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Hairston tem que ser mais aproveitado

No draft de 2008, o San Antonio Spurs selecionou aquele que viria a se tornar um bom armador – o esloveno Goran Dragic.

Como já contava com Tony Parker e George Hill para tal posto, nada mais natural do que tentar negociá-lo logo em seguida.

Bom… foi isso que o R.C. Buford tentou fazer.

A troca foi feita com o Phoenix Suns. Enviamos o promissor europeu e trouxemos o desconhecido Malik Hairston, que vinha da Universidade do Oregon.

Pouco tempo foi suficiente para perceber que nos metemos numa tremenda cilada…

Hairston era pouco aproveitado e nunca pôde mostrar seu basquete no Texas.

Dragic, por sua vez, teve uma primeira temporada irregular, cheia de altos e baixos.

Em seu segundo ano, no entanto, mostrou que é um armador de certo potencial, tanto que ganhou mais minutos no Arizona e está tirando proveito disso.

Hairston ficava naquele mesmo esquema… vem pro Spurs, vai pra D-League, vem pro Spurs, vai pra D-League

Só depois da dispensa de Michael Finley e da troca de Theo Ratliff que o ala conseguiu um pouquinho mais de espaço.

Subiu de vez para San Antonio e finalmente se fixou no grupo – sem precisar ficar indo e voltando para Austin a todo o momento.

Particularmente sempre gostei do Hairston em quadra.

É raçudo, sabe defender com certa qualidade, tem umas enterradas boas (aquela que ele pega o rebote e enterra é bem típica)… ou seja, é um atleta que merece algumas chances.

Na vitória contra o New York Knicks, o jovem finalmente teve um período para jogar e mostrar seu potencial.

Atuou no último quarto e foi brilhante. Deu uma enterrada, converteu um arremesso providencial e deu um toco espetacular que salvou o San Antonio Spurs da tragédia.

Com a má fase de Roger Mason Jr., é bem provável que o Pop passe a utilizá-lo com mais frequência.

Eu torço para isso!

O velho Manu está de volta?

O nosso bom e velho Manu Ginobili parece estar de volta. O argentino voltou a jogar bem e com consistência, sendo decisivo, algo que não viamos já há algum tempo. Prejudicado pelas inumeras lesões, principalmente a do tornozelo (que ocorreu durante os jogos olímpicos de Pequim 2008), Manu parecia lento em quadra, sem ritmo e sem pontaria. Isso finalmente chegou ao fim.

Tenho que reconhecer que fui um dos críticos mais ferrenhos do argentino nesse período de baixa; concordei com a decisão da franquia em não renovar o contrato antecipadamente e até cheguei a cogitar trocas envolvendo o ala-armador. Embora considere-o como um ídolo, o fraco desempenho me decepcionou, e a condição física e as lesões me assustaram.

Com a equipe toda em baixa, mudanças precisavam ser feitas, e negociar o argentino poderia ser um caminho para “mudar os ares” de San Antonio. Mas nada melhor do que ver que eu estava enganado. O Manu voltou, um pouco mais velho e talvez com menos cabelos, mas voltou.

Depois de um começo de temporada pífio, em que o argentino não acertava nem uma ervilha dentro de um barril, a pontaria voltou a ser certeira. A liderança e o poder de decisão também reapareceram. Considerando esta primeira semana de março e o mês de fevereiro, foram oito jogos acima dos 20 pontos, sendo o último com impressionantes 38 tentos anotados.

O número de assistências também está elevado. No período, foram dez jogos com cinco ou mais passes decisivos. A média chega a 5,06 por partida, acima da média da carreira do jogador, que é de 3,7 por jogo. Com Parker e Hill, que são muito mais finalizadores do que “armadores de jogadas”, a bola fica mais tempo nas mãos de Ginobili para que ele organize o jogo.

Isso se deve a uma mudança no estilo de jogo do ala-armador, que com a idade chegando perde um pouco da explosão física, mas ganha em experiência e inteligência, além da técnica refinada.

