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Reconstruindo o Spurs – O perímetro
Amigos, excepcionalmente nesta semana, minha coluna Na Linha dos 3, que costuma ir ao ar aos sábados, foi publicada nesta sexta-feira (29). Isso porque, no fim de semana, teremos dobradinha de San Antonio Silver Stars aqui no Spurs Brasil: a nossa blogueira Roberta Rodrigues vai publicar sua excelente coluna Vestiário Feminino no sábado e no domingo.
Por isso, resolvi retomar uma ideia que deu certo na última offseason. Começa hoje uma série de colunas especiais chamada Reconstruindo o Spurs. Nela, vou dissecar o elenco do Spurs em três partes: “O perímetro”, para falar de armadores e alas-armadores; “Posição 3”, para falar dos alas; e “O garrafão”, para falar de alas-pivôs e pivôs.
Cada post terá quatro partes: “O elenco”, para falar sobre a situação dos jogadores que terminaram a última temporada no plantel do Spurs; “O Draft”, para falar sobre como o recrutamento pode ter ajudado a franquia; “Na Europa”, para analisar possíveis reforços que atuam no Velho Continete; e “No Mercado”, para falar sobre possíveis contratações de free agents para a equipe de San Antonio.
Vamos então à primeira parte, “O perímetro”.

Importância cada vez maior
1) O elenco
Vamos então, a seguir, ver a situação de armadores e ala-armadores que terminaram a última temporada com o Spurs, por ordem de importância:
Manu Ginobili – Indiscutível, o ala-armador já deu a entender que quer continuar no Spurs até o fim de sua carreira – tudo indica que isso aconteça ao fim da temporada 2012/2013, sua última de contrato com a equipe texana. Na última campanha da equipe, o argentino voltou ao posto de titular, função que deve ter novamente quando a NBA voltar.
Tony Parker – O armador francês chegou a se envolver em rumores de troca na semana que antecedeu o Draft. Porém, deve começar a temporada como titular absoluto da equipe – principalmente após a saída de George Hill. Até por isso, Parker pode ter sua maior quantidade de minutos da carreira na próxima campanha do Spurs.
Gary Neal – O ala-armador foi a principal surpresa positiva da última temporada. Preciso nos arremessos de longa distância, o jogador foi, aos poucos, ganhando minutos na reserva de Ginobili e até na de Richard Jefferson, e não decepcionou – nos playoffs, acertou, provavelmente, a bola mais importante do Spurs neste ano. Agora, quando a NBA voltar, Neal deve receber uma nova função – com a saída de Hill, Gregg Popovich já demonstrou interesse em usar o segundanista como armador principal.
James Anderson – Na última temporada, Anderson foi atrapalhado por lesões, e jogou apenas 26 das 82 partidas do Spurs no ano. Enquanto o novato estava no estaleiro, viu Neal ganhar espaço nos minutos que poderiam ser seus. Agora, o ala-armador terá de lutar para recuperar terreno – é, no elenco, um dos mais prejudicados pelo cancelamento das Summer Leagues. Na temporada 2010/2011, Anderson foi mais usado na posição 3, mas, com Neal atuando na armação, o jogador deve voltar à sua função de origem.
Chris Quinn – Contratado com a última temporada já em andamento, Quinn é free agent nesta offseason, e tem poucas chances de permanecer no Spurs. Pode acabar ficando apenas por conta da saída de Hill. Enquanto a NBA não volta do locaute, o armador vai atuar no BC Khimki Moscow Region, da Rússia.
2) O Draft
Para a armação, o Spurs selecionou dois armadores no último Draft. Um deve causar impacto imediato, e o outro é uma aposta para o futuro. Vamos à situação da dupla:
Cory Joseph – Com apenas 19 anos, Joseph foi uma das principais apostas do Spurs no último Draft. Na teoria, o armador chega para ser o reserva imediato de Parker. Mas, na prática, vale lembrar que Pop não costuma dar muito tempo de quadra para os novatos – tanto que pretende usar Neal como armador principal. De qualquer maneira, potencial não falta para Joseph, que, na última temporada – sua primeira universitária – disputou 36 jogos pelo Texas Longhorns e apresentou médias de 10,4 pontos (42,2% FG, 41,3% 3 PT, 69,9% FT), 3,6 rebotes, três assistências e uma roubada de bola em 32,4 minutos por jogo.
