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Ídolos de barro recheados de ouro

Amaury, Wlamir, Hortência, Oscar, Marcel, Magic Paula, Janeth, Kanela; Pelé, Garrincha, Sócrates, Zico, Ademir da Guia, Serginho Chulapa; Guga, Maria Esther Bueno; Bernardinho, Renan; adicione a essa lista mais algumas boas dezenas de nomes.

Leandrinho, Nenê, Varejão, Iziane, Guilherme, Nezinho, Lula Ferreira; Ronaldinho, Kaká, Marcelo, Robinho, Adriano, Dunga; adicione a essa lista mais algumas péssimas CENTENAS de nomes.

Qual a diferença entre essas listas propostas, listas que contam com os mais diversos esportistas brasileiros, amigo leitor e amiga leitora? Pois lhes digo que a primeira lista não deveria ser só uma lista: deveria ser capa de qualquer livro brasileiro sobre esportes, conteúdo de qualquer prefácio sobre esporte nacional. Já a segunda não deve passar de uma lista: uma lista que está mais para lista de supermercado, com preços e quantias, uma lista onde se compra o jogo, o amor, o esporte.

Não coloquemos em questão as habilidades dos esportistas de cada uma das listas: Amaury ou Leandrinho? Pelé ou Kaká? Hortência ou Iziane? Ora, não temos que perder tempo com isso. Devemos perder tempo com a diferença mais absurda e alarmante entre os dois grupos citados: o amor à pátria. Amor que hoje se compra, antes era dado com orgulho.

Em entrevista publicada nesse blog e no NBA Jumper, o ex-jogador Amaury contou-me um pouco de suas experiências. Contou-me um pouco sobre seu amor à pátria. É comovente, acreditem. E, se não acreditarem, cliquem nos links em destaque acima e leiam: é MUITO comovente, pois nos coloca frente a frente com a podridão do esporte nacional e mundial. Chega a impressionar o fato de verdadeiras lendas do esporte terem se apegado muito mais ao amor do que ao dinheiro. E que os ídolos de barro atuais se rendem – e vendem – por algumas notas verdes – que, admito, pesam na corrida vida nossa.

Quantas Izianes seriam necessárias somar para obtermos UMA Hortência? Difícil obter resposta? Ok, e para obtermos MEIA Hortência? Sim, algumas várias Izianes. E o mesmo se aplica a todos os outros e outras da atualidade se comparados a seus precursores.

Mas a pergunta que faz a situação ser caótica é: quantos salários de Garrincha, por exemplo, seriam necessários para obtermos UM DIA de salário do lateral-esquerdo Marcelo, hoje no Real Madrid? Mais difícil do que a última pergunta feita, correto? Muito correto!

E enquanto os jogadores e jogadoras atuais nadam na grana e desdenham da pátria, ídolos antigos são chamados no Palácio do Planalto para serem aplaudidos. Só aplausos? Eles deviam é servir de exemplo para os mais novos. Deviam ter estátuas em suas cidades natais e deviam, acima de tudo, serem valorizados. Mas isso é Brasil, então é melhor ficarmos nos questionando: o Brasil vai ou não vai pras Olimpíadas? Vai ou não pra Copa? E essa lei nova sobre pessoas que bebem ao volante, hein rapaz… Quanta coisa boa pra discutir.

E que descansem em paz – mesmo vivos – nossos ídolos eternos. E que descanse em paz o esporte brasileiro – esse morto e enterrado por dirigentes omissos e ídolos de barro recheados de ouro – ouro de tolo, como diria Raul Seixas.

Base montada para a próxima temporada

Usando o espaço dessa coluna e lembrando do draft que aconteceu poucos dias atrás, analisarei a base que o San Antonio montou para a próxima temporada, lembrando, claro, que ela ainda pode sofrer alterações por conta de aposentadorias, trocas ou dispensas.

Posição 1 – Armador

Para a posição, os Spurs contam com um titular absoluto, Tony Parker. O armador, de 26 anos, é uma das poucas apostas sólidas da velha equipe de San Antonio para o futuro. Na reserva, temos dois jogadores que não convencem. Jacque Vaughn é esforçado, mas, com 10 anos como profissional, jamais conseguiu mostrar um basquete que encanta. Damon Stoudamire é o chamado jogador “bichado”, que começou muito bem na NBA mas hoje apresenta clara decadência.

