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E se a temporada acabasse hoje…

Leitores do Spurs Brasil,
e lá se foram quase dois meses desde que a bola subiu pela primeira vez na temporada regular 2008/2009 da NBA. Algumas surpresas, alguns recordes quebrados e, é claro, algumas decepções ao longo de pouco mais de um quarto da temporada jogado. Levando em conta este aspecto, permito-me abrir neste espaço uma discussão acerca dos prêmios individuais e coletivos e sobre confrontos de pós-temporada caso David Stern, comissário e chefão da NBA, decidisse que a regular terminaria neste minuto. Vamos lá…
Prêmio Individuais
MVP – Não é nada fácil escolher o melhor jogador de uma temporada com tantos destaques. Nomes como Kobe Bryant, Chris Paul e Dwyane Wade soam com força, mas no momento minha escolha fica para LeBron James. Com médias de 27.4 pontos, 6.7 rebotes e 6.4 assistências por partida, o ala tem levado seu Cleveland Cavaliers à segunda melhor campanha do Leste, surpreendendo muitos críticos. James é o MVP até o momento.
Rookie do Ano – O leque de opções se torna menor neste prêmio uma vez que vejo apenas os armadores OJ Mayo e Derrick Rose como possíveis candidatos até o momento. Neste momento, a disputa é acirrada, mas escolho Mayo, do Memphis Grizzlies, como novato da temporada até aqui. Suas médias até agora são de 20.3 pontos, 4.0 rebotes e 2.8 assistências. Faço tal escolha pois, apesar de achar o nível dos dois parecido demais, o estilo de jogo de Mayo me agrada mais do que o do jogador do Chicago Bulls. OJ Mayo é o rookie do ano até o momento.
Melhor defensor do ano – As duas equipes que lideram a conferência Leste – Boston Celtics e Cleveland Cavaliers – são as duas menos vazadas da NBA até o momento. Porém, minha escolha não será oriunda de nenhum destes dois times, mas sim da equipe com a sétima melhor defesa até o momento, o Atlanta Hawks. Falo de Josh Smith, ala com ótima defesa no perímetro e no garrafão e que vem aprimorando a cada partida a arte de dar tocos e conseguir parar adversários. Com 2.0 bloqueios, 1.5 roubadas de bola e apenas 2.9 faltas por partida, Smith é, até o momento, o defensor do ano.
MIP – O prêmio de jogador que mais evoluiu até o momento, para muitos, deve ser do brasileiro Nenê, que superou drama pessoal e voltou a jogar muito bem no Denver Nuggets. Porém, meu prêmio de jogador que mais evoluiu vai para Devin Harris, do New Jersey Nets. Com médias de 24.4 pontos e 6.7 assistências, o jogador vem liderando o Nets em sua surpreedente campanha e já chegou a anotar 50 pontos em uma só partida. Harris é o MIP até o momento.
Prêmios Coletivos
All-NBA First Team – Chris Paul (New Orleans Hornets), Kobe Bryant (Los Angeles Lakers), LeBron James (Cleveland Cavaliers), Kevin Garnett (Boston Celtics) e Dwight Howard (Orlando Magic).
All-NBA Second Team – Tony Parker (San Antonio Spurs), Dwyane Wade (Miami Heat), Paul Pierce (Boston Celtics), Tim Duncan (San Antonio Spurs) e Chris Bosh (Toronto Raptors).
All-NBA Third Team – Devin Harris (New Jersey Nets), Brandon Roy (Portland Trail Blazers), Danny Granger (Indiana Pacers), Pau Gasol (Los Angeles Lakers) e Al Jefferson (Minnesota Timberwolves).
All-NBA Defensive Team – Chris Paul (New Orleans Hornets), Dwyane Wade (Miami Heat), Josh Smith (Atlanta Hawks), Kevin Garnett (Boston Celtics) e Dwight Howard (Orlando Magic).
All-NBA Rookie Team – Derrick Rose (Chicago Bulls), OJ Mayo (Memphis Grizzlies), Michael Beasley (Miami Heat), Brook Lopez (New Jersey Nets) e Marc Gasol (Memphis Grizzlies).
A idade acusou?

