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Isso é que é clássico!

O Houston Rockets venceu ontem o Dallas Mavericks, fora de casa, em uma verdadeira batalha. Um jogo extremamente físico – o que custou a permanência do alemão Dirk Nowitzki na quadra – teve todos os elementos de uma partida emocionante.

Curioso foi ver a equipe de Dallas, bem mais experiente e com jogadores acostumados à decisão, perder a cabeça em momentos chave da partida.  O veterano armador Jason Kidd, por exemplo, foi o protagonista de algumas confusões desnecessárias.

Ok, o Dallas foi buscar um resultado desfavorável no final sem seu principal jogador e conseguiu levar a partida para a prorrogação. Mas perder um clássico nessas circunstâncias para um Rockets ainda em construção pode ser a mostra de que ainda falta alguma coisa para os texanos buscarem um anel.

Do outro lado, uma equipe que surpreende a muita gente neste começo de temporada – inclusive a este que voz fala. Em meados de outubro, fiz uma coluna dizendo que não esperava muito do Rockets. Porém, uma equipe construída apenas de bons coadjuvantes ainda não sentiu a falta de uma estrela, e está na sexta colocação no Oeste – à frente do San Antonio Spurs, por exemplo.

O que será do Rockets com a volta de Tracy McGrady? Eu acho que o time só tem a ganhar. O astro pode entrar aos poucos – como tem feito – e colocar pra fora o potencial que ainda tem nos playoffs. Será que esse Rockets ainda pode ir longe?

DeJuan Blair é o cara!

DeJuan Blair é definitivamente um cara engraçado. Ele é grandalhão, desengonçado, faz umas jogadas estranhíssimas – que beiram o bizarro -, mas consegue pontuar debaixo da cesta como poucos.  É a antítese pura no corpo de um jogador de basquete. Entre as suas peripécias dentro de quadra, estão duas cestas contra o próprio patrimônio em jogos distintos – a mais engraçada delas contra o Boston Celtics.

Apesar do jeitão no mínimo diferente, Blair vem se mostrando muito mais útil do que qualquer torcedor ou especialista poderia imaginar. Como disse antes, debaixo da cesta é muito difícil pará-lo, mesmo quando ele é marcado por dois ou três atletas adversários. A causa disso é simples – sua ótima envergadura possibilita que ela conclua jogadas com grande facilidade, muitas vezes sem precisar pular.

Gregg Popovich sabe que tem uma jóia rara em mãos. Por isso, está tentando lapidá-la com carinho para utilizar na hora certa. Tenho certeza absoluta de que em breve ele estará iniciando os jogos ao lado de Tim Duncan. Antes disso, ele precisa melhorar em alguns aspectos, como o controle de bola e a defesa. Sim, apesar de bom reboteiro e bloqueador, Blair ainda deixa muito a desejar na defesa. Na partida contra o Phoenix Suns, Amare Stoudemire pontuou com facilidade quando viu o novato texano pela frente.

No entanto, nada que seja impossível de corrigir. Muito pelo contrário; o camisa 45 de San Antonio mostrou que evoluiu bastante desde que chegou à equipe. Eu, como torcedor, torço muito para que ele continue nesse ritmo eletrizante, que traz muita energia quando entra em quadra e que contagia os companheiros de time. Blair, junto com Splitter – que pode chegar na próxima temporada -, seriam ótimos substitutos para Tim Duncan. Aliás, Splitter é a grande incógnita; será que ele vem mesmo ou a história de Luis Scola se repetirá?

Dominante, mas nem tanto

22 jogos, 18 vitórias e apenas quatro derrotas. Esta é a excelente campanha do Los Angeles Lakers na temporada. Do dia 17 de novembro ao dia 11 de dezembro foram 11 triunfos consecutivos, sequência que só foi interrompida no dia 12 com a derrota fora de casa diante do Utah Jazz. A melhor campanha do Oeste e a segunda melhor de toda a liga, atrás apenas do Boston Celtics – que tem duas vitórias a mais.

Mas até onde este bom desempenho pode ser realmente levado como parâmetro? Vamos a uma análise mais profunda da tabela que os angelinos tiveram até aqui.

Dos 22 jogos feitos até agora, 17 foram em casa e apenas cinco longe do Staples Center. Distante de Los Angeles, vieram duas derrotas – para Denver Nuggets e Utah Jazz. Da série de 11 vitórias seguidas, dez jogos foram em casa e apenas um fora, sendo contra o frágil Golden State Warriors.

Das quatro derrotas até agora, todas foram para possíveis adversários nos playoffs. Dallas Mavericks, Houston Rockets, Denver Nuggets e Utah Jazz, sendo que os dois primeiros superaram o atual campeão jogando na Califórnia.

Observando isso, podemos chegar à conclusão que parte do bom desempenho do Lakers se deve ao fato de jogar a maioria de suas partidas em casa, com o apoio de sua torcida. A equipe foi a que menos jogou longe de seus domínios até agora – somente cinco jogos, enquanto o Boston Celtics, por exemplo, atuou 13 vezes.

Dos reais candidatos ao título, o time de Kobe Bryant enfrentou apenas o Denver Nuggets uma vez e foi derrotado. Dentre as equipes do chamado “segundo escalão”, enfrentou Atlanta Hawks e Phoenix Suns (2 vezes) e Dallas Mavericks. No restante, apenas equipes consideradas mais fracas.

Ainda parece um pouco cedo para afirmar que o Lakers é absoluto no Oeste como muitos andam dizendo. A campanha é boa sim, mas ilude. O calendário ajudou bastante, com a maioria dos jogos em casa, e os adversários fracos deram um “forcinha” para colocar a franquia angelina no topo. Ainda os vejo como favoritos para vencer a conferência, mas não de maneira tão dominante quanto vêm sendo até agora. Creio em uma queda de rendimento natural da equipe, aliado a um calendário um pouco mais complicado daqui para frente.

