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O rival pode ajudar?

Torcedor texano, vamos falar a verdade: mesmo com a vitória de quinta-feira sobre o Denver Nuggets, a fase do San Antonio Spurs não é das melhores. A equipe ocupa hoje a quinta colocação da Conferência Oeste, com a mesma campanha do sexto colocado –  o Oklahoma City Thunder, que vive uma ótima fase e que pode, a qualquer momento, ultrapassar o time de Gregg Popovich. Motivos de preocupação não faltam.

Mesmo que termine no quinto lugar, isso significa um confronto sem vantagem de mando de quadra contra uma das quatro potências do Oeste – provavelmente, contra Utah Jazz ou Dallas Mavericks. É bem verdade que o Spurs é conhecido por subir de produção nos playoffs. Mas, na temporada passada, diante de nossos rivais regionais, já não foi assim – jogadores como Roger Mason e Matt Bonner caíram de produção, e Tony Parker e Tim Duncan sozinhos não conseguiram levar o time adiante.

Porém, mesmo nesta draga danada, ainda estamos em segundo na Divisão Sudoeste – talvez a mais equilibrada de toda a NBA. Hoje, o San Antonio Spurs (30-21) está atrás apenas do próprio Dallas Mavericks (32-20). Como o rival texano também não atravessa um de seus melhores momentos – venceu apenas quatro das últimas seis partidas que disputou – a diferença do quarto para o quinto colocados hoje é muito menor do que já foi nesta temporada.

Ultrapassar o Mavericks pode significar muito para o Spurs. Vale lembrar que, na NBA, o melhor time de cada divisão tem lugar assegurado entre os quatro primeiros da sua Conferência. Isso significaria, que, nos playoffs, enfrentaríamos o próprio Mavs, ou o Thunder, ou o Portland TrailBlazers, ou até o Phoenix Suns, com vantagem do mando de quadra. Imaginem se a equipe pega o Suns, cuja geração é freguesa de carteirinha do time texano nos playoffs? Uma classificação e a vaga na semifinal do Oeste podem dar ao time a confiança que faltou até aqui na temporada regular.

Prova de que a fase do rival local não é boa é que rumores de troca começam a pipocar em Dallas. Nomes como Josh Howard e Drew Gooden já estão na pauta de negociações de Mark Cuban. Adições a esta altura da temporada podem demorar um pouco para se ajustarem, dando mais tempo para que o Spurs se estabeleça e assuma a liderança da divisão. Seria sonhar alto demais?

Chatice hipócrita

Está chegando a hora do All Star Game. Principal momento de descontração da NBA em meio à temporada regular, o evento reunirá os principais jogadores da liga e colocará frente a frente as conferências Leste e Oeste – com, acredito, favoritismo do Leste. Sem encantar há muito tempo, o ASG de 2010 terá como principal atração o local a ser realizado: o Cowboys Stadium, um dos estádios mais modernos do mundo, com capacidade para cerca de 110 mil espectadores e que pertence ao Dallas Cowboys, franquia da NFL, liga de futebol americano. Tudo bem. Ou não.

A NBA caminha a passos largos na queda de popularidade nos Estados Unidos – e, deste modo, no mundo. É uma situação preocupante que começou a se destacar depois da aposentadoria do lendário Michael Jordan. A carência de ídolos e a chatice de algumas novas regras fizeram com que a liga de basquete perdesse espaço no coração dos estadunidenses. O dinheiro investido continua monstruoso, mas o retorno já não é mais o mesmo. A necessidade faz com que garotos da high school sejam colocados em patamares absurdos, visando sempre a criação de novos astros, que possam ser idolatrados pela torcida. John Wall, provável primeira escolha do próximo Draft, é o exemplo mais recente. Mas acredito que o problema é um pouco maior.

