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A maldição do ala-pivô

Só pra variar um pouco, a equipe do San Antonio Spurs sofreu ontem uma derrota jogando fora de casa. Foi o 14º revés em 26 jogos longe do AT&T Center. O retrospecto fica ainda mais preocupante quando sabemos que, daqui para frente, a maioria das partidas será fora do Texas – em março, por exemplo, o Spurs jogará apenas sete de suas 17 partidas no mês como mandante.

Ontem, a derrota foi para o rival local Houston Rockets, equipe que sofre para manter-se na briga pelos playoffs. O time de Houston fez História ontem ao ver três de seus atletas marcarem ao menos 30 pontos – o armador Aaron Brooks (31), o ala-armador Kevin Martin (33), nova aquisição da equipe, e o ala-pivô Luís Scola (30). Confesso ser muito fã do basquete do big man argentino – mas não vejo-o como um jogador para anotar 25, 30 pontos por jogo.

O problema é que o Spurs vem encontrando dificuldades para lidar como os alas-pivôs adversários. Bons jogadores como Dirk Nowitzki, Pau Gasol, LaMarcus Aldridge e Carlos Boozer constumam fazer um estrago extra na equipe texana. Atletas de segundo escalão – como o próprio Scola e Kenyon Martin – tiveram partidas de All-Star contra o Spurs. E o dado fica mais preocupante quando percebemos que todos são possíveis adversários nos playoffs.

Tim Duncan, principal defensor dos big men do elenco texano, já não tem mais pique para correr atrás dos alas-pivôs adversários. A NBA moderna cria dificuldades para um atleta pesado como ele atuar como PF – como foi no começo de sua carreira. DeJuan Blair, Matt Bonner e Antonio McDyess passam longe do jogador ideal de defesa. Richard Jefferson, que já chegou a atuar na posição, ainda não conseguiu se encontrar com a camisa preta e prata.

Gregg Popovich tem de, urgentemente, bolar uma estratégia para melhorar a defesa texana, principalmente no garrafão. Talvez, uma maior ajuda do perímetro – que conta com bons defensores, como George Hill, Manu Ginobili e Keith Bogans – em dobras na marcação possa ajudar. A verdade é que, se continuar assim, continuaremos sofrendo com os alas-pivôs adversários, o que pode ser mortal nos playoffs.

Caso Ilgauskas nos faz pensar

Big Z foi injustiçado...

Brasil… o país do futebol!

É assim mesmo que nos classificamos quando o assunto é esporte.

Assim, com o fut sendo a prática mais querida entre nós, já nos acostumamos com a falta de amor à camisa.

Ver atletas como Oscar e Diogo recentemente no São Paulo ficou cada vez mais comum. Ninguém se identifica mais com o clube. O desejo é mesmo jogar na Europa e ganhar caminhões de dinheiro.

Se é assim aqui no Brasil, no basquete norte-americano a coisa muda um pouco de figura.

É óbvio que lá as pessoas pensam em dinheiro… todo mundo pensa, afinal.

Mas na NBA ainda existe uma coisa que deveríamos valorizar: amor à camisa!

Tenho dois casos bem frescos na memória que gostaria de dividir com vocês, caros leitores.

O primeiro é do nosso Manu Ginobili. O argentino é ídolo, adora San Antonio, queria continuar na cidade… contudo, por causa de um problema físico, os dirigentes preferiram nem procurá-lo para renovar o contrato.

Resultado? Mágoa… como se esperaria de qualquer ser humano, ainda mais com alguém que é ídolo em seu espaço.

Será que é demasiadamente romântico pensar nisso?

Talvez sim… tudo bem que o dinheiro é importante, e que há todo um planejamento por trás disso… o que acontece é que ninguém tem o direito de fazer com um ídolo o que foi feito com Ginobili.

O mesmo vale para a troca mais recente da liga. Sai Ilgauskas e entra Jamison no Cavs. Sai Jamison e entra Ilgauskas no Wizards.

Onde no mundo poderíamos imaginar um jogador decepcionado porque saiu de um time horrendo para ser franco favorito ao anel? Pois foi assim que Antawn Jamison se sentiu ao sair de Washington. “Acho que eu gostava mais deles do que eles de mim”, lamentou o jogador ao ser negociado.

E o que dizer do Big Z? O cara fez história em Cleveland, é um jogador útil, um líder nato… aí descartam ele como se descarta um Mark Madsen da vida? Mas e o amor à camisa?

Será que alguém tem moral para reclamar dos jogadores que trocam suas equipes para ganhar mais, ou para vencer um título, ou para o que quer que seja?

