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Há males que vêm para o bem

17 pontos, seis rebotes e cinco assistências. Números alcançados sobre o, talvez, melhor rival de divisão da equipe. Estatísticas que se aplicam a, no mínimo, um jogador de razoável para bom quando levamos em conta a rivalidade que ontem entrou em quadra. Mas se engana quem acha que estou falando de algum veterano ou alguma contratação de peso dos Spurs; estou falando do novato mais promissor da equipe nos últimos anos, George Hill.

Quem diria que o surgimento de um nome jovem para a rotação da equipe, algo tão cobrado durante as últimas temporadas, teria que acontecer desta maneira; Hill só está tendo a oportunidade de jogar tantos minutos por conta da lesão de uma das maiores estrelas da franquia, o armador francês Tony Parker. Mas o novato não se assusta com essa responsabilidade de forma alguma; prova disso são suas médias, que cresceram significativamente depois que o atelta virou titular.

Nosso outro guard titular passa por uma situação parecida. Contratato na pré-temporada, Roger Mason aparentemente disputaria alguns minutos com Finley na reserva de Ginobili. Mas, com a cirurgia de Manu e as boas atuações de Mason na pré-temporada, o camisa 8 assumiu a responsabilidade e vem surpreendendo positivamente nesse ano, com médias de 13,8 pontos, 4,1 assistências e 3,6 rebotes por jogo.

Claro que as ausências de Tony Parker e Manu Ginobili são claramente sentidas na equipe texana e não se sabe o dano que vão causar, algo que só saberemos ao fim da temporada regular. Não estou, de modo algum, comemorando esses desfalques. Mas o fato é que, dentro dos aspectos negativos dessas lesões, ao menos temos um positivo; o surgimento de dois talentos para auxiliar nossa equipe.

Cinco motivos para crer no Spurs

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Ao torcedor menos ativo ou por muitas vezes desinformado, gostaria de dizer que o apocalíptico começo de temporada é apenas uma fase; ou seja, como qualquer fase de qualquer outra equipe, logos os ventos ruins partem de San Antonio.

Mesmo os mais interados com a situação da equipe devem estar fazendo prognósticos desastrosos para o futuro do time texano, e, quiçá, planejando uma futura primeira escolha no draft de 2009. Pensando nisso, faço um pequeno guia com cinco motivos para manter as esperanças para uma próspera temporada.

1º  A Saúde de Manu

Como todos nós sabemos, Manu Ginobili se contundiu durante as olimpíadas e desfalcará a equipe até meados de Dezembro. Entretanto, nem todos sabem que a lesão sofrida em Beijing foi nada mais nada menos do que o agravamento de um problema crônico no tornozelo do atleta – que se arrastava durante as temporadas sem ser necessariamente curado. Após passar por cirurgia, o ala argentino deve vir novinho em folha para o restante da temporada. Trocado em miúdos, o Spurs tem tudo para ter um Ginobili ainda melhor do que nos últimos anos.

2º O Amadurecimento de Tony Parker

Acho que muitas vezes Tony Parker acaba sendo um jogador subestimado dentro da liga. Falo isso com base nos meus próprios pensamentos e de outros torcedores do Spurs que conheço. Lembro bem da época em que surgiram rumores dando conta de que Tony Parker seria trocado por Jason Kidd – naquele ano, Kidd ainda era unanimidade dentro da NBA enquanto Parker apenas um jogador qualquer em evolução. A torcida pediu a troca, mas, por uma série de motivos, ela acabou não ocorrendo. Bom para nós? Talvez nem tanto. Até hoje vejo que o armador não é tão valorizado quanto deveria, mesmo após suas grandes atuações. Confesso que sempre peguei bastante no pé do Parker, acho ele afobado em algumas oportunidades; entretanto, é impossível negar que ele seja uma grande estrela dentro da liga – por que não o melhor armador dela?

3º Quanto Mais Velho Melhor?