Alguns podem lembrar melhor dos tempos nos quais Jordan desfilava em quadra. Lembrarão que ele não era o único ídolo e que outros brilhavam muito, do jeito que fosse. Brilhavam, inclusive, porque as regras permitiam. O contato físico era mais intenso, assim como a permissão para provocações. O jogo, hoje, virou um esporte mais frio, no qual se condena muito o uso das chamadas “gracinhas”. Uma baita hipocrisia.

Uma liga que passa metade de sua temporada coletando votos para o All Star Game e que torce desesperadamente por jogadas de malabaristas e risadas durante o evento, proíbe tudo isso ao longo dos jogos considerados corriqueiros. É estranho e faz perder a graça. Só a graça? A esperança também – nunca mais vou ver um Dennis Rodman.

Eu já vi isso antes?

Em 2007 foi assim... mas e em 2010?

Primeiramente gostaria de pedir desculpas ao nosso leitor pelo atraso na coluna. Sabem como é esses dias corridos que temos frequentemente.

Mas vamos ao assunto…

Meu amigo e leitor aqui do Spurs Brasil, Rafael Proença, lembrou recentemente da temporada 2006-2007.

Alguém aí lembra dessa temporada?

Pois bem… farei um breve resumo para os mais esquecidos.

Naquela temporada, San Antonio chegou cercado de desconfiança. No ano anterior, quando defendia o título, uma derrota pra lá de amarga contra o Dallas Mavericks nos playoffs nos tirou a chance de conquistar o bicampeonato consecutivo.

O ano começou devagar. Dallas Mavericks e Phoenix Suns tinham ótimos times e logo foram se distanciando nos standings.

Os texanos, por sua vez, tinham dificuldade para se acertar. Talvez fossem os reflexos da derrota em casa para o Mavs no sétimo jogo da pós-temporada anterior…

Talvez fosse falta de química no conjunto…

O fato é que ninguém sabe ao certo até hoje.

Como nessa temporada que vivemos agora, rumores de troca assolaram San Antonio por longas semanas. Um dos alvos era o veterano Brent Barry, que já nem contribuia muito para a equipe.

Popovich, no seu estilo militar, vetou qualquer tipo de mudança. Ninguém sai, ninguém chega!

Ficamos daquele jeito, pouco esperançosos e já conformados com um 2007 sem título.

Foi aí que veio a Rodeo Trip e consequentemente o Jogo das Estrelas.

O time melhorou, o elenco ganhou unidade, Ginobili, Parker e Duncan passaram jogar como nunca. Era o retorno da era de ouro?

Talvez… o torcedor ainda tinha suas dúvidas; ninguém parece acreditar que aquele time sem entrosamento poderia ter se tornado um dos melhores do Oeste.

E se tornou. Depois de se recuperar, os comandados de Gregg Popovich fizeram uma campanha brilhante, quase suficiente para ultrapassar Mavs e Suns – que continuaram à frente ao final da temporada regular.

Vieram os playoffs e o primeiro adversário era o temido Denver Nuggets. Tinha Allen Iverson em boa forma, Carmelo Anthony jogando muito…

Em San Antonio, muitos qualificaram esse duelo como injusto, tal qual era a força da Conferência Oeste naquele momento.

Uma derrota no primeiro jogo, em casa, colocou uma pulga atrás da orelha de todos os torcedores. Será que Iverson e cia bateriam S.A. logo na primeira rodada?

Ledo engano, caro leitor! O Spurs foi forte, venceu o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto jogo, alcançando assim a próxima fase.

Na outra ponta da tabela, o favorito ao título, Dallas Mavericks, foi responsável por algo histórico… só que pelo lado negativo.

Em embate ferrenho contra o Golden State Warriors, que havia se classificado em oitavo, os californianos anularam Dirk Nowitzki…

Some a isso o brilho do armador Baron Davis, que quase fez chover contra a defesa de Dallas.

No final, 4 a 2 e Golden State pulava uma etapa…

Sem o rival texano no caminho, tudo ficou mais fácil para o Spurs.

Entretanto, ainda havia o Phoenix…

A verdade é que Amare Stoudemire e Steve Nash nunca se deram bem no Texas.

