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Pintou o campeão?

Claro que a velha máxima, conhecida em quase todos os esportes, ainda não deve ser aplicada aos dois times que serão colocados em pauta na coluna de hoje. Entretanto, Los Angeles Clippers e Philadelphia 76ers vem mechendo seus pauzinhos na offseason e podem surpreender na próxima temporada.
Após a saída de Allen Iverson para o Denver Nuggets, todos duvidaram da capacidade de André Iguodala de liderar uma equipe. Não foi o que aconteceu; Iverson saiu, Iguodala passou a ter mais liberdade e consequentemente se tornou o destaque da franquia. No último ano, fez uma excelente temporada, obteve médias dignas de um all-star e levou o 76ers novamente à fase final da NBA.
Para a próxima temporada, após uma eliminação na primeira rodada nos últimos playoffs, o Sixers está buscando reforços. Todavia, a principal estrela do time (Iguodala), ainda não sabe se fica. Notícias dão conta que ele renovará, mas o impasse está deixando os torcedores ansiosos. E porque? Desde Iverson, eles não montam uma equipe forte; nesse ano, o 76ers assinou com o ala-pivô Elton Brand. Brand já foi all-star e já liderou sua equipe em quase todos os fundamentos; é um jogador perfeito para sua nova casa. Contudo, os eternos problemas de contusão de Brand podem atrapalhar; se isso não acontecer, o trio formado por André Miller, André Iguodala e Elton Brand deve incomodar.
O Clippers nunca foi campeão; sempre foi conhecido por ser o primo pobre de Los Angeles. Com toda sua beleza ofuscada, eles não empolgam há um bom tempo. Para essa temporada, parece finalmente que as coisas irão mudar. Jogadores importantes como Elton Brand e Corey Maggete foram embora; de chegada estão o all-star Baron Davis e o ótimo defensor Marcus Camby. Além deles, o problemático Ricky Davis e Kelena Azubuike também chegaram. O time ainda busca Zach Randolph, mas parece que as investidas para trazer o ala não têm surtido muito efeito.
Aí está, caro leitor. Com toda a certeza ainda não pintou o campeão, mas Clippers e Sixers parecem estar em rumos melhores do que nos últimos anos, e isso já é uma grande coisa.
Muito futebol, não é Kobe?

Em entrevista dada essa semana, publicada na última terça-feira no portal Terra, Kobe Bryant se declarou fã do futebol brasileiro. Classificou jogadores como Kaká, Robinho e Ronaldinho como “fabulosos”, e disse que espera ter uma oportunidade de ver uma partida do último e também de Marta, que Kobe disse ser uma das atletas que ele gosta de assistir.
E, em meio a elogios, Kobe também disse, sorrindo, ser “too much soccer” o problema do basquete brasileiro. Elogiou muito Varejão, Nenê e principalmente Leandrinho, disse que o problema pelo que Brasil passa é apenas uma má fase, e que, após essa mudança de técnico, as coisas levarão um pouquinho de tempo para se acertar.
É de se admirar que um astro da magnitude de Kobe Bryant saiba tantas coisas sobre o esporte brasileiro. Ele lembrou da época em que, morando na Itália, viu Oscar atuar, e disse que o brasileiro é um dos seus ídolos no esporte, lamentando que pouca gente nos Estados Unidos saiba o que ele realmente representa para o basquete mundial. Em um meio de tantas vaidades como a NBA é, Kobe mostrou humildade para mostrar o conhecimento que tem sobre o esporte brasileiro.
E você, fã de esportes do Brasil? O que sabe sobre as chances do nosso esporte para as Olimpíadas de Pequim? Aposto que sabe que Ronaldinho jogará no ataque, ao lado de Pato; sabe que Diego e Rafinha foram liberados pela FIFA para atuar na competição e que, em amistoso preparatório, vencemos Cingapura por 3×0. Daiane dos Santos? Diego Hipólito? Robert Scheidt? Talvez nosso problema realmente seja “too much soccer”.