Adam Hanga – 59ª e penúltima escolha do último Draft, Hanga é provavelmente uma das maiores incógnitas deste recrutamento de calouros. Na última temporada, o ala-armador húngaro disputou 39 jogos pelo Albacomp-UPC Szekesfehervar, equipe de seu país, e apresentou médias de 17,6 pontos, 4,4 rebotes, 3,4 assistências e 2,8 roubos de bola por partida. O jogador, no entanto, deve demorar para vestir a camisa do Spurs – nesta offseason, ele acertou sua transferência para o Assignia Manresa, da Espanha.
3) Na Europa
O Spurs tem os direitos sobre um combo guard francês que, se não chegou à maturidade certa para jogar na NBA, está bem perto disso. Veja sua situação à seguir:
Nando de Colo – Selecionado pelo Spurs na 53ª escolha do Draft de 2009, De Colo atua no Valência, da Espanha, desde então. Na última temporada, disputou 19 partidas na Euroleague, e anotou, em média, 10,1 pontos (33,5% FG, 27,6% 3 PT, 95,7% FT), 2,6 rebotes, 1,6 assistências e 1,4 roubadas de bola por jogo. Nesta offseason, se juntou à seleção francesa para a disputa do Eurobasket, classificatório para a Olimpíada de Londres-2012. Nos dois primeiros amistosos de preparação da seleção, foi titular na armação ao lado de Parker, anotando, em média, 13 pontos (47,6% FG, 25% 3 PT, 80% FT), cinco rebotes, 3,5 roubadas e 2,5 assistências em cerca de 23 minutos por exibição.
4) No Mercado
Com os jogadores acima citados, o Spurs me parece estar em boa situação nas posições 1 e 2. Vale lembrar que a franquia texana já está acima do teto salarial e, salvo qualquer troca, não vai poder gastar muito com reforços. Mesmo assim, existem agentes livres interessantes e acessíveis para a armação disponíveis no mercado. Confira-os a seguir:
Delonte West – Joga nas posições 1 e 2 e defende bem: seria uma boa alternativa para ocupar exatamente o papel de Hill no elenco, enquanto Joseph desenvolve melhor seu jogo. O problema é que West é mentalmente instável e, por isso, pouco confiável.
DeShawn Stevenson – Chegou a ser titular em algumas partidas pelo campeão Dallas Mavericks, mas pode perder espaço para a próxima temporada, já que a equipe contratou Rudy Fernandez e pode manter J.J. Barea e Caron Butler. Especialista em defesa e arremesso de três pontos, Stevenson poderia ganhar uns minutinhos para marcar armadores como Kobe Bryant, Rusell Westbrook e Dwyane Wade.
D.J. Strawberry – Longe da NBA desde a temporada 2007/2008, Strawberry passou pela D-League, pela Itália e pela Lituânia desde então. Segundo especialistas, o Spurs estava interessado em sua contratação antes do locaute.
Earl Boykins – Pouca altura, muito carisma. O baixinho poderia suprir a função de Hill deixada no Spurs, a reserva da armação, deixando o novato Joseph focado em seu desenvolvimento. O problema é que o Spurs ficaria com dois armadores parecidos: Parker e Boykins são mais pontuadores do que passadores.
Sebastian Telfair – O armador chegou a disputar algumas partidas como titular no Minnesota Timberwolves na última temporada – o que, eu sei, não deve dizer muita coisa. Mas, com a chegada de Ricky Rubio, deve perder espaço, e poderia ser uma opção decente para a reserva de Parker quando Pop quiser um jogador mais experiente do que Joseph.
Tracy McGrady – O bom e velho T-Mac – mais velho do que bom, recentemente – se destacou em algumas partidas na última temporada, no Detroit Pistons, como armador principal. Eu aceitaria ele no Spurs, pelo mínimo para veteranos…
E aí, o que achou deles?
Se você sair perguntando qual é o ponto fraco do elenco do San Antonio Spurs, 11 entre dez pessoas que acompanham a equipe vão dizer que é a ala e o garrafão. Ou, ao menos, uma dessas respostas. O pior é que são posições importantíssimas no esquema de Gregg Popovich – desde as saídas de Bruce Bowen e David Robinson, Tim Duncan não encontrou parceiros confiáveis na frountcourt. No máximo, um Robert Horry. E, nesses primeiros dias de offseason, pudemos acompanhar de perto duas apostas da franquia para o futuro: Ryan Richards e Davis Bertans.
