir atrás de ala nigeriano

A complicação para contratar um ala pontuador pode fazer o San Antonio Spurs aprontar. Com a possibilidade da chegada de Tracy McGrady não passar de um rumor e o negócio com Josh Howard evoluir aos poucos, a franquia poderá testar o nigeriano Chamberlain Oguchi, que disputou a última edição dos Jogos Olímpicos pela seleção de seu país.

Parker, em Londres, com Oguchi ao fundo. Juntos em breve? (Getty Images)
Com 26 anos, ele tentou ser draftado em 2009, mas não foi escolhido por nenhuma equipe. Desde então, passou nada menos do que sete (!) times em três anos. Nascido em Houston, nos Estados Unidos, ele foi o nome de maior destaque da seleção nigeriana nas Olimpíadas após anotar 35 pontos na derrota diante da França. A atuação fez com que algumas franquias da NBA que mandaram seus olheiros para Londres convidassem o atleta para testes, segundo reportagem do Yahoo! Sports – entre elas, o Spurs.
Com características pontuadoras, Oguchi seria um jogador para compor elenco e entrar no jogo quando bolas de três pontos forem necessárias. Desconhecido, seria opção mais barata – e também mais arriscada – caso McGrady e Howard não acertem. Sua carreira de “cigano” do basquete inclui passagens por times do Iraque, da Venezuela e do Líbano. Sua última equipe foi o Meralco Bolts, das Filipinas.
Leia mais: veja quem pode chegar e quem pode deixar o San Antonio Spurs
T-Mac? Não, obrigado

No último sábado (15), nosso blogueiro Lucas Pastore fez ótima análise sobre a possível vinda do pivô Kyrylo Fesenko ao San Antonio Spurs. Concordo com ele. Eficiente e de uma posição na qual o time é carente, o ucraniano faria a cotação da equipe subir entre aquelas que disputarão os playoffs da temporada. E junto dele poderia vir o veterano ala Tracy McGrady. Mas aí as coisas não funcionam da mesma forma. Se Fesenko seria totalmente útil para o elenco, T-Mac soaria mais como uma adição nada inteligente.

Lá vai T-Mac correndo e… machucou?
Dentro de sua safra de jogadores, McGrady sempre foi bem visto e, por muito tempo, segurou nas costas o Orlando Magic e o Houston Rockets. Não pelo peso que colocavam em seus ombros, mas o ala se machucou e nunca mais foi o mesmo. Algo comum e que tem como um dos exemplos o tenista brasileiro Gustavo Kuerten. Guga jogava em alto nível, se lesionou e arrastou sua carreira até o final. Parecido com o que T-Mac faz. O que um jogador desse adicionaria ao elenco do Spurs?
Dentro de quadra, saudável, ele é ótimo. Pontuador, viria do banco e faria uma dupla e tanto com Manu Ginobili. Mas o Spurs já tem problemas médicos suficientes para trazer ao elenco mais um caso. O próprio argentino sempre requer atenção especial da comissão técnica, assim como Tim Duncan, sempre por conta da idade. McGrady não seria um substituto confiável. Há cinco anos não sabemos mais se ele entrará em quadra e fará 20 pontos ou se passará desapercebido. T-Mac perdeu a hora de parar.
Claro que a grana faz a diferença e o salário mínimo para veteranos torna a aposta em McGrady mais atraente para uma diretoria que não tem mundos e fundos para gastar. Mas o quanto o barato pode sair caro quando falamos de um jogador com certa idade, que vive convivendo com lesões e que na última temporada teve média de nem seis pontos por jogo? E no Atlanta Hawks, seu útimo time, tinha como função exatamente descansar os all-stars da equipe sem perder o nível.
Prefiro que o Spurs aposte em seus jovens. Para o perímetro nós estamos bem servidos, talvez seja o setor com a renovação mais bem feita. Tony Parker é cada vez mais o franchise player, Patrick Mills deverá ganhar cada vez mais tempo e Manu parece mais saudável, impressão que tive nos Jogos Olímpicos. McGrady não viria para somar. Sua chegada seria mais motivo de preocupação do que de alívio.
O Spurs precisa investir em jogadores novos e, preferencialmente, de garrafão. Foi isso que faltou na decisiva série contra o Oklahoma City Thunder, nas finais da Conferência Oeste da última temporada.
3 pontos
– Sim, o departamento médico do Spurs é um dos melhores da liga. Mas o quanto vale dar mais trabalho para ele a troco de nada?
– T-Mac foi um dos jogadores mais impressionantes que vi jogar, assim como Guga foi e é meu tenista favorito – não o melhor que vi. Mas lesões crônicas não são fáceis de resolver.
– Se abaixasse o salário, Leandrinho seria boa pedida caso o Gregg Popovich queira um jogador apenas para sair do banco e pontuar, sem se importar muito com a defesa. Duvido.
