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Análise dos jogadores do Pré-Olímpico

Hoje, mais uma vez, a coluna Na Linha dos Três falará sobre a seleção brasileira masculina de basquete. Usarei esse espaço para analisar individualmente cada jogador titular da equipe, com as estatísticas da última temporada e minha visão sobre o atleta. Segue a lista:
Armador: Marcelinho Huertas – DKV Joventut (ESP)
Marcelinho Huertas terá nesse Pré-Olímpico sua primeira grande chance como armador titular da seleção brasileira. Apesar da baixa estatura, muito me agrada o estilo do jogador, que sabe muito bem distribuir o jogo e tem no passe picado sua principal forma de assistência. Fez um grande Torneio de Acrópolis com a seleção.
Médias na Liga Espanhola da temporada 2007-08 (Jogando pelo Iurbentia Bilbao): 14,6 pts e 3,9 ast por partida
Médias no Torneio de Acrópolis: 14,3 pts e 7 ast por partida; aproveitamento de 71% nos arremessos de 2 pontos e 100% nos lances livres
Ala-armador: Alex – Macabbi Tel Aviv (ISR)
Alex ocupa nessa seleção a vaga que seria de Leandrinho. O jogador, que chegou ao Final Four da última Euroliga, sabe compensar sua baixa estatura com uma impressionante impulsão e uma forte defesa. Canhoto, também fuinciona bem ofensivamente em algumas partidas.
Médias na Euroliga da temporada 2007-08: 5pts, 2,1 reb e 1,4 ast por partida
Médias no Torneio de Acrópolis: 11,7 pts e 2,3 stl por partida
Ala: Marcelinho Machado – Flamengo
O jogo individualista do ala não me agrada muito. Acho que o estilo de seu basquete é ultrapassado; ele busca muito a cesta, não trabalha em grupo, nada acrescenta em dinamismo na equipe e tem uma defesa fraca. Em compensação, sua experiência com a camisa da seleção e sua eficiência nos arremessos de 3 pontos podem fazer a diferença em algumas partidas.
Médias no ano de 2008: 25,8 pts por partida
Médias no Torneio de Acrópolis:13,3 pts e 3 ast por partida; 100% de aproveitamento nos lances livres
Ala-pivô: JP Batista – Barons de Riga (LIT)
JP é um jogador bastante calmo, que sabe trabalhar bem a bola; porém, em partidas ruins, essa calma pode se transformar rapidamente em uma irritante lentidão. De qualquer modo, gosto do jogo do atleta, e acho que ele pode ser importante para o garrafão da equipe no Pré-olímpico.
Médias na Liga Lituana da temporada 2007-08: 13,2 pts e 5,6 reb por partida
Médias no Torneio de Arópolis: 6,3 pts e 3,7 reb por partida
Pivô: Tiago Splitter – TAU Cerâmica (ESP)
O principal nome dessa seleção é um velho conhecido da torcida do San Antonio Spurs. Gosto muito do jogo do jovem pivô, que alia força, uma relativa agilidade para quem joga em sua posição, presença ofensiva e concistência defensiva. Para se tornar um grande jogador, só tem que melhorar um pouco o arremesso de média distância. De qualquer jeito, é a grande esperança brasileira para o Pré-olímpico.
Médias da Liga Espanhola na temporada 2007-08: 13,1 pts e 5 reb por partida
Médias nos Playoffs da Liga Espanhola na temporada 2007-08: 16 pts, 5 reb e 5 ast por partida
Médias no Torneio de Acrópolis: 11,7 pts e 8,3 reb por partida
Será que dá?

