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Novela Melo

De acordo com o jornalista David Aldridge, que trabalha para a NBA e para a TNT, o fim da novela Carmelo Anthony deve acontecer na próxima semana. Em uma troca envolvendo três times, o astro deve mesmo ir parar no New Jersey Nets, que receberia também o armador Chauncey Billups e o ala-armador Richard Hamilton. Em troca, o Denver Nuggets ficaria com o novato Derrick Favors e duas escolhas de primeira rodada do time de Nova Jersey, enquanto o Detroit Pistons herdaria o contrato expirante do ala-pivô Troy Murphy. O Nets ainda teria de mandar alguns jogadores secundários para as duas equipes para que a troca se tornasse possível. Na iminência do maior negócio da temporada até aqui, vou usar esse espaço para comentar o impacto das transferências nas três equipes envolvidas.

Em Nova Jersey, Carmelo vai ganhar seu salário no melhor estilo máfia

O Nets está na dele. A equipe foi uma das que se planejou para ter bastante espaço na folha salarial nesta offseason, mas ficou a ver navios: viu LeBron James, Dwyane Wade, Amare Stoudamire, Chris Bosh e companhia assinarem com outras franquias e ficou sem uma estrela sequer. Agora, enfim, o time de Nova Jersey teria nomes de respeito para que o bom técnico Avery Johnson possa desenvolver seu trabalho.

A equipe teria dois bons armadores, Billups e Devin Harris, e três titulares absolutos, Hamilton, Anthony e Brook Lopez. Além disso, teria coadjuvantes interessantes, como o versártil ala Travis Outlaw e o ala-pivô Kris Humpries, que melhorou bastante seu jogo nesta temporada. Sem dúvidas uma base com potencial para playoffs, ainda mais fraca Conferência Leste. Resta saber se ainda daria tempo para se classificar nesta temporada: hoje, o Nets está seis jogos atrás do Philadelphia 76ers, atualmente oitavo colocado e dono da última vaga.

O Nuggets já começa a se planejar para o futuro. A equipe, ciente de que não conseguiria manter Anthony – agente livre na próxima offseason – traz um jovem promissor, Favors, e escolhas de primeira rodada para os próximos drafts. Afinal, o time de Denver foi montado ao redor de Melo, e não faria sentido manter coadjuvantes escolhidos para completar o astro. A franquia já se move nos bastidores para tentar trocar Al Harrington, de preferência por mais jovens e escolhas de draft, e penso que deveria fazer o mesmo com outros jogadores mais velhos, como Aaron Afflalo, Kenyon Martin e Chris Andersen.

A mudança do Nuggets partiria de Favors e de outro jovem com talento que já está no elenco, o armador Ty Lawson. Ainda acho pouco para atrair bons jogadores, mas, com esses dois e com escolhas de draft, já é um começo. Pra mim, o time acerta ao apostar em jovens ao invés de ficar no ostracismo por temporadas e temporadas com um elenco formado, basicamente, por coadjuvantes.

Por fim, o Pistons dá o primeiro passo para enfim se renovar e sair deste ostracismo. Ninguém discute o talento de jogadores como Hamilton, Ben Gordon, Tracy McGrady, Tayshaun Prince, Charlie Villanueva e Ben Wallace. Mas nas últimas temporadas, ficou provado que esse núcleo não vai levar a equipe a lugar nenhum. Trocando por um expirante, a franquia dá um grande passo e pode dar mais minutos para seus jovens, como Rodney Stuckey, Austin Daye, Jonas Jerebko e Greg Monroe.

Para o San Antonio Spurs, a troca tem como efeito óbvio o enfraquecimento da Conferência Oeste, já que o Denver deixaria de ser uma potência ao trocar com dois times do Leste. Por outro lado, o enfraquecimento da Divisão Noroeste pode significar mais vitórias para Oklahoma City Thunder e Utah Jazz. Mas, no final das contas, acho que o impacto para a equipe texana vai ser quase nulo.

Rasheed no Spurs. Quem gostaria?

A imprensa norte-americana tem falado bastante sobre um provável retorno de Rasheed Wallace à NBA. Aos 36 anos, Sheed disputou a última temporada pelo Boston Celtics e obteve médias de 9.0 pontos e 4.1 rebotes em 22.5 minutos por noite. Nada mal para um veterano como ele.