Além do trio, há na equipe da Liga de Desenvolvimento filiada ao San Antonio Spurs, o Austin Toros, Darius Washington, uma jovem promessa que chegou até a disputar alguns jogos da NBA pela equipe texana, tem apenas 22 anos e mostrou que tem potencial para atuar na Liga. Não podemos também esquecer que a escolha de primeiro round dos Spurs no draft desse ano foi dedicada para a posição; Goerge Hill, também de 22 anos, que jogava na universidade de Indiana e, na temporada passada, obteve médias de 21,5 pontos, 6,8 rebotes, 43 assistências e 1,8 roubadas por jogo. Vamos ver como Popovich utilizará os jogadores. Eu, particularmente, negociaria Vaughn e Stoudamire, deixando Parker como titular absoluto na posição, improvisando Ginobili em momentos de emergência e deixando os dois garotos com espaço para crescer.

Posição 2 – Ala-armador

Independentemente de quem comece jogando a partida, o titular da posição é Manu Ginobili. O ala de 30 anos é um dos principais ídolos do time. Para sua reserva, Michael Finley, que nesse mês completou 35 anos, e Brent Barry, de 37, são opções válidas, mas já têm a idade avançada e rumores já falam sobre a aposentadoria dos dois. Caso os dois decidam continuar jogando, um deles pode até ser envolvido em uma troca vantajosa para o lado de San Antonio.

DerMarr Johnson foi integrado à equipe na última temporada, mas jogou apenas 5 jogos e dificilmente continuará na equipe texana. O Spurs também adquiriu, após o Draft, os direitos de Malik Hairston, que havia sido selecionado pelo Phoenix Suns. O ala-armador atuava pela universidade de Oregon e, na última temporada, atingiu médias de 16,3 pontos, 4,8 rebotes e 2,1 assistências por jogo, e, dependendo da situação de Finley e Barry, pode até ser integrado ao plantel principal do time de San Antonio.

Posição 3 – Ala

Tony Parker e Mani Ginobili são as grandes referências ofensivas dos Spurs no perímetro, e muito disso se dá graças ao desempenho defensivo de Bruce Bowen. O ala, apesar de ter completado 37 anos recentemente, continua sendo um dos melhores jogadores de defesa da NBA. Além dele, os Spurs contam, para a posição, com Ime Udoka, que fez uma bela temporada de estréia pelo time de San Antonio, e, com 30 anos, tende a ir ganhando mais minutos com a decadência física do colega de posição.

Posições 4 e 5 – Os “Big men”

No garrafão, a principal referência do San Antonio Spurs é o ala-pivô Tim Duncan, uma das maiores estrelas da história da franquia. Participam também da rotação ativa da equipe Robert Horry, de 37 anos, cuja aposentadoria era certa, mas vem sendo desmentida em suas últimas declarações, Kurt Thomas, 36, que, apesar da má produção ofensiva, é um ótimo coletor de rebotes, e Fabrício Oberto, 33, cuja a raça se destaca sobre a técnica. Notemos a avançada idade do quarteto.

Além deles, Matt Bonner, de 28 anos, faz parte do elenco, mas, após um bom começo de temporada, caiu de produção e perdeu espaço, e corre sério risco de ser negociado. Opções para renovar a equipe são Ian Mahinmi, também do Austin Toros e que, com apenas 22 anos, já jogou 6 partidas com os Spurs e é tido como grande promessa, e James Gist, recentemente draftado pela franquia, que atuava na universidade de Maryland, onde, na última temporada, alcançou médias de 15,9 pontos, 7,8 pontos e 2,3 bloqueios por jogo. Dependendo da situação de Horry, Thomas e Oberto, pelo menos um desses jovens jogadores pode ser integrado ao elenco texano. Lembrando que o San Antonio Spurs também tem os direitos de Tiago Splitter, mas ele recentemente renovou com o Tau Ceramica e não deve vir para a NBA tão cedo.

A empáfia de Iziane

Olá, caro leitor!

Após alguns dias do episódio lamentável protagonizado pela (ex) jogadora da seleção brasileira de basquete, a maranhense Iziane, o Spurs Brasil relembra o episódio e o que se sucedeu depois de todo aquele rebuliço, que pouco foi noticiado pela imprensa.