É incrível como Tim Duncan consegue manter a mesma regularide após ter ultrapassado a casa dos 30 anos. É claro que ele envelheceu e já não tem o mesmo pique do começo de carreira – seria pedir demais se ele jogasse com a mesma energia do seu primeiro ano. Mesmo assim, acho impressionante sua devoção ao time e ao esquema do técnico Gregg Popovich. Nesse começo de temporada, ele está provando que ainda tem muita lenha pra queimar, já que tem chamado a responsabilidade com a ausência de Manu Ginobili e posteriormente de Tony Parker. Não há dúvidas de que, por mais um ano, ele figurará entre os principais e mais requisitados jogadores da liga.

4º O Papel dos Veteranos

O San Antonio Spurs é considerado a equipe com mais veteranos dentro da NBA. E, por incrível que pareça, talvez seja o time que mais coloca os vovôs para jogar. Michael Finley, Kurt Thomas, Fabrício Oberto e Bruce Bowen abocanham uma parcela significativa do tempo de quadra. Muita gente pode dizer que são muitos velhos em uma só equipe, que com tantos veteranos o Spurs não vai a lugar algum, e blá, blá, blá. De fato, concordo quando dizem que há muitos jogadores de mais idade; contudo, é indiscutível sua importância para o andamento do elenco. O principal de tudo é que eles contribuem com experiência – o que é sim bastante importante. Segundo que a maioria deles ainda tem muita lenha pra queimar. Obviamente não se pode esperar que o Michael Finley faça 16 pontos todas as noites, ou que o Bruce Bowen anule com perfeição a principal estrela adversária todos os jogos. Estamos falando de seres humanos, não de Michael Jordan ou Magic Johnson. Ou seja, os 16 pontos do Finley de vez em quando, juntado com as quatro bolinhas de três do Bowen de vez em quando, com mais os dez pontos e dez rebotes do Oberto de vez em quando, contribuem e bastante com o trio de ferro do Spurs.

5º Os Novatos de Spurs

Poucos esperavam que Roger Mason Jr se adaptasse tão rápido e bem como se adaptou ao estilo de jogo de Gregg Popovich. O fato é que Mason vem jogando muito bem e sendo primordial dentro do time até aqui. Sem dúvidas ele perderá um pouco de espaço com a volta do Manu, mas é interessante notar que se trata de um atleta com o qual podemos contar fielmente na rotação. George Hill também é cercado de esperanças por dirigentes e torcedores; com razão. No pouco que jogou até aqui, Hill demonstrou ser um jogador extremamente interessante para um futuro próximo – já que, apesar de ser armador de origem, ele também pode atuar facilmente como um combo-guard. Anthony Tolliver parece ser um jogador a se estudar, pois tem um bom chute de três pontos e um bom porte físico. Não esperem um novo Dirk Nowitzki ou algo que o valha, mas talvez mais um potencial para vir do banco de reservas.

Tá aí caro torcedor do Spurs. Como vimos, nada de desespero. É claro que a situação preocupa até o torcedor mais otimista, mas, com Parker e Ginobili de volta, tenho certeza que o elenco voltará ao eixo certo e brigará com as outras equipes pelo título. O que não pode é entra ano, sai ano, Matt Bonner sempre figurando no time como se fosse uma eterna promessa. De resto, tudo normal.

Super-Ação

A bruxa está literalmente solta em San Antonio. Depois de perder ainda na pré-temporada o ala-armador Manu Ginóbili até meados de dezembro próximo, o San Antonio Spurs deverá lidar a partir desta semana com a ausência do armador Tony Parker, que se machucou e só deve estar em plenas condições em janeiro de 2009. Somadas essas lesões ao fato de a campanha do Spurs ser a pior da franquia desde muito tempo atrás, concluí-se que a bruxa realmente foi solta nos contornos do AT&T Center.

O momento, no entanto, não é propício para lamentações. O time está mal? Está. Os desfalques são importantes? Demais. Mas é hora de o elenco se unir, levantar a cabeça e seguir em frente. Seguir em frente amparado pela grande mão que a franquia terá até agora. Ele é só um jogador, mas pode valer pelo time todo nessa fase difícil. Falo, é claro, do Grande Fundamental. Falo, é claro, de Tim Duncan. Mais uma vez será dele o papel de bombeiro no incêndio que toma conta do Spurs. E ele pode.

