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Ginobili: “nem sequer espero que estendam meu contrato”
Os dias do argentino Manu Ginobili com a camisa do San Antonio Spurs parecem estar realmente chegando ao fim. O casamento de oito anos, que rendeu três títulos à franquia, se estremeceu nos últimos anos, especialmente após as constantes lesões do ala. O técnico Gregg Popovich, que nunca gostou que seus atletas fossem jogar por seus países, ficou irritado quando Manu foi para Pequim e voltou com o tornozelo machucado.
Em entrevista ao jornal argentino Clarín, Manu se demonstrou decepcionado por não ter sido procurado para renovar seu contrato. “Estou certo de que serei agente livre e em julho ou agosto tomarei uma decisão acerca de aonde ir [jogar]”, disse. “Já nem espero que a equipe me ofereça uma extensão de contrato”, confessou.
Abaixo, você pode conferir parte da entrevista
Clarín: San Antonio te dá sinais de que vai oferecer um contrato?
Ginobili: Não, não houve nenhum sinal. O último foi antes de eu me machucar no ano passado. Desde então, não houve nenhuma conversa. Neste ponto da temporada, não sei se eu estenderia meu contrato, depende da oferta. Estou focado em sentar no dia 1º de julho com meu agente e com a minha esposa e ver que ofertas tenho.
Clarín: Você não é um Spur qualquer, por seu rendimento e idolatria da torcida. Não te magoa o fato de te deixarem ir?
Ginobili: De início sim, porque pensei que a relação era outra. Isso foi no ano passado, mas esse ano é diferente. Sei como as cartas estão repartidas e ninguém presenteia ninguém quando é hora de negociar – nem a franquia e nem os jogadores. Há que se entender isso como um negócio e há que saber jogar com isso. De início fiquei doído, mas agora já entendi.
Clarín: San Antonio teve duas temporadas de menor rendimento desde 2007. Hoje está em quarto na Conferência Oeste. Como você vê isso?
Ginobili: Não estamos jogando tão bem como deveríamos a essa altura do campeonato. Tivemos muitos altos e baixos e seguimos tendo. Assim, não digo que estou preocupado, mas teríamos que ter sofrido quatro ou cinco derrotas a menos. Esperamos nos recuperar durante o calendário que vem por aí, porque sabemos que em fevereiro e março não estaremos quase nunca em casa [por causa da Rodeo Trip]. Esperamos não pagar caro pelas derrotas que tivemos em San Antonio.
Análise do caso
É sempre complicado e doído se desfazer de um ídolo. No futebol isso se tornou comum. É muito fácil hoje em dia ver um garoto ficar seis meses numa equipe qualquer e logo em seguida ser vendido. No basquete é diferente, ainda existe amor à camisa.
Ginobili é um desses caras que gosta do Spurs, gosta da cidade e se identifica com a torcida. A recíproca, claro, é verdadeira. San Antonio ama o Ginobili e quer que ele continue na equipe até encerrar a carreira. Esse é o desejo de qualquer torcedor. Manu marcou época, foi único e venceu tudo o que podia na carreira. Ele é um vencedor, acima de tudo.
Na visão mercadológica, no entanto, temos que ser realistas. Ginobili é um jogador com constantes problemas físicos. Ele já não é mais rentável como antigamente e os dirigentes perceberam isso. Além disso, um contrato novo para o argentino não sairia por menos de US$ 10 mi anuais – que é o que ele ganha atualmente.
Mr. Peter Holt, dono da franquia, gastou o que tinha e o que não tinha para montar um time forte com Richard Jefferson e Antonio McDyess. Se ele meteu os pés pelas mãos, ainda é cedo para dizer, mas, com isso, colocou a equipe muito acima do teto salarial – coisa rara no seu perfil. Caso tudo dê errado, é provável que ele tente começar mais ou menos do zero. Se livrar do contrato do Ginobili seria um início razoável para isso.
