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Fim da era Vaughn?

A equipe do San Antonio Spurs anunciou oficialmente nessa semana a contratação de mais um jogador para reforçar o elenco, visando a temporada que começará no final do próximo mês. Trata-se de Salim Stoudamire, que veio do Atlanta Hawks, e, que na temporada passada, em 35 partidas disputadas obteve médias de 5,7 pontos, 0,8 assistências e 0,7 rebotes em 11,5 minutos por jogo. Atuou 3 vezes nos playoffs, obtendo médias de 4 pontos e 0,3 rebotes em 9,3 minutos por jogo.
A equipe texana também assinou nessa semana com o armador George Hill, sua primeira escolha no último draft. Hill anotou médias de 21,5 pontos, 6,75 rebotes e 4,3 assistências em 32 jogos na última temporada atudando pela Universidade de Indiana. Além dos dois, os Spurs já haviam fechado com o ala-armador Roger Mason Jr, que atuou pela equipe do Washington Wizards na última temporada, e, em 80 jogos, fez 9,1 pontos, distribuiu 1,7 assistências e pegou 1,6 rebotes em média de 21,4 minutos. Nos playoffs, atuou 6 vezes, e esses números caíram para 8 pontos, 1 assistência e 0,5 rebotes em 21,5 minutos.
Como podemos ver, a principal preocupação dos diretores do San Antonio Spurs para a temporada foi reforçar o perímetro, e, mais especificamente, encontrar bons jogadores que possam atuar como armador principal da equipe. Tudo isso para encontrar um bom reserva para Parker, jogador que é unanimidade entre os torcedores da equipe, sendo um dos três principais jogadores do time, mas que nunca teve um substituto à altura.
Porém, vale lembrar que o técnico Gregg Popovich gosta muito do esforçado, porém limitado, Jacque Vaughn. O camisa 11 obteve, em 74 jogos na última temporada, médias de 4,1 pontos, 2,1 assistências e 1 rebote em 15,4 minutos por jogo. Atuou em 14 jogos pelos playoffs, alcançando 0,9 pontos, 0,6 assistências e 0,6 rebotes em 6,5 minutos por jogo.
Vaughn não é o jogador dos sonhos da torcida do Spurs para substituir Parker, mas, contando com o prestígio de Popovich, já barrou nomes como Beno Udrih e Damon Stoudamire. Será que agora ele resistirá a George Hill, Salim Stoudamire e Roger Mason Jr e continuará firme como reserva imediato de Parker?
Expectativas para um duelo de gigantes

