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Spurs como nos velhos tempos

Na noite de ontem, a equipe do San Antonio Spurs bateu o badalado e temido Los Angeles Lakers. Resultado absolutamente normal, embora alguns achem que tenha sido surpreendente. Muitos pontos positivos a se destacar e poucos negativos; vamos começar pelo lado ruim.
A equipe comandada por Gregg Popovich sempre ficou conhecida pela forte defesa, que joga duro e em muitas vezes acaba passando por desleal. Pois é, nessa temporada o panorama tem sido completamente diferente – a defesa está irreconhecível. Por algum motivo, Bruce Bowen tem ficado no banco na maior parte dos jogos e ainda por cima vem sendo pouco aproveitado nos minutos finais. Tudo bem, ele é um dos jogadores mais velhos da liga e merece ser poupado para os playoffs, mas, em um jogo como o de ontem, achei uma péssima decisão deixá-lo no banco enquanto o Roger Mason sofria para marcar o Kobe Bryant – como jogou o Bryant no final, diga-se de passagem.
Outro problema frequente é a pane do último período. Agora de cabeça me lembro de três jogos em que o Spurs jogava muito bem durante todo o jogo e no último quarto simplesmente apagou – os dois últimos jogos, contra Magic e Lakers, servem como exemplo. O outro duelo do qual me refiro foi contra o New Orleans Hornets, há um mês atrás.
Chega de problemas! A parte boa é que a equipe melhorou bastante e está jogando muito bem – bem o suficiente para enfrentar de igual para igual os aspirantes a título. Na noite de ontem, Manu Ginobili lembrou o Manu dos velhos tempos – aquele que só faltava fazer chover em quadra. Foram 27 pontos e uma atuação como há tempos não se via do argentino. Tim Duncan foi decisivo, como sempre. No final, acertou duas bolas consecutivas que foram importantíssimas para manter San Antonio no jogo.
E o que falar do Roger Mason? O cara chegou e já pegou uma vaga de titular em pouquíssimo tempo – méritos do técnico Gregg Popovich, que deu chance e acreditou no potencial do até então pouco conhecido jogador. Prova de que Roger Mason goza de total confiança do treinador e do elenco é o fato de ultimamente ele ter decidido quase todos os jogos que precisou – Phoenix Suns e Los Angeles Lakers, por exemplo.
Em suma, o Spurs está mais vivo do que nunca. É claro que ainda há muitos pontos deficientes; falta um big man de qualidade para ajudar o Duncan, falta melhorar a defesa e falta acordar o time nos períodos derradeiros. Fora isso, a equipe caminha rumo aos playoffs e tenho certeza que brigará com igualdade de condições contra as forças do oeste. Ah, só para finalizar, como joga esse tal de George Hill; será uma pena se deixarem ele de fora do Rookie Challenge.
Na UTI do esporte

Não cansamos de nos queixar da situação na qual se encaixa o basquete brasileiro atualmente; isso é um fato. Não vamos para as Olimpíadas com o masculino desde o longínquo 1996, quando Leandrinho, Nenê, Varejão e cia. não era nem projetos de astros da NBA. Muita coisa mudou no mundo de lá para cá, menos a organização do basquete brasileiro, é claro. Mas você já parou para pensar o que VOCÊ já fez pelo basquete brasileiro?
Não, não estou aqui para julgar e nem nada, afinal acredito mesmo que frequentadores de um blog sobre um time da NBA sejam realmente amantes do esporte da bola laranja no país onde o que importa é somente – e somente mesmo – o esporte das bolas brancas no gramado. O julgamento não deve ser feito nem por mim e nem por ninguém, mas o basquete brasileiro é um caso a ser pensado. E tomo como exemplo algumas experiências que tive no basquete e no futebol, para efeito de comparação – e lembrando sempre que sou amante dos dois esportes.