É bem verdade que temos uma série de contratos expirantes para a próxima temporada, como Michael Finley, Matt Bonner, Roger Mason, Theo Ratliff, Ian Mahinmi e Keith Bogans. Juntos, todos eles (contando o Manu) somam mais de US$ 20 mi; uma baita folga na folha salarial e a chance de um recomeço, já que o contrato salgado do Richard Jefferson expira já em 2011.
Peter Holt tem a faca e o queijo nas mãos. A decisão, todavia, é complicada. Manter um ídolo agora e arriscar novas campanhas medianas ou deixar ele ir e montar outro time forte…? O erro, para mim, já foi feito. Um contrato de três anos para o vovô Antonio McDyess, com direto a US$ 5 mi no último ano, quando ele deverá estar caindo aos pedaços, foi um erro incalculável.
Parker e Manu ainda se adaptam aos novos companheiros
Tony Parker impressionou a NBA no ano passado ao fazer 55 pontos diante do Minnesota Timberwolves. No entanto, sua média de pontos nessa temporada caiu consideravelmente: foi de 22.1 para apenas 16.6. Além do mais, ele vem cometendo 3.1 tournovers por jogo, sua pior marca na carreira.
Com Ginobili aconteceu algo semelhante. No ano passado ele mal jogou, mas quando esteve em quadra manteve média de 15.5 pontos por partida, aquém dos números da temporada retrasada, sua melhor da carreira com 19.5 por jogo. Nesse ano o argentino vem pior; média de 12.2 pontos e aproveitamento de 40.1% nos arremessos – seu pior da carreira.
Essa queda no desempenho de Parker e Manu está sendo sentida pelo restante do elenco, que até agora reluta em se adaptar a um novo estilo de jogo. Seria tudo isso culpa da idade? Pode ser… contudo, nos últimos dez jogos, foram oito vitórias e um indício claro de que San Antonio está melhorando.
Muitos jogadores novos chegaram: Antonio McDyess, Richard Jefferson, DeJuan Blair, Theo Ratliff, Keith Bogans… isso é suficiente para desestabilizar qualquer esquema de jogo. Tony Parker, por exemplo, tentou se adaptar aos novos companheiros e ao bom preparo físico de RJ24. Entretanto, notou que estava deixando de ser o verdadeiro Parker e já cogita voltar ao velho estilo de jogo. “Em alguns jogos eu tento passar a bola e os técnicos dizem que eu tenho de ser mais agressivo”, disse o francês. ”É como se ele estivesse começando de novo”, disse o técnico Gregg Popovich. “Por onde ele olha há novos jogadores, e ele está descobrindo o que fazer com eles”, completou.
Se Parker se sente como um novato, Ginobili sente como se nunca tivesse entrado em quadra na vida. Ele perdeu muito da temporada passada por causa de problemas físicos. Quanto à sua confiança, o argentino falou que ela varia de acordo com o dia. “Preciso jogar uns dez jogos em sequência, me sentir bem e deixar o jogo vir até mim”, explicou. “Às vezes, quando eu perco muitos jogos [devido a lesões], eu volto e quero fazer as coisas acontecerem muito rapidamente”, finalizou.
McDyess confortável vindo do banco
O ala-pivô Antonio McDyess disse que está se sentindo muito bem vindo do banco de reservas no San Antonio Spurs.
Depois de iniciar os primeiros 23 jogos como titular, o técnico Gregg Popovich deslocou o jogador para o banco. O resultado foi bom; Dice passou a jogar melhor desde que o novato DeJuan Blair o substituiu no quinteto inicial.
“Essa é a minha zona de conforto, vindo do banco”, disse o ala-pivô. “Com Matty [Bonner] fora [machucado], o técnico precisou de alguém que viesse do banco e convertesse os arremessos”, afirmou.
Finley ainda irá demorar para voltar
O ala Michael Finley sofreu um entorse no dia 9 de dezembro, no duelo contra o Sacramento Kings. Apesar de sua volta ainda ser uma incógnita, o veterano tem acompanhado a equipe durante as viagens.
“Na verdade ele está longe [de voltar a jogar]”, disse Gregg Popovich. “Mas ele está melhorando a cada dia. Ele quer estar com o time e fazer parte dele, por isso está viajando conosco”, finalizou.





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