Richards esteve na Divisão B do Europeu Sub-20 com a Grã-Bretanha. O ala-pivô era o principal jogador de sua seleção, e, em sete jogos – contando partidas por posições menores, já que o time do Reino Unido ainda joga na disputa pelo 13º lugar – apresentou médias de 22,3 pontos (46,7% FG, 37,9% 3 PT, 76,3% FT) e 8,1 rebotes em 28,1 minutos por exibição. São números animadores – ainda mais se levarmos em conta que foi o primeiro torneio oficial do big man no ano, já que o atleta ficou afastado por um bom tempo recuperando-se de uma contusão no ombro.
Richards tem 2,13m e poderia ajudar a solucionar um problema do Spurs que ficou evidente na série contra o Memphis Grizzlies – a altura do garrafão. Além disso, o jogador me passou uma boa impressão também por outras qualidades, como sua velocidade, seu jogo de costas para a cesta e seu arremesso de média e longa distância. Mas vamos com calma: este era um torneio amador, e de nível baixo – vale ressaltar, é a segunda divisão do europeu. Richards tem sim potencial – tanto que a franquia texana já tenta trazê-lo para a próxima temporada. Mas ele ainda tem um longo caminho a percorrer antes de ganhar uma fatia relevante de minutos na rotação. Se contratado, seria um dos principais prejudicados pelo cancelamento da Summer League, e poderia até mesmo passar alguns meses no Austin Toros para se adaptar ao basquete americano.
Se a contratação de Richards é questão de tempo – imagino que ele se junte ao elenco do Spurs no máximo durante a temporada 2012/2013 – o casso de Bertans exige ainda mais paciência. O ala, draftado por sua precisão no arremesso de três pontos, parece ter sentido a pressão de ser a estrela do time da casa no Mundial Sub-19. Em oito partidas – novamente, contando as disputas por posições menores – o letão apresentou médias de 15,2 pontos (36,7% FG, 26,7% 3 PT, 75% FT) e 6,4 rebotes em 31,1 minutos por exibição.
A princípio, seu baixo aproveitamento assusta. Mas vale lembrar que Bertans é ainda mais jovem do que Richards – e, proporcionalmente, jogou um campeonato de nível maior. Além disso, tinha a pressão por desempenho que o big man britânico não tinha por ser a estrela do time da casa. E, para piorar, jogou improvisado no garrafão por ser um dos mais altos da equipe nacional. Ou seja: foi difícil basearmos qualquer tipo de conclusão sobre seu jogo por conta deste torneio.
Ainda é cedo para sabermos se Bertans e Richards podem ser, um dia, os jogadores que o Spurs precisa para a posição 3 e para o garrafão, respectivamente. Talento para isso eles têm: precisão nos arremessos, no caso do ala, e altura e facilidade para pegar rebotes, no caso do ala-pivô. Se os olheiros do Spurs acham que sim, quem sou eu para falar que não?
Nos próximos meses, teremos mais jogadores do Spurs em atividade por suas seleções durante a offseason. Velhos conhecidos, como Tony Parker, Manu Ginobili e Tiago Splitter, e novas faces, como Cory Joseph e Adam Hanga. Não perca a cobertura completa no Spurs Brasil!
Venham para o Brasil!

O loucate da NBA é pra lá de triste. Tudo bem, eu sei que estaríamos sem jogos da liga americana nesta época de qualquer maneira. Mas a incerteza em relação à próxima temporada incomoda bastante. Incerteza essa que levou alguns jogadores a assinarem com times europeus: o principal deles foi Deron Williams, contratado pelo Besiktas, da Turquia. Isso me leva a sonhar: será possível vermos jogadores atuando por equipes brasileiras enquanto a temporada 2011/2012 não começa?

Granger preocupado com a marcação de Marcelinho Machado
O ala Josh Childress pode ser nosso aliado nessa causa. O jogador, que passou pelo Olympiacos entre sua saída do Atlanta Hawks e sua chegada ao Phoenix Suns, disse que não é uma boa ideia ir para a Europa. Segundo o atleta, lá os técnicos são exigentes demais, e não gostam de lidar com estrelas. Além disso, disse que os esquemas táticos são muito lentos e rigorosos, impedindo o uso de individualidades.
