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Guia para assistir o basquete nas Olimpíadas

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Olá, caro leitor. Minha coluna de hoje será dedicada a você que pretende acompanhar o basquete feminino nas Olimpíadas de Beijing, mas não conhece muito sobre o tema e muito menos sobre as jogadoras. Sendo assim, com o objetivo de tornar sua vida mais fácil na hora dos jogos, faço aqui um comparativo entre algumas jogadoras que estarão (ou não) nas Olimpíadas com os jogadores da NBA. Então vamos lá:

Lauren Jackson – Dirk Nowitzki
A bela australiana que é objeto de desejo de oito em cada dez homens fãs de basquete não se compara ao Alemão quando o assunto é beleza, até porque o Nowitzki é feio pra burro. Contudo, quando o assunto é basquete, os dois possuem algumas semelhanças: ambos são altos e têm bastante mobilidade; mesmo sendo jogadores grandes, têm um bom tiro da linha dos três pontos, o que faz deles jogadores diferenciados para suas posições. Jackson é melhor que Dirk dentro do garrafão; a presença da loira intimida suas adversárias e, além de saber pontuar como poucas, ela é uma reboteira nata.

Número de títulos:
Dirk Nowitzki – 0
Lauren Jackson – 1 (2004)

Número de MVP’S:
Dirk Nowitzki – 1 (2006-2007)
Lauren Jackson – 2 (2003 e 2007)

Estatísticas da carreira:
Dirk Nowitzki: 30 anos, 2.13m, 111kg. 22.4 pontos, 8.6 rebotes e 1 bloqueio.
Lauren Jackson: 27 anos, 1.96m, 84.8kg. 19.4 pontos, 8.0 rebotes e 2 bloqueios.

Participações no All-Star Game:
Dirk Nowitzki – Sete.
Lauren Jackson – Seis.

Lisa Leslie – Shaquille O’Neal
Os dois superpivôs são lendas vivas de suas respectivas ligas. O’Neal dominou os garrafões da NBA durante toda sua carreira, e o mesmo aconteceu com Leslie. Ambos fizeram grande sucesso em Los Angeles. Leslie joga até hoje no Sparks, enquanto O’Neal está no Phoenix Suns hoje em dia. O carisma é uma das marcas registradas dessas duas figurinhas carimbadas do basquete. São daqueles tipos de jogador que são um sucesso tanto dentro como fora de quadra, e por isso merecem a comparação.

Número de títulos:
Shaquille O’Neal – 4 (1999-2000, 2000-2001, 2001-2002, 2005-2006)
Lisa Leslie – 2 (2001 e 2002)

Número de MVP’S
Shaquille O’Neal: 1 (1999-2000)
Lisa Leslie: 3 (2001, 2004 e 2006)

Estatísticas da carreira:
Shaquille O’Neal: 36 anos, 2.16m, 147.4kg. 25.2 pontos, 11.5 rebotes e 2.4 bloqueios.
Lisa Leslie: 35 anos, 1.96m, 77.1kg. 17.6 pontos, 9.4 rebotes e 2.3 bloqueios.

Participações no All-Star Game:
Shaquille O’Neal – Onze.
Lisa Leslie – Sete.

Sue Bird – Chauncey Billups
Sue Bird é a titular absoluta da seleção americana de basquete, cargo que Billups também almeja para as próximas Olimpíadas. Jogo cadenciado, boa armação, pontaria calibrada e infiltrações moderadas marcam o estilo da armadora do Storm, de certa forma parecido com o do armador do Detroit Pistons. Bird já está naquela curva descendente de sua carreira; apesar de ainda não ser uma jogadora que possa ser taxada de velha, ela já não é mais unanimidade no selecionado americano. Mesmo assim, ela é presença garantida nos próximos jogos Olímpicos.

Número de Títulos:
Chauncey Billups – 1 (2003-2004)
Sue Bird – 1 (2004)

Número de MVP’S:
Chauncey Billups – 0
Sue Bird – 0

Estatísticas da carreira:
Chauncey Billups: 31 anos, 1.91m, 91.6kg. 14.8 pontos, 2.9 rebotes e 5.5 assistências.
Sue Bird: 27 anos, 1.75m, 68kg. 12.3 pontos, 5.6 assistências e 1.5 roubos de bola.

Participações no All-Star Game:
Chauncey Billups – Três.
Sue Bird – Quatro.