Você já foi em um estádio de futebol no Brasil? Se já, sabe do que estou falando. Se não, darei uma leve impressão. Já fui em muitos, mas muitos jogos mesmo de futebol. Desde partidas quase sem expressão – para a mídia, claro, pois para o torcedor qualquer jogo é importante – até grandiosas finais ou jogos da Seleção. E o que se vê são estádios aos pedaços, organização precária e um futebol não tão bem jogado assim na maioria das vezes. A paixão, no entanto, move o futebol aqui e no mundo.
E em um ginásio de basquete, você já foi? Pois bem, fui pela primeira vez no último sábado, assistir à semifinal do Paulista masculino entre Paulistano e Franca, sendo o primeiro time o mandante. O clube é organizado, mas não graças ao basquete: é um clube para sócios e a maioria faz parte da alta sociedade paulistana. O ginásio de basquete não é só para o basquete, é um desses poliesportivos que servem até para se jogar peteca. As torcidas? Uma de cada lado e uma meia dúzia de oficiais da Polícia Militar para garantir a paz.
E é neste ponto que eu queria chegar: a torcida. Dividida metade a metade, era constituída de uma maioria de sócios do Paulistano no lado do time da casa, dando espaço para simpatizantes do time e torcedores que foram lá só para ver o jogo – meu caso. Do outro, torcedores do Franca, mas que mais pareciam estar lá para secar o Paulistano, não vindos da distante cidade do interior paulista. Ou seja, poucos ali – poucos mesmo – estavam presentes naquela abafada tarde de sábado por amor ao time. Qualquer time.
Pensei muito sobre aquilo e, somado ao fato de ver na torcida pessoas com uniformes do Cleveland Cavaliers, do San Antonio Spurs, do Miami Heat e de outros, cheguei à conclusão de que hoje não existe paixão do torcedor com o basquete nacional. Não mesmo. Existem aqueles que como eu amam o esporte e se contentam com qualquer jogo para estarem em contato com a modalidade. E esse fator é um dos agravantes da decadência na qual se encontra o basquete aqui em nosso país.
Se duvida, olhe o futebol: organização pífia, pouco dinheiro, clubes falidos e… uma massa de seguidores. Movidos de? Movidos de paixão.
Peço perdão pela espécie de desabafo – até certo ponto nem tão bem feito – que fiz neste espaço hoje. Mas sou daqueles que acompanham com pesar as tentativas de reanimar um paciente em estado terminal. Terminal que parece nunca acabar. Quem sabe não está próximo o dia de o basquete deixar a UTI do esporte? Quem sabe…
Quando o basquete entra em quadra

Além dos preparativos para a nova liga brasileira de basquetebol, que começará no próximo dia 28, o basquete invadiu os noticiários brasileiros com outras cenas, essas bem mais fortes. Ninguém da organização da Euroliga de basquete achou que fosse uma boa idéia cancelar o confronto entre um time turco e um israelense em meio à triste guerra que vem ocorrendo na faixa de gaza. Resultado: os isaraelenses tiveram que ser retirados da quadra sob fortes ameaças.
Em primeiro lugar, gostaria de dizer que sou a favor do uso político do esporte, mas sou contra seu uso para se fazer politicagem. A diferença; quando Hitler tentava provar a superioridade da raça ariana por meio do atletismo, ele fazia politicagem. Quando Kanouté faz um gol e exibe uma mensagem de apoio aos palestinos, ele está fazendo política. A diferença é que ele (pelo menos eu prefiro acreditar nisso) não tem nada a ganhar com isso, nem mesmo sua auto-promoção.
Quando os turcos expulsam os isaelenses da quadra, eu sinceramente não sei o que pensar. Aqueles esportistas não são os culpados da guerra. Talvez, um ou outro deles não sejam sequer simpatizantes da política Israelense. E quanto aos estrangeiros que jogam ali? Sem dúvida nenhuma, foram desrespeitados.
Por outro lado, como ser ouvido então? Sem dúvidas, os turcos fizeram na quadra os que os israelenses vem fazendo na faixa de gaza; se impondo pela força, sem importar-se com a inocência ou não de seus alvos. Como então condenar um protesto que conseguiu ser ouvido, provavelmente, no mundo inteiro?