E enquanto as trancinhas de Ronaldinho, Anderson, Jô e Breno ocupam as manchetes esportivas, o basquete ganha espaço apenas com “Seleção feminina é derrotada pela Austrália” e “Leandrinho se diz magoado com Oscar”. Too much soccer…
De novo, fora das Olimpíadas

Os torcedores brasileiros mais otimistas ainda estão de ressaca. Para quem acreditava que a seleção brasileira masculina de basquete pudesse se classificar para os Jogos Olímpicos de Beijing, ou mesmo que pudesse bater a Alemanha, o tombo foi grande. E o Brasil está fora das Olimpíadas pela terceira vez consecutiva.
O que se viu ontem em quadra foi uma seleção brasileira completamente dominada, claramente inferior em relação a Alemanha, uma equipe que nem sequer chega a ser de primeiro nível se inserida em um panorama mundial. Num grupo de 12 jogadores, nenhum foi sequer capaz de marcar (não no sentido de parar, mas apenas de enfrentar) Dirk Nowitzki. Claro, que o alemão é diferenciado todos sabemos. Mas deixá-lo exercer seu jogo foi muita inocência.
Claro que não podemos sair por aí dando tiros pra todos os lados. O estilo europeu implantado por Moncho Monsalve na nossa seleção deu um resultado melhor do que o esperado. O treinador chegou desacreditado, e, principalmente nos duelos do Torneio de Acrópolis, fez a seleção jogar um basquete que poucos acreditavam que ele conseguiria.
Individualmente falando, Marcelinho Huertas provou que merece ser o armador principal da seleção brasileira. Alex não deixou em nenhum momento de mostrar a disposição e a correria que o tornam querido pela maioria dos fãs de basquete brasileiros. E Splitter provou que é um excelente jogador; esse pré-olímpico serviu, pelo menos, para mostrar para os torcedores do Spurs que o pivô tem tudo para se tornar craque.
Mas, agora, sem a vaga olímpica, resta a nós culpar o jogo individualista de Marcelinho Machado? A as vezes excessiva calma de JP Batista? Ou a inexperiência de nossos reservas? Eu prefiro culpar as lesões de nossos principais jogadores, que coincidentemente apareceram ao mesmo tempo e não permitiram que, com o time completo, pudéssemos ao menos sonhar com a vaga olímpica. Porque eu realmente jamais sequer sonhei.
O desempenho das nossas meninas

Tivemos o pré-olímpico feminino de basquete. Lá, conseguimos com méritos a classificação para as Olimpíadas. Agora, chegou a vez dos homens brigarem por uma vaguinha em Beijing. Ontem perdemos pra Grécia (derrota já esperada, diga-se de passagem). O adversário da vez será a Alemanha, que convenhamos, não é nenhum bicho papão. Junto a tudo isso, tivemos o draft da NBA. As ligas de verão estão a todo vapor e logo chegará a temporada 2008-2009. Com todos esses eventos acontecendo simultaneamente, o espaço destinado às meninas do San Antonio Silver Stars diminuiu um pouco. Entretanto, isso não significa que deixaremos de acompanhar o desempenho das nossas meninas.
Sendo assim, para situar um pouco o leitor que gosta de WNBA, aí vai um panorama de como as coisas andam. Já se foi mais de metade da temporada (Vale lembrar que a liga feminina é composta por 14 times; cada equipe disputa 34 jogos). Após as 23 partidas disputadas até aqui, as Stars ocupam o primeiro lugar na conferência oeste, com a melhor campanha de toda a liga. São 16 vitórias e apenas sete derrotas. Em segundo lugar, vem o veteraníssimo Seattle Storm, da dupla Lauren Jackson e Sue Bird. Elas têm dois jogos a menos que as Stars, mas se vencerem os embates ‘pendentes’, apenas igualam nossa campanha. O terceiro colocado é o badalado Los Angeles Sparks, que teve uma ligeira queda de produção nos últimos jogos (13-8).