É sempre bom refletir acerca de nossos valores. Que comecemos já…

Bom, só para mostrar que o velho Manu voltou, vejam esse vídeo. Depois dessa ele merece um novo contrato.

Equipes do Spurs

Passou a trade deadline, e adivinhem só: nenhum jogador novo foi adicionado ao elenco do San Antonio Spurs. Com o plantel fechado para esta temporada, resolvi aproveitar este espaço para fazer uma brincadeira.

Sou grande fã da série de jogos NBA 2k. Para quem não o conhece, quando você é técnico de uma equipe, pode bolar diversas escalações obedecendo um critério base. Para quem não entendeu, confira a seguir as variações que a equipe texana poderia ter:

Time 1 – Quinteto titular

Parker – Hill – Jefferson – McDyess – Duncan

Claro, para começar, a primeira equipe é formada pelos cinco jogadores que começam as partidas. Aqui, eu promoveria duas mudanças em relação à nova formação inicial de Gregg Popovich: Richard Jefferson no lugar de Keith Bogans e Antonio McDyess no lugar de Matt Bonner.

Time 2 – Reservas

Mason – Ginobili – Bogans – Blair – Bonner

O time de reservas é formado pelos jogadores que estão prontos para dar uma força na rotação da equipe. Aqui, deixei Michael Finley de lado; o veterano pode descansar na temporada regular, já que seus arremessos de três pontos podem ser importantes nos playoffs.

Time 3 – Velocidade

Parker – Hill – Ginobili – Jefferson – Duncan

Para os fãs do run n’ gun, essa equipe pode ser utilizada em alguns momentos do jogo; são quatro jogadores abertos, se movimentando bastante e arremessando. Como nenhum big man do Spurs tem essa característica, Duncan ficaria no garrafão, ajudando com corta-luzes e brigando por rebotes.

Time 4 – Defesa

Hill – Ginobili – Bogans – Blair – Duncan

No perímetro, uma formação dos sonhos para os fãs de defesa. No garrafão, encontramos dificuldade para marcar os alas-pivôs adversários, pois Duncan fica encarregado dos pivôs.  Ratliff seria uma opção para mudar isso. De qualquer modo, Blair foi o escolhido para ajudar nos rebotes.

Time 5 – Três pontos

Mason – Ginobili – Bogans – Jefferson – Bonner

Precisa tirar uma diferença grande do placar? Escale seus especialistas em arremessos de longe. Essa equipe tem os quatro melhores arremessadores de longa distância do Spurs em termos de aproveitamento – Hill é superior a Jefferson, mas deixaria a equipe muito baixa.

Time 6 – Lances Livres

Hill – Ginobili – Bogans – Bonner – Duncan

Está ganhando por muito e seu adversário está apelando para as faltas? Escale seus jogadores com melhor aproveitamento na linha de lances livres. Nesta temporada, essa seria a equipe ideal do Spurs.

Time 7 – Altos

Mason – Finley – Jefferson – Bonner – Duncan

Ok, tamanho não é documento. Mas, caso precise intimidar o adversário com jogadores altos, o Spurs tem uma formação bastante interessante – principalmente no perímetro, com atletas mais altos do que o normal.

E mais uma trade deadline se foi…

Caros amigos do Spurs Brasil. Mais uma data limite para trocas foi embora e nossa equipe, como de costume, saiu ilesa. Ah, sim, antes havíamos dispensado o Marcus Haislip e ontem trocamos o Theo Ratliff por um saco de balas soft, aquela mesma que quase fazia as pessoas morrerem engasgadas. Assim, quem ansiava por uma troca bombástica que nos livrasse dos contratos do Richard Jefferson e do Antonio McDyess, como esse que vos fala, caiu do cavalo.

Depois de pensar, refletir e gastar horas e horas fazendo contas com papel e caneta, percebi que no final das contas isso nem foi tão ruim. A verdade é que temos que entender que ganhar o título nessa temporada está praticamente impossível. Os adversários estão muito mais fortes e se reforçaram ainda mais nessa trade deadline; casos de Cleveland e Mavericks. Desta maneira, todos sabemos que até sonhar com o anel está difícil; quanto mais conquistá-lo.

Mas se temos um time insuficientemente bom para ganhar o troféu, por que foi bom continuar com os mesmos jogadores e praticamente aceitar passar o ano em branco? Bem, eu explico! Torcedores do Spurs, é sempre bom ressaltar que nossos managers têm feito de tudo para reconstruir a equipe, assim como foi feito ao final da era-Robinson. Desta vez, quem está no fim de carreira é Tim Duncan, e é consenso de todos que precisamos montar um novo time, com jogadores jovens e promissores.