Ainda segundo a mídia gringa, Rasheed que retornar ao Celtics para derrotar o Los Angeles Lakers numa eventual final da NBA e para dar força ao elenco na disputa do Leste contra o badalado Miami Heat.

No entanto, sua volta às quadras pode ser complicada por um simples fator. O Boston Celtics tem jogadores de sobra para atuar debaixo da cesta: Shaquille e Jermaine O’Neal, Glen Davis, o turco Semih Erden e até mesmo Kendrick Perkins, que se recupera de uma cirurgia no joelho e deverá retornar em breve.

Tendo isso em vista, onde Sheed seria encaixado? Doc Rivers, técnico do Celtics, negou todos os rumores e os classificou como sem cabimento. Wallace, contudo, teria sido visto recentemente num dos treinamentos da equipe. Vale lembrar que ele ainda reside em Boston e tem mais dois anos de contrato com a franquia.

E justamente esses anos de contrato que podem brecar uma possível ida para outro time. Caso retornasse à NBA, Sheed com certeza gostaria de disputar outro título. Se em Boston há poucas vagas, há alternativas no mercado, como Orlando Magic, Chicago Bulls e San Antonio Spurs.

Em Orlando, Wallace teria espaço de sobra como reserva de Dwight Howard e Brandon Bass. Em Chicago, ele seria um excelente backup de Carlos Boozer e Joakim Noah. Já em San Antonio, Sheed traria a experiência de um veterano rodado e faria basicamente o mesmo papel que Robert Horry fez há alguns anos atrás.

Mas aí alguém pode me perguntar se isso vai atrapalhar o desenvolvimento do brasileiro Tiago Splitter. Teoricamente sim, mas como Gregg Popovich vem frisando, Splitter ainda está sendo “moldado” para o estilo de jogo da NBA. Uma hipotética vinda de Rasheed Wallace traria muitos benefícios ao San Antonio Spurs. Sheed é um cara aplicado, que defende bem e pode jogar tanto de pivô como de ala-pivô. Seria um excelente reserva e daria ainda mais descanso para Tim Duncan, que pretende chegar inteiro à pós-temporada.

Vale lembrar que isso tudo é um simples devaneio da minha parte, um torcedor que gostaria muito de contar com os serviços de Rasheed Wallace. Na prática, meu sonho é praticamente impossível de ser realizado.

Problemas à mostra

Nessa semana, vimos o San Antonio Spurs perder duas partidas consecutivas pela primeira vez nesta temporada da NBA. Jogando fora de casa, a equipe caiu diante de New York Knicks e Boston Celtics, deixando muitos de nossos leitores, pelo que percebi nos comentários, apreensivos. Eu não estou entre os mais preocupados, e a campanha de 30 vitórias em 36 jogos ainda é excelente – não à toa, é a melhor da liga. Minha tranquilidade aumentou ontem, depois que o time venceu, também longe do Texas, o encardido Indiana Pacers. Acho ainda que as derrotas, ambas diante de equipes fortes, podem render frutos positivos, como mostrar a Gregg Popovich os pontos fracos de seu time.

Bonner e Blair na defesa... que nao é a especialidade da dupla

Ao meu ver, até aqui, a principal dificuldade do Spurs quando enfrenta equipes fortes é a sua defesa debaixo da cesta – principalmente contra alas-pivôs (conhecidos na NBA como PF’s). Se os texanos têm feito um bom trabalho em parar os principais pontuadores de perímetro adversários – como fez recentemente com Kobe Bryant, Kevin Durant e Danny Granger -, na área pintada o time encara dificuldades. A seguir, vou tentar demonstrar com números esta teoria.

Contra o New Orleans Hornets, primeira derrota da equipe, logo no segundo jogo da temporada, David West anotou 18 pontos – o segundo maior pontuador do time na partida – e três rebotes. Nosso segundo algoz na temporada, o Dallas Mavericks teve como cestinha Dirk Nowitzki, que fez 28 pontos e coletou oito rebotes. Na surpreendente derrota para o Los Angeles Clippers, o destaque foi Blake Griffin, com 31 pontos e 13 rebotes. Pelo Orlando Magic, Brandon Bass anotou 17 pontos (atrás apenas de Dwight Howard e empatado com J. J. Reddick na oportunidade) e seis rebotes.

