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Ginobili divide opiniões em San Antonio

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Sempre desconfiei do sensacionalismo exacerbado do periódico argentino Olé. Pois bem, estava outro dia por aqui, navegando em busca de informações que pudessem ser úteis ao leitor, quando me deparei com a seguinte manchete na versão online do tablóide ‘hermano’: “No más aplausos?”. Como bom aspirante a jornalista, abri a notícia para ver do que se tratava. Corri os olhos diante das linhas, li algumas coisas que achei absurdas e confesso que fiquei deveras chateado com a postura de alguns torcedores do Spurs.

A notícia tratava de um fórum americano sobre a equipe de San Antonio, que, em um de seus tópicos, Manu Ginobili era alvo de alguns torcedores. Como disse acima, fico com um pé atrás quando se trata deste tipo de jornal, e minha crítica aí não é apenas sobre as costas do Olé; assim como lá tem sensacionalismo e apelo para vender jornal, aqui também há; basta dar uma pequena lida no Lance! para ver. Mas, como aqui não é uma disputa para ver quem é mais isso ou aquilo, voltemos ao assunto principal.

Após ler a nota, fui buscar o fórum para checar do que realmente se tratava. Consegui o endereço do site e conseqüentemente o acesso ao tópico referente ao astro do Spurs. Quando abri para dar uma olhada no conteúdo, percebi que os tão criticados jornalistas argentinos desta vez estavam certos. Uma chuva de críticas, a esmagadora maioria delas sem absoluto fundamento, referente a ida de Ginobili aos Jogos Olímpicos. Teve um torcedor que insanamente pedia a saída do jogador devido à falta de comprometimento com a equipe, afinal, é San Antonio quem paga seu generoso salário.

Tudo bem, Popovich insistiu para o atleta não disputar o torneio, já que era temido o agravante da contusão no tornozelo. De fato, aconteceu tudo aquilo que não era pra acontecer; Ginobili voltou a sentir a lesão e ficou de fora dos dois mais importantes jogos da equipe. Agora, culpar o jogador porque ele quer defender a pátria? E mais, crucificar um atleta que sempre fez de tudo pela equipe e que é sem dúvidas um dos principais jogadores da história de San Antonio?

Me desculpem os que partilham da mesma opinião de certos malucos por aí. Eu particularmente aplaudo de pé a atitude que ele teve; de passar por cima do pedido do treinador pelo simples fato de defender seu país. Atitude essa que todos os jogadores deveriam tomar, inclusive as dondocas da seleção brasileira, que por causa de uma dorzinha qualquer já arranjam desculpas para se livrar do compromisso com a pátria.

Graças ao bom Deus ainda existem torcedores conscientes, que defenderam com unhas e dentes a atitude do argentino no fórum. A parte boa é que ainda não fomos vencidos por essa unanimidade que fala, age e pensa sem o mínimo de noção.

Com Iziane seria diferente

O fã de basquetebol brasileiro tem a ciência de que o momento que o esporte atravessa em nosso país é, sem dúvidas, um dos piores de todos os tempos e o pior das últimas décadas; num passado próximo, o feminino salvava a administração da “Era Grego”. Depois de Pequim, porém, esse cenário mudou; as meninas juntaram-se aos homens na obscuridade do nosso basquete. Mas poderia ter sido diferente.

Deve estar fresquinho na sua memória o Mundial de Basquete Feminino, disputado no Brasil há pouco tempo atrás, em 2006; nossa equipe terminou a competição numa honrosa quarta colocação, sendo derrotada apenas pelas potências Austrália e EUA. Aquele grupo contava com duas estrelas, Janeth e Iziane, e com coadjuvantes que, em sua maioria, formaram o grupo que sequer figurou entre os 8 melhores de Pequim. Faltou uma referência entre as 12 jogadoras.

Não estou aqui fazendo lobby por Iziane; já critiquei nesse mesmo espaço a atitude da jogadora e continuo apoiando Bassul em sua decisão. Mas que a seleção brasileira hoje em dia está carente de uma jogadora diferenciada, que coloque a bola embaixo do braço nos momentos de aperto, é evidente, e ficou mais ainda após as derrotas frente as inexpressivas Coréia do Sul e Letônia, quando pecamos justamente da hora de definir o jogo.

