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O quarto elemento

Gregg Popovich vem trabalhando bem o conceito de rotatividade no elenco do San Antonio Spurs. Primeiro deixou o ala-armador Manu Ginobili fora de alguns jogos iniciais da temporada. Na sequência, poupou o armador Tony Parker da vitória diante do Portland TrailBlazers. Provavelmente deixará o ala-pivô Tim Duncan afastado de alguns duelos. Nessas partidas, dois fatos merecem destaque: a franquia perdeu apenas uma vez e Kawhi Leonard começa a brotar como protagonista do elenco.
O primeiro aspecto é muito importante para o Spurs nessa temporada. Em um começo de disputa no qual o Los Angeles Lakers se apresenta combalido e mais perde do que ganha, a diferença para o adversário – e para o Oklahoma City Thunder, outro adversário de peso da Conferência Oeste – é importantíssima quando estivermos chegando ao final da temporada regular. Uma gordura acumulada no começo é essencial para que o trio, já com certa idade, seja poupado momentos antes do playoffs.
Mas é Kawhi Leonard que realmente vem chamando minha atenção. Em seu segundo ano de NBA, ele mostra maturidade e leitura de jogo que fazem com que qualquer tipo de suspeita levantada quando ele veio trocado por George Hill seja totalmente leviana. Nas ausências de Manu e, posteriormente, de Parker, foi o ala quem liderou o perímetro da primeira unidade a ser essencial nas vitórias.

Um quarto elemento que é cada vez mais essencial
Falar sobre seu senso de defesa é quase chover no molhado. Mesmo com pouco tempo de NBA, a confiança depositada em Leonard é sinal de seu bom trabalho. Sempre que o Spurs atua contra um grande jogador de perímetro, é dele a responsabilidade de marcação. Muito para um sophomore. Normal para o potencial que ele demonstra dentro de quadra. As comparações com Bruce Bowen, é claro, são inevitáveis.
Talvez em um otimismo absurdo, considero que ele será melhor que Bowen. Defensivamente, tem tudo para alcançar o ídolo do Spurs. Ofensivamente, porém, pode ser muito melhor. Bom nos arremessos de média distância, ele tem melhorado o arsenal de três pontos. O que impressiona, porém, é sua consciência na hora de arremessar. Contra o Blazers, quando anotou dez pontos, tentou apenas seis vezes – colocou cinco para dentro.
A realidade Leonard faz cada vez mais bem ao Spurs. Se há alguns anos a possibilidade de renovação se reduzia a DeJuan Blair e Tiago Splitter, hoje ela ganha novo fôlego com Kawhi. Com ele voando e a gordura acumulada sendo gasta apenas no fim, o futuro do Spurs na temporada pode ser bem mais brilhante do que a projeção inicial.
Um balanço da pré-temporada

O momento é praticamente perfeito para falarmos da pré-temporada do San Antonio Spurs. Pouco mais de uma semana separa a fantasia da realidade. E é por isso que devemos tomar todo o cuidado possível quando fizermos um balanço final dos jogos da equipe nesses encontros sem muito valor – mas que, em nenhum momento, deixam de ser importantes. Vamos por partes.
Garrafão de peso
Parece que o problema recente do time com pivôs está perto de ser solucionado. Isso não quer dizer que não teremos mais dores de cabeça quando tocarmos no assunto. Fora do peso em outras temporadas, DeJuan Blair parece ter colocado a cabeça e a forma física em seus devidos lugares. Volta aos seus primeiros anos de NBA, com presença importante no garrafão para rebotes e arsenal ofensivo considerável, é a meta. A baixa estatura, porém, preocupa. Não é jogador para bater de frente com pivôs tops de linha.
E nesse seleto grupo de pivôs já tentou viver, há muito tempo e em uma galáxia distante, Eddy Curry, o reforço-surpresa-que-causou-mais-surpresa-em-quadra. Ele foi bem. Está mais magro. Mas está longe de ser a solução. Pelo salário baixo que deverá ganhar, merece uma chance em um elenco completamente carente de opções ofensivas na posição 5. Mas todo cuidado é pouco com ele. Com a cabeça no lugar e a barriga vazia, pode ser uma opção interessante. De qualquer modo, nunca jogou os playoffs e, assim, é uma incógnita maior ainda quando falamos do funil mais apertado – sem piadas com sua medida generosa.
Bem-vindo, De Colo