Nessa semana, as duas derrotas seguidas da equipe do San Antonio Spurs, frente ao New Orleans Hornets e ao Orlando Magic – ambas disputadas fora de casa – trouxeram um antigo tema presente na vida do torcedor da equipe texana à minha cabeça; será que, nessa pequena maratona de “pedreiras”, a idade avançada do elenco dos Spurs atrapalhou?
Primeiramente, vale lembrar que a equipe está rejuvenecida em relação à do ano passado; Mason é agora titular no lugar de Bowen e Bonner vem deixando Oberto e Thomas no banco de reservas. George Hill é a peça de rotação do perímetro que trouxe a juventude que faltava no ano passado. Mas os nossos “medalhões” da última temporada continuam a fazer parte desse elenco, e muitos deles participam ativamente dos jogos da equipe.
Tanto o New Orleans Hornets quanto o Orlando Magic são duas boas equipes, que têm, cada uma, um estilo de jogo muito particular; comum entre as duas é que são times mais jovens do que o de San Antonio. Além disso, a distância entre os dois locais não é pequena, e a viagem pode ter aumentado ainda mais o desgaste do elenco dos Spurs.
Porém, vale lembrar que no quarto final do segundo jogo, em Orlando, os Spurs chegaram a esboçar uma reação e a diminuir a diferença para dígitos simples, o que não acontecia desde o primeiro período. Isso demonstrou que a equipe tem sim fôlego para buscar uma partida em seus momentos finais.
Esse é um tema delicado; apenas a palavra de um especialista da área física poderia tirar minha dúvida se a idade acusou ou não nesses dois difíceis jogos consecutivos. Minha opinião é que o desgate atrapalhou sim, mas não foi o principal determinante das derrotas. E a sua, qual é?
Há onze anos atrás…

Onde você estava há 11 anos atrás? Provavelmente, assim como eu, você não deve se lembrar. É possível que do alto dos meus nove anos na época, deveria estar jogando videogame – aqueles joguinhos legais do Mega Drive como Alex Kid e Rock’n Roll Racing – ou simplesmente na rua batendo aquela bolinha esperta com os amigos – já que na época, jogar futebol na rua era algo que quase todos faziam. Infelizmente, hoje em dia isso se tornou algo praticamente impossível.
No longínquo dia 29 de março de 1998 – data que completará 11 anos em breve – a equipe do San Antonio Spurs viajava até Indiana para enfrentar o Pacers de Reggie Miller no extinto ginásio Market Square Arena. Naquele dia, Tim Duncan, que já estava na sua segunda temporada e em vias de se tornar o principal jogador da franquia, anotou 24 pontos na vitória da equipe texana.
Para Duncan, aquela data ficou marcada como apenas mais uma partida com mais de 20 pontos em sua carreira. Para outro garoto, ganhar um autógrafo de tal estrela se tornaria algo marcante em sua vida. Falo do armador George Hill, atleta draftado pelo San Antonio Spurs no recente recrutamento da liga norte-americana de basquete.
Na época, o jovem Hill tinha 11 anos. Natural de Indiana, o futuro armador foi ao ginásio presenciar mais um jogo do time da cidade, o Pacers, e, de quebra, foi atendido com simpatia pelo astro do time adversário, que lhe concedeu um autógrafo ao final do embate. “Até hoje tenho a foto que ele autografou. Sempre digo que vou trazê-la para mostrar pra ele (Duncan)”, disse o novato.
O reencontro após 12 anos é curioso. Hoje Hill tem 22 anos e joga ao lado de um dos melhores jogadores da história da NBA. Duncan, que completará 33 anos no próximo 25 de abril, brincou e disse que se sente velho com toda essa história. Se pensarmos, ele está certo; na época ele tinha apenas 20 anos, era um garoto recém-chegado à NBA, o que Hill é exatamente hoje.
Coincidências à parte, toda essa história me fez parar e pensar em algumas coisas. Comecei a acompanhar a NBA no final da temporada 1997-1998. Vi jogadores como Tim Duncan, Kevin Garnett, Kobe Bryant, Allen Iverson, Tracy McGrady e o próprio Shaquille O’Neal crescerem e se tornarem o que são hoje em dia. Vi momentos mágicos de Reggie Miller e Michael Jordan, embora lamente não ter nascido alguns anos mais cedo para tê-los acompanhado mais de perto. Vi LeBron James surgir como o novo Jordan e acompanharei sua carreira do início ao fim, assim como acompanhei as de Duncan, Kobe, Garnett.
Os novos jogadores surgem aos poucos; só para efeito comparativo, as três primeiras escolhas do draft no ano passado foram Derick Rose, Michael Beasley e O.J Mayo. Rose é de 1988, mesmo ano que eu nasci. Mayo é um pouco mais velho (1987), e Beasley é de 1989, ou seja, é mais novo do que eu. Daqui há alguns anos, tenho certeza que verei Rick Rubio entrar e estourar na NBA (ele é de 1990), e por aí vai.
Acho isso tudo engraçado e estranho ao mesmo tempo. Outro dia, em conversa com um amigo, disse que essa é uma das maneiras de perceber o quanto você está ficando velho. Já não jogo mais Alex Kid e muito menos bola na rua; como se não bastasse, os atletas que entram na NBA são cada vez mais novos do que eu. Brincadeiras à parte, terei orgulho de contar aos meus filhos que acompanhei todos esses jogadores bem de perto e vi cada momento mágico das lendas de hoje em dia e das que se tornarão lendas daqui há alguns anos.
Chuck Norris do AT&T Center? Realmente o mundo dá voltas…