Mas há males que vêm para o bem. No ano passado, o Palmeiras de Caio Júnior perdeu na última rodada do Campeonato Brasileiro para o Atlético Mineiro por 3×1, em casa, e acabou fora da Libertadores da América. Conseqüências? Troca de treinadores; Luxemburgo assumiu e levou a equipe ao título paulista. Quem sabe o fracasso do basquete feminino não sirva para, ao menos, ameaçar o cargo de Grego, o que traria novos ares para o esporte em nosso país.

Momento “Mãe Dinah”

Amigo leitor do Spurs Brasil,

Deixo de lado a badalação olímpica em cima do time da rendenção que os Estados Unidos usou para retomar o posto de campeão olímpico. Afinal, era unanimidade que os estadunidenses eram favoritos, e, apesar de Nelson Rodrigues falar que toda unanimidade é burra, as vezes ela acerta. E que Rodrigues esteja bem onde, estiver!

Voltando meu foco para onde quero, deixo a China, mas mantenho-me focado nos Estados Unidos, mais especificamente no Texas. Hoje voltarei a falar sobre o San Antonio Spurs. Mais especificamente, analiserei o que acho que irá acontecer a partir de agora com a equipe. Não amigo leitor, você não está vendo uma edição do “Passando a Limpo” em plena terça-feira. Os números não são tão meus amigos e, por isso, farei uma análise, digamos, mais passional.

Deixemos de ladainha e comecemos logo o que interessa, pela parte que ao time mais interessa: o grande trio texano. Todos nós sabemos que a mídia atual adora nomear times, grupos, jogadores e até as munhequeiras que estes vestem. Mas é impossível afirmarmos que os três principais jogadores do Spurs não são um grande trio. Duncan desde sempre e para sempre estará na memória dos torcedores texanos e dos amantes do basquete. É um mito no time, é um mito na Liga. E mitos, até seus últimos respiros, são respeitados e temidos. Por mais algum tempo, o “grande fundamental” será fundamental, e muito, para o andamento da franquia de San Antonio. Seguindo a ordem de idade, foco o argentino do trio, Manu Ginobili. O argentino é a figura perfeita do que o torcedor gosta: raça, amor e paixão (não flamenguistas, não foi uma homenagem) no mais alto estágio. Ginobili é o tipo de jogador que nos passa a impressão de que nunca vai abandonar o time, seja onde ele estiver (chega de trocadilhos com as maiores torcidas do Brasil). Por fim, Parker. O mais jovem dos três, oriundo da Bélgica e naturalizado francês, já foi melhor jogador das Finais e, cada vez mais, torna-se peça indispensável para o futuro. Um pouco mais de tempo e Parker estará entre os melhores.

Fora os três principais jogadores, vejo ainda alguns nomes que são importantes para o Spurs: Michael Finley, Robert Horry e Bruce Bowen. Explico: Finley, de contrato renovado, é o real sexto homem do time. Mesmo sendo o titular, todos sabemos que o real dono da posição dois é Ginobili. Mas o veterano não deixa de fazer seus pontos e colocar bolas longas e importantes. Horry, não à toa, é conhecido como Big Shot Bob, e com sete anéis de campeão intimida qualquer adversário. Reparem que sempre que ele entra, principalmente na pós-temporada, a marcação de perímetro do outro time se modifica. Horry mantém o estilo “panela velha é que faz comida boa”, eternizado por Sérgio Reis. Já Bowen, com sua raça às vezes até exagerada, comanda o sistema defensivo ao lado de Duncan. E comandar um dos melhores sistemas defensivos da NBA não é tarefa fácil, diga-se de passagem.

Por fim, aquele que nunca entra em quadra, mas tem papel fundamental: Gregg Popovich. Arquiteto desse time, Pop sabe como ninguém utilizar as peças que possue. Até quando surpreende e coloca um jogador inesperado em quadra (Bonner?) a modificação pode dar certo. É o coração do time, sem ele o Spurs não seria nada.

Ou seja, amigo leitor, o San Antonio Spurs tem sim chances de obter mais um anel. Não há formula mágica para se obter tal feito, mas o rodízio de jogadores deverá ser marca registrada na temporada regular, uma vez que temos o elenco mais velho da NBA. Noves fora, o Spurs está sempre entre os favoritos. Some isso ao fato de ano que vem ser ano ímpar e… quem sabe o penta não é nosso?