Becky Hammon – Chris Paul
A baixinha do San Antonio nunca teve oportunidades na seleção americana, e muita gente se pergunta o porque disso. Sendo assim, para poder jogar as Olimpíadas, ela se naturalizou russa; pelo menos loira ela já é. Já veterana, seu jogo se assemelha bastante ao do jovem Chris Paul. Ambos armam muito bem, sabem distribuir a bola como poucos e possuem grande visão de jogo. Têm um bom arremesso e são rápidos; compararia Hammon ao Tony Parker devido a sua velocidade e capacidade de infiltração, mas ao meu ver seu estilo de jogo condiz mais com o do Chris Paul, agressivo e cadenciado ao mesmo tempo.

Número de títulos:
Chris Paul – 0
Becky Hammon – 0

Número de MVP’S:
Chris Paul – 0
Becky Hammon – 0

Estatísticas da carreira:
Chris Paul: 23 anos, 1.83m, 79.4kg. 18.2 pontos, 4.5 rebotes, 9.5 assistências, 2.3 roubos.
Becky Hammon: 31 anos, 1.68m, 61.7kg. 11.4 pontos, 2.4 rebotes, 2.9 assistências.

Participações no All-Star Game:
Chris Paul – Uma.
Becky Hammon – Duas.

Diana Taurasi – Kobe Bryant
Líderes de seus respectivos times, Diana Taurasi e Kobe Bryant têm muito em comum. Todo o ataque passa pelas mãos deles, são aqueles que chamam a responsabilidade quando o jogo pega fogo e nunca se escondem. Sabem se movimentar muito bem pela quadra e têm uma pontaria pra lá de calibrada. Bryant é um pouco melhor defensivamente; a estrela da WNBA não tem tanta mobilidade quanto o atual MVP da NBA. Em um passado não muito distante pensaria em comparar Taurasi como o Michael Jordan do basquete feminino, mas, com o tempo, percebi que ainda falta muito arroz e feijão para ela chegar a tal nível. Portanto, a comparação com Bryant está de ótimo tamanho.

Número de títulos:
Kobe Bryant – 3 (1999-2000, 2000-2001, 2001-2002)
Diana Taurasi – 1 (2007)

Número de MVP’S:
Kobe Bryant – 1 (2007-2008 )
Diana Taurasi – 0

Estatísticas da carreira:
Kobe Bryant: 29 anos, 1.98m, 93kg. 25.0 pontos, 5.3 rebotes e 4.6 assistências.
Diana Taurasi: 26 anos, 1.83m, 78kg. 19.7 pontos, 4.1 rebotes e 4.1 assistências.

Participações no All-Star Game:
Kobe Bryant – Dez.
Diana Taurasi – Três.

Tamika Catchings – Kevin Garnett
Catchings é aquela jogadora popularmente conhecida com pau pra toda obra. Corre, defende, ataca, se doa em quadra e não desiste nunca. Coincidentemente ou não, é o mesmo perfil do ala-pivô do Boston Celtics, Kevin Garnett. Ambos possuem títulos de melhores jogadores de defesa da temporada. A ala do Indiana Fever tem dois (2005 e 2006), enquanto Garnett conquistou seu primeiro nesta temporada. Infelizmente, Catchings tem problemas graves de contusão que a impedem a emplacar grandes seqüências. Nesse ponto, ela me lembra muito Grant Hill e suas eternas lesões.

Número de títulos:
Kevin Garnett – 0
Tamika Catchings – 0

Número de MVP’S:
Kevin Garnett – 1 (2003-2004)
Tamika Catchings – 0

Estatísticas da carreira:
Kevin Garnett: 32 anos, 2.11m, 100kg. 20.4 pontos, 11.2 rebotes e 4.4 assistências.
Tamika Catchings: 28 anos, 1.85m, 75.7kg. 17.1 pontos, 8.0 rebotes e 3.8 assistências.

Participações no All-Star Game:
Kevin Garnett – Dez.
Tamika Catchings – Quatro.

Penny Taylor – Pau Gasol
Ali em cima comparei Diana Taurasi com Kobe Bryant. Tanto Taurasi quanto Bryant são as estrelas de seus times. É ai que entram a australiana Penny Taylor e o espanhol Pau Gasol. Ambos são coadjuvantes de luxo em suas equipes, e conseqüentemente os respectivos auxiliares de Taurasi e Bryant. No selecionado de seu país, Taylor é a líder da equipe, ao lado de Lauren Jackson; inclusive no último mundial de basquete que aconteceu aqui no Brasil, a australiana foi eleita MVP da competição. Gasol é a estrela maior de uma seleção repleta de bons jogadores. No estilo de jogo eles até são parecidos, só que Taylor tem um pouco mais de mobilidade para jogar fora do garrafão e até mesmo chutar de três.