Começam hoje as finais de conferência da WNBA – liga feminina de basquete dos Estados Unidos. Um grande duelo chama atenção: Trata-se do confronto entre San Antonio Silver Stars e Los Angeles Sparks, que acontece hoje no Staples Center, em Los Angeles.
Pretendo fazer um pequeno panorama do caminho que as duas equipes enfrentaram para chegar até aqui. As Sparks iniciaram a temporada cheias de pompa, pois haviam draftado a promissora novata Candace Parker. Além disso, Lisa Leslie estava de volta após ficar um ano sem atuar; jogadoras experientes como Delisha Milton-Jones e Marie Ferdinand-Harris – a última vinda justamente de San Antonio – chegaram para tornar o já forte elenco imbatível.
Foi o que pareceu no começo da temporada; um basquete vistoso e grandes jogadoras dando seu melhor dentro de quadra davam mostras de que o time angelino era o adversário a ser batido. No entanto, logo começaram a aparecer os problemas; algumas derrotas inexplicáveis e uma queda vertiginosa de rendimento afetaram o desempenho da equipe. No final das contas, as Sparks terminaram a temporada com uma campanha apenas regular – terceiro lugar no oeste.
O adversário na primeira rodada dos playoffs seria o Seattle Storm – time que ostenta uma grande rivalidade com Los Angeles. Todavia, a equipe de Seattle, apesar de ter montado um time forte para essa temporada, jogaria sem sua principal estrela – a ala-pivô australiana Lauren Jackson – que foi operada após os jogos olímpicos devido à um problema crônico no tornozelo. Sem Lauren, mas com Sue Bird de volta à velha forma, o Seattle resistiu bravamente na série, mas foi derrotado no jogo três, mesmo atuando em casa.
San Antonio viveu uma última temporada frustrante; Becky Hammon chegou e transformou um time, que outrora era saco de pancadas, em uma equipe vencedora. Foram donas de uma boa campanha e chegaram aos playoffs sem grandes dificuldades. Entretanto, quando alcançaram a mesma final de conferência, foram derrotadas pelo Phoenix Mercury. A parte decepcionanete fica por conta da má arbitragem dos jogos, que claramente prejudicou as texanas.
Sem mágoas e dispostas a lutar pelo seu primeiro título, as Stars contrataram um reforço de peso – a experiente pivô belga, Ann Wauters. Com o trio Becky Hammon, Sophia Young e Ann Wauters jogando o fino da bola, San Antonio conseguiu a melhor campanha da temporada regular; foram 24 vitórias e apenas dez derrotas. Tendo o primeiro lugar garantido, o adversário da vez seria o equilibrado Sacramento Monarchs. Os jogos foram mais difíceis do que o esperado; no primeiro duelo – em Sacramento – as texanas venceram, e pareceu que a série seria tranquilamente definida no jogo dois. Ledo engano; no segundo jogo, as Monarchs triunfaram com facilidade e botaram em cheque toda a campanha das comandadas de Dan Hughes. O alívio veio junto com muito sofrimento; o jogo três – novamente em San Antonio – parecia encaminhar-se à um final feliz para Becky Hammon e cia, contudo, as adversárias conseguiram uma reviravolta dentro da partida e levaram o jogo para a prorrogação.
Há semelhanças e diferenças entre as duas equipes; um jogo forte de garrafão e armadoras rápidas e técnicas. A norte-americana Nancy Lieberman, ex-jogadora e conceituada comentarista de basquete, afirmou que será um duelo histórico. Sua aposta para o vencedor foi San Antonio em três jogos. Lieberman ainda disse que uma das chaves para a vitória texana pode ser a ala Erin Buescher, já que, segundo ela, não há nenhuma outra atleta em Los Angeles capaz de fazer o serviço sujo tão bem feito quanto Erin faz.
Silver Stars e Sparks tem tudo para ser uma grande série; talvez seja uma final antecipada. O que se tem ao certo é que o vencedor desse duelo sai com força total para conquistar o título da liga. É claro que é bom ter cautela quando se trata de um futuro duelo contra o Detroit Shock – provável vencedor da chave leste. Mas que essas duas equipes, que começam a se enfrentar hoje às 23:30 (horário de brasília), têm absolutas condições de levar um caneco para casa, disso ninguém duvida.
A fatídica relação ‘Clube-Seleção’
A última semana foi marcada por um evento que tomou, em poucos minutos, proporções mundiais. A falência de um dos maiores bancos dos Estados Unidos e a ‘quase falência’ da AIG, maior companhia de seguro do mundo, que tem como sede o já citado país, praticamente estagnaram o mundo dos negócios ao longo dos cinco continentes. No epicentro do caos (EUA, claro), os estragos demandaram investimentos monstruosos por parte do Estado local, cifras que atingiram as centenas de bilhões de dólares despejadas em alguns minutos sobre investidores sedentos por altas de bolsas e volta da estabilidade no mercado de ações mundial.
Podem vocês, leitores do Spurs Brasil, achar que nada do que aqui foi dito até o momento tem relação com a franquia do Texas para qual a grande maioria dos leitores deste blog é fã. Ledo engano. O San Antonio Spurs pode ser uma das franquias que mais tem chances de sofrer com a crise pela qual os EUA estão passando. Por quê? Simples: a AIG, citada acima como uma das companhias que quase quebrou – salva pelo governo como os indiozinhos da música ‘quase, quase virou…mas não virou!’ – é nada mais nada menos do que a seguradora de Tony Parker enquanto o francês defende sua pátria no classificatório para o Eurobasket, torneio continental de seleções.
Ou seja, caso o jogador se lesione defendendo a França, o Spurs não terá para quem pedir indenização! Isso mesmo, leitor. Como pedir dinheiro para um fundo que está falido? Pois o Spurs é o time que pode perder mais com essa crise, afinal Parker é simplesmente um dos três melhores jogadores que a franquia tem à sua disposição.
Tal situação abre um velho e cansativo debate: até que ponto a relação entre atletas e seus times pode ser quebrada devido a convocações nacionais? A França, nesse caso, não despejou um centavo para ter Parker, não investiu em seu crescimento como jogador e apenas o usa algumas vezes por ano. Já o Spurs paga salários, médicos e tudo que há de melhor para que o armador desenvolva seu melhor jogo. É justo uma equipe arcar com danos que seus atletas sofrem longe de seus cuidados? Pois bem, essa é, com certeza, uma das maiores discussões de todos os esportes, não só do basquete. Minha opinião: o seguro é obrigatório, e em caso de não ressarcimento por danos causados, o jogador nunca mais volta a ser convocado. E ponto final.
Justiça?