Contra o New York Knicks, o técnico Mike D’Antoni pode ter se aproveitado dessa dificuldade para vencer. Com o desfalque de Danilo Gallinari, o treinador escalou Ronny Turiaf como pivô, puxou Wilson Chandler para a ala e colocou sua estrela Amare Stoudamire como ala-pivô. O resultado? 28 pontos e nove rebotes de Stat. Por fim, o Boston Celtics poderia ter feito maiores estragos na defesa do Spurs com Kevin Garnett, mas teve um Glen Davis inspirado, que deixou a quadra com 23 pontos, apesar de ter pego somente dois rebotes.

A princípio, este problema será difícil de corrigir. Tim Duncan ainda é um bom defensor no mano a mano, mas seu físico está claramente limitado pelo seu joelho. Por isso, o camisa 21 não tem mais pique nem atleticismo para correr atrás dos alas-pivôs adversários: Pop prefere, com razão, colocá-lo estático, embaixo da cesta, marcando pivôs. Com isso, não sobram grandes alternativas para pararem os alas de força.

Matt Bonner e DeJuan Blair fazem uma boa temporada, principalmente em termos ofensivos, mas são, ao meu ver, os dois piores marcadores de todo o elenco texano. Pop tem insistido nos dois, sacrificando um pouco a defesa e favorecendo o ataque. Deu certo na maioria dos jogos, mas não funcionou nos acima citados. O excessivamente criticado pelos leitores do blog Antonio McDyess e o brasileiro Tiago Splitter são bons no mano a mano no meu ponto de vista, e poderiam ajudar em alguns casos, mas são pesados demais para marcarem PF’s mais leves, como Lamar Odom e Jeff Green.

Carente de peças para suprir este problema, Pop vem apostando em algumas alternativas para driblar a carência. Em outra partida contra o Hornets, apostou no Small Ball e colocou Richard Jefferson para marcar West; funcionou. Em uma das vitórias sobre o Denver Nuggets, o triunfo veio no quarto quarto graças à defesa por zona. E em inúmeras outras partidas a equipe compensou as falhas das “peneiras” Bonner e Blair com um impecável trabalho ofensivo. Vem dando muito certo até aqui, mas será suficiente para que o time brigue pelo título?

Nada de pânico!

Ninguém gosta de perder dois jogos consecutivos. Ontem, diante do Boston Celtics, o San Antonio Spurs emplacou sua primeira sequência negativa da temporada. Antes de ser derrotado pelos verdes, o Spurs já havia sido sapecado pelo New York Knicks. Preocupante? Nada disso. Fui atrás de números referentes às três últimas temporadas de título: 2002/03, 2004/05 e 2006/07. Com base neles, percebi que reveses seguidos acontecem com mais frequência do que eu imaginava. Vejam abaixo!

Temporada 2006/07

Campanha: 58 vitórias e 24 derrotas

Sequências negativas: 7

Primeira: 27 e 29 de novembro de 2006 para Golden State Warriors e Utah Jazz

Segunda: 02, 03 e 05 de janeiro de 2007 para Cleveland Cavaliers, Minnesota Timberwolves e Utah Jazz

Terceira:  15 e 17 de janeiro de 2007 para Chicago Bulls e Los Angeles Lakers

Quarta: 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2007 para Utah Jazz e Phoenix Suns

Quinta: 09 e 11 de fevereiro de 2007 para Orlando Magic e Miami Heat

Sexta: 15 e 17 de março de 2007 para Milwaukee Bucks e Atlanta Hawks

Sétima: 15, 16 e 18 de abril de 2007 para Dallas Mavericks, Memphis Grizzlies e Denver Nuggets

Temporada 2004/05

Campanha: 59 vitórias e 23 derrotas

Sequências negativas: 5

Primeira: 21 e 22 de novembro de 2004 para Toronto Raptors e Memphis Grizzlies

Segunda: 08 e 09 de dezembro de 2004 para Seattle Supersonics e Houston Rockets

Terceira: 09 e 12 de março de 2005 para Phoenix Suns e Denver Nuggets

Quarta: 20, 21 e 23 de março de 2005 para Detroit Pistons, New York Knicks e Indiana Pacers