Número de títulos:
Paul Gasol – 0
Penny Taylor – 1 (2007)

Número de MVP’S:
Pau Gasol – 0
Penny Taylor – 0

Estatísticas da carreira:
Pau Gasol: 27 anos, 2.13m, 113.4kg. 18.8 pontos, 8.4 rebotes e 3.2 assistências.
Penny Taylor: 27 anos, 1.85m, 76.2kg. 12.8 pontos, 4.8 rebotes, 2.4 assistências.

Participações no All-Star Game:
Pau Gasol – Uma.
Penny Taylor – Duas.

Seimone Augustus – Allen Iverson
O mesmo jeito. Cheia de estilo, muitos apetrechos pelo corpo, calções longos e folgados. Se a comparação fosse baseada no estilo, seria a melhor que eu poderia fazer. Mas, além de se parecer com Iverson nesse sentido, a “baixinha” do Minnesota Lynx também tem um basquete digno de ser aplaudido de pé. Rápida, esguia e abilidosa, Augustus é capaz de furar qualquer defesa com a mesma eficiência que Iverson emprega na NBA. Um bom arremesso e muita disposição em quadra também fazem de Augustus figurinha certa nas próximas Olimpíadas.

Número de títulos:
Allen Iverson – 0
Seimone Augustus – 0

Número de MVP’S:
Allen Iverson – 1 (2000-2001)
Seimone Augustus – 0

Estatísticas da carreira:
Allen Iverson: 33 anos, 1.83m, 81.6kg. 27.7 pontos, 6.3 assistências, 2.3 roubos de bola.
Seimone Augustus: 24 anos, 1.83m, 81.2kg. 21.9 pontos, 3.9 rebotes, 2.1 assistências.

Participações no All-Star Game:
Allen Iverson – Oito.
Seimone Augustus – Duas.

Candace Parker – Tim Duncan + Kevin Garnett
A superstar do basquete universitário americano Candace Parker chegou esse ano na WNBA e já está causando impacto que pode ser comparado ao de Tim Duncan em seu debut na liga. Em sua primeira partida como profissional, teve uma atuação digna de MVP. Foram 34 pontos, 12 rebotes e oito assistências. No estilo de jogo, Parker é um mix das duas estrelas da NBA. Une a habilidade e presença de garrafão de Duncan com a agilidade e intensidade de Garnett. É com certeza uma das jogadoras de maior futuro na liga e tem tudo para conquistar muitos títulos.

Número de títulos:
Tim Duncan – 4 (1998-1999, 2002-2003, 2004-2005, 2006-2007)
Kevin Garnett – 0
Candace Parker – 0

Número de MVP’S:
Tim Duncan – 2 (2001-2002, 2002-2003)
Kevin Garnett – 1 (2003-2004)
Candace Parker – 0

Estatísticas da carreira:
Tim Duncan: 32 anos, 2.11m, 118kg. 21.6 pontos, 11.8 rebotes, 2.4 bloqueios.
Kevin Garnett: 32 anos, 2.11m, 100kg. 20.4 pontos, 11.2 rebotes e 4.4 assistências.
Candace Parker: 22 anos, 1.93m. 16.9 pontos, 10.1 rebotes e 4.9 assistências.

Participações no All-Star Game:
Tim Duncan – Dez.
Kevin Garnett – Dez.
Candace Parker – Nenhuma.

Katie Douglas – Manu Ginobili
A canhotinha afiada e as infiltrações perigosas fazem de Katie Douglas uma jogadora bastante parecida com o argentino Manu Ginobili. O jogador do Spurs, contudo, é um pouco mais veloz e ágil se comparado à jogadora do Indiana Fever. Falando em mudanças de time, Katie Douglas mudou esse ano para a equipe de Indiana após fazer quase toda a sua carreira pelo Connecticut Sun.