A preparação da equipe brasileira para o pré-olímpico mundial, que acontece na Grécia, terminou ontem. Após os três jogos, algumas ressalvas a se fazer. No meu ponto de vista, a estréia foi melhor do que o esperado. Derrota apertada para os donos da casa, 72 a 65. Detalhe; os gregos jogaram com sua forte equipe titular. No jogo seguinte, contra a Croácia, a seleção jogou um ótimo basquete nos três primeiros períodos e acabou vencendo os croatas com certa facilidade, 86 a 77. O jogo final, que aconteceu ontem, era contra os australianos. O Brasil apresentou os mesmos problemas que havia mostrado diante de gregos e croatas: Inconsistência. Os titulares mantiveram um bom nível e deixaram o Brasil no jogo durante grande parte do tempo. O problema aconteceu quando os reservas tiveram que ir pra quadra. Quando isso ocorreu, nas três partidas, a equipe teve uma grande queda na sua produção. No final das contas, 89 a 84 para o time da terra dos cangurus.
Nossa equipe estréia na próxima terça-feira no pré-olímpico. O adversário parece não assustar, é o fraco Líbano. Entretanto, a pergunta que fica é a seguinte: Será que dá? Bom, vou me despir do ofício jornalístico e dar a minha sicera opinião: Eu acho muito difícil que o Brasil se classifique pras Olimpíadas com essa esquadra que aí está. Não que o torneio esteja com um nível altíssimo de basquete, muito pelo contrário, vejo uma competição fraquíssima tecnicamente e com apenas duas boas equipes: Grécia e Eslovênia.
É engraçado se pararmos pra pensar. Se tivessemos contando com os serviços dos jogadores da NBA; Leandrinho, Nenê e Ânderson Varejão, classificaria o Brasil como franco favorito a pelo menos uma das três vagas. Sem a turminha do estrelato, nossas chances se reduzem à metade (talvez até menos).
Como já foi dito, o primeiro embate será contra o Líbano. É uma equipe que dentro da África é quase imbatível; todavia, dentro do basquete mundial, não passa de uma força terciária. O segundo jogo com certeza será bem mais difícil. Contra os anfitriões gregos, a vitória será praticamente impossível. Primeiro porque eles jogam em casa, isso já garante amplo favoritismo aos helênicos, segundo porque indiscutivelmente eles têm bem mais time que nós. Não acho que seja totalmente impossível vencer; A Grécia já não é mais a mesma de dois anos atrás, é um time envelhecido, que carece de renovação, só que ainda deve ser respeitado.
Caso passemos de fase (provavelmente em segundo lugar), nosso possível adversário nas quartas de final será a Alemanha, que deve se classificar com facilidade no grupo B, que ainda conta com Cabo Verde e Nova Zelândia. A principio, os alemães assustam pelo simples fato de contar com o megastar Dirk Nowitzki. De fato, é um exímio jogador; ele já provou isso sendo o MVP da NBA. Só que é a famosa equipe de um jogador só; se conseguirmos anular Nowitzki, a chance de vitórias é bem grande (O problema é anulá-lo, mas isso já é outra história).
O grupo C conta com Coréia do Sul, Esovênia e Canadá, enquanto o grupo D é composto por Croácia, Camarões e Porto Rico. Creio que se classificam Eslovênia e Canadá no C e Croácia e Porto Rico no D, nessa respectiva ordem. Palpites feitos, vamos às semifinais: De um lado Grécia (que venceria um hipotético confronto contra a Nova Zelândia) contra Eslovênia (venceria Porto Rico, no caso). Esse é o caminho fácil para o Brasil, já que ao meu ver, Grécia e Eslovênia são as duas equipes mais fortes do torneio. Sobraria para o Brasil, no caso de uma vitória contra a Alemanha, enfrentar os croatas, que venceriam os canadenses na minha pequena simulação.
Grécia e Eslovênia seria um duelo imprevisível. Se tivesse que apostar, iria no time da casa, pelo simples fato de jogar em seu país. Já Brasil e Croácia fariam um embate interessante. Mesmo tendo vencido os croatas no torneio preparatório, não acho que venceríamos eles de novo. Simplesmente porque acho que a Croácia é mais time que o Brasil. Com as duas vagas garantidas (Grécia e Croácia), sobraria uma terceira, disputada contra os eslovenos. Aí meu amigo, se já acho difícil vencer os croatas, o que dirá a Eslovênia?
Claro que tudo isso é apenas hipótese. Podemos tanto vencer o torneio quanto ser eliminados na primeira fase. Eu fico aqui na torcida para a classificação, por mais que meus prognósticos não sejam nada animadores.
Salvai-nos desse marasmo, amém!

Se você, amigo leitor, não é amante de outro esporte senão o basquete, tenho uma dica para você: durma até meados de agosto. Pois é, seu precioso tempo direcionado ao esporte será mais bem aproveitado se você passar as próximas semanas dormindo. A temporada da NBA acabou e nada de empolgante está à vista, a não ser as Olimpíadas no longínquo mês de agosto – exageros a parte.
A NBA se movimenta nesse momento em negociações e assinaturas de contratos, mas nada que te entretenha por mais de cinco minutos. O assunto mais falado pelos amantes da liga americana é qual será o próximo time interessado no ala Corey Maggette. Provavelmente Corinthians, Flamengo e Palmeiras entrarão na acirrada disputa pelo jogador, que logo mais contará com o interesse dos 30 times que disputam a NBA.
A seleção brasileira masculina tem entrado em quadra nos últimos dias, mas nada que empolgue muito, uma vez que eles realmente só têm entrado em quadra e não jogado nada. O Pré-Olímpico Mundial promete ser um show… de horrores, por parte do selecionado canarinho. A vaga para os Jogos está cada vez mais distante. Na visão do maior dos otimistas, é claro.
Enquanto o mercado norte-americano e a paciência da torcida brasileira fervem, os jogadores recém-recrutados para atuar na NBA atuam nas esvaziadíssimas Ligas de Verão que se espalham pelos Estados Unidos. Os jogos são entediantes, mas o fato de jogadores interessantes do recrutamento estarem em quadra faz valer um pouquinho a pena. Mas nada demais, é claro.
O marasmo no qual o cenário do basquete está inserido é visivelmente notável. Pobres dos que, em ato de heroísmo, só têm o esporte da bola laranja como hobby. Agradeço todos os instantes por, nesse momento, ter o futebol, o vôlei, o tênis, o automobilismo e até mesmo a peteca como esportes para acompanhar.
Agora me dêem licença que eu vou fazer uma proposta pelo Maggette…
“Go Small”