Para você, que não lembra, ou simplesmente não ficou sabendo do ocorrido, aí vai um breve resumo dos acontecimentos: O jogo era Brasil e Bielorrúsia, a partida valia uma vaga para os Jogos Olímpicos de Beijing. Com pouco tempo no cronômetro para o final da partida, o Brasil estava perdendo, com chances ínfimas de virar. Foi então que Bassul chamou Iziane para entrar em quadra. A jogadora disse que não entraria, e no ato o técnico disse: “Você está fora!”. A partir daí começou uma chuva de críticas para cima de Iziane e conseqüentemente ela foi cortada do Pré-olímpico e das Olimpíadas.

Após todo esse episódio, a atleta, que é uma das brasileiras na WNBA -joga no fraquíssimo Atlanta Dream – voltou a falar, e, quando abriu a boca, parece que não mediu muito as palavras. Surpreendente e lamentavelmente, Iziane disse que se arrepende do que fez, mas, que se tivesse nova oportunidade, faria tudo novamente. “Eu me arrependo sim, do que fiz, pois foi ruim para a minha imagem e para a do basquete brasileiro. Em agosto vou ter a sensação de que poderia estar lá. Mas eu faria tudo de novo se ele me tirasse novamente”, disse Iziane em entrevista ao ‘Jornal Extra’. Ou seja, ela não se arrependeu nem um pouco de sua atitude.

Ironicamente ou não, a atleta disse que ficou feliz com a classificação da equipe para os Jogos, e falou que a primeira coisa que fez quando chegou nos Estados Unidos foi ver o resultado do jogo via internet: “Fiquei muito feliz, de coração. As meninas são muito guerreiras. O Brasil precisava dessa vaga”, completou a jogadora.

O basquete vive dias complicados. Há os eternos problemas fora das quatro linhas, problemas dos quais nem vou perder meu tempo citando, pois, a cada dia que passa, o assunto se torna mais batido e ninguém consegue tomar uma atitude. Portanto, vou passar por cima disso no momento. Mesmo tentando ignorá-los, é claro que esse montante de problemas se reflete dentro de quadra. É impossível se ter um time organizado se a organização não vem do topo. Não adianta nada trazer técnicos estrangeiros, ter atletas renomados que são estrelas na WNBA/NBA se a organização não vem de cima. Isso tudo acaba sendo refletido em quadra, e muitas das vezes a culpa não é dos jogadores nem dos técnicos.

O caso de Iziane é um pouco mais complicado. Todos sabem que seus problemas com o técnico Paulo Bassul vêm desde o juvenil. O treinador crê que Iziane prejudica o esquema tático da seleção por ser uma jogadora individualista. A jogadora, em entrevistas, disse que Bassul, por não morrer de amores pelo seu estilo de jogo, acaba punindo-a em momentos decisivos das partidas, deixando-a no banco de reservas. Uma amiga minha, que inclusive já foi treinada pelo Bassul também nas categorias de base, afirmou que o técnico deixa um pouco a desejar em alguns quesitos, tanto no tático quanto no relacionamento com as atletas.

Agora, por mais que Bassul seja um péssimo treinador em alguns pontos (Não vou entrar nesse mérito), a atitude que a Iziane tomou não se justifica. Acho que uma estrela tem sim que se impor de alguma maneira, mas creio que ela escolheu a pior forma para isso. Foi uma atitude infantil, que uma jogadora desse nível nunca poderia tomar. Como ela mesmo reconheceu, fica feio para o basquete brasileiro, e principalmente para sua própria imagem. O curioso é que, depois que ela voltou à WNBA, a técnica do Atlanta Dream tem deixado-a de molho. O episódio na seleção brasileira também repercutiu nos Estados Unidos, e a imagem da jogadora, infelizmente, sai um pouco manchada após esse pré-olímpico. Pelo menos, ela está consciente dos rumos que sua carreira está tomando.

The Harlem Globetrotters

Na última terça-feira, tive a oportunidade de, juntamente com meu irmão e um amigo, ver algo que, há poucas semanas atrás, eu sequer pensava que um dia teria a chance de ver. Fui ao Ginásio do Ibirapuera, na zona sul da cidade de São Paulo, para assistir à primeira exibição dos Harlem Globetrotters por aqui na turnê da equipe de 2008 pelo Brasil.

O evento começou 8:30. Na abertura, meninos da CUFA jogaram uma partida 4×4 um pouco tediosa, mas, de qualquer maneira, vale a pena dar essa oportunidade para eles mostrarem seu trabalho. Fim da preliminar, e o divertido mascote dos Trotters entrar em quadra para animar o público paulistano presente. Começa o espetáculo.