Com apenas 11 jogos por vir, é muito difícil que a equipe de San Antonio não se classifique (Quatro equipes se classificam por conferência), tendo em vista que o quarto colocado pelo lado oeste é o irregular Minnesota Lynx (10-10). Por falar em quarta vaga, a disputa por um lugar nos playoffs está cada vez mais acirrada. Com toda a certeza, San Antonio Silver Stars, Seattle Storm e Los Angeles Sparks estão com suas vagas praticamente garantidas. Talvez ocorram algumas mudanças de posições entre eles, mas creio que esses três estarão nos playoffs, já que inegavelmente são os mais fortes da conferência. O atual campeão Phoenix Mercury vem decepcionando com a pífia campanha de 9-12. Todavia, é uma equipe que eu não descartaria em hipótese alguma, já que possui grandes jogadoras.
Voltando a falar de San Antonio, muito do crescimento da equipe se deve a dois fatores: À chegada da belga Ann Wauters, que é uma excelente jogadora, nível All-Star, e o trabalho magnífico feito pelo técnico e General Manager da equipe, Dan Hughes. Em apenas três anos de trabalho, Hughes conseguiu levantar uma franquia fracassada e esquecida em um time forte e competitivo. Primeiro com boas escolhas no draft; selecionou Sophia Young, que hoje é um dos pilares principais da equipe, e Shanna Crossley, que infelizmente está fora da temporada devido à uma contusão. Depois, com grandes trocas, trouxe Erin Buescher junto ao Sacramento Monarchs a troco de nada e conseguiu a troca mais absurda de todos os tempos (Compararia à troca envolvendo Pau Gasol e os Los Angeles Lakers). Dan Hughes conseguiu trazer a armadora Becky Hammon, indiscutivelmente a melhor jogadora da equipe e uma das melhores jogadoras do mundo, por Jessica Davenport (Inexpressiva segunda escolha de draft), e mais uma escolha de primeiro round desse ano. Advinhem com quem foi o tal negócio? Ninguém mais ninguém menos que o New York Liberty! Pelo visto não é só na NBA que a equipe de Nova York comete trapalhada.
Hoje, vejo nas Stars uma equipe absolutamente capaz de conquistar seu primeiro título. É claro que os adversários são fortes, mais até do que no ano passado, quando fomos eliminados na primeira rodada dos playoffs pelo Phoenix Mercury em partidas de arbitragem duvidosa. Só que nosso quinteto titular não fica devendo para nenhum dentro da liga, nem para o Los Angeles Sparks. O grande problema é o banco de reservas. O nosso até que é um bom banco, mas ainda não são suplentes de um time campeão. Se da pra conquistar o caneco? Com certeza sim! Já provamos que conseguimos enfrentar as melhores equipes de igual pra igual, esse já é o primeiro passo pra conquista de um título.
Viagem pré-olímpica pelo mundo

Começou nessa segunda-feira o Pré-Olímpico Mundial de Basquete Masculino, disputado em Atenas, Grécia. Como todos já estamos cansados de saber, essa é a última chance que os homens que representam o basquete nacional têm de não ficar fora da terceira Olimpíada consecutiva. Pois o caminho das pedras, como pode ser chamado o torneio, não será em nada fácil para nosso selecionado. Mas hoje falarei sobre o lado fraco desse Pré-Olímpico, e as disparidades que rondam os continentes no âmbito esportivo – o lado social é melhor nem discutirmos.
Primeiro, separemos os representantes de cada continente. Vindos das Américas estão Brasil, Porto Rico e Canadá; oriundos da África, Camarões e Cabo Verde; de origem asiática são o Líbano e a Coréia do Sul; já da Europa, temos Grécia, Eslovênia e Alemanha; por fim, a solitária Nova Zelândia representa a Oceania. Com os países devidamente divididos, comecemos nossa análise.