Quem são os titulares?

O San Antonio Spurs, do técnico Gregg Popovich, demorou para conseguir criar um plano de jogo para esta temporada. Com várias novidades na equipe titular, demorou para que o treinador conseguisse, por exemplo, repetir um quinteto inicial por várias partidas seguidas.

Agora, com o gameplan da equipe definido, vamos a uma pequena análise dos titulares do Spurs de difrentes pontos de vista.

1 – Os cinco que começam as partidas

Depois de tentar diferentes quintetos iniciais durante as primeiras partidas da temporada, Pop parece finalmente ter encontrado uma formação titular com Tony Parker, Keith Bogans, Richard Jefferson, Tim Duncan e Antonio McDyess. Uma equipe que consegue aliar potencial ofensivo e defensivo, e que tem o sexto homem Manu Ginobili pronto para entrar e colocar fogo na partida. O argentino chegou a começar uma partida como titular – para se ter uma ideia, além dos seis citados jogadores, Popovich utilizou outros cinco jogadores como titulares antes de achar a formação ideal: George Hill (quatro vezes), Michael Finley (cinco), Matt Bonner (cinco), DeJuan Blair (duas) e Theo Ratllif (duas).

2 – Os cinco com mais tempo de quadra

Esta lista é bastante interessante. Se considerarmos titulares os jogadores que ficam mais tempo em quadra, teremos o seguinte quinteto; Tony Parker (30,9 minutos por jogo), George Hill (25), Manu Ginobili (23,2), Richard Jefferson (33,1) e Tim Duncan (32,3). A lista mostra-nos algumas coisas; a importância de Parker e Duncan para a equipe, a confiança que Pop deposita em Ginobili e Jefferson, mesmo após um começo de temporada irregular da dupla, e o potencial que o treinador vê no jovem armador George Hill.

3 – Os cinco que encerram as partidas

Esta lista vem variando de jogo pra jogo, de acordo com as necessidades da equipe. Isso porque o Spurs tem jogadores com potencial ofensivo, como Parker, Mason, Finley, Bonner e Dice; alguns com potencial defensivo, como Hill, Bogans e Ratliff, e alguns que conseguem equilibrar os dois atributos, como Manu, Jefferson, Blair e Duncan. Por isso, Popovich pode-se dar ao luxo de definir o time que encerra a partida de acordo com as necessidades do Spurs e as catacterísticas do adversário.

Altos e baixos

Este início de temporada vem preocupando até mesmo os mais otimistas torcedores do Spurs. A atual campanha de dez vitórias e nove derrotas coloca a equipe apenas na nona colocação, abaixo até mesmo do Thunder (quem diria?). O desempenho cheio de altos e baixos é algo que os texanos não estavam acostumados, afinal sempre viram em quadra uma equipe que ia longe pela solidez e regularidade.

Na primeira partida da temporada, veio uma convincente vitória sobre o New Orleans Hornets, o que animou especialistas e torcedores que sonhavam com a volta dos tempos vitoriosos. Logo em seguida, uma derrota para o inconsistente Chicago Bulls acalmou os ânimos dos mais empolgados. Na terceira partida, obrigação cumprida ao vencer o Kings.

O primeiro real sinal de fragilidade veio após derrotas, fora de casa, consecutivas para Jazz e Blazers, equipes bem cotadas no disputado Oeste. Em seguida, uma atípica vitória sobre o Toronto Raptors. Atípica pelo placar de 131 a 124, digno de uma partida entre Suns e Warriors. No jogo seguinte, vitória sobre o rival Dallas Mavericks, mesmo com a equipe recheada de desfalques. Surgia uma luz no fim do túnel?

Na realidade, esta “luz” foi apenas um lampejo. Uma sequência de três derrotas seguidas, para Thunder em casa, Mavs fora e Jazz novamente em casa praticamente instaurou uma crise jamais vista nos tempos recentes da franquia.

Para acalmar a ressabiada torcida, vieram cinco triunfos consecutivos, diante de Wizards, Bucks, Warriors, Rockets e Sixers. Mas podemos considerar esta sequência apenas uma ilusão, fruto de uma série de partidas diante de equipes frágeis. Apenas Bucks (sexto no leste) e Rockets (sétimo no oeste) estariam hoje classificados para os playoffs, mas sabemos que nenhum dos dois disputam o caneco de campeão.

Viria então a partida contra o Boston Celtics, a primeira dos texanos contra um real candidato ao título. Mais uma decepção; derrota em casa. Para piorar, na partida seguinte estaria o Denver Nuggets, outro candidato ao anel. Derrota novamente em casa após levar a virada no último quarto. Contra o Utah Jazz, dessa vez fora de casa, outra derrota, a terceira para a equipe de Salt Lake City na temporada.

Na noite de ontem, vitória em casa sobre o ainda frágil Sacramento Kings. Será que finalmente engrena agora? Acho que isso que eu e toda a torcida preto e prata está se perguntando neste momento. As próximas duas partida serão diante de Bobcats e Clippers, pela lógica, duas vitória. Depois, no dia 15 vem o Phoenix Suns de Steve Nash e Amare Stoudemire, velhos conhecidos dos texanos.

Após o confronto com a equipe do Arizona, o San Antonio Spurs só enfrentará um real candidato ao título no dia 12 de janeiro, quando pega o Lakers. Até lá serão mais 12 confrontos, os mais difíceis contra Mavs e Blazers. O calendário ajuda, mas será que até lá teremos de volta nosso o nosso bom e velho (no sentido figurado) Spurs?