A entrada do lendário time é triunfante. Fumaça saindo dos vestiários e jogadores correndo pela quadra, saudados com todo o entusiasmo que merecem. Fiquei emocionado nesse momento. A partir daí, foi só aplaudir as sempre geniais jogadas e o incomparável humor dos Globetrotters; sem ver o tempo passar, deixei o ginásio só à meia-noite, perdendo inclusive o primeiro tempo do último jogo da final da NBA. Sem dúvidas, um dia para ficar guardado na minha memória.

Pontes aéreas e lances de rara habilidade se misturam a jogadas inusitadas e engraçadas. Um dos membros do time, Special K, jogou com um microfone, e suas palavras, em um português devidamente ensaiado, podiam ser ouvidas pelos presentes no Ibirapuera.

Lamento apenas a má divulgação do evento, que deixou vazio o ginásio e não tratou o evento com a magnitude que lhe cabia. Além de pequeno, o público presente me parecia ser leigo; no intervalo, dezenas de pessoas começaram a sair do ginásio, e o locutor teve de anunciar que era apenas uma pausa na partida.

De qualquer modo, como fã de basquete, já tive portunidade de ver a And1 e os Harlem Globetrotters no meu país. Sonho apenas agora em ver uma partida de NBA ao vivo. Quem sabe um dia.

Moncho Nãosalva.

Acabou-se o que era doce, já dizia o poeta. De forma fácil e sem sustos, o Boston Celtics sagrou-se campeão da NBA mais uma vez, desbancando os também multi-campeões do Los Angeles Lakers. De forma não tão fácil, com alguns sustos e com a deserção de uma “estrela” – desculpem-me pela blasfêmia, amigo leitor e amiga leitora – o selecionado feminino de basquete fez sua parte e garantiu sua vaga olímpica ao derrotar na final da repescagem do Pré-Olímpico Mundial as meninas de Cuba. E, desse modo, acabaram as partes boas da temporada de basquete válida pelo segundo semestre de 2007 e o primeiro de 2008.

Mas e os representantes masculinos do basquete brasileiro? Nossos “meninos da bola laranja” não estarão a postos para defender com unhas, dentes e enterradas a pátria amada Brasil? Pois é, eles vão sim, e é aí que mora o perigo. Sem metade mais um do time considerado ideal, a seleção brasileira masculina de basquete depende hoje das atuações de sua estrela solitária, Tiago Splitter, e da fé do povo, que não desiste nunca. Tudo isso porque jogadores com nome – e talvez mais nada – como Leandro Barbosa, Nenê Hilário e Anderson Varejão decidiram abandonar a canoa brasileira, que mesmo com eles já estava longe de ser um potente navio, pelos mais diversos motivos. E como hoje não tem mais NBA, nem seleção feminina e nem Iziane (oras, ela merece um espaço só dela, afinal é nossa “estrela”) falarei um pouco sobre o abandono desses três jogadores. Antes de mais nada, peço perdão aos jogadores Guilherme e Valtinho, mas prefiro poupá-los de minhas ásperas palavras por motivos de… bem, pelo motivo de que seus abandonos não repercutiram tanto.

Para começar, falarei dele, do primeiro brasileiro a ser reconhecido na NBA – leiam bem, não foi o primeiro a atuar, e sim a ser reconhecido – o hilário pivô Nenê. Vencedor de uma batalha mais importante do que qualquer jogo ou competição nesse início do ano, o pivô do Denver Nuggets abortou mais uma vez os planos brasileiros de retorno aos Jogos Olímpicos. Após sentir uma grave lesão no jogo decisivo do Pré-Olímpico das Américas, o jogador afirmou que, devido a uma nova lesão, não poderá atuar nos jogos que valerão as vagas remanescentes para os Jogos de Pequim – ou Beijing. Uma decisão péssima, diga-se de passagem. Nem bem se lesionou, Nenê já pulou fora, alegando que não conseguiria retornar em tempo hábil para ajudar a seleção. E nem venham me dizer que a lesão é séria, pois o astro norte-americano Dwayne Wade afirmou que faria de tudo para servir sua pátria nos Jogos-08. E ao que tudo indica atuará em solo chinês. E, falando em China, o pivô e estrela maior da seleção local, Yao Ming, está fazendo tudo que está ao seu alcance para se recuperar de uma lesão que o afastou de mais da metade da temporada regular da NBA. E o Nenê dizendo que não dará tempo? Nada hilário isso, nada hilário…

