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A lição de Popovich

Nada como o tempo, amigos leitores do Spurs Brasil. Não há nada – ou praticamente nada – que o tempo deixe de resolver. Algumas (muitas) pessoas, é claro, não têm paciência de ver o ponteiro girar e as coisas se encaixarem. Pois bem, como o esporte é, no velho clichê, nada menos do que um espelho da vida, essas situações também ocorrem no âmbito esportivo. E, obviamente, no nosso querido basquete.
Aumentando ainda mais minha precisão – e deixando para lá a enrolação – caio na pacata San Antonio, Texas. Por lá, habita já a algum tempo um simpático senhor, alvo de constantes elogios e também de algumas corriqueiras críticas. Falo de Gregg Popovich, o aparentemente mau-humorado treinador do San Antonio Spurs. Não tão simpático dentro das quadras como aparenta ser nas entrevistas, Pop foi o grande alvo da mídia nesta semana. Tudo porque planejou.
Expliquemos. Na última terça-feira, Popovich resolveu de uma vez só poupar logo as três estrelas que o Spurs tem em seu elenco, tamanho o cansaço causado pela viagem que o time enfrentaria. Isso mesmo, Pop poupou – em uma bela aliteração – três de seus melhores homens para se precavir de uma viagem que ainda nem começara. Sábio Popovich. Mas a sabedoria de uns é, para outros, a mais pura ignorância. Cegados pelo brilho dos dólares que caem em suas já rechonchudas contas bancárias, executivos da NBA e da televisão norte-americana se armaram até os dentes para crucificar o pacato cidadão. E o fizeram.
Sem muitos argumentos convincentes, logo taxaram o que Popovich fez de errado. Fez? Não, não fez. Levando em conta que a média de idade do elenco do Spurs é uma das mais altas – na verdade, se não me engano, a mais alta – médias de idade da NBA, para que cansar jogadores em uma época na qual as coisas já parecem encaminhadas? Não direi que em nenhum momento me inconformei com a decisão. Como torcedor, quero o time completo em todos os jogos. Mas quero também as vitórias mais tarde. E sei que Pop poupou porque sabe o que faz. Porque sabe que o tempo, meus amigos, tudo resolve.
E o que acontece com o Phoenix Suns?

O Phoenix Suns criou uma grande rivalidade com o San Antonio Spurs nos últimos anos; sob o comando de Mike D’Antoni, Steve Nash e companhia ganharam rótulo de favoritos durante temporadas consecutivas. O mesmo Nash foi duas vezes eleito MVP da NBA, Amare Stoudemire era sempre bem falado e também foi assim com nosso brasileiro Leandrinho Barbosa, que conseguiu inclusive o prêmio de sexto homem na temporada 2006-2007.
Muito desgastado após derrotas seguidas nos playoffs, o treinador de estilo contestado mudou de casa. No New York Knicks, D’Antoni chegou cometendo deslizes, draftou o problemático italiano Danilo Galinari – que até agora pouco foi notícia no Madison Square Garden – e mudou o modo de jogo da equipe. Na correria imposta pelo novo treinador, o Knicks até que vem caminhando razoavelmente bem nessa temporada. As 21 vitórias e 27 derrotas podem soar assustadoras, mas vejo um Knicks com melhores perspectivas daqui pra frente.
No entanto, a pergunta que fica é: E o Phoenix Suns? Pois bem; o Suns também contratou novo treinador – o pouco experiente Terry Porter. Porter foi um grande jogador, admirava muito seu jogo no pouco tempo que o vi com a camisa do Spurs. Contudo, como comandante ele tem deixado a desejar. O Suns está em queda livre; pode parecer incrível, mas a equipe parece sentir falta do ritmo frenético da era D’Antoni. Apesar de bons talentos, o basquete do Suns é irreconhecível, e o time que botava medo nos outros algum tempo atrás hoje em dia é por muitas vezes motivo de piada.
Steve Nash parece sentir o peso da idade nas costas. Prestes a completar 35 anos, o armador faz sua pior temporada e passa longe do Nash que já brilhou um dia na NBA. Como todo time bem administrado, é claro que o Suns deve ter um bom armador reserva que consiga cobrir o desgaste do canadense nas partidas, certo? Errado. Goran Dragic chegou com status de promessa, mas bastaram alguns jogos do europeu para perceber que ele ainda é muito cru para a liga norte-americana. Resultado disso? Steve Nash vem jogando quase 34 minutos por jogo quando deveria atuar por apenas uns 25 ou 30.
Amare Stoudemire é um jogador singular. Ele é bom, e isso é indiscutível. Pontua como poucos, tem explosão fenomenal, mas quando o assunto é defesa ele deixa a desejar. Stat é daqueles atletas que todo mundo gosta de ver jogar mas ninguém quer no seu time – caso parecido com o de Allen Iverson. Esse e mais alguns fatores ajudam a envolvê-lo em constantes rumores de troca – o que sem dúvida é prejudicial para seu desempenho e para o próprio rumo da franquia. Ou troca logo ou deixa ele lá até o final da temporada, é simples.
Para completar o elenco, ainda temos o caso do Jason Richardson. Quando houve a troca, muita gente falou bem, pois é inegável que o Richardson é um bom jogador. No entanto, para adquirir o ala, o Suns teve que se livrar de dois bons jogadores. Não morro de amores pelo Raja Bell, muito menos pelo Boris Diaw, mas seria burro se dissesse que eles jogam mal. Bell é exímio defensor e no ataque marca seus pontinhos, Diaw também deixa suas cestas e é excelente passador; ou seja, o Suns trouxe o J-Rich, que pontua muito bem mas acrescenta pouco no jogo coletivo, e perdeu Bell e Diaw, que fazem o papel de figurantes e adicionam mais ao elenco.
Por incrível que pareça, quem vem jogando pra lá de bem é o veteraníssimo Shaquille O’Neal – me arrisco a dizer que ele tem sido o melhor do time. É incrível como aos 36 anos ele ainda consegue impor respeito e fazer quase um double-double de média por jogo – e ainda tenho que aguentar gente dizendo que o Shaq é só força; mereço? O cara é uma lenda da NBA e um dos mais respeitados jogadores que eu já vi. Realmente me impressiono e admiro um atleta que faz o que ele faz depois de ter passado dos 35 – digno de aplausos.
Resumindo tudo: O Suns perdeu técnico, chegou um novo, mudou estilo de jogo, o time envelheceu, novos jogadores chegaram, começou a temporada com vitória, caiu de produção e corre risco de ficar de fora dos playoffs. Claro que ainda é cedo para fazer qualquer tipo de perspectiva, ainda mais levando em consideração que a liga pega fogo somente depois do All-Star Game, mas do jeito que a coisa está, é difícil enxergar futuro nesse time, e quando a coisa começa a descambar, a tendência e só piorar.
O exemplo de Michelle