Nunca vou me esquecer de uma partida entre San Antonio Spurs e Houston Rockets na temporada 2007/2008. Lembro que a partida foi, como de praxe, muito equilibrada. Naquela partida, o placar acabou favorável ao Rockets, 83 a 81. E a última jogada me chamou a atenção. Gregg Popovich pede tempo, o último arremesso é do Spurs e a bola vai para… Matt Bonner! Ele erra o arremesso e a partida termina.
Alguns poucos meses depois e me deparo com novos jogos do Spurs, agora na temporada 2008/2009. Um bom exemplo seria mais um clássico texano: Spurs contra o Dallas Mavericks. Assim como a citada partida contra o Rockets, o clássico contra os Mavericks foi muito equilibrado, decidida em duas prorrogações. E o mesmo Bonner que perdeu um clássico em um arremesso não decidiu outro, mas teve atuação de gala: foram 13 pontos, quatro rebotes e 100% de aproveitamento nos arremessos de quadra.
Ainda tenho dificuldades para assimilar os acontecimentos e sinto que isso não é algo pessoal. Matt Bonner jogando bem? Por mais de um jogo? Por vários jogos? Como assim? Daqui a pouco Tony Parker estará no Slam Dunk Contest, penso eu. Mas não, não se trata de um sonho. Com médias de 8.2 pontos e 4.7 rebotes por partida, o ala-pivô já foi titular em dez partidas e tem sido crucial em algumas vitórias do Spurs.
Não acho que o momento seja de se pensar em Bonner como titular absoluto ou solução dos problemas do Spurs. Mas que o jogador está se provando um bom valor, mesmo que tardiamente, isso está. Com sua melhora em quadra e seu bom aproveitamento ofensivo, os astros Duncan, Parker e Manu Ginóbili têm se desafogado um pouco e tendo mais espaço para tocar a bola. O resultado são as sete vitórias seguidas da equipe na temporada.
Se o Spurs será campeão ou não ou se Bonner manterá o nível no qual vem atuando nos últimos jogos, não sei mesmo responder. Mas posso falar que assistindo aos jogos do Spurs e vendo as placas “Bonner, o Chuck Norris do AT&T Center”, não entendo mesmo como aquela bola contra o Rockets não caiu.
Embates contra os imbatíveis

Nesses primeiros 20, 25 jogos da temporada 2008-2009 da NBA, três equipes dificilmente saem de quadra com um resultado que não seja a vitória: Boston Celtics (22-2), Cleveland Cavaliers (20-3) e Los Angeles Lakers (19-3). Inicialmente, a equipe do San Antonio Spurs deu sorte de não enfrentar essas equipes em seu pior momento na temporada, logo após a contusão de Tony Parker, que deixou o perímetro da equipe órfão de pai e mãe. Mas não poderemos fugir dos três grandes times por muito tempo.
O primeiro dos embates contra essas potências será contra o Los Angeles Lakers, considerado por muitos a asa negra do San Antonio Spurs. O confronto será no AT&T Center, no dia 14 de janeiro. Até lá, acredito que a equipe dos Spurs esteja em sua condição física ideal e com todos os atletas jogando sua quantidade ideal de minutos. No confronto, nossos alas, principalmente Ginobili e Bowen, que têm boa capacidade defensiva, deverão ter atenção redobrada em Kobe Bryant – na minha opinião o melhor jogador de basquete em atividade no planeta. Duncan terá também que se desdobrar defensivamente para marcar o bom garrafão angelino, formado por Gasol e Bynum. Com isso, Tony Parker, que terá, contra Fisher, o duelo teóricamente mais fácil, deverá se tornar a principal referência ofensiva da equipe, por se desgastar menos na marcação. As equipes ainda voltarão a se enfrentar 11 dias depois, dessa vez em Los Angeles.
Dia oito de fevereiro será a vez dos Celtics, em casa, medirem força contra os Spurs. O principal trio da equipe de Boston, formado por Allen, Pierce e Garnett deverá receber cuidado especial dos nossos alas e de Tim Duncan. Parker não terá facilidade em marcar Rondo. Ofensivamente, a equipe texana também terá que contar com o jogo do seu principal trio, formado por Parker, Ginobili e Duncan, para sair vitoriosa da partida.
19 dias depois é a vez de enfrentarmos os Cavaliers, no AT&T Center. A chave para o sucesso nesse jogo será minimizar o efeito do jogo forte de LeBron James; acho que Bowen será muito importante para cumprir esse papel durante a partida. No mais, não vejo no time de Cleveland mais nenhum jogador impossível de se marcar. Sem dúvidas, é o adversário que os Spurs têm mais chance de bater entre os três.
Que Celtics, Lakers e Cavaliers darão trabalho nessa temporada ninguém duvida. Mas a equipe do San Antonio Spurs está crescendo e retornando ao posto de favorita ao título, e deverá enfrentar o trio de igual para igual. Serão grandes confrontos que o fã de NBA não pode perder de maneira alguma.

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