De Colo, a melhor resposta da pré-temporada
O jogador que deixou a melhor impressão nesta pré-temporada foi o francês Nando De Colo. Claro, eram jogos que não valiam nada a não ser pela preparação. Mas o armador foi bem, muito bem. Mais importante do que sua mobilidade ofensiva e a noção defensiva ou até mesmo seu chute decisivo quando ninguém esperava, De Colo mostrou ser do tipo de jogador que já saiu do forno. Terá uma temporada para amadurecer na NBA, onde nunca atuou. Não deverá assumir uma função decisiva, mas mostrou que seu amadurecimento técnico já veio. Restará a adaptação – que, ao que parece, já está bem encaminhada.
Corrigindo velhos problemas
Talvez a parte mais importante da pré-temporada. Alguns torcedores reclamaram das experiências de Gregg Popovich e de consequentes jogos abaixo da média. Ele só fez o esperado. A pré-temporada é o maior laboratório para que o técnico pudesse encontrar uma formação de segunda unidade ideal para o time. Fazendo alusão à separação de meninos e homens nos playoffs, a pré-temporada separaria meninos de bebês, por assim dizer. Popovich testou para poder dar descanso ao trio principal, já envelhecido, com segurança. Fez o certo. Como já é praxe.
Não, Eddy Curry

O atleta, como qualquer profissional, tem regras para seguir dentro de sua profissão. Os milhões ganhos com o esporte deveriam servir apenas para deixar isso mais claro. Quanto maior o pagamento, maior a responsabilidade. Simples assim. E poucos são os profissionais que, bem remunerados, ganham diversas chances para se reabilitar de erros que se repetem com frequência. Eddy Curry, novo pivô do San Antonio Spurs, é um deles. E eu discordo da aposta do time.
Vamos lá. Curry pode ser a peça que falta ao Spurs. Sempre conhecido pelo arsenal ofensivo razoável e que, hoje, pode render mais do que os pivôs que a equipe tem, o atleta vem de uma fase muito ruim. Ruim não, péssima. Muito acima do peso, ele teve ótimas chances no New York Knicks até o momento em que foi simplesmente deixado de lado. Nem para o banco de reservas ia. Em cinco anos na cidade, nunca viu a equipe chegar aos playoffs. Nas duas últimas temporadas que passou lá, fez – pasmem – apenas dez jogos.

Não, Curry, não adianta olhar com essa cara
Antes de chegar em Nova York, era promissor no Chicago Bulls. Por lá também nunca conseguiu disputar uma partida sequer de pós-temporada. Na única vez em que a equipe chegou à fase de mata-mata da NBA com Curry no elenco, o pivô se machucou e sequer entrou em campo nas partidas eliminatórias – na época, seu time caiu ainda no primeiro round, diante do Washington Wizards.
O ato final de sua carreira foi no Miami Heat, na última temporada. Depois de sequer atuar em 2010/2011, a equipe que tem ninguém menos do que LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh precisava apenas de um pivô para, com Mario Chalmers, ter uma primeira unidade completa. Mas Curry não agarrou a chance. Na trajetória que levou a equipe ao título, ele atuou apenas em 14 jogos – um como titular. Novamente, não fez nenhuma partida nos playoffs.
E o Spurs precisa do que? Na temporada regular, nada. Um pivô ofensivo faz muita falta ao time, é claro. Mas antes dos playoffs é possível se virar. Depois, quando o bicho começar a pegar, Curry terá a mesma experiência do novato Nando De Colo – que, pelo menos, vem jogando com regularidade. Não será de valia nenhuma. Mais magro ou mais gordo, o pivô já desperdiçou todas as chances que deveria ter e mais algumas.
Mesmo se fizer uma pré-temporada (muito) acima da média, o pivô é aposta arriscada – para não dizer errada. Precisamos de reforços capazes de segurar a bronca nos playoffs. Curry, esse da carreira desperdiçada, nunca sequer pisou em quadra em um jogo de pós-temporada. Não pode ajudar.
3 pontos
– Se é para apostar em um “gordinho”, prefiro DeJuan Blair, que parece estar se esforçando;
– Nando De Colo, novato, tem tudo para ser muito útil ao time. Uma dose de basquete europeu à NBA é sempre bem-vinda;
– Ainda bem que a pré-temporada começou! A NBA faz uma falta…
Vale o quanto pesa?

Não, não vale. Hoje, a relação é inversamente proporcional, aliás. Falo de DeJuan Blair, o garoto-problema do San Antonio Spurs. Não porque ele seja adepto de baladas ou porque foi pego com drogas. Mas porque o pivô parece jogar pela janela uma chance que poderia agarrar com mais facilidade do que qualquer rebote. O time texano precisa de um jogador da posição, mas ele faz questão de não querer ser notado para isso.

