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Uma receita para o penta

 A temporada 2008/2009 da NBA está a cada dia mais próxima, faltando hoje pouco menos de um mês e meio para o início dos embates da temporada regular, época em que são decididos os dezesseis clubes classificados para a pós-temporada, na qual a briga realmente pega fogo, e, como definiu Michael Jordan, meninos e homens são devidamente separados.

Dividindo o caminho passo a passo e colocando como objeto de análise o San Antonio Spurs, dou alguns palpites para que o elenco do time texano obtenha êxito na disputa da próxima temporada.

1) A rotação

Manu Ginobili será ou não será o sexto homem da NBA? Pouco importa. O que importa é que a equipe saiba jogar sem ele, uma vez que o argentino tem sofrido com algumas contusões desde meados de 2007, fator que prejudicou o time nos playoffs e, em alguns momentos, na própria temporada regular. Quanto menos o ala-armador jogar na regular, melhor. Que comece no banco de reservas e entre em quadra para colocar fogo na partida. Com a conferência Oeste cada vez mais disputada, acho que o Spurs não se dará ao luxo de poupar Ginobili de jogos inteiros, mas sua entrada como reserva pode, gradativamente, deixá-lo 100%.

2) O parceiro de Duncan

Ian Mahinmi? Fabrício Oberto? Kurt Thomas? Os parceiros de Duncan mudarão com certeza ao longo da temporada, e, na minha opinião, Oberto deverá iniciar a temporada como titular. Não por sua qualidade técnica, mas pelo fato de Gregg Popovich parecer confiar mais nele. A adaptação do francês Mahinmi será importantíssima para as temporadas futuras e também para a disputa de 2008/2009, uma vez que com um bom parceiro ao seu lado, Duncan já provou ser capaz de decidir um campeonato. Meu preferido, pelo que vi jogar desses três, é o francês, mas sei que Pop não optará pelo mesmo, pelo menos no começo. Thomas está velho, mas ainda pega seus rebotes; é peça importante na renovação. E, falando em renovação, acho importante também a manutenção do veterano Robert Horry, porque mesmo que ele pouco atue na regular, sabemos de sua importância na pós-temporada.

3) A campanha em casa 

Falar é fácil, eu sei, mas o Spurs tem que se garantir em casa. Dos 41 jogos que serão disputados no AT&T Center, pelo menos 30 devem ser vencidos pela equipe, porque essa é a campanha que se espera de uma equipe focada no título. Quando receber adversários mais fracos, a pressão da torcida pode sim decidir o jogo. Mas quando recebermos times mais fortes, Pop terá que colocar o time na pressão, para que junto com a força da torcida possamos encurralar adversários fortes.

4) Pré-temporada

Perder ou ganhar um jogo da pré-temporada não fará diferença nenhuma na temporada em si. Mas vale lembrar que o período de treinos antes da regular começar é válido para condicionar jogadores – Ginobili se recuperando de lesão, principalmente – e entrosar o time. Popovich é ótimo técnico, mas parece estar satisfeito demais com a forma que seu time joga. Os chamados treinamentos de campo são ideais para que Pop possa treinar novas jogadas e assim surpreender um pouco os adversários – e nós mesmos, torcedores do Spurs.

5) Conclusão

Não farei um palpite sobre quem será o campeão da próxima época da NBA. Coloco sim o Spurs entre os favoritos, mas não com tanta convicção quanto antes. Algumas equipes se mexeram e formaram ótimos elencos, casos de Sixers, Blazers e Heat, fator que pode complicar a disputa que já foi acirrada na última temporada. O Spurs pouco fez e confia em um elenco veterano e até certo ponto já manjado pelos adversários. Resta saber se Gregg Popovich e sua comissão terão alguma carta da manga para surpreender e, quem sabe, abocanhar o penta.

Análise dos adversários do sudoeste

WNBA chegando em suas semanas mais emocionantes, times da NBA fazendo seus ajustes finais. Esse deve ser o cenário dos próximos dias do basquetebol norte americano. E, enquanto as Silver Stars vão fazendo bonito no feminino e Gregg Popovich deve estar quebrando a cabeça para encontrar alternativas consistentes para a ausência de Manu nos primeiros jogos, ocupo esse espaço com uma análise sobre o que esperar de nossos rivais de divisão.

Comecemos pelo Dallas Maverrcks, considerado por muitos o principal rival do San Antonio Spurs. Sétimo colocado da Conferência Oeste na última temporada, a equipe conta com Dirk Nowitzki, que dificilmente deixa de apresentar-se de maneira, no mínimo, consistente. Porém, para almejar algo grande na Liga, a equipe dependerá muito do seu armador Jason Kidd. De volta a Dallas desde o fim da temporada passada, o jogador não teve muito tempo para se adaptar, o que levou os Mavericks a caírem logo na primeira rodada dos playoffs. A expectativa é que, durante a temporada, ele cresça de produção, encontre o entrosamento ideal com seus colegas e eleve o nível da equipe.

