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Pra ficar na história…

Ontem, em Sacramento, vimos a história ser escrita diante dos nossos olhos…

O jogo era pouco badalado. Memphis Grizzlies e Sacramento Kings decepcionam em suas campanhas.

Dentro de quadra, no entanto, o confronto foi disputado, decidido apenas nos instantes finais.

Sacramento vencia por apenas um ponto com cinco segundos no marcador. A bola era de Memphis. Na saída, OJ Mayo recebeu, arremessou desequilibrado e converteu.

Paul Westphal, técnico do Kings, gastou todos os tempos ao longo do último período. Restava ao Kings o fundo bola com pouco mais de um segundo por jogar.

Foi aí que entrou em cena Tyreke Evans

Após brilhar em sua temporada de novato, Evans está jogando abaixo das expectativas. Ele convive com problemas físicos e pessoais. Problemas esses que, segundo Westphal, vêm prejudicando seu rendimento dentro das quatro linhas.

Tyreke vinha numa noite comum. Tinha 18 pontos, quatro rebotes, quatro assistências e um aproveitamento regular.

Mesmo em má fase, foi ele quem recebeu a bola para tentar o tiro da sorte. Ele correu, saltou e disparou seu instrumento de trabalho com muita força. Quando a bola ainda viajava pela ARCO Arena, um de seus companheiros saiu pulando do banco de reservas, prevendo o improvável: cesta e vitória para o Sacramento Kings.

Tyreke Evans festejou como uma criança, relembrando a boa fase. Eu, torcedor do Spurs e admirador do time de Sacramento, torço para que esse seja apenas o começo de um novo momento para a franquia. O Kings merece!

Pedreiras, pedreiras…

25 vitórias e apenas quatro derrotas em 29 partidas. É impossível não estar empolgado com o começo de temporada do San Antonio Spurs, hoje o time de melhor recorde na NBA. Porém, a derrota no meio da semana para o Orlando Magic evidenciou que a equipe texana tem, sim, problemas para serem corrigidos ao longo dos próximos meses. Por favor, não encarem minha coluna de hoje como o texto de um corneta, e sim como um alerta para, em caso de derrotas nas próximas semanas, ninguém fique muito assustado.

Ainda veremos a fera neste ano

Vamos ser sinceros: o Spurs teve um calendário bastante tranquilo neste começo de temporada. Isso pode ter ocultado algumas dificuldades do time, e a principal delas, na minha opinião, é conseguir limitar os principais pontuadores adversários. Surpreendentemente, a equipe texana tem sido quase perfeita no ataque, mas na defesa tem deixado a desejar. Vou tentar ilustrar isso lembrando, a seguir, as poucas pedreiras que o time de San Antonio teve até aqui na temporada:

14/11/2010 – Spurs 117 @ 104 Thunder

Jogando fora de casa diante de um Thunder que teve dificuldades no começo da temporada, o Spurs conseguiu grande vitória, mas teve problemas em parar Kevin Durant (23 pontos e sete rebotes) e Russell Westbrook (19 pontos e oito assistências).

17/11/2010 – Spurs 103 vs 94 Bulls

Contra um Bulls que ainda não contava com Carlos Boozer, o Spurs obteve nova vitória, apesar da grande atuação de Derrick Rose (33 pontos, acertando 15 dos 27 arremessos de quadra que tentou naquela oportunidade).

19/11/2010 – Spurs 94 @ 82 Jazz

O time texano terminou sua sequência de três pedreiras com uma das mais significativas vitórias dessa temporada, ao menos na minha opinião. Mas vale lembrar que naquela noite Deron Williams conseguiu 23 pontos e cinco assistências.

23/11/2010 – Spurs 106 vs 97 Magic

Outra grande vitória do Spurs, que na opórtunidade alcançou seu 11º triunfo consecutivo. Mas, como sempre, o Superman Dwight Howard fez grande partida contra a equipe texana: 26 pontos, 18 rebotes e dois tocos.

26/11/2010 – Spurs 94 vs 103 Mavericks

Segunda derrota do time texano na temporada – a primeira aconteceu na segunda rodada, contra o New Orleans Hornets, também no AT&T Center. Naquela noite, o destaque foi Dirk Nowitzki, com 26 pontos.

16/12/2010 – Spurs 113 @ 112 Nuggets

Talvez a maior vitória do Spurs até aqui, decidida somente nos instantes finais graças à frieza e a genialidade de Manu Ginobili. Mas o time visitante não teve resposta para Carmelo Anthony, que anotou 31 pontos e nove rebotes na ocasião.