Se jogadores dispostos a ganhar dinheiro durante o locaute aceitarem esses argumentos, porque não vir jogar no Brasil? Claro que é impossível imaginarmos Kobe Bryant, LeBron James ou Tim Duncan atuando em nosso país (pelo menos em jogos oficiais). Mas, se nosso campeonato ainda está engatinhando na parte técnica, nosso mercado é, talvez, o mais atrativo da América Latina – desde que o NBB começou, as equipes brasileiras conseguiram contratar jogadores de destaque que atuavam em países vizinhos.
Os próprios jogadores brasileiros que atuam na NBA poderiam ajudar com a causa. Anderson Varejão já conseguiu trazer Danny Granger para o país. Claro, foi para um jogo festivo, mas será que o ala não gostou da recepção que encontrou? Granger parece um sonho distante, mas será que Drew Gooden, que também participou daquela partida, é um alvo impossível? Para nós, torcedores do San Antonio Spurs, seria bacana até mesmo a presença de Keith Bogans, ala-armador que já atuou pela equipe texana.
A presença de um ou dois jogadores da NBA poderia ser o combustível que o NBB precisa para, enfim, atrair torcida para os ginásios. Eu mesmo, apaixonado por basquete, tenho pouca motivação para assistir a jogos do Paulistano e do Pinheiros aqui na cidade de São Paulo. São clubes de pouco apelo popular, e ainda existe a dificuldade de acesso (não tenho carro, acho que preciso de um aumento aqui no Spurs Brasil). Mas imagine quantos fãs como eu existem por aí, precisando apenas de um pequeno empurrão para que passem a frequentar as quadras da nossa liga nacional. A partir daí, pegar simpatia por uma equipe e virar presença certa nas partidas torna-se viável.
Sonhando alto, a presença de um Danny Granger da vida podia até mesmo fazer com que alguns jogos do NBB fossem transmitidos em rede nacional – quem sabe na Globo, aos domingos de manhã, durante o Esporte Espetacular? Sem dúvidas, seria um incentivo incrível para que o basquete crescesse ainda mais no Brasil.
Spurs Brasil apresenta novidades
Amigos leitores, o blog preferido de vocês (por favor, não me desmintam na caixa de comentários) tem uma novidade na barra lateral direita. Lá no final, estamos atualizando nossos links, com as melhores páginas sobre outras franquias da NBA, os melhores blogs de basquete do Brasil e os melhores sites americanos sobre o Spurs.
Além disso, nessa semana vamos estrear uma parceria com o Pounding the Rock, site situado nos Estados Unidos e especializado no San Antonio Spurs. Durante a offseason, o Spurs Brasil será o fornecedor oficial de notícias sobre o Tiago Splitter. Tudo graças ao sucesso da entrevista que nosso blogueiro Victor Moraes fez com o pivô. Obrigado a nossos leitores por nos ajudarem a conquistar esse espaço!
Análise dos novos jogadores
Andei meio ausente do blog nos últimos meses por motivos particulares, mas pretendo voltar aos poucos com notícias, colunas e tudo mais (estava no ritmo do locaute, na verdade). Vou aproveitar essa oportunidade para comentar um pouco sobre os novos jogadores do Spurs – os que chegam já na próxima temporada e os que devem vir ao longo dos próximos anos.
Kawhi Leonard
Todos sabiam que o San Antonio Spurs estava disposto a quase tudo para reformular parte de seu elenco. O que quase ninguém esperava, no entanto, era envolver o queridinho George Hill na brincadeira. Queridinho porque Gregg Popovich já falou por mais de uma vez que Hill era seu atleta preferido. Mas caramba, se o cara faz tanta diferença assim, trocá-lo é um bom negócio?
A resposta é sim! Por mais que o Hill seja um cara bacana, dedicado e ótimo defensor, às vezes é preciso fazer pequenos sacrifícios em nome de algo maior. Ninguém gostaria de negociá-lo, essa é a verdade, mas foi um movimento necessário, um legítimo sacrifício.