Como estamos acostumados a dizer, San Antonio ‘tinha o número’ do Suns…

Numa série polêmica, em que Stat e Diaw ficaram de fora de alguns jogos por terem invadido a quadra após o tranco de Robert Horry em Steve Nash, Tim Duncan e companhia se sagraram vencedores em seis partidas.

Sobrava na final do Oeste o Utah Jazz, da dupla Deron Williams e Carlos Boozer.

Inspirado, Deron até que tentou, mas foi incapaz de conter um San Antonio brilhante, como poucas vezes vi na minha vida.

Após sagrar-se vencedor em cinco duelos, os comandados de Gregg Popovich iam para a final contra o ‘maravilhoso LeBron James’…

Ainda inexperiente, LeBron foi incapaz de liderar seu time a uma mísera vitória.

Assim, em apenas quatro noites, San Antonio varreu o camisa 23 pra debaixo do tapete e conquistou seu quarto título na NBA.

Essa história, por mais que esteja resumida, é bem bonita. Contei ela desta maneira para mostrar que naquele ano nós também estávamos desacreditados, assim como agora. Se vamos repetir isso nessa temporada, ninguém sabe, mas eu só queria mostrar que uma equipe ‘jogada às traças’, como quase estamos atualmente, é capaz de sair do limbo e vencer um campeonato.

Caindo na estrada

Amanhã começa um período importante para o San Antonio Spurs,:terá início a Rodeo Trip. Um ano atrás, eu postei um texto que explica um pouco mais detalhadamente do que isto se trata, mas basicamente é quando a equipe texana enfrenta uma sequência de jogos fora de casa porque o seu ginásio, o AT&T Center, estará ocupado recebendo um dos rodeios mais importantes dos Estados Unidos.

Tradicionalmente, a equipe costuma efetivamente engrenar após esta série de jogos longe de San Antonio. No ano passado, a Rodeo Trip começou dia 2 de fevereiro e terminou dia 21. Foram oito jogos; cinco vitórias e três derrotas. Nos jogos seguintes, 17 vitórias e dez derrotas. Esta temporada, a viagem começa dia 3; também serão oito jogos e também termina dia 21.

Para a sorte do Spurs, desta vez a sequência não parece tão difícil. Serão apenas três partidas contra equipes com mais de 50% de vitórias na temporada. Pode ser uma boa oportunidade da equipe ganhar confiança e encaixar seu jogo. Segue abaixo os confrontos e uma breve análise minha dos adversários.

Data: 03/02/2010
Local: ARCO Arena
Horário: 01:00 (Horário de Brasília)

Destaque: Tyreke Evans

O Sacramento Kings começou bem a temporada, mas depois caiu de produção. Perdeu nove dos últimos dez jogos. Não deverá ser problema para o Spurs vencê-los.

Palpite: Vitória

Data: 04/02/2010
Local: Rose Garden
Horário: 01:30 (Horário de Brasília)

Destaque: Brandon Roy

Algumas questões cercam este jogo. Brandon Roy é dúvida e só deverá ser confirmado, ou não, momentos antes da partida. Tony Parker é outro que pode retornar dependendo da condição física.  Nesta temporada, foram duas vitórias para a equipe de Portland, sendo uma em pleno AT&T Center, mesmo com os desfalques de Roy, Greg Oden, Joel Przybilla, Rudy Fernandez e Travis Outlaw.

Palpite: Derrota

Data: 06/02/2010
Local: Staples Center
Horário: 01:30 (Horário de Brasília)

Destaque: Chris Kaman

Apesar do bom elenco, em quadra as coisas não vão bem para o Clippers. A campanha é abaixo do esperado, e, para piorar, Blake Griffin está fora da temporada. Se tudo acontecer como o previsto, será um jogo tranquilo, embora requeira alguns cuidados principalmente com Kaman e Baron Davis.