De posição tomada mesmo, tenho apenas a lamentar o fato de o clube israelense ter se recusado a deixar a euroliga; o time coloca vidas em risco para promover a força de seu país e sua política de imposição. E isso, na minha opinião, é fazer politicagem. Nem o título da Euroliga paga o preço de uma vida sequer daquelas que vem sendo aniquiladas em Gaza.
Matt Bonner, quem diria…

Quem diria que um dia Matt Bonner viria a ser titular de uma equipe, e, ainda por cima, ser fundamental em alguns jogos? Pois é, esse é o curioso panorama que temos visto ultimamente no San Antonio Spurs. Muito criticado por boa parte da torcida e da imprensa, Bonner deu a volta por cima e tem sido indispensável na boa campanha da equipe texana na temporada.
Aos 28 anos, Bonner está na sua quinta temporada, e essa sem dúvidas é a sua melhor até aqui. O atleta, que concluíu seu período universitário pela Universidade da Flórida, chegou na NBA em 2003, quando foi draftado no meio do segundo round pelo Chicago Bulls. Bonner nem chegou a ir para Chicago; foi logo de cara enviado para o Canadá – para atuar no Toronto Raptors.
Em Toronto, Bonner foi uma agradável surpresa em sua primeira temporada – jogou quase 20 minutos por jogo e conseguiu boas médias de 7.2 pontos 3.5 rebotes, nada mal para um novato do segundo round. O segundo ano na liga chegou e Bonner pouco evoluiu; o jogador ganhou poucos minutos a mais em quadra e teve praticamente as mesmas médias.
Insatisfeito no banco e sem perspectivas de conseguir um título, Bonner foi trocado na temporada 2006-2007 para o San Antonio Spurs. Lá, o atleta viu seus minutos serem reduzidos e o papel de bom reserva que ele tinha em Toronto também foi por água abaixo. Foram dois anos jogando muito pouco, entrando quase sempre no famoso garbage time. Mais uma vez sem perspectivas, Bonner entrou para a nova temporada com ânimo renovado. Com a carência de jogadores altos em San Antonio, Gregg Popovich resolveu dar mais uma chance para o jogador – e dessa vez ele agarrou a oportunidade.
Nesse ano, Bonner começou como reserva, fez boas partidas, virou titular e vem jogando muito bem. Confesso que nunca gostei do seu estilo de jogo e ainda o acho um pouco precipitado no ataque – mesmo assim tenho que admitir que em muitos jogos ele foi fundamental para bons resultados. Suas médias tem sido as melhores da carreira até aqui, e seu desempenho na linha dos três pontos é nada mais nada menos do que o segundo melhor de toda a liga (48%).
Para mim, Matt Bonner ainda é um jogador medíocre, tem uma defesa péssima e no ataque pouco luta pelos rebotes – seu único grande trunfo é o chute de média e longa distância. Mesmo assim, é inegável que ele tem jogado bem e hoje é sim um jogador importante para o funcionamento do esquema do técnico Gregg Popovich.
E se a temporada acabasse hoje… as surpresas

Amigo leitor do Spurs Brasil,
Festas, festas e mais festas nesse final de ano que passou. Aquela alegria contagiante – ou não – de ano novo ainda paira sobre nossas cabeças e só daqui a pouco voltaremos a falar de crise, violência e Obama. Para falar a verdade, nenhuma surpresa para mim nessa primeira semana que passei em 2009. Já na NBA, nesse início de temporada, não posso dizer a mesma coisa. Se já elegi meus craques e minhas decepções, faço agora os votos daqueles jogadores, times ou outros que me surpreenderam até o momento. E lá vai a lista…
George Hill
Eu não poderia começar de outro modo. Se você, amigo leitor, se lembra de meu último artigo – se não se lembrar, apenas clique em “minhas decepções”, logo acima – fiquei fulo da vida quando Popovich deixou passar DeAndre Jordan, Chris Douglas-Roberts e Mario Chalmers para escolher o até outrota desconhecido George Hill. Pois bem, até o momento, essa é a supresa que mais me agrada na atual temporada. Hill ainda não é um jogador para ser titular, mas é a luz no fim do tunel para aqueles torcedores do Spurs que, assim como eu, temem pela aposentadoria de Manu Ginóbili. O novato se mostrou ótimo armador e, pela estatura, pode até fazer a função de ala-armador. Deve crescer muito nas mãos de Gregg Popovich – a quem hoje eu agradeço por ter selecionado o garoto.