22/12/2010 – Spurs 109 x 103 Nuggets

O Nuggets jogou sem Carmelo, e mesmo assim o Spurs teve dificuldades para parar os pontuadores adversários, como Chauncey Billups (20 pontos e sete assistências), Ty Lawson (22 pontos, 8-12 da quadra) e J. R. Smith (22 pontos e sete rebotes).

23/12/2010 – Spurs 101 @ Magic 123

Os 29 pontos e 14 rebotes de Dwight Howard foram fundamentais para interromper mais uma série de vitórias do San Antonio Spurs. O time texano também teve dificuldades com as bolas de três pontos do time adversário.

A resposta para enfrentar este problema pode ter aparecido no segundo jogo contra o Denver Nuggets, disputado na última quarta-feira. Com dificuldades para parar os pontuadores adversários, Gregg Popovich implantou uma defesa por zona no último quarto, o que limitou os visitantes a apenas 14 pontos. Este tipo de defesa tem sido utilizada com sucesso pelo Mavericks na temporada, e minimiza os defeitos  defensivos dos jogadores, pois permite que um ajude o outro e que dobras sejam mais facilmente feitas.

Quem sabe esta “novidade” pode ser testada ainda neste ano, já que ainda temos pedreiras pela frente: após enfrentarmos o Wizards amanhã, fechamos 2010 medindo forças com Lakers e Mavericks. Nada de moleza para a defesa texana…

Porra, Colinas!

Amigos, hoje peço licença neste espaço para não falar sobre NBA. Sei que muitos amigos estão, como eu, empolgados com o excelente momento que o San Antonio Spurs vive, comandado pela frieza de Manu Ginobili nos momentos decisivos. Mas, antes de ser fã da liga americana, sou um grande amante do basquete, e por isso não posso deixar de comentar sobre o absurdo que foi a gestão do treinador espanhol Carlos Colinas à frente da Seleção Brasileira feminina.

Vai tarde!

Colinas foi contratado no início de março, e teria de fazer um trabalho relâmpago para obter bons resultados no Mundial, é verdade. Mas o que chocou não foi a colocação do Brasil, e sim a apatia em quadra e a falta de padrão tático da equipe, tanto no ataque quanto na defesa. Logo após o término da competição, as primeiras críticas já começaram a pipocar em veículos especializados, o que provavelmente pesou para sua demissão.

Porém, a desculpa utilizada para a demissão do treinador ganhou ares de piada. De acordo com a Confederação Brasileira de Basquete, o técnico não poderia continuar à frente da Seleção porque não poderia morar no Brasil. Oras, isso não foi checado no momento da contratação? Isto foi utilizado como desculpa para a CBB para ocultar uma decisão equivocada: a contratação de um técnico sem curriculum.

Hortência e o departamento feminino foram na onda do masculino, que contratou Rubén Magnano, também estrangeiro, para assumir a Seleção Brasileira. Concordo que o basquete brasileiro vive uma carência de técnicos qualificados, que uma renovação é urgente e que um técnico de fora pode ser bem vindo. Mas não qualquer um: Colinas não se mostrou melhor do que qualquer treinador da Liga de Basquete Feminino.

Agora, resta à CBB encontrar um treinador que tenha capacidade para assumir essa Seleção e comandar o urgente processo de renovação que essa equipe precisa. No Brasil, só vejo um nome capaz de fazer este trabalho: Paulo Bassul. Mas, pelo jeito, a rusga com Iziane é insuperável, e a Confederação já escolheu seu lado. Não se surpreendam se esta bucha estrourar nas mãos da ainda inexperiente Janeth

Chance para fazer história

É bem verdade que últimos anos as Seleções Brasileiras de basquete percorreram caminhos de pouca luz. Porém, nem por isso grandes talentos deixaram de aparecer no país, e, aos poucos. jogadores aqui nascidos começaram a quebrar barreiras internacionais. Só para citar as conquistas que vieram no basquete dos Estados Unidos, tivemos a entrada de brazucas na NBA e na WNBA, campeãs da WNBA, jogadoras no All-Star Game da WNBA, o melhor sexto homem da NBA e um atleta no All-Star Weekend da NBA. E, nesta temporada, podemos ver mais uma barreira sendo superada.

Derek Fisher testa a qualidade do desodorante de Nenê

Não me parece exagerado de maneira alguma dizer que Nenê vem fazendo sua melhor temporada. Isso pode ser representado pelas suas médias: 14,9 pontos (melhor da carreira), 6,9 rebotes (4ª melhor), 2,3 assistências (2ª), um toco (2ª), 0,8 roubadas de bola (7ª) e 1,68 turnovers (3ª) em 31 minutos por jogo (4ª). Além disso, seu aproveitamento de 63,1% nos arremessos de quadra o torna líder de toda a NBA neste quesito. Credenciais para que o atleta se torne o primeiro brasileiro a participar do All-Star Game da liga.