As Américas enviaram um representante para cada terço de sua extensão: Sul, Central e Norte. Desses, o mais cotado para obter a vaga olímpica é Porto Rico. Os porto-riquenhos estão seguidos dos brasileiros e, posteriormente, canadenses no quesito “chances de se classificar”. O grande fator pode ser a proximidade desses países de dois centros do basquete: os Estados Unidos e sua NBA e a Argentina e seu celeiro de ótimos jogadores. Ser eliminado no Pré-Olímpico americano não é de todo ruim, mesmo com a Argentina sem seus titulares. Desses três, confio na classificação brasileira ou porto-riquenha. O Canadá, sem Nash não deve passar das quartas de final.
A África e seus representantes condizem com o que se espera de um continente mutilado pela fome e pela pobreza. Seus times podem endurecer alguns minutos, mas não suportarão a pressão de jogar contra Alemanha (Cabo Verde) e Porto Rico (Camarões). É uma pena que a África não tenha representantes à altura do torneio. Talvez nem Angola, representante africano nos Jogos, fosse capaz de fazer frente as já citadas seleções não-africanas. Acredito que se algum desses dois times passar as quartas de final, já estaremos diante de uma enorme zebra.
Seguindo a ordem, viajemos até a Ásia. Seus representantes no torneio grego são o Líbano e a Coréia do Sul. O Líbano, por muitas vezes, é visto mais como africano do que como asiático, graças a sua colocação geográfica – fica próximo a Israel, no Oriente Médio. A simples colocação de “Oriente Médio” já mostra os problemas extra-quadra que o Líbano sofre. Somados ao fato de a seleção deles não contar com nenhum grande jogador, os coloquemos como carta fora do baralho. Já a Coréia do Sul é um time de pouquíssima tradição e, apesar de não sofrer com problemas fora das quadras como o Líbano, tem um selecionado fraquíssimo e, por isso, também descarto na briga pela vaga. Os únicos representantes asiáticos devem ser a anfitriã China e o Irã, classificado no Pré-Olímpico local.
O próximo continente é a onipotente Europa. Berço da civilização ocidental, os europeus entram com o maior número de equipes cotadas para obter vagas em Pequim. A Grécia é a atual vice-campeã mundial, e só isso já seria fator suficiente para ser a favorita ao título. Mas eles também jogam em casa. A sólida defesa grega deve carimbar a vaga sem tantas dificuldades, apesar de ter em seu grupo o respeitável Brasil. Já a Alemanha conta com o fator Dirk Nowitzki, MVP da NBA em 2007 e que, junto com Chris Kaman, pivô do Los Angeles Clippers que se naturalizou alemão, pode sim almejar a vaga. Mesmo que Kaman não se entrose com o restante do time. Por fim, a Eslovênia vem com a tradição do Leste europeu, que será representado em Pequim pela sempre presente – e forte – Lituânia e pela agradável Rússia. Não descarto os eslovenos, mas acho que sua classificação para os Jogos é um tanto quanto difícil. Mas a Europa já conta com os já citados Rússia e Lituânia, além dos atuais campeões mundiais da Espanha. É bem capaz que o continente acabe com quatro ou cinco representantes nos Jogos.
Por fim, a Oceania. Geograficamente, já podemos explicar a classificação da Austrália para as Olimpíadas. Uns 90% do continente são ocupados pelo país, que deixou para a Nova Zelândia a função de disputar o Pré-Olímpico Mundial. Os neozelandeses jogam um basquete baseado na força, assim como os australianos. E eu os coloco sim como candidatos a uma vaga. Tudo depende de como a seleção deles atuará contra seu maior rival na primeira fase: a Alemanha. Se vencerem, disputarão vaga provavelmente com o Brasil – que deve ficar em segundo no seu grupo. E Brasil x Nova Zelândia será um duelo interessante. Mas nada de bancar o vidente aqui.
Enfim, amigo leitor, podemos concluir que o Pré-Olímpico será uma disputa entre América e Europa pelas vagas nos Jogos. A única intrusa na festa pode ser a Nova Zelândia. Se me pedissem um palpite hoje, estufaria meu peito de nacionalismo barato e diria: “Brasil, Grécia e Porto Rico obterão as vagas”. Mas o caminho das pedras é mais difícil do que parece.

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