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Sai, zica!

Mesmo o mais otimista dos torcedores do San Antonio Spurs teve motivos de sobra para se preocupar no mês de março. Entre os dias 12 e 22, foram quatro derrotas em seis partidas disputadas, o que, naquela altura, nos custou a segunda colocação da Conferência Oeste. Ginobili não voltava de contusão e Duncan começava a preocupar. Mas parece que essa fase já passou.

O triunfo sobre os Clippers, ontem, foi o terceiro seguido da equipe texana, que parece ter voltado ao rumo certo das vitórias. A segunda colocação foi retomada, e me parece que será essa mesmo a posição em que os Spurs terminarão; sem menosprezar os Rockets, mas acho que Yao Ming e companhia têm uma tabela mais difícil até o fim dessa temporada regular.

E, em meio a essa positiva sequência, finalmente Manu Ginobili voltou a alinhar com a camisa 20 do San Antonio Spurs. Perdendo grande parte da temporada com problemas de lesões, o ala-armador argentino voltou no momento certo; ainda terá dez partidas pela temporada regular para pegar ritmo de jogo e chegar nos playoffs com sua condição física ideal.

Duncan ainda preocupa. A idade começa a acusar para o ala-pivô; nunca, antes, o lendário camisa 21 da franquia texana teve que ser poupado dessa maneira nas vésperas dos playoffs. Mas é justamente nesse planejamento da comissão técnica, comandada por Popovich, e nas recentes declarações de Duncan, que diz melhorar a cada jogo, que temos que confiar para termos nossa principal estrela 100% na pós-temporada.

O que falta para termos um time com chances de bater o Los Angeles Lakers e chegar à final da NBA? Na minha opinião, as bolas de três precisam voltar a cair, e Gooden tem que se encaixar logo, de maneira ideal, na rotação do garrafão da equipe do Spurs. Se isso acontecer, temos chances de ganhar mais um anel da Liga em mais um ano ímpar.

Tentanto se redimir

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Tradicional equipe do cenário mundial do basquete, o CSKA Moscow busca se redimir após viver um ano turbulento. A oportunidade veio agora há pouco, quando a equipe da capital triunfou sobre o Vologda Chevakata, venceu a série melhor de três jogos e de quebra se classificou para as semifinais do torneio.

Os moscovitas enfrentaram uma temporada complicada. Após um começo bom, tanto no campeonato nacional quanto na Superliga, com direito à chegada da superstar Katie Douglas para reforçar o já forte elenco, o CSKA começou a sentir os primeiros sintomas da crise ao perder a pivô Maria Stepanova, que migrou para o rival UMMC Ekaterimburg após problemas com seu salário, que era alto demais.

A crise financeira mundial se agravou, e muitas equipes européias sofreram com isso. Com a queda de investimento do seu antigo patrocinador, a equipe russa se viu sem alternativas e foi obrigada a fechar as portas, alegando falta de dinheiro para cobrir os salários das atletas. Após o período preocupante, um novo investidor aceitou patrocinar o time, que pode então retornar para os campeonatos que já disputava.

Visivelmente desajustado na sua volta às quadras, o CSKA sofreu mais um sonoro baque. Em meio às turbulências e com proposta sedutora do UMMC – o mesmo que já havia levado Maria Stepanova –  o técnico Gundars Vetra também abandonou o barco. Para o seu lugar, foi chamado o experiente Igor Grudin, que havia levado a Russia ao vice campeonato mundial em 2006 aqui mesmo no Brasil.

Com os resquícios da crise ainda vivos e novo plano de jogo, a caída na Euroliga de Clubes diante das espanholas do Halcon Avenida era iminente. Na série melhor de três jogos, quem se deu bem foi o time do oeste europeu, que avançou no torneio. Sem o principal título do continente, poucas chances ainda restam ao CSKA. Na verdade, o que sobrou foi apenas o campeonato nacional – que pelo menos anda de vento em popa.

Na Superliga Russa, as moscovitas se classificaram com ligeira facilidade em terceiro lugar (vale lembrar que, das 16 participantes, se classificaram oito, que lutam pelo título em forma de playoffs; o primeiro colocado contra o oitavo, o segundo contra o sétimo e por aí vai). No enfrentamento das quartas-de-finais, o CSKA eliminou o Vologda-Chevakata, e agora segue firme rumo as semifinais. O Campeonato Russo foi o que restou para Becky Hammon e cia; sendo assim, eles devem lutar até o fim para salvar a temporada europeia.

Rubio virá para o draft?

Publicada nesta última semana pelo conceituado periódico espanhol Marca, a notícia sobre a intenção do armador Ricky Rubio, também espanhol, de se inscrever para o próximo recrutamento de calouros da NBA poderá afetar de imediato o planejamento de diversas franquias que hoje não correm atrás de vagas na pós-temporada, mas sim de maiores chances de obterem uma primeira escolha na seleção de novatos marcada para junho próximo.