O aproveitamente de Manu na temporada, de 41% nos arremessos de quadra, é o mais baixo de sua carreira, mas também é reflexo dessa mudança de estilo de jogo. Se antes os pontos surgiam mais das infiltrações, hoje nascem muito mais dos arremessos de longa distância, que naturalmente têm uma porcentagem menor de acertos.

Agora, com Tony Parker fora até os playoffs, a presença de Manu será ainda mais importante para a equipe. Por muitas vezes,  ele terá de assumir o papel de armador principal, vai precisar pontuar mais e comandar a equipe no perímetro, para que não recaia todo o peso em cima de Tim Duncan.

Iziane vence queda de braço


Depois de uma longa novela, que vinha se arrastando desde setembro do ano passado, a Confederação Brasileira de Basquete anunciou o espanhol Carlos Colinas como o novo treinador da Seleção Feminina. Seu antecessor, Paulo Bassul – que vinha do título da Copa América e da consequente classificação para o Mundial – foi preterido por Hortência, coordenadora de Seleções femininas da CBB.

Primeiramente, gostaria de me declarar suspeito para escrever as próximas linhas desta coluna por ser um enorme fã de Bassul. Educado, sensato, e, o mais importante de tudo, um estudioso do basquetebol, considero-o o melhor técnico brasileiro de hoje em dia – mesmo entre as equipes masculinas. Não enxergo retoques a serem feitos em seu trabalho à frente do Brasil. Seu principal problema neste período foi a polêmica com a pseudo-estrela Iziane – que, para quem não se lembra, recusou-se a entrar em quadra após ser mantida no banco por Bassul no começo de uma prorrogação.

A atitude do treinador em não mais convocar a atleta foi prontamente apoiada pela grande maioria dos brasileiros que acompanham basquete. Pois é… acreditem ou não, essa rusga pode ter causado a saída de Bassul da CBB. Desde o começo de sua gestão, Hortência vem declarando que pretende ver as principais jogadoras do país defendendo a Seleção. Fez o que foi preciso para contar com Alessandra, e, agora, pode ter feito o que foi preciso para contar com a ala-armadora.

Iziane já declarou em entrevistas que, com a mudança de técnico, topa voltar a defender a amarelinha. Que momento propício para este retorno, não? Com o Brasil já classificado para o Mundial, com uma base formada e com o retorno de jogadoras importantes, como a já citada Alessandra e a veterana Helen. O novo técnico tem nas mãos material humano para montar uma das melhores Seleções dos últimos anos.

Confesso não conhecer o trabalho de Carlos Colinas. Ainda não se sabe se o técnico, que comandava a equipe sub-18 da Espanha, vai deixar de treinar sua equipe em Celta de Vigo. Hortência disse que queria um treinador que soubesse o que está acontecendo no basquete mundial. Mas será que, em alguns meses morando fora do país, o espanhol vai ter conhecimento suficiente para saber o que se passa no basquete brasileiro? Ou será que não é ele que vai convocar a Seleção?

Temo estarmos voltando para uma era de amadorismo na CBB. Se, na equipe masculina, a contratação de Rubén Magnano é inquestionável, na feminina o reforço de Colinas já aparece cheio de dúvidas…

Ídolo quase de casa nova

Finley e a juíza comemoram bola de 3 no último segundo

Como todos nós já vimos, Michael Finley pediu para deixar o Spurs porque estava insatisfeito com o pouco tempo de quadra.

Particularemente acho que ele está mais do que certo…

Apesar dos 36 anos (Fin completa 37 neste sábado), o ala ainda tem muita lenha para queimar.

Explico porque:

Numa equipe já formada, Michael Finley viria do banco como aquele jogador experiente que entra só para meter umas bolinhas de 3, como fazia o Steve Kerr no Spurs. Lembram dele destruindo o Mavs nos playoffs?

Pois é…

Muito por isso, equipes como Boston Celtics e Los Angeles Lakers demonstraram interesse em adquirir os serviços do camisa #4.