Caros leitores,
me ausentei por uma semana do meu cargo de escrever neste espaço a Na Linha dos 3 por motivos de força maior – sagrados sejam os momentos de descanso! – e não pude dar continuidade a minha análise que colocava frente a frente as duas conferências da NBA. Faria isso hoje, mas peço licença para falar de algo um tanto quanto maior: a vida.
Na última segunda-feira, o basquete brasileiro recebeu com pesar a notícia de que Michelle Splitter, irmã do pivô Tiago Splitter, havia falecido em decorrência de uma leucemia. Deixando de lado o fato de Michele ser irmã do grande jogador da atual geração do basquete nacional, ao lado de Leandrinho, Nenê e Varejão, vejamos o exemplo que a jovem deixou ao falecer.
Irmã de jogador, Michelle também decidiu seguir a carreira de jogadora de basquete. Se deu bem. Destaque entre as meninas de sua idade, foi logo chamada para as seleções de base do Brasil. Mas aí veio a doença. A menina ganhou mais de 15 quilos em virtude do câncer e obviamente deixou de lado o esporte da bola laranja para se dedicar a curar a doença. E, em meados de 2007, tudo aquilo que era desespero se transformou em alegria quando Michelle voltou a jogar basquete, tendo sua leucemia dada como curada.
Mas não é a toa que o cancêr é visto como uma das doenças mais traiçoeiras que o homem pode ter. Quando tudo parecia bem, a leucemia deu sinais de que não tinha sido extinta. Michelle novamente abandonou o basquete e voltou às sessões de quimioterapia. Mas nunca vou me esquecer de uma entrevista concedida pela menina, ainda no hospital, à Rede Globo. Com um sorriso no rosto, a menina tinha fé e esperança para voltar a fazer o que mais gostava. Por um empecilho do destino, ela não conseguiu. Mas a ela não faltou vontade.
Michelle se foi, mas é mais um dos grandes exemplos que o esporte deixa. E hoje o basquete brasileiro está um pouco mais triste. Nenhum ídolo nos deixou… nos deixou uma guerreira.
Recomeço