Número de títulos:
Manu Ginobili – 3 (2002-2003, 2004-2005, 2006-2007)
Katie Douglas – 0

Número de MVP’S:
Manu Ginobili – 0
Katie Douglas – 0

Estatísticas da carreira:
Manu Ginobili: 30 anos, 1.98m, 93kg. 14.7 pontos, 4.0 rebotes e 3.6 assistências.
Katie Douglas: 29 anos, 1.83m, 74.8kg. 12.3 pontos, 3.9 rebotes, 1.6 roubos de bola.

Participações no All-Star Game:
Manu Ginobili – Uma.
Katie Douglas – Duas.

Deanna Nolan – Paul Pierce
A exemplo de Paul Pierce, a ala Deanna Nolan construiu toda a sua carreira em uma única equipe, o Detroit Shock. É uma jogadora que tem uma grande capacidade, mas nunca teve chances no selecionado americano. Por isso, Nolan seguirá o mesmo destino de Becky Hammon e integrará a seleção russa nas próximas Olimpíadas. Seu estilo de jogo é agressivo, tanto no ataque quanto na defesa; é uma jogadora que ajudará muito a Rússia nos Jogos Olímpicos.

Número de títulos:
Paul Pierce – 0
Deanna Nolan – 2 (2003 e 2006)

Número de MVP’S:
Paul Pierce – 0
Deanna Nolan – 0

Estatísticas da carreira:
Paul Pierce: 30 anos, 2.01m, 106.6kg. 23.1 pontos, 6.4 rebotes e 3.9 assistências.
Deanna Nolan: 28 anos, 1.80m, 65.3kg. 12.8 pontos, 3.7 rebotes e 3.1 assistências.

Participações no All-Star Game:
Paul Pierce – Seis.
Deanna Nolan – Quatro.

Essas são algumas das jogadoras que poderão estar em Beijing 2008. As principais candidatas ao título são as mesmas de sempre: Estados Unidos, Austrália e Rússia. As americanas são as atuais campeãs Olímpicas; venceram as australianas em Atenas 2004. As mesmas australianas venceram o último campeonato mundial, disputado no Brasil. Após vencer as anfitriãs nas semifinais, a equipe comandada por Lauren Jackson foi campeã em cima da Rússia, que surpreendentemente bateu os Estados Unidos na outra semifinal. O time russo, além de atual vice-campeão mundial, foi também terceiro colocado em Atenas. Com o reforço das jogadoras que se naturalizaram, as russas, que já eram um time forte, têm tudo para pelo menos almejarem uma vaga na grande final.

Meu palpite para a final: Estados Unidos e Austrália.

Todas são apenas coadjuvantes

Nessa mesma coluna, meu colega Leonardo Sacco já explicitou quais são as chances de nossa seleção masculina de basquete chegar às Olimpíadas. Pois bem, nossas meninas, diferentemente, ainda têm boas chances de jogar em Pequim. A grande questão que fica é que papel poderão desempenhar nos Jogos.

O Pré-olímpico, que vem sendo disputado na Espanha, começou na última terça-feira para nossa seleção. Na estréia, 125 x 45 na fraca seleção de Ilhas Fiji, com 28 pontos de Iziane e 22 de Mamá. Uma vitória que não significou muita coisa; o primeiro duelo de verdade seria no dia seguinte, contra as donas da casa.

Uma grande expectativa foi criada para a partida. As brasileiras diziam que, na Espanha, dava-se como certa a vitória das anfitriões, e que entrariam decididas para calar o ginásio. E assim aconteceu; apertados 71 x 68 para nossa seleção. Os 18 pontos de Iziane e o excelente trabalho defensivo de Micaela em cima de Valdemoro foram fundamentais. O Brasil garantia o primeiro lugar no grupo C e enfrentaria a Bielo-Rússia, dois dias depois, pelas quartas-de-final.

As vencedoras garantiriam seu passaporte olímpico. Quem perdesse enfrentaria ainda uma repescagem com as outras 3 derrotadas. O Brasil começou mal o jogo, terminou o primeiro tempo 7 pontos atrás, e, após enfrentar 12 pontos de desvantagem, conseguiu empatar o jogo e levar a decisão para a prorrogação. Porém, a Bielo-Rússia dominou totalmente o tempo extra e conseguiu a vitória por 86 x 79.

E a derrota, que mandava a nossa seleção para a respescagem, foi mais dolorida do que podia parecer. A ala Iziane se negou a entrar em quadra no fim da prorrogação, e o técnico Paulo Bassul, frente ao ato de indisciplina, cortou a jogadora da competição. Grego, nosso querido presidente da CBB, ficou em cima do muro quando questionado a respeito.