Caso realmente coloque seu nome para ser apto a ser selecionado, Rubio poderá, sem sombra de dúvidas, transformar o futuro da equipe que o escolher. E poderá, caso erre os cálculos e se precipite, mudar para o lado errado sua carreira, que tem tudo para ser gloriosa e vitoriosa. Falo isso baseado na qualidade de algumas equipes que poderão recrutar seus serviços caso se confirme sua aparição ainda em 2009 no draft.

Para este ano, algumas boas opções surgem para as equipes que terão as primeras escolhas. Fala-se muito em dois grandes nomes para o próximo recrutamento: o ala-pivô Blake Griffin e o armador Brandon Jennings. O primeiro tem impressionantes médias de pontos e rebotes na NCAA, campeonato norte-americano de basquete universitário, enquanto o segundo é tido como um prodígio que partiu direto do colegial para a Europa, por onde jogou um ano antes de se inscrever para o próximo draft. Ambos seriam os principais “adversários” de Rubio na disputa pela primeira posição.

O grande problema, no entanto, não é ser selecionado em primeiro, segundo ou sexto lugar em um recrutamento. Afinal, não são poucas as estrelas que são oriundas de escolhas mais baixas. O grande embaraço para o jovem espanhol estaria nas possibilidades de times que poderiam o recrutar. Seriam eles, pela lógica e pela tabela da temporada regular, principalmente, Sacramento Kings, Washington Wizards, Los Angeles Clippers e Oklahoma City Thunder.

Destas citadas franquias, acredito que Rubio se daria realmente bem apenas na última. Inserido em um time jovem e com a companhia dos ótimos Kevin Durant e Jeff Green, o espanhol poderia ser o armador que hoje a equipe caçula da liga não tem. Se fosse recrutado para jogar em Sacramento, desembarcaria em um dos times mais jovens e desorganizados da NBA. E esta última característica, a desorganização, é um problema crônico que pode acabar com qualquer carreira. Sendo escolhido pelo Wizards, cairia em um time razoavelmente bom, sempre com esperanças para o futuro, mas que já conta com um armador de renome: Gilbert Arenas. Creio que Rubio não se daria bem ao lado do Agente Zero (ou sendo seu reserva). Por fim, o Clippers. Creio aqui em uma equipe um pouco mais organizada, mas que já conta com um bom armador, o excelente Baron Davis, e que não daria para Rubio todo o tempo que ele parece merecer.

Fica então a questão: Rubio virá para o draft? Vale realmente a pena acelerar o processo? São perguntas que o esboço de craque deverá responder nas próximas semanas, confirmando ou negando as informações do Marca.

Possíveis confrontos

Nesse sábado, dia de Na Linha dos Três, usarei esse espaço para analisar os possíveis confrontos da equipe do San Antonio Spurs na primeira fase dos playoffs. Da lista de equipes que esperam ou que sonham disputar a pós-temporada, descartei da lista de prováveis adversários o Lakers, ao meu ver já garantido na primeira colocação, e o Phoenix, que, mesmo que consiga sua classificação, dificilmente enfrentaria os Spurs logo de cara. Vamos então às análises:

Houston Rockets (46-25)

Rivais texanos, Spurs e Rockets já se enfrentaram três vezes na temporada; o próximo jogo será disputado no domingo, e será fundamental na briga pela segunda colocação da Conferência Oeste. Foram duas partidas no Toyota Center e outra no AT&T Center; ao vencer uma vez como visitante, os Spurs abriram vantagem de 2×1 na série. Inclusive, na primeira vitória da equipe de San Antonio na temporada, a equipe jogava sem Parker e Ginobili. Spurs e Rockets são duas equipes que convivem com problemas nessa temporada; o time de Houston perdeu T-Mac até Deus sabe quando, e os Spurs sofrem junto com os tornozelos de Manu. Mesmo assim, são os dois principais concorrentes a segunda potência do Oeste até aqui. Duncan e Artest foram os principais nomes dos três primeiros confrontos entre as equipes; olho no ala domingo, Spurs!

Denver Nuggets (45-25)

A equipe de Denver surpreendeu muita gente ao se firmar como potência do Oeste após se livrar de uma de suas principais estrelas; Allen Iverson. Spurs x Nuggets já encerraram seus confrontos nessa temporada, tendo se enfrentado três vezes; atuando duas vezes como visitante, os Spurs foram buscar uma vitória em pleno Pepsi Center. Porém, no único confronto em San Antonio, a equipe padeceu, ainda sem poder contar com Parker e Manu. Vale lembrar também que, na outra derrota da equipe, Popovich poupou seus principais jogadores. Anthony foi o grande nome do Denver nos embates, enquanto que, pelos Spurs, nenhum destaque individual. Em um possível confronto, pesa a favor dos Nuggets o retrospecto da temporada, mas, a favor dos texanos, pesa a freguesia estabelecida nos últimos offs.