Há 50 anos atrás, a seleção brasileira de basquete masculino vencia o Chile por 73 a 49 e sagrava-se campeã mundial pela primeira vez em sua história. O treinador Kanela comandou nomes como Wlamir Marques, Amaury Passos e Rosa Branca em uma conquista histórica; na época amadores, cada atleta ganhou apenas vinte dólares pela conquista.
Porém, a quantia financeira pouco importava para os atletas; a conquista foi atingida graças ao amor à camisa que movia aqueles atletas, e que os move até hoje. Essa geração, inspirou, por exemplo, outra seleção vitoriosa do nosso basquetebol; a de Oscar Schmidt. Eu sou um daqueles que não entende a adoração ao ex-ala e que tem algumas críticas ao seu basquetebol, mas não podemos negar o amor que o ex-atelta tem por nosso país.
Amor esse que parece estar perdido nos dias de hoje. Vale lembrar que, recentemente, Leandrinho, Anderson Varejão e Nenê – principais referências do basquete brasileiro na atualidade – não disputaram o pré-olímpico pela seleção brasileira. E eu fico imaginando que motivos pessoais mais importantes do que jogar uma olimpíada com seu país moveram essa decisão.
Para tentar recuperar, entre outras coisas, esse sentimento de amor à camisa, começou nessa semana a NBB, liga nacional que é considerada por muitos o começo de uma reestruturação no basquete nacional. Atuarão nela nomes importantes presentes no último ciclo olímpico brasileiro, como Valtinho, Nezinho, Alex, Duda, Marcelinho Machado, Marquinhos, Estevam, Baby e o técnico Lula Ferreira, e outros atletas com passagens pela seleção, como Helinho, Ratto e Rogério.
A NBB já começou. Os clubes já começaram a fazer seu trabalho para recuperar a força do basquete nacional. Vamos ver o que a CBB e nossos atletas de destaque farão nas próximas convocações da seleção brasileira.
A pedreira está só começando

O San Antonio Spurs tem enfrentado um calendário complicado nessa temporada. Quando não temos uma sequência de jogos em dias quase que seguidos, temos adversários fortíssimos um atrás do outro. Isso vem atrapalhando a equipe, que mesmo assim consegue um bom record de vitórias na temporada.
Uma das sequências mais difíceis até aqui teve início no último dia 25 de janeiro, quando o San Antonio Spurs foi até Los Angeles para enfrentar o Lakers. Nunca é fácil jogar contra Kobe Bryant e cia, ainda mais quando o jogo é fora de casa. A derrota por 99 a 86 foi considerada normal, embora tenha sido um péssimo começo na complicada sequência de jogos.
Duas noites atrás, o Spurs viajou até Utah para enfrentar o Jazz. Apesar da campanha irregular até aqui – fruto de muitos problemas físicos – o Jazz é um time muito perigoso, principalmente quando joga em seus domínios. Dispostos a se recuperarem do revés sofrido diante dos angelinos, os comandados de Gregg Popovich jogaram bem, e com um grande desempenho de Matt Bonner venceram por 106 a 100.
Na noite de hoje, o adversário da vez será o Phoenix Suns. Mais uma vez fora de casa, o Spurs buscará vencer sua segunda partida consecutiva – dessa vez contra seus rivais do Arizona. Na temporada, as equipes já se enfrentaram duas vezes; a primeira foi na abertura da época, quando desfalcado, San Antonio perdeu em casa. No outro enfrentamento, o Spurs venceu com uma fantástica cesta do ala Roger Mason no estouro do cronômetro.
No último dia de janeiro, 31, o San Antonio Spurs finalmente volta para casa. O adversário será o New Orleans Hornets. As duas equipes já se enfrentaram uma vez na temporada; naquele dia, Tim Duncan e companhia venciam, mas acabaram tomando o revés no último período. Comandados por Chris Paul, o Hornets faz mais uma vez uma boa campanha e deverá incomodar bastante as forças do oeste nos playoffs.
Sai janeiro e entra fevereiro, o mês do carnaval. Pelo jeito, nada de festa pros lados do Texas. Já no dia dois, a equipe volta a pegar a estrada para enfrentar a correria do Golden State Warriors. Na noite seguinte, nova viagem – dessa vez para o Colorado. O adversário da vez será o Denver Nuggets. Após essa sequência, uma pausa de cinco dias deve refrescar o veterano elenco; contudo, nada de ânimo, pois na volta o adversário será o badalado Boston Celtics – novamente fora de casa.
É, caro torcedor do Spurs, a sequência de jogos do Spurs só está começando. A parte boa é que o mês de fevereiro será mais tranquilo. Duas pausas de cinco dias cada estão programadas. A primeira, já citada acima, e a segunda, que acontecerá do dia 12 ao dia 16 de fevereiro. Os vovôs de San Antonio merecem um descanso.

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