Temos também o Houston Rockets, o outro rival texano e que contará nessa temporada com um velho conhecido do torcedor dos Spurs; Brent Barry. O ala deve ser uma alternativa para fazer uma interessante dupla de alas com Tracy McGrady; o veterano tem um estilo cadenciado e confia nos arremessos de longe, enquanto T-Mac explora a velocidade e as infiltrações. Porém, a grande contratação da equipe para a temporada é Ron Artest, que, considerado por muitos um jogador problema, se der certo, deve aumentar em muito as esperanças dos torcedores dos Hockets. A equipe ainda conta com o retorno de Yao Ming, lesionado no fim da última temporada, para formar com Luis Scola, jogador que a cada partida me encanta mais, uma respeitável dupla de garrafão.

A sensação da temporada passada, o New Orleans Hornets, conta com o amadurecimento de sua jovem equipe, mas que já alcançou o segundo lugar da Conferência Oeste na última temporada, para sonhar com algo grande nessa temporada. A base ainda foi reforçada, e, o principal jogador da equipe, Chris Paul, recentemente participou da campanha dos Estados Unidos que rendeu a medalha de ouro olímpica; o amadurecimento do atleta é fundamental para que os Hornets possam sonhar com o título.

Por fim, temos o Memphis Grizzlies, mais uma vez candidato a saco de pancadas da equilibrada divisão sudoeste. A equipe tem jovens jogadores de talento, que, no futuro, quem sabe podem render algo de maior para a franquia. Por enquanto, dar mais experiência para jogadores como Marc Gasol, Darrell Arthur e O.J. Mayo é tudo o que a equipe pode fazer.

Esse é o panorama da complicada divisão sudoeste da conferência oeste. Temos aqui, contado com o San Antonio Spurs, quatro equipes de respeito que podem sair da temporada 2008-2009 com o título da Liga.

Os grandes armadores de San Antonio

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Quando paro pra pensar nos dois times de San Antonio, tanto o Spurs como as Stars, vejo que ambos têm algumas semelhanças. A começar pelo elenco; o ponto forte da equipe masculina é o conjunto; o trio formado por Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan é a alma do time, mas jogadores considerados coadjuvantes possuem sua devida importância. Também é assim com o time feminino; Becky Hammon, Sophia Young e Ann Wauters formam um tripé de respeito e ditam o ritmo da equipe, contudo, outras jogadoras como Vickie Johnson e Erin Buescher são fundamentais.

Outro fator de igualdade entre os dois se dá pelos treinadores. Gregg Popovich está há anos no comando do Spurs; de lá pra cá fez um trabalho irretocável, conquistou quatro títulos e é considerado um dos melhores técnicos da atualidade. Dan Hughes está no comando das Stars há muito menos tempo, mais especificamente há três temporadas. Apesar de ‘novato’ no cargo, ele foi eleito técnico do ano de 2007 após levar San Antonio pela primeira vez aos playoffs. Além disso, Hughes acumula dois cargos; além de técnico ele é também o General Manager.

Após fazer um ligeiro panorama do grau de igualdade entre as duas equipes, foco minha análise em dois jogadores muito parecidos e essencias. Falo de Tony Parker e Becky Hammon. Tony Parker chegou ao Spurs no draft de 2001. Apesar de ter feito uma sólida e promissora carreira na Europa, ele chegou cercado de desconfianças, já que veio com a responsabilidade de assumir o posto de titular logo de cara. Como todo o grande atleta, Parker atropelou as críticas e, em sua primeira temporada, deu mostras de que tinha condições de ser o armador principal da equipe. Entretanto, alguns erros em jogos decisivos colocaram sua permanência no Spurs em cheque. Mesmo com alguns rumores de troca que envolviam o veterano Jason Kidd, o francês continuou o seu trabalho e deu a volta por cima; hoje é titular absoluto e inclusive tem no currículo – além de três títulos da liga – um troféu de MVP das finais.

Becky Hammon chegou à San Antonio de maneira inusitada. A jogadora já tinha sua carreira feita na WNBA jogando pelo New York Liberty, já tinha ido aos playoffs, disputado finais e participado do jogo das estrelas. Mas em uma troca no maior estilo Gasol – Memphis – Lakers, Hammon foi parar no Texas, ou seja, foi trocada por um saco de batatas – se o basquete de Nova York mal consegue administrar uma equipe (Knicks), imaginem duas.