No Boston, Finley poderia descansar os também veteranos Paul Pierce e Ray Allen e abocanhar seus 18-25 minutinhos por noite.

Em L.A, o ala seria uma ótima alternativa, já que o banco do Lakers é um dos piores entre os principais candidatos ao título nesta temporada.

Um melhor destino ainda…

Ao conversar com o companheiro Lucas Pastore, pensamos em uma ótima casa para o nosso ídolo.

Falam tanto de Boston, Los Angeles… já ouvi rumores que até o Denver gostaria de ter o Finley no elenco.

No entanto, há uma equipe do Oeste em que o ala cairia mais do que bem…

Será que alguém já pensou no Oklahoma City Thunder? É isso mesmo, o Thunder, que vem dando muita dor de cabeça para os grandes da NBA.

Em OKC falta um cara que venha do banco e possa converter tiros de longa distância com mais frequência. Quem seria esse cara? O Finley!

No mais, o atleta ainda adicionaria força ao elenco com sua experiência.

Michael Finley é um rato da NBA. Jogou no Suns, brilhou no Dallas Mavericks e finalmente ganhou um anel no San Antonio Spurs.

Será que existe alguém melhor do que ele para ajudar uma equipe de jovens?

Infelizmente, acho que o Thunder nem se interessou nos serviços do camisa #4.

Uma pena…

Finley, obrigado!

Ontem fui surpreendido com uma notícia triste para os torcedores do Spurs. O veterano Michael Finley, prestes a completar 37 anos, foi dispensado e não faz mais parte do plantel da equipe de San Antonio. Muito mais que apenas a saída de um jogador, a dispensa de Finley despertou-me um certo saudosismo de um passado nem tão distante.

Não nos esqueceremos. Você estava lá!

Finley chegou ao Spurs para a temporada 2005/2006. Com status de estrela, deixou o rival Dallas Mavericks e rumou para San Antonio, aceitando o papel de coadjuvante em busca de um título da NBA. De início, ver um ídolo rival com a camisa preta e prata causou-me muita estranheza. Era como um intruso, um “estranho no ninho”. Mas, aos poucos, Finley ganhou a confiança de toda a torcida com dedicação em quadra e boas atuações.

Pode festejar, Finley!

Logo chegou 2006/2007 e Finley pode comemorar. Alcançou seu sonho de ganhar o anel de campeão, teve papel fundamental na campanha e marcou de vez o seu nome na história da franquia. Apesar das médias discretas na temporada regular, 9 pontos e 2,7 rebotes por jogo, nos playoffs o camisa #4 subiu de produção, marcando 11,2 pontos e 2,9 rebotes de média nas 20 partidas disputadas.

O ex-ídolo rival abusou da larga experiência e fez o que sabe melhor: cestas de três pontos. E, sem ele, dificilmente a equipe levaria o tetracampeonato. Finley apagou de vez as lembranças dos tempos de Mavs e tornou-se um verdadeiro Spur.

Nos dois anos seguintes, apesar da idade avançada, ele menteve a regularidade e a pontaria certeira. Não foram poucos os jogos que o experiente atleta venceu para os texanos ou levou para a prorrogação convertendo, com muita frieza, arremessos nos segundos finais.

Frieza e pontaria certeira. As marcas do camisa #4

Somente nesta temporada, Finley mostrou-se realmente decadente. Jogou pouco, acertou menos ainda e sofreu com as lesões, algo não tão comum em sua carreira de 14 anos. Perdeu espaço na equipe e, agora, acabou dispensado.

Ao que parece, foi um pedido do próprio jogador, que optou por deixar a equipe para, provavelmente, buscar um espaço em outra franquia nos últimos momentos de sua carreira. Mas isso pouco importa diante do que ele representou para a Spurs.

Seu auge foi em um arqui-rival, sua camisa não estará pendurada no teto do AT&T Center, mas, com certeza, lembraremos de Finley com muito carinho.

Obrigado Michael Finley!