Paul Millsap
Desde 1998 até 2006, o Utah Jazz praticamente fez o papel de figurante de luxo, ex-grande ou outras coisas do gênero na NBA. Até que Deron Williams e Carlos Boozer – sim, o time que ressurgiu foi pautado nessa dupla – colocaram a equipe de Salt Lake City novamente próxima a um lugar ao Sol. Começa a temporada 2008/2009 e não é que Boozer se machuca, fica fora da equipe, passa por cirurgia, fala besteiras sobre seu contrato e acaba sendo um importante desfalque para o Jazz? Pois heis que surge Paul Millsap, jovem ala-pivô que sempre me agradou, mas que nunca tinha tido uma chance real. Assim como Hill fez com Parker ao substituí-lo à altura quando este se lesionou, Millsap vem fazendo a mesma função em Utah. E vem jogando muita bola. Boozer, coitado, deve estar arrependido de falar sobre seu contrato antes da hora… afinal, Millsap parece mais do nunca pronto para ser o novo ala-pivô do Jazz.
Nenê
Nunca mesmo fui um admirador do basquete do “desbravador brasileiro na NBA”. Achei um grande absurdo quando Nenê recebeu mais de US$ 60 milhões para jogar mais seis anos no Denver Nuggets. Mas admito que estou gostando de ver o quanto o brasileiro tem se dado bem nesta temporada. Realmente, eu não esperava que um jogador com um histórico de lesões graves no currículo e recém-curado de um cancêr nos testículos fosse voltar tão bem como está. Hoje sou fã de Nenê. Não só por seu basquete, que aprendi a admirar, mas também pelo força com a qual retornou para brilhar na NBA e ser apontado pelo próprio treinador de sua equipe, George Karl, como fundamental na boa campanha que vem sendo feita pelo time de Denver até o momento.
New Jersey Nets
No meio da última temporada regular, sai Jason Kidd. Antes da atual começar, sai Richard Jefferson. Os reforços? Yi Jianlian e Brook Lopez, por assim dizer. É o que muitos em Nova Jersey chamam de “Projeto 2010”. Quando a equipe vai mudar pra o Brooklyn e pretende adquirir LeBron James. Mas não entremos nesse mérito. O Nets era considerado por muitos o maior candidato ao posto de saco de pancadas da liga – and the winner is… Oklahoma City Thunder! – e hoje estaria voltando à pós-temporada. Vince Carter voltou a ter seus momentos de Vinsanity, aquele jogador que todos gostavam de ver no Toronto Raptors, e ainda ganhou a ascensão mais do que bem vinda do armador Devin Harris, que, em minha humilde opinião, caminha a passos largos para formar ao lado de Rajon Rondo a dupla de armadores do futuro na conferência Leste. O Nets surpreendeu e hoje não é só um time que disputa a tapas contratos expirantes e escolhas de recrutamento altas – deixam isso pro outro lado da ponte, em Nova York.
Denver Nuggets
Depois de me redimir falando sobre Nenê, falarei sobre a equipe na qual ele joga, o Denver Nuggets. Se você, amigo leitor, acompanha minhas colunas aqui no Spurs Brasil, sabe que minha cotação era deixar o Nuggets fora dos playoffs nessa temporada – se não lembra é só clicar aqui. Porém, com a chegada do armador Chauncey Billups, as coisas mudaram no Colorado. O time passou a ter seus pontos melhor distribuídos e, com a grande ascenção de Nenê, tem tudo para abocanhar uma vaga na pós-temporada como melhor time da divisão Noroeste, uma vez que o Utah Jazz, um dos principais adversários em tal divisão, não vai tão bem.

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