Foi a partir da chegada de Hammon que as Stars – antes saco de pancadas da WNBA – tomaram um rumo vitorioso. Titular absoluta, a jogadora ajudou a equipe a ir à pós-temporada pela primeira vez em sua curta história; de quebra, ainda teve sua melhor temporada na carreira, com médias de 18.8 pontos e 5.0 assistências, e, ao ser selecionada para o jogo das estrelas de 2007, se tornou apenas a segunda jogadora da história da liga a participar do evento por duas conferências diferentes. Nesse ano, a equipe busca dar mais um passo vencedor; pela primeira vez, possui um elenco capaz de brigar pelo título da WNBA, e a liderança do campeonato faltando somente duas rodadas para o término da temporada regular mostra isso.

Como vimos, os jogadores citados têm histórias diferentes em San Antonio. O que os liga é o fato de serem parte fundamental para o andamento de seus respectivos elencos. Na minha humilde opinião, Parker é o melhor armador da história do Spurs; acompanhei Avery Johnson e ele era sim um ótimo jogador, todavia, o francês já está alguns passos à frente do armador do primeiro título. Já Hammon, nem preciso falar; como já disse, foi a partir de sua chegada que as Stars finalmente entraram no eixo, ou seja, temos o grande privilégio de poder acompanhar nos dias de hoje dois dos jogadores mais importantes para a história de San Antonio.

Um exemplo de vida

 

A mídia faz poucas referências. As pessoas poucos sabem sobre. A badalação passa longe, bem longe. As delegações nacionais são pequenas. O investimento é infinitamente menor. Mas nem assim as Paraolimpíadas deixam de ser exemplo para qualquer ser humano que vagueie pela Terra. Iniciados em Pequim após o término dos badalados Jogos Olímpicos, os Jogos Paraolímpicos começaram e são escassas as informações sobre ele.

 

Alguns periódicos brasileiros dedicam uma nota, um texto ou, no máximo, uma página para o evento, no qual o Brasil é sempre bem representado e, no geral, acaba sempre se saindo melhor do que na Olimpíada em si. Acaba se saindo melhor porque ganha mais medalhas, mas mesmo que não ganhasse nenhuma honraria, seria mais honrado do que qualquer coisa. Todos os tipos de deficiência, desde cegos até amputados, passando por deficientes de nascença até pessoas que ficaram deficientes ao longo de suas vidas estão presentes nas Paraolimpíadas, que mostram para o mundo o que há de melhor no espírito olímpico.

 

Nessa disputa a palavra “limite” é colocada de lado, com recordes e mais recordes sendo quebrados. Pessoas para quem a sociedade costuma olhar torto sobem no lugar mais alto do pódio como prova de que o limite está em nossas cabeças. Ou você acha que ao ver uma pessoa sem as duas pernas nadar e quebrar uma marca de tempo ainda podemos falar de uma deficiência como limite ou problema?

 

É claro que ninguém que ali está desejou ser portador de deficiência. Não faço aqui uma exaltação à deficiência, claro que não. Exalto a perseverança, a força de vontade, a determinação destes atletas, que levam o espírito olímpico ao seu auge durante essa disputa. Uma pena que nenhuma – ou quase nenhuma – atenção seja desferida a tão nobre evento.

 

Basquete? Fica para a semana que vem…

Chance para Roger Mason

Quando assinou seu contrato com a equipe do San Antonio Spurs, o ala-armador Roger Mason Jr não deve ter nem sonhado que teria uma chance tão boa quanto o começo da próxima temporada. O jogador, que pode atuar como armador principal ou na posição 2, deve ganhar preciosos minutos em outubro e novembro. Eu explico porque.

Brent Barry saiu da equipe para acertar com o Houston Rockets. Manu Ginobili, um dos principais jogadores da equipe dos Spurs, acaba de passar por cirurgia no tornozelo, e, mesmo que tenha condições de entrar em quadra nos primeiros jogos, deve ter seus minutos reduzidos para adquirir uma melhor condição física.

E, como as outras opções para as alas, Finley, Bowen e Udoka, têm mais de 30 anos, devem ter um bom tempo de descanso, o que permite que Roger Mason tenha uma boa oportunidade no Texas. Caso vá bem, pode até ganhar a posição de reserva imediato de Parker, já que Vaughn e Stoudamire não empolgaram e Hill ainda é inexperiente.

Roger Mason Jr, contratação de maior peso do San Antonio Spurs até agora, teve médias de 9,1 pontos, 1,7 assistências e 1,6 rebotes em 21,4 minutos por jogo na última temporada. Nos playoffs, esses números caíram para 8 pontos, 1 assistência e 0,8 rebotes em 21,5 minutos. Vamos ver o que o ala-armador se tornará para a equipe após esse começo de temporada.