Não, Blair, nada de deitar e descansar no meio do jogo. Vai suar!
Blair chegou à NBA baleado. Seus joelhos, sabia-se desde os tempos de universidade, não eram bons o suficiente para aguentar o ritmo da liga. Mas nem com isso ele teve de se preocupar, já que não se lesionou com muita gravidade em nenhuma de suas três temporadas. Mas criou outro problema físico: peso. Tal qual um garoto que não tem controle sobre seus atos, engordou muito com o passar dos jogos, fato absurdo se levado em conta que Blair é um atleta profissional.
Mas mesmo com todos esses problemas, ele não deixou de ser uma esperança. E a próxima temporada poderá confirmar isso. Descontente com os comentários maldosos que torcedores e jornalistas fizeram sobre seu peso, Blair resolveu agir da maneira mais simples de todas: foi para a academia. Sua pré-temporada começou muito antes da dos colegas, com exercícios em casa e participação nos treinos da seleção norte-americana antes das Olimpíadas de Londres-2012. Para quem quer (precisa) emagrecer, ótimo começo.
E mais do que o começo, Blair se mostra motivado para continuar. Posta fotos diárias em suas redes sociais com sua malhação. O pivô já aparenta estar mais magro, mais em forma. Sua técnica, é claro, só tem a ganhar com isso. O Spurs também. Caso realmente se mantenha magro e mostre o foco necessário, e que até agora vem sendo seu forte nessa pré-temporada, Blair pode ser o maior reforço do time – que pouco contratou e não achou nenhum pivô de ofício no mercado.
Se seus problemas nos playoffs – queda de rendimento, resumindo – persistirão, não podemos saber. Mas poderemos nos dar por satisfeitos se Blair aparecer mais magro e, principalmente, mais motivado. Ele deu o primeiro passo. Se Popovich acreditar nele, o restante da caminhada parece óbvio. E aí ele vai continuar sem valer o quanto pesa – mas com uma inversão significativa: peso menor, valor maior.
Mills e o bem para Parker e Manu

A melhor notícia para o San Antonio Spurs nessa entressafra de temporadas talvez tenha sido a renovação de contrato do armador Patrick Mills. Sem muitas chances nos playoffs depois de chegar no time quase na reta final da temporada regular, ele terá finalmente a preparação adequada para poder exercer aquela função que a franquia busca faz algum tempo: o armador reserva de Tony Parker.
Com uma pré-temporada inteira com o time e mais ciente das armações que Gregg Popovich faz com a equipe, o australiano poderá render mais. Mas acredito que ele não será fator crucial na rotação de Parker. A presença de Mills poderá ser ainda mais importante para que outro membro do Big Three consiga jogar mais e melhor. Falo de Manu Ginobili.

Mills poderá ser o elo por atuações ainda melhores de Parker e Manu
Nos poucos jogos que fez pelo Spurs e nos outros que já havia feito pela NBA – além de seus presenças defendendo a Austrália –, Mills deixou claro seu funcionamento dentro de quadra. Exímio arremessador, funciona como espécie de combo guard, jamais como armador puro. Características semelhantes às de Parker, mas que fazem dele mais do que um reserva necessário. Transformam o australiano em um ótimo complemento para Manu e peça crucial na formação de uma segunda unidade mais confiável.
Mills não conduzirá a bola e criará jogadas para os outros. Seu aproveitamento na linha dos três pontos é que fará dele peça-chave na rotação. Sem o poder de infiltração de Parker, ele deverá revezar com Ginobili como armador principal da segunda unidade. Faz o Spurs ter mais opções de jogadas de longa distância, o que é essencial. Para se ter uma ideia, no pouco tempo de quadra que teve na temporada 2011/2012, o armador converteu 24 dos 56 chutes de três que tentou com a camisa do Spurs. Uma média que deve fazer Popovich pensar em mais jogadas que possam ser finalizadas por ele.
O australiano, mesmo não sendo uma estrela, será essencial para tirar o peso das costas de Ginobili quando ele for a principal referência do perímetro. Não deverá ter um tempo de quadra muito extenso, principalmente com o crescimento esperado de Kawhi Leonard e a manutenção – também esperada – da boa fase de Gary Neal. E Pop sabe que apenas uma rotação muito bem feita, com diferentes alternativas e sem sobrecarga nos astros, será capaz de colocar o Spurs no patamar do Los Angeles Lakers e do Oklahoma City Thunder.
Se os rivais largam na frente pela quantidade de talento que possuem em seus elencos, aos poucos o Spurs mostra que a chave para seu sucesso não passará apenas por seus craques. Popovich sabe que depende muito dos coadjuvantes para ir longe na temporada.
3 pontos
– Mills é muito mais jogador do que Cory Joseph atualmente. A renovação dele foi um tiro certeiro da diretoria.
– A presença de Mills favorece também uma adaptação mais gradual de Nando de Colo.
– Se por um lado é uma pena que Rafael Hettsheimeir não tenha assinado com o Spurs, por outro é essencial que ele mantenha seu jogo em evolução. E isso ele fará mais na Europa do que na NBA, sem dúvidas.