São poucos os fãs incondicionais de Duncan – sou um deles assumido – graças à postura do jogador dentro e fora das quadras. Paradão, com expressão sempre tranquila, o ala-pivô parece incomodar – e incomoda – por sua eficácia. Suas jogadas não são nem um pouco plásticas, mas são eficientes ao extremo. Sua presença em quadra, apesar da cara de tranquilão, intimida muito mais do que a de muitos dos chamados bad boys. Hoje ele é um dos poucos jogadores que podem chamar a responsabilidade só – e somente – para ele. Tim Duncan é um dos poucos Grandes Fundamentais.

Marco na história do Spurs, Duncan encara talvez a situação mais complicada desde que chegou à equipe, no não tão longínquo 1997. Absolutamente ninguém poderá ajudar Duncan dessa vez. O calibre de Ginobili e Parker é simplesmente insubstituível no atual elenco de San Antonio. Não escolham jogadores que podem brilhar com a ausência dos dois contuntidos: apenas Duncan brilhará.

Se o San Antonio Spurs vai ou não vencer jogos com apenas Duncan de pilar, não se sabe. Pode ser que sim como pode ser que não; é imprevisível. Mas torcedores do Spurs, uni-vos: Tim Duncan é o único que pode cometer uma super-ação. É o único que pode atingir a superação. Nunca duvidem do que Ele pode fazer. Esta tudo nas Suas mãos, Duncan.

Duncan precisa de ajuda

Que a ausência de Manu Ginobili é sentida na equipe do San Antonio Spurs, principalmente por afunilar o jogo ofensivo em cima de Parker e Duncan, é evidente para qualquer expectador de basquetebol. Mas, nesse início de temporada, vejo outro problema grande na equipe texana; Duncan é o único marcador competente de garrafão que tivemos até agora.

Tomemos como exemplo a estréia da equipe, contra o Phoenix Suns; Duncan foi designado para marcar o grandalhão Shaquille O’Neal. Resultado; marcação competente do nosso camisa 21, enquanto Stoudamire deitava e rolava sobre Bonner, Thomas, e, por vezes, sobre o improvisado Udoka. Stat e Shaq, juntos, contabilizaram 37 pontos e 21 rebotes ao final da partida.

Segunda partida, segunda derrota da equipe do San Antonio Spurs, dessa vez fora de casa contra o Portland Trail Blazers. Ainda sem Oberto, Duncan se viu sozinho no garrafão para marcar a competente dupla adversária formada por Aldrige e Przybilla. Ao final do embate, os dois somavam 26 pontos e 12 rebotes, números que poderiam ser maiores ainda se Oden tivesse atuado.

No terceiro jogo, o problema ficou ainda mais evidente. Frente ao Dallas Mavericks, Duncan era o único com físico adequado no elenco dos Spurs para marcar o pivô Dampier. Com isso, Bonner, Oberto (de volta), e Thomas se revezaram na marcação do alemão Dirk Nowitzki. Resultado: 30 pontos e 7 rebotes para o alemão, números esses que, se somados aos de Dampier, colocam 32 pontos e 11 rebotes no boxscore para a dupla de garrafão dos Mavericks.

E se engana quem acha que, na única vitória da temporada, frente ao Minessota Timberwolves, o problema foi minimizado. A promissora dupla formada por Kevin Love e Al Jefferson somou, ao término das duas prorrogações que decidiram o jogo, 44 pontos e 25 rebotes para cima do garrafão dos Spurs. Números preocupantes.

Não sei se por causa da queda de produção de Thomas, ou do desfalque de Oberto nas duas partidas iniciais, ou da excessiva confiança que Bonner vem ganhando de Popovich esse fato me assustou tanto. Mas o fato é que os Spurs tomam 34,75 pontos e perdem 17,25 rebotes por jogo para a dupla de garrafão principal da equipe adversária em média; nessa conta, não estou nem contanto os pivôs reservas. São estatísticas que provam que definitivamente e principalmente defensivamente Duncan precisa de ajuda.