New Orleans Hornets (43-25)

Spurs e Hornets se enfrentaram apenas duas vezes na temporada; uma partida no final de março e outra em abril fecharão o confronto. As duas equipes se sagraram vencedoras atuando em seus domínios; um indício que, em um possível confronto, o mando de quadra pode ser decisivo. Chris Paul foi o grande nome dos Hornets nos dois embates, enquanto que, do lado texano, Parker destacou-se; seria interessante ver, nos playoffs, mais duelos entre esses excelentes armadores; um de estilo clássico e o outro mais pontuador.

Utah Jazz (43-26)

Assim como Spurs e Rockets, o Jazz foi outra equipe de ponta do Oeste que sofreu com problemas de contusão ao longo da temporada. O time de Utah já enfrentou a equipe de San Antonio duas vezes na temporada, e saiu derrotada duas vezes. Mesmo assim, é interessante destacar as belas atuações de Brewer frente aos texanos. Do lado dos Spurs, Duncan se saiu bem nos confrontos contra o Jazz. Mais uma partida em abril fecha os confrontos entre as duas equipes na temporada regular.

Portland TrailBlazers (43-26)

Spurs x Blazers foi um confronto que se mostrou complicado paras os texanos até aqui; foram duas derrotas em três jogos, e a equipe de San Antonio ainda atuará em uma quarta partida como visitante. Roy fez três belas partidas enfrentando os Spurs, e deve ser observado com cuidado tanto no quarto jogo quanto em um possível confronto na pós-temporada. Do lado de San Antonio, que foi bem contra os Blazers foi Parker; o armador deve ser bastante utilizado na última partida contra os adversários em questão.

Dallas Mavericks (42-28)

Apesar de eu achar bastante difícil um confronto entre Spurs x Mavericks logo na primeira rodada dos offs, a possibilidade existe. Nos confrontos entre as duas equipes, rivais texanas, pela temporada regular, bastante equilíbrio; cada time venceu uma vez atuando em casa e outra jogando como visitante. Os alas Howard e Nowitzki foram os grandes nomes dos Mavericks nos embates, enquanto que, pelos Spurs, quem se deu bem contra o time de Dallas foi o armador Tony Parker.

É isso, leitor; um pequeno panorama das possíveis batalhas dos Spurs daqui pra frente. Eu, particularmente, não tenho preferências para essa segunda fase; acho que, quem vier, vem forte. E você? Quem gostaria de enfrentar na primeira fase dos Offs?

Chances de título reduzidas?

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Que o San Antonio Spurs é um dos favoritos ao título, todos nós sabemos, ainda mais depois de adquirir o ala-pivô Drew Gooden – que chegou após receber um buyout do Sacramento Kings. Como muito já falei sobre isso, foco a coluna de hoje em alguns possíves empecilhos que podem atrapalhar o sonho de conquistar o quinto título na NBA.

O primeiro, claro, é a qualidade dos adversários. Mais uma vez a Conferência Oeste apresenta times fortíssimos, capazes de lutarem entre si com igualdade. Encabeçando a lista, temos o sempre forte Los Angeles Lakers, da dupla Bryant/Gasol. Além do conjunto angelino, equipes como Utah Jazz, New Orleans Hornets ou até mesmo o problemático Houston Rockets podem ser a pedra no sapato do Spurs.

No entanto, há outro fator que ao meu ver é primordial para o futuro dos texanos na liga: a saúde do elenco. Manu Ginobili – que perdeu o começo da temporada devido a uma cirurgia no tornozelo – está de fora mais uma vez e já perdeu uma sequência que ultrapassa a marca dos 14 jogos. O problema da vez é o outro tornozelo, que de uma hora para a outra resolveu incomodar o jogador.

Além do argentino, que está com seu físico comprometido, quem começa a preocupar é o ala-pivô Tim Duncan. Famoso além de tudo pela sua regularidade, Duncan vem sentindo dores no joelho de uns tempos para cá. O departamento médico descartou a possibilidade de se intervir cirurgicamente, mas mesmo assim seu estado preocupa, já que ele ficou de fora de algumas partidas.

É verdade que o time dessa temporada é mais forte que o da anterior – quando a equipe chegou às finais de conferência e perdeu para o Los Angeles Lakers. Mesmo assim, com Ginobili e talvez Duncan comprometidos, será difícil almejar grandes vôos, pois, apesar de estar em boa fase, Parker sozinho é incapaz de conduzir o time nas costas. O que resta ao torcedor é fazer o seu papel; incentivar os que vem jogando e torcer para que Duncan e Ginobili estejam 100% na pós-temporada.