Quinta: 18 e 20 de abril de 2005 para Memphis Grizzlies e Minnesota Timberwolves

Temporada 2002/03

Campanha: 60 vitórias e 22 derrotas

Sequências negativas: 3

Primeira: 13 e 14 de novembro de 2002 para New Jersey Nets e Philadelphia 76ers

Segunda: 24 e 26 de novembro de 2002 para Seattle Supersonics e Denver Nuggets

Terceira: 30 e 31 de dezembro de 2002 para New York Knicks e Washington Wizards

Com base nesses números, podemos perceber duas coisas bem interessantes. A primeira é que esse pode ser o primeiro título do San Antonio Spurs sem uma sequência negativa nos meses de outubro, novembro e dezembro. Na temporada 2002/03, a última do Almirante David Robinson, a equipe só perdeu jogos consecutivos em outubro, novembro e dezembro. Nos meses seguintes, ninguém conseguiu impor mais de um triunfo seguido ao Spurs.

Força que vem do banco

A atual campanha do San Antonio Spurs, 28 vitórias em 32 jogos, surpreende até os mais otimistas torcedores da franquia texana. Normalmente, quando um time larga desta maneira na NBA, a responsabilidade é das estrelas, que jogam em alto nível e elevam o potencial da equipe. Porém, pelo menos ao meu ver, os responsáveis pelo recorde impressionante do Spurs estão no banco de reservas.

Kobe Bryant tenta chupar o indicador de George Hill

Claro, não podemos descartar a importância do trio Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan, nem a melhora de Richard Jefferson e DeJuan Blair. Mas estes são fatores com que todos contavam, incluíndo aí os adversários da equipe. As surpresas do Spurs estão entre os reservas, que têm desequilibrado as partidas a favor dos texanos enquanto os titulares descansam – ou quando estão num dia pouco inspirado.

Para tratar do banco do Spurs, temos de começar falando de George Hill. O armador – que joga em qualquer lugar no perimetro – trocou de papel com Ginobili e agora é o sexto homem da equipe, aquele que traz energia do banco de reservas. Além disso, é o principal defensor de perímetro do elenco, e mostrou isso marcando Kobe Bryant com maestria nesta semana. Tem médias de 11,3 pontos, 2,8 rebotes e 2,3 assistências em 27,4 minutos por jogo, e se tornou especialista nas bolas de três, principalmente da zona morta – tem 40% de aproveitamento na temporada.

Falando em arremessos de três, não podemos deixar Matt Bonner passar despercebido – afinal, ele é o líder da NBA em aproveitamento, com 49,5%. Confesso não ser entusiasta do ala-pivô, muito pelo contrário. Mas sou obrigado a admitir que seus arremessos de longe foram importantes em muitas das 28 vitórias que o Spurs conquistou nessa temporada. Se bem que, quando a bola dele não cai…

Mas a maior surpresa do elenco texano é com certeza o ala-armador Gary Neal. O novato, que não foi draftado – foi encontrado pela comissão técnica do Spurs jogando na Europa – tem, até aqui, médias de 8,5 pontos (39,5% de aproveitamento nos arremessos de três) e 2,6 rebotes em 18 minutos por partida. Porém, seu desempenho vem crescendo consideravelmente. Nos últimos dez jogos, passou três vezes da barreira dos vinte pontos, e anotou em média 13 pontos (43,8% de aproveitamento nos arremessos de três) e três rebotes em 23,2 minutos por partida. Com 51 bolas de três convertidas na temporada, é o líder entre os novatos no fundamento. Além disso, é importante nos rebotes: na estatística rebote por minuto, está no Top 10 entre todos os guards da NBA.

E não para por aí. Como dois de nossos big man pontuadores, Matt Bonner e DeJuan Blair, são verdadeiras peneiras, Antonio McDyess e Tiago Splitter vêm se revezando na tarefa de marcar os principais gigantes adversários. Nos jogos em que Hill esteve machucado, Chris Quinn apareceu com médias de 5,25 pontos e duas assistências em 16:56 minutos por noite. Ime Udoka é um ala especialista em defesa caso seja necessário. E temos ainda o novato James Anderson, que antes de se machucar era apontado como um possível reserva para Jefferson.

Tantas alternativas são muito imporantes para Gregg Popovich. Além de decidirem alguns jogos, estes reservas de qualidade permitem o descanso dos principais titulares da equipe. Estes minutos de repouso, acumulados, podem ser importantes mais para frente, principalmente durante os playoffs.