Parker, Ginobili, Finley, Bowen e Duncan. Considerando a média de minutos jogados por partida, esse foi o quinteto titular da equipe do San Antonio Spurs na última temporada. Essa formação vai contra a tradicional montagem de uma equipe de basquetebol, com um armador, dois alas e dois pivôs, e vai à favor a uma tendência do basquetebol moderno, intitulada “Go Small” por alguns especialistas.
Com a evolução física do esporte, o ala-pivô, também conhecido como posição quatro, vem se tornando cada vez mais ala e menos pivô. Com isso, os pivôs também têm que melhorar sua agilidade, para acompanharem o ritmo de seus colegas e adversários de garrafão. Por isso, jogadores como Yao Ming vão ficando cada vez mais raros, e pivôs como Dwight Howard são a tendência de um futuro próximo.
Quantas vezes, você, fã do San Antonio Spurs, não viu sua equipe jogando, essa temporada, com 4 homens de perímetro mais Tim Duncan no garrafão? Pois bem, nessa nova tendência, Duncan passa a ter características muito mais de pivô do que de ala pivô; em uma partida contra o Orlando Magic, do já citado Howard, por exemplo, teria dificuldades em marcar Hedo Turkoglu e/ou Rashard Lewis, que, em quadra, se revezam nas posições 3 e 4; o estilo de Timmy encaixa melhor com o do Superman.
Entre os jogadores brasileiros, também temos exemplos da tendência. Os jogadores Guilherme Giovannoni, que joga no Virtus la Fortalezza, da Itália, e Marcus, que atua no Club Basquet L’Hospitalet, da Espanha, podem fazer, em quadra, as posições três e quatro, mostrando que também têm a versatilidade que o basquetebol moderno exige.
Nas finais da NBA dessa temporada, tivemos um interessante duelo entre os jogadores da posição quatro; Kevin Garnett, que é mais pivô, contra Lamar Odom, que está mais para ala. Melhor para o atlela dos Celtics, eleito ainda o melhor jogador defensivo da temporada.
Se é essa tendência que vem gerando uma crise de pivôs ou se essa crise que forçou a tendência, é uma discussão difícil de concluir. Fato é que lidamos a cada dia, no mundo do basquetebol, com pivôs mais ágeis, aumentando ainda mais a dinâmica do esporte.
Conversa de botequim

– Ei cara, pega a cerveja e pede pra ligar a televisão, vai começar!
– Ahn?! Começar o que? A novela? Putz…
– Não amigo, o jogo lá…
– Mas a final não foi ontem?
– Poxa vida, hein… tô falando da seleção!
– Mas olha só! Depois eu que sou lento… Brasil só em Pequim agora, meu amigo!
– Não, a seleção de basquete! Vai jogar o Sul-Americano! Coloca aí, vamos torcer!
– Ah, achei que era coisa séria…
– É… vamos assistir… Brasil é sempre Brasil!
– Tá, vamos.
O jogo começa e o narrador passa a escalação da seleção brasileira: um amontoado de nomes sem expressão, sem carisma e, principalmente, sem jogo para mostrar.
– Pô, eu lembro dos tempos do Oscar… não era essa bagunça aí não…
– É, mas a gente tá com o time reserva, no Pré-Olímpico a gente vai com os titulares!
– Ainda bem, né? Aqueles caras da NBA fazem uma falta danada… olha que jogo feio!
– Você tá por fora mesmo, hein? Esses caras da NBA não vao jogar não…
– Como não?! Não pode ser… outro dia eu vi aquele menino… o magrelinho… Leandrinho! Ele tava batendo uma bolinha… claro que ele vem pro torneio importante!
– E o Papai Noel, vai bem? O cara não vem mesmo, alegou lesão na perna…
– E tava jogando um “futiba”? Mas é claro que ele não tá machucado…
– Mas ele mandou atestado e tudo mais! Não joga ele nem ninguém que atua na NBA… vai ser uma desgraça!
– Desgraça?! Dá uma olhada nesse jogo aí e você me fala o que é desgraça!
– Pois é, rapaz… ruim com eles, pior sem eles.
– Dureza, não? Sorte que tem esse bendito intervalo… ôrra, olha que carrão, hein?
– Pois é… o tal de Leandrinho tem um desse.
– Mas ele não ia de bicicleta pro treinamento??
– Hahahaha, rapaz o tempo passa, as coisas mudam…
– Dinheiro é uma praga mesmo, né? Dê-me todo o seu e seja feliz…
– Engraçado, hein? Olha o jogo aí, tá no final já.
– Tá parecendo basquete de criança isso aí… preferia minha novelinha.
O jogo acaba e a seleção vence os donos da casa (o poderoso Chile!) com certa dificuldade (!!!!!!). Os amigos se despedem e vão para suas respectivas residências. O Sul-Americano continua, a desgraça continua. Mas eu ando preferindo a novela… e você?

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