A verdade é que a situação é delicadíssima para Bassul. Realmente, ele tomou uma decisão acertada em afastar uma atelta que, na opinião dele (e na minha também) deu mostras de indisciplina. O problema está em que jogadora foi essa; Iziane, que, não bastando ser a grande estrela do nosso basquete feminino contemporâneo, já é a nona baixa na seleção que o treinador tem como ideal. Agora, as coadjuvantes do nosso cenário atual tentarão conseguir classificar-se para a Olimpíada.

Hoje, elas mostraram que são capazes de manter o sonho aceso, vencendo Angola por 75 x 58. Vejamos que papel nosso basquete pode desempenhar esse ano, sem Iziane, Nenê, Varejão, e, provavelmente, Leandrinho.

As disparidades que rondam o basquete americano

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Quem vê os jogos da WNBA na televisão (os poucos que são transmitidos), pode pensar que as jogadoras, além de bonitas, também ganham os mesmos salários astronômicos que os jogadores da NBA. Quem partiu desse pressuposto deve começar a rever seus conceitos. Jogar na liga profissional norte-americana é o sonho de toda universitária que pratica o esporte nos Estados Unidos. Mas, o que quase ninguém aqui sabe é que os salários da liga feminina de basquete chegam a ser ridículos se comparados ao que ganham os jogadores da NBA.

Para se ter uma idéia, vamos às comparações: O teto salarial da WNBA é 772 mil dólares por ano, enquanto o da NBA é de 55,6 milhões, ou seja, todo o dinheiro que circula referente a salários na liga feminina corresponde a apenas 1,39% do dinheiro movimentado dentro da masculina. Com base nesses dados, na NBA, cada jogador que componha uma equipe de 12 jogadores ganha em média 4,6 milhões de dólares/ano, enquanto na WNBA, a mesma equipe, com as mesmas 12 jogadoras, ganha em média a ínfima quantia de 64 mil dólares/ano, o que dá pouco mais de cinco mil dólares por mês. Continuando com as disparidades, o salário inicial de uma novata recém chegada da universidade varia de 36 a 44 mil dólares/ano de acordo com sua posição no draft. Já na NBA, a primeira escolha do draft tem direito a um salário de mais de quatro milhões de dólares. Para deixar os desavisados de queixo caído, um jogador medíocre recém saído da universidade ganha aproximadamente uma quantia que varia de 440 a 770 mil dólares/ano. Para quem começou a ler esse artigo e não prestou muita atenção nele, voltem um pouco e vejam que o teto salarial de toda uma equipe da WNBA é 772 mil, ou seja, um jogador de nível “D” na NBA ganha o mesmo que toda uma equipe da liga feminina. Para finalizar as comparações envolvendo salários, o ordenado máximo possível que uma jogadora pode receber é 95 mil dólares/ano, ao passo que na NBA esses valores passam da casa dos 20 milhões.

Com tantos números e contas, a pergunta que fica é: Onde quero chegar com isso? A resposta é simples; para os apaixonados pelo basquete feminino (grupo no qual eu me incluo) é inadmissível ver tamanha disparidade. Para situar um pouco mais o leitor, a maior parte das jogadoras que atuam no basquete americano também jogam no basquete europeu. Como isso funciona? A temporada da WNBA é bem curta; são apenas quatro meses (Na NBA são nove), de maio até agosto, depois há um período de férias, e o resto do calendário é ocupado pelos campeonatos europeus. E é no velho continente que as jogadoras conseguem ganhar um bom dinheiro. Lá, as equipes valorizam mais a atleta e pagam um salário decente; uma jogadora de alto nível chega a ganhar em uma única temporada o que não ganharia em seis ou sete anos de WNBA. Por esse motivo se torna tão vantajoso jogar em duas equipes. A liga americana continua sendo mais importante e valorizada pelas jogadoras, mas, quando surge uma oportunidade de encher o bolso e ainda manter o ritmo de jogo para a próxima temporada, por que não aceitá-la?