A loirinha Becky Hammon é hoje a principal referência da equipe do San Antonio Silver Stars. Mais do que isso; é uma das maiores armadoras da WNBA na atualidade, e, quase que consequentemente, uma das melhores do mundo. Já, há nove temporadas, atua como profissional na Liga, e, desde 2007, comanda as Stars. E pode, nessa temporada, ser recompensada por tudo isso.
Hammon nunca teve uma chance sólida na seleção norte americana. Especialistas e fãs pediam sua convocação, alguns até mesmo sua titularidade; pedido esse que nunca foi atingido pelos profissionais que passaram pelo comando do “dream team” feminino. A armadora teve que se naturalizar russa para conseguir um papel de destaque em uma seleção e disputar as olimpíadas de Pequim.
Agora, após nove anos de bom basquetebol, as Silver Stars proporcionam à Hammon a oportunidade de, finalmente, deixar sua carreira com algo marcante no curriculum. A equipe vem forte na temporada, tendo se classificado em primeiro na conferência oeste e, ao que tudo indica, é uma das principais favoritas ao título da WNBA nessa temporada.
Seria injusto uma jogadora do nível de Becky Hammon aposentar-se sem participações marcantes na seleção norte-americana e sem um título da WNBA. Vamos esperar para ver se os deuses do basquetebol farão justiça com a armadora das Silver Stars ainda em 2008.
E o que dizer da França…

Candidatíssima à vaga para a disputa da Eurobasket – torneio europeu de seleções – a França vem decepcionando seus fãs e os prognósticos animadores dos especialistas em basquete. Ontem, a equipe venceu a Ucrânia em jogo de placar apertado e praticamente garantiu sua entrada no principal torneio do continente.
Entretanto, quem está acompanhando o selecionado francês tem visto que eles vêm tendo dificuldades mesmo contra os adversários de menos expressão – caso de Bélgica e Ucrânia. Há de se considerar o fato de haver alguns desfalques inportantes, como o dos alas Boris Diaw e Mickael Pietrus; todavia, o time que está jogando é plenamente capaz de conseguir melhor desempenho.
Quem vem se salvando no meio desse turbilhão é o armador do San Antonio Spurs, Tony Parker – principal estrela do time. Parker se juntou de última hora ao elenco e mal teve tempo para se preparar; ele poderia muito bem alegar qualquer desculpa e se ausentar dos primeiros jogos, seria completamente aceitável. Entretanto, o jogador assumiu a responsabilidade e entrou em quadra para defender seu país. O resultado está nos números; o francês lidera as estatísticas de sua equipe com folga, e além disso é também o cestinha do torneio com média de 24.8 pontos.
As vezes fico me perguntando aonde que esse time chegaria com a ausência do armador. Os também atletas da NBA – Ronny Turiaf e Yakhouba Diawara – têm desempenhado um papel somente mediano. O ex-Los Angeles Lakers até que tem pego seus rebotes aqui e ali, mas nada muito além; Diawara nem isso está fazendo. Quem fica sobrecarregado é mesmo o atleta do Spurs, que a duras penas têm conseguido levar o time nas costas.
Contudo, quem pensa que o futuro da França está fadado à desgraça pode estar enganado. A grata surpresa do time é o ala-armador de 21 anos Nando De Colo. O jovem jogador chegou a ofuscar Tony Parker em alguns jogos dessa Eurobasket; ele vem com médias de 12.8 pontos e 3.2 rebotes no torneio. De Colo é visto como uma grande promessa do país no basquete, e a previsão é de que ele entre na NBA já no ano que vem. Seus números jogando pela equipe francesa do Cholet Basket durante a Eurocopa de clubes desse ano – um dos torneios mais fortes do continente – são excelentes; foram médias de 19.3 pontos, 2.9 rebotes e 2.9 assistências por jogo. Como se não bastasse, o jogador também disputou o All-Star Game da competição e anotou nada mais nada menos do que 24 pontos, sendo 18 deles em bolas de três pontos.
Além disso, De Colo é visto com bons olhos desde as seleções de base da França. Em 2007, ele participou do torneio europeu sub-20 disputado na Itália e Eslovênia. Os franceses não obtiveram um grande resultado, apenas o nono lugar; mas o que chamou a atenção foi o desempenho do atleta, que conseguiu expressivas médias 17.9 pontos, 4.0 rebotes e 3.4 assistências, sendo assim o quarto maior pontuador do torneio. Dentro dessas estatísticas estão incluídos 31 pontos e sete rebotes diante da Sérvia – primeira colocada no campeonato.
Como pudemos ver, o presente da França não é dos mais animadores, embora talentos individuais não faltem. O futuro também não parece empolgante, já que nos recentes torneios sub-20, sub-18 e sub-16 os franceses não desempenharam um bom papel. A parte boa é que de vez em quando surge um grande talento; Nando De Colo pode ser um desses. É bom as equipes da NBA olharem com carinho para o jogador, que atualmente está cotado para início do segundo round no draft do ano que vem.


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