Palpite: Vitória

Data: 08/02/2010
Local: Staples Center
Horário: 01:30 (Horário de Brasília)

Destaque: Kobe Bryant

Duelo contra o líder do Oeste fora de casa. Existe a esperança de vitória, mas é algo que parece improvável diante das atuais condições. Nesta temporada, houve apenas um confronto, com vitória surpreendentemente elástica do Spurs, feito que não deve se repetir.

Palpite: Derrota

Data: 11/02/2010
Local: Pepsi Center
Horário:
01:30 (Horário de Brasília)

Destaque: Carmelo Anthony

Duas derrotas em casa. Este é o saldo do Spurs contra o Denver Nuggets nesta temporada. Longe de seus domínios, difícil acreditar em uma vitória texana sobre o atual vice-líder da Conferência Oeste.

Palpite: Derrota

Data: 17/02/2010
Local:
Conseco Fieldhouse
Horário: 22:00 (Horário de Brasília)

Destaque: Danny Granger

Depois da parada para o All-Star Game, a viagem pelo Leste começa com um jogo teóricamente fácil. O Indiana Pacers tem apenas 16 vitórias em 48 jogos e é o atual 13º colocado da conferência. Ótima oportunidade para o Spurs se recuperar.

Palpite: Vitória

Data: 19/02/2010
Local: Wachovia Center
Horário: 22:00 (Horário de Brasília)

Destaque: Andre Iguodala

Nem mesmo a volta de Allen Iverson foi capaz de reeguer o Philadelphia 76ers. A equipe é a 12ª colocada no Leste e tem apenas sete vitórias em 23 partidas disputadas em seu ginásio. Uma derrota aqui é inaceitável para os texanos. Lembrando que a data limite para trocas é dia 18; aqui já poderemos ver um Spurs com alguma mudança.

Palpite: Vitória

Data: 21/02/2010
Local: The Palace of Auburn Hills
Horário: 20:00 (Horário de Brasília)

Destaque: Rodney Stuckey

Encerrando a Rodeo Trip, o rival será o Detroit Pistons, que nem de longe lembra a potência que foi nas últimas temporadas. A equipe atualmente é a vice-lanterna do Leste e não deve ser um adversário difícil.

Palpite: Vitória

Polêmicas do ASG

Ok, eu me rendo. Apesar de não ser um grande entusiasta do basquete de Zach Randolph, admito que o ala-pivô merece uma chance no All-Star Game; mesmo que como reserva. Aliás, apenas como reserva, já que a Conferência Oeste tem outros big men de respeito – como os também selecionados Amare Stoudamire, Dirk Nowitzki e o nosso Tim Duncan.

O jogador do Memphis Grizzlies foi uma das polêmicas da lista de reservas para o jogo das estrelas – elaborada por meio de eleição com os trinta técnicos da NBA. No oeste, por exemplo, além de Randolph, a indicação de Pau Gasol também gerou controvérsia – uma vez que o atleta perdeu 17 jogos nesta temporada por conta de lesões.

Muita gente pedia outros nomes, como Al Jefferson, Andrew Bynum, o brasileiro Nenê… Cá entre nós, meu favorito para ser o pivô reserva do Oeste seria Chris Kaman. Acho que ele poderia ser chamado tanto no lugar de Randolph como no de Gasol – porém, é inegável que os jogadores escolhidos também têm seu mérito.

No Leste, a grande surpresa ficou por conta da convocação de Al Horford. O pivô pegou carona na boa campanha do Atlanta Hawks para garantir sua vaga. Mais uma vez polêmica – muita gente pediu David Lee em seu lugar. O jogador do Knicks também seria meu favorito, e digo ainda que Brook Lopez é no mínimo do mesmo nível de Horford.

Méritos a parte, vai ser um pouco esquisito assistir a um All Star Game sem Shaquille O’Neal. O carisma e a irreverência do pivô, hoje no Cleveland Cavaliers, sempre foram marca registrada do final de semana festivo. Será que seria um absurdo muito grande convocar Shaq no lugar de Horford?