É claro que existem motivos para tudo isso ocorrer. Primeiramente, a WNBA é uma liga que não tem grande apelo do público norte-americano. Dificilmente se vê um ginásio lotado de gente como vemos em quase todos os jogos da NBA. A publicidade é muito menor, e os grandes vilões disso tudo são os próprios times. Como assim? A maioria das equipes da liga, salvo algumas exceções, está filiada com a franquia masculina. Por exemplo: San Antonio Spurs e San Antonio Silver Stars. O que acontece é que 95% dos investimentos são direcionados ao time da NBA, e o motivo para isso é bem simples, só é investido dinheiro onde se tem retorno. O basquete masculino dos Estados Unidos é um produto que gera lucro e é vendido para o mundo todo. Em qualquer país se sabe quem são Michael Jordan, Kobe Bryant ou Lebron James. Agora eu pergunto a você, caro leitor: Vocês conhecem Lauren Jackson, Diana Taurasi, Tamika Catchings ou Katie Douglas? Com muito esforço, devem conhecer a australiana Lauren Jackson, não pelo o que ela apresenta dentro de quadra, o que é fantástico diga-se passagem, mas sim pelas belas curvas da loira.

Pesquisas dão conta que nem o próprio americano se interessa por sua liga feminina de basquete. O pior de tudo é que nas medições de audiência, até o basquete universitário feminino ganha da WNBA. Há algo muito errado nisso, e tem que ser mudado urgentemente. O fato positivo é que a liga é bastante jovem, tem apenas 12 anos de existência, e ao longo desses anos muitas coisas mudaram e grandes melhorias foram feitas. Então, é esperar para ver como se desenvolve a liga com o desenrolar dos anos.

Implorem por Rio-16

O Brasil caminha a largos passas para ficar, pela terceira vez consecutiva, longe do principal evento esportivo do mundo: os Jogos Olímpicos. Uma impotente (isso mesmo, nada de imponente) seleção foi montada baseada em três jogadores que atuam na principal liga nacional de basquete, a NBA. Mas a impotentíssima seleção falhou ao tentar pegar o atalho para os Jogos e cruzar com os impotentíssimos reservas argentinos (Lula Ferreira deve ficar arrepiado até hoje ao ouvir o nome Scola, ou até mesmo a palavra Escola).

E o banco de reservas de nossos hermanos nos jogou em um caminho um tanto quanto… complicado. Um ano depois de termos sofrido absurdos no teoricamente fácil Pré-Olímpico das Américas, iniciaremos nossa caminhada no calvário, digo, Pré-Olímpico Mundial. Bom, se não passamos pelos reservas argentinos, pelos canadenses que nem contam com Nash ou pelos porto-riquenhos, presumo que não será muito fácil passarmos por gregos, alemães e, novamente, pelos próprios porto-riquenhos. É, talvez não seja muito fácil. E como para as Olimpíadas de Londres em 2012 não deverão haver muitas mudanças nas diretrizes do basquete brasileiro, inicio a campanha “Implorem por Rio-16”.

Isso mesmo caro leitor, Rio-16. Afinal, nessa semana a cidade maravilhosa desbancou alguns adversários e concorrerá contra Chicago, Madrid e Tóquio pelo direito de sediar os Jogos de 2016. E como a estrutura carioca é um pouco (?) inferior à das demais cidades citadas, só um milagre colocaria o Rio e o Brasil como sedes de um evento de tamanho porte. Mas como brasileiro não desiste nunca, comecemos então a mandar desesperados e-mails para o Comitê Olímpico Internacional pedindo para que os senhorzinhos que escolhem a sede olímpica tenham benevolência da situação que nosso basquete chegou e aceitem humildemente nossa hospedagem para tão glorioso evento. E, para ajudar o Brasil, criei um “e-mail modelo” para todos nós mandarmos para o COI. Confiram abaixo:

“Excelentíssimo senhor presidente do COI,

Me chamo [colocar nome] e desejo fazer um humilde pedido para o senhor. Meu pedido é um tanto quanto simples, levando em consideração o tamanho de vosso coração. Sou brasileiro, morador da cidade [colocar nome da cidade] e pretendo que as Olimpíadas de 2016 sejam realizadas em solo brasileiro, mais especificamente na cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro. Peço-lhe encarecidamente que julgue bem todas as cidades, mas escolha o Rio. Só assim nosso querido basquete terá chances de ir aos Jogos. Afinal, temos um pouco de falta de sorte e já estamos há algum tempo afastados do evento nessa modalidade.

Desde já agradeço,

[colocar data e nome]”

Depois é só reunirmos umas 200 milhões de pessoas e fazer cada um enviar um e-mail desse. Muito mais fácil do que administrar o basquete decentemente, não é Grego?