O substituto de Manu?

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Roger Mason Jr acabou de completar 28 anos. No seu quinto ano de NBA, ele finalmente está tendo a oportunidade de mostrar seu verdadeiro basquete. Oriundo da Universidade de Virginia, Mason conseguiu uma sólida carreira universitária – seu bom último ano carimbou o passaporte para o melhor basquete do mundo. Suas médias foram de 18.6 pontos e 4.1 assistências em 29 jogos disputados.

Com uma perspectiva razoável dentro do draft de 2002, Mason ficou de fora do primeiro round. Contudo, foi selecionado logo de cara na segunda rodada. Sua equipe seria o lendário Chicago Bulls – equipe da qual ele se considera fã por causa de Michael Jordan, um de seus ídolos. Entretanto, o que parecia um sonho começou a se tornar algo incômodo na carreira de Mason; pouco aproveitado em Chicago, ele foi trocado no seu segundo ano de NBA – seu novo time seria o Toronto Raptors.

Nova equipe e mesma realidade; Mason continuou sendo pouco aproveitado também em Toronto. No Canadá, jogou pouco mais de 20 jogos e dificilmente ganhava muitos minutos em quadra. Cansado da NBA, o jogador decidiu se aventurar pelo basquete europeu. No velho continente, Mason rodou por dois clubes em um curto espaço de tempo; o Olympiakos, da Grécia, e o Hapoel Jerusalem, de Israel. Após essas curtas passagens, ele foi contratado por uma equipe japonesa; todavia, alguns dias depois de assinar com o clube japonês, ele foi repatriado pela NBA; seu novo time seria o Washington Wizards.

A notícia de que ele iria para Washington o deixou extremamente feliz e empolgado – pela primeira vez em sua carreira, Mason teria mais chances de jogar. A temporada 2006-2007 marcou a volta do jogador aos Estados Unidos; as duas temporadas fora do país o amadureceram e o deixaram pronto para finalmente mostrar seu verdadeiro jogo na liga norte-americana. No entanto, a empolgação de voltar ao seu país logo se tornou algo frustrante. Mason pouco jogou na temporada 2006-2007; foram 62 jogos disputados e média baixíssima de minutos em quadra.

O ano seguinte marcaria a ascenção de Roger Mason Jr como atleta. Ainda em Washington, ele finalmente teve a oportunidade que sempre esperou. Disputou 80 jogos e ficou, em média, 21 minutos em quadra em cada um deles. Foi o suficiente para se mostrar um dos principais reservas de sua equipe e também da NBA – inclusive foi um dos jogadores que mais evoluiu de uma temporada para a outra; sua média de pontos subiu de 2.7 para 9.1.

Credenciado por uma boa temporada, Mason virou agente livre após o término do campeonato. Após se mostrar um suplente efetivo em Washington, algumas equipes se interessaram pelo seu basquete. Uma dessas equipes foi o San Antonio Spurs, que propôs um bom contrato à ele. Dentre as propostas, a que mais lhe interessou foi a de San Antonio; algumas semanas depois, Mason já estava treinando e disputando os torneios de verão com o Spurs.

Logo de cara, deu para notar que ele seria, no mínimo, um ótimo reserva para o elenco. Com Manu Ginobili se recuperando de um problema no tornozelo, Mason se tornou rapidamente o suplente mais atuante da equipe. Um de seus principais trunfos é o jogo defensivo; além disso, o jogador tem se mostrado uma ótima opção no ataque com sua pontaria calibrada. O começo de temporada de Mason tem animado os torcedores e também o técnico Gregg Popovich – que acertou em cheio ao trazê-lo para o Spurs.

Com a volta do argentino Manu Ginobili, Mason pode perder alguns minutos em quadra – atualmente, ele vem jogando quase 34 minutos por noite. Mesmo assim, fica a esperança para o torcedor do San Antonio de ver um novo grande jogador surgindo no elenco. Afinal, se dependermos de Matt Bonner e Jacque Vaughn para consquistar alguma coisa, estamos perdidos.