Isso já começou. George Hill será nosso titular em um futuro breve. DeJuan Blair é um jogador impressionante, que se tiver a cabeça no lugar com certeza irá nos dar muitas alegrias daqui pra frente. Tiago Splitter deverá chegar mais hora ou menos hora, o que significa mais um jovem talento em nosso plantel. Além de adicionar promessas, temos que perceber que R.C. Buford e sua trupe têm feito contratos curtos, justamente com o objetivo de montar uma equipe de peso em pouco tempo. Por mais que reclamemos do contrato alto do Richard Jefferson, é bom ressaltar que ele expira em 2011, ou seja, já na próxima temporada.

Tony Parker é outro que tem contrato expirante para 2011, o que pode ser alvo de cobiça para muitos times que buscam o mesmo que nós: se reconstruir. Além disso, é bem provável que nossa escolha no próximo draft seja um TOP-25, o que já me deixa com um sorriso de orelha a orelha tendo em vista os ‘roubos’ que temos conseguido nos recrutamentos dos últimos 12 anos [Tony Parker, Manu Ginobili, George Hill e DeJuan Blair].

Ou seja, caro torcedor, temos tudo para sonharmos com um futuro próspero, com uma equipe vencedora que poderá voltar a brigar por títulos. Basta que façamos os negócios certos, sem enfiar o pé na jaca com contratos absurdos ou gastar mundos e fundos com pseudo-estrelas [Richard Jefferson]. Com cabeça no lugar, temos tudo para voltar a brigar por título em cerca de três anos.

O fracasso de um torneio de enterradas

"Enganei o bobo na casca do ovo!"

Neste último sábado (13/02), assistimos a aquele que talvez tenha sido o torneio de enterradas mais sem graça da história. Que me desculpem os participantes, mas esta é a minha opinião e de quase todos os fãs que ficaram acordados até as 2h da manhã à espera deste momento. Decepcionante. Está é a palavra que melhor define como foi a competição.

A começar pelos participantes. Shannon Brown, DeMar DeRozan, Nate Robinson e Gerald Wallace não são os “dunkers” dos sonhos de ninguém. Para quem esperava a participação de LeBron James, que em 2009 havia dito que participaria, a desistência do astro foi o primeiro sinal do fracasso do evento.

Gerald Wallace poderia ter fingido uma dor de barriga...

Mas, como sou apaixonado pelo basquete e pela NBA, continuei firme e forte esperando que algo me surpreendesse. Quando tudo começou, vou lhes dizer que teria sido melhor eu “ir ver o filme do Pelé”, como diriam no famoso seriado “Chaves”.

Gerald Wallace, em quem depositava alguma esperança, demostrou tremenda má vontade. Parecia estar lá por obrigação e não apresentou nada além de enterradas comuns. Shannon Brown teve pouca criatividade. Levou Kobe Bryant para ajudá-lo, mas usou-o somente para jogar a bola pra cima, algo que até mesmo minha avó faria, e sem nem precisar de treino.

Nate Robinson, que denfendia o título, manteve a sina de errar muitas vezes até acertar, mas mesmo assim não apresentou nada de novo. O novato DeMar DeRozan foi o único a conseguir me salvar de um cochilo. Com a ajuda de Sonny Weems, executou a melhor enterrada da noite após seu companheiro arremessar a bola na lateral da tabela. Mas foi só.

Na final, Robinson e DeRozan pouco empolgaram. Quem acreditava que o melhor viria no fim se arrependeu de ter ficado acordado.

Nate Robinson mostra o que aconteceu com quem ficou acordado vendo o concurso de enterradas

O troféu acabou ficando pela terceira vez com o armador do Knicks após votação do público, mas ficou a sensação de que não deveria haver vencedor. A escolha de um vitorioso foi uma mera formalidade.

Um torneio que já viu campeões jogadores como Michael Jordan, Dominique Wilkins, Kobe Bryant e Vince Carter, agora tem Nate Robinson como tricampeão e maior vencedor da história. Que me desculpe o baixinho Robinson, mas é um claro sinal de um torneio que vem acumulando fracassos atrás de fracassos.

Ou a NBA toma uma atitude, ou o Slam Dunk Contest, como é chamado oficialmente o torneio, estará fadado ao desinteresse do público e ao desaparecimento. Por que não selecionar grandes nomes, como Andre Iguodala, Josh Smith, Amar’e Stoudemire, Dwyane Wade, Kevin Durant ou o próprio Lebron James? Sem dúvida valorizaria o torneio e aumentaria o interesse do público. Além do mais, aumentaria audiência na TV e venderia mais produtos.

Fica a dica para David Stern. O torneio de enterradas tem um potencial enorme, mas que ano após ano vem sendo desperdiçado.