Outro atuante do garrafão verde e amarelo seria o pivô da Cleveland Cavaliers Anderson Varejão. Seria, porque ele também afirmou que não disputará a vaga nos Jogos ao lado de seus compatriotas. Mais um ato de nacionalismo exacerbado do jogador – pobres de nós brasileiros – que por não ter definido os valores de seu contrato com a equipe de Ohio há um ano atrás, deixou de disputar o Pré-Olímpico americano, causando grande mal-estar entre os torcedores brasileiros e mostrando o que realmente importa para ele: dinheiro. Ou você acha que não? Varejão deveria rever seus conceitos, pois antes de ele entrar para a NBA e ser um coadjuvante de LeBron James, Ben Wallace, Zydrunas Ilgauskas e cia. ele era um aclamado jogador da seleção. O sucesso subiu à cabeça de Anderson como as perucas subiram nas cabeças de milhares de crianças estadunidenses? Então alguém precisa avisá-lo de que ainda há uma longa estrada a ser percorrida pelo jogador para que ele seja importante dentro da NBA. E essa estrada começa com a humildade de se colocar no devido lugar e crescer ao poucos. As Olimpíadas seriam uma grande chance de começar essa trilha.

E, por último, mas não menos importante, ele, que até algumas semanas atrás era minha maior esperança para o basquete brasileiro: Leandro – ou Leandrinho – Barbosa. Além de minha maior esperança, era meu único “ídolo” atuante no basquete nacional. Sua humildade, sua vontade de defender tanto seu time na NBA quanto o Brasil me faziam crer que ele poderia ser, em escalas menores, é claro, uma espécie de novo Oscar, um líder que encaminhasse o Brasil para as cabeças. Mas não passou de achismo barato. Leandro se revelou um jogador interessado mais em si próprio do que no coletivo; o estrelismo parece ter subido à sua cabeça. O brazilian blur – ou borrão brasileiro – como é conhecido nos EUA, parece ter, com o perdão das palavras, se borrado, ao ver que teria que assumir tamanha responsabilidade. Para fugir da raia, o ala-armador do Phoenix Suns foi infinitamente mais rápido do que em seus contra-ataques em quadra, jogada que o tornou famoso na NBA. Talvez por toda a situação envolvendo-o, Leandro foi minha maior decepção. Corinthiano, maloqueiro e sofredor, como ele mesmo se denomina, foi encontrado por meu irmão em um dos jogos do time paulista. Eu estava em outro setor do estádio e por isso não consegui vê-lo nem para pedir que atuasse com todo o amor possível pela Seleção – em tempo, naquela época ele ainda não havia desistido. O que me restou foi um autógrafo. Uma vã assinatura que não tenho orgulho nenhum em possuir, nem em exibir para os outros. Barbosa, Barbosa… você realmente machucou os amantes do basquete nacional. Machucado esse muito mais sério do que o que você afirma ter e que te impede de atuar por sua pátria.

São esses três jogadores – que mais do que jogadores são seres humanos – que deveriam defender o país e tornarem-se ídolos de uma nação. Mas eles se esquecem que são seres humanos antes de serem jogadores. Esquecem que não são mais do que ninguém. Esquecem que, assim como eles mesmos, milhares de crianças vivem na miséria e sonham em ter uma chance. Chance essa que eles conseguiram e, ao invés de usá-la para incentivo geral, usam de acordo com interesses pessoais que transpassam qualquer nação, qualquer seleção.

E enquanto isso a elite basqueteira – repugnante dizer isso, eu sei – composta por dirigentes e por um ser apelidado de Grego nada fazem para o bem do basquete nacional. Despedem um brasileiro e, nos ventos soprados pela crítica, contratam um técnico estrangeiro. De nome Moncho Monsalve, um espanhol desembarcou em nossas terras como a salvação do esporte no país. Mas em menos de um ano viu seu plano ruir, e lida com problemas que o fizeram passar de salvador da pátria para santo milagreiro. Infelizmente, milagres são difíceis de acontecer. E, com certeza, Moncho Nãosalva o basquete do Brasil – com o perdão do trocadilho. Não salvará, pelo menos de imediato. Sendo assim, me pergunto para finalizar minha coluna de hoje: se Moncho conseguir o maior milagre da história e levar nossa esquadra para as Olimpíadas, qual será a reação de Nenê, Varejão, Leandro e cia.? Certamente já estarão curados…

Pois é, tudo o que nós precisamos é de uma mão-santa no comando, não acham?