O jogador vem sendo importantíssimo para o Denver Nuggets nessa temporada, que sofre com a indecisão de Carmelo Anthony – o ala, astro máximo da franquia, já manifestou interesse em deixá-la. Por isso, esta é uma boa hora para Nenê mostrar que pode ser útil para a equipe mesmo caso Melo decida sair de lá. Até aqui, o pivô vem sendo importante para a arrancada de seu time, que venceu oito das últimas dez partidas que disputou e, com recorde de 14-8, ocupa a sétima posição na Conferência Oeste, com boa vantagem sobre o Phoenix Suns (11-12), nono colocado.

Mas não é só a grande temporada do brazuca que pode colocá-lo no ASG: a falta de concorrentes pode ajudar. Com Pau Gasol inscrito como ala, os rivais de Nenê na votação  para pivô do time do oeste são Andris Biedrins, Andrew Bynum, Marcus Camby, DeMarcus Cousins, Marc Gasol, Brendan Haywood, Chris Kaman, Robin Lopez, Emeka Okafor, Mehmet Okur e Yao Ming.

Bynum e Ming, dois dos mais populares pivôs da lista, estão machucados. Na mesma situação encontra-se Kaman, na minha opinião o mais técnico desta lista. Por isso, vejo  Marc Gasol como grande concorrente para Nenê na briga por um lugar na partida festiva. Mas vale lembrar que o espanhol joga no Memphis Grizzlies, uma das equipes menos populares da NBA, o que pode favorecer o brazuca na disputa.

É uma pena que Nenê não defenda a Seleção Brasileira há algum tempo. E, pelo menos para este artigo, não interessam os motivos dessa ausência. Porém, mesmo longe, o pivô pode ajudar a escrever uma importante página na história do basquete de seu país.

Exagerados

O clima era impressionante na quinta-feira. Grandes jogadores da NBA comentavam no Twitter sobre a partida que estava por começar. Parecia jogo sete da final da liga – talvez, em alguns aspectos, fosse até mais esperado, já que atraiu espectadores que nem gostam de basquete. A volta de LeBron James para Ohio, para enfrentar o Cleveland Cavaliers, está com certeza entre os eventos esportivos do ano, e é sem dúvidas o ponto alto da temporada 2010/2011 até aqui.

Camiseta feita para hostilizar LeBron: "O Rei Mentiroso"

Posso entender o porquê do sentimento negativo que o astro causou em Cleveland. O ala, esperança de títulos em uma cidade que amarga uma longa espera por conquistas, jamais conseguiu o anel da NBA, e anunciou que deixava de lado este projeto em rede nacional, para a ira da torcida local. Torcedor é isso mesmo, é sentimento, é paixão. Não consegue entender que seu ídolo, antes de tudo, é um ser humano, um atleta, que tem como profissão vencer – no fundo, é isso que LeBron foi buscar no Miami Heat.

Além disso, mais do que de ídolos, a NBA está carente de bad boys. Carente de vilões. A aposentadoria de Rasheed Wallace representou o fim de uma era de confusões, brigas, declarações inusitadas. Ainda temos Ron Artest em atividade, mas nessa temporada o ala anda bem comportado. Acho que David Stern conseguiu o que queria – um bando de jogadores que fingem ser comportados e não se envolvem em polêmicas. Um saco. Por isso, talvez, LeBron tenha se transformado rapidamente em vilão.

O que não consigo entender, no entanto, é como esse ódio se espalhou de tal maneira até chegar no Brasil. Conversando com amigos fãs de basquete e lendo comentários no Twitter, pude ver que nove entre dez pessoas estavam torcendo pelo Cavs. Até aí, tudo bem – torcer para o time mais fraco parece sempre ser o caminho. Mas daí a dizer – como muitos fizeram – que o tim e de Cleveland venceria o jogo pela honra de sua cidade, aí é demais. Quantos jogadores do elenco nasceram em Ohio? Provavelmente, os atletas têm mais laços afetivos com LeBron do que com o local em que jogam.

Eu confesso que torci pelo Cavs, simplesmente porque achei que seria uma festa bacana na cidade caso eles ganhassem o jogo. Confesso também que não estou entre os maiores fãs de LeBron – acho que ele toma decisões erradas nos momentos decisivos da partida, e por isso não o coloco entre os meus jogadores prediletos da NBA. Mas o acho um craque, completo e de personalidade interessante. Por isso, não consigo entender esse ódio exagerado que paira sobre o astro fora de Cleveland. Deixem The King buscar sua coroa em paz!