Ir para a Europa pode ser a solução

A atual offseason da NBA está recheada de um novo fator, que ameaça a permanência dos principais astros na Liga. Trata-se do interesse de equipes da Europa em tirar da liga norte-americana de basquete seus principais jogadores, começando pelos menos expressivos como Earl Boykins e Josh Childress, para culminar, quem sabe, na ida de mega-astros como Kobe Bryant e LeBron James, em um sonho que as cifras européias podem tornar realidade. Mas não é sobre essa ida à Europa que gostaria de tratar nesse espaço.

O Velho Continente, como já dito, é, com seus Euros, um paraíso para as equipes, sedentas por marketing, propaganda e lucros. E é graças a isso que diversas equipes da NBA resolvem mandar alguns de seus jogos contra equipe oriundas da Europa. Os “petrodólares” russos, ultimamente, têm sido os principais alvos estadunidenses (e canadense, no caso do Toronto Raptors). Mas também não se é dispensado um dinheiro italiano, francês ou inglês. Qualquer Euro (ou Libra) somado ao fato da dantesca exposição causada pelos amistosos em solo europeu é muito bem-vindo para as franquias da NBA, sempre citadas como exemplo no quesito organização.

E neste ano, com os jogadores estadunidenses em alta na Europa devido ao enorme interesse e, é claro, aos Jogos Olímpicos, o San Antonio Spurs resolveu não explorar seu potencial de marketing em terras européias e resolveu mandar todos os jogos de sua pré-temporada nos Estados Unidos. Nada de jogar na Europa, nada de longas viagens que renderão algumas ótimas cifras. O Spurs passará suas férias inteiras jogando alguns amistosos com os times que sempre enfrenta. E deixará de dar o prazer de ver um conterrâneo bem-sucedido aos europeus.

Explico: no elenco da equipe de San Antonio temos nada mais, nada menos do que o único jogador europeu a conquistar o premio de melhor jogador das Finais da NBA, o belga naturalizado francês Tony Parker. Atração na certa para seus conterrâneos, Parker poderia render alguns milhares de Euros aos cofres do Spurs, e ainda faria uma ótima propaganda do time em sua terra natal. O jogador ainda teria a companhia de um antigo ídolo local, o argentino Manu Ginobili, que outrora desfilava seu jogo em solo italiano, local onde é, até hoje, idolatrado.

Somem os dois fatos citados com a gigantesca fama que Tim Duncan tem no mundo e pronto, o Spurs tem um time pronto para jogar e agradar nos solos europeus. Ian Mahinmi e Fabrício Oberto ainda seriam peças menos famosas, mas que poderiam ajudar na impulsão do marketing texano na Europa. Enfim, seria uma oportunidade imperdível neste ano, mas que não será aproveitada pela diretoria do Spurs. Quem fique bem claro que este texto não critica de modo algum a ótima administração texana, só expõe uma opinião que pode funcionar. Um artigo que deixa a seguinte questão: por que não ir para a Europa?

São duas competições

Poucos fãs do basquetebol mundial apostariam que a Rússia estaria em situação tão complicada quanto está nesses momento nos Jogos Olímpicos de Pequim. Após a surpreendente derrota de hoje frente à Austrália, Kirilenko e cia chegam à última rodada dependendo de um milagre para se classificarem para as quartas-de-final da competição.

Esse milagre consiste em, além de torcer por uma improvável vitória de Irã frente a Bogut e companhia, vencer a ascendente seleção da Argentina, que vem de três vitórias seguidas, sendo uma delas frente a respeitável Croácia. Ginobili e cia só não conseguiram vencer a surpreendente seleção da Lituânia, a sensação dessa competição, líder de seu grupo e que hoje também bateu os croatas.

No outro grupo, em um confronto direto pela quarta vaga, a China bateu hoje os alemães e praticamente carimbou seu passaporte para, nas quartas, enfrentar justamente a Lituânia, num duelo que promete ser interessante; a seleção-sensação da competição contra os anfitriões.

Tudos esses resultados se devem a um basquete que é quase nivelado. O torneio masculino quase vem mostrando um equilíbrio interessantíssimo, que coloca várias seleções na disputa por medalhas e torna o já dinâmico basquetebol uma das atrações mais interessantes dessa edição dos Jogos.

E quando eu me refiro ao quase nivelamento do esporte, ao seu quase equilíbrio e digo que muitas seleções estão na disputa por medalhas e não pelo ouro, me refiro praticamente a um outro planeta do basquetebol chamado Estados Unidos. Posso queimar minha língua, mas acho que esse ano não tem para Argentina, Espanha, Rússia, e, muito menos, para a pobre Alemanha na última rodada da fase de classificação.