Vocês devem estar pensando: bom, para se livrar de um baita cara como o Hill, os dirigentes do Spurs devem ter trazido alguém pra lá de promissor. É verdade. Por mais que eu tenha visto o Kawhi Leonard apenas em vídeos, o que mais me impressionou foi o montante de críticas positivas que ele recebeu da mídia especializada norte-americana. Lembro-me de uma matéria (acho que da ESPN) em que nove dos dez comentaristas questionados sobre a troca afirmavam que R.C. Buford e companhia fizeram um bom negócio. Se os caras que realmente acompanham o dia-a-dia do basquete americano aprovaram em massa a transação, quem sou eu para falar o contrário.
Leonard chega ao Spurs para preencher um espaço vazio desde a saída de Bruce Bowen. Coincidentemente, desde que Bowen foi embora, Gregg Popovich nunca mais acertou o time. Falta aquele marcador insano que, além de grudar no melhor jogador adversário, ainda mata duas ou três bolinhas de três no ataque. Pensávamos que esse cara poderia ser o Richard Jefferson, mas em pouquíssimo tempo ele virou um estorvo sem fim, tanto que todos em San Antonio querem sua cabeça.
Na próxima temporada, Jefferson deverá ter minutos limitados. Apesar do altíssimo salário, o ala deverá jogar seus 15 minutos por noite – e olhe lá. Provavelmente ele ficará mofando no banco até o fim de seu contrato. Para piorar, nenhuma equipe que se preze aceitará negociar com o Spurs se continuarem insistindo em empurrá-lo goela abaixo. Ninguém é bobo e os engravatados texanos deveriam saber disso antes de pagarem uma bolada por um atleta que pouco mostrou em seu primeiro ano em San Antonio.
Corey Joseph
A vinda de Corey Joseph mostra que o Spurs já havia planejado a troca de George Hill antes mesmo da noite do Draft. Joseph, segundo os especialistas norte-americanos, tem basicamente as mesmas características do seu antecessor – boa defesa e um bom chute de longa distância, além de um senso de liderança diferenciado.
É bom saber que houve um planejamento e que nada foi feito de forma precipitada. Caso contrário, poderíamos ter Tony Parker como titular e um Jacque Vaughn da vida como suplente imediato. Nós já passamos por isso recentemente, e quem acompanha o time há algum tempo sabe como é desgastante ter um armador limitado como primeiro reserva.
O que nós esperamos do Corey Joseph é que ele consiga desenvolver seu basquete da mesma maneira que o George Hill. É bom ressaltar que, quando desembarcou em San Antonio, o ex-número três era um total desconhecido vindo de uma universidade menos conhecida ainda. Joseph, por outro lado, vem de uma escola mais tradicional e conseguiu um bom trabalho por lá (isso é animador).
Davis Bertans
No meu ponto de vista, a grande cartada da patota de R.C Buford foi adquirir esse Davis Bertans na noite do Draft. Antes do recrutamento, muitos diziam que a equipe havia prometido selecioná-lo com a escolha de primeira rodada.
O Draft foi passando, passando, passando, e quando chegou a vez do Spurs o escolhido foi Corey Joseph. Mais algumas escolhas passaram e nada de Bertans ser selecionado. A angústia do jovem só terminou quando a vez dos texanos chegou novamente.
Vindo do pouco representativo basquete da Letônia, Bertans é uma das grandes promessas do basquete europeu. Alguns o comparam com Dirk Nowitzki, embora eu ache que isso seja um pouco exagerado. Assisti alguns vídeos dele e também uns poucos jogos do recente Mundial Sub-19. Davis é claramente talentoso e tem um ótimo arremesso de longa distância. Podemos dizer que ele até tem um estilo semelhante ao Dirk Nowitzki, mas ainda é MUITO cedo para comparar.
Como todo jovem, Bertans ainda é cru – tenta arremessos precipitados e é bem inconstante, algo que tempo e experiência felizmente podem corrigir. A tendência é que ele fique na Europa por mais uns três ou quatro anos antes de fazer o esperado salto para a NBA. Em San Antonio, esperam que ele consiga desenvolver seu basquete no Velho Continente a ponto de se tornar uma estrela por lá. Particularmente, acho que há grandes chances disso acontecer. Como vocês podem perceber, estou bastante esperançoso com esse cara.
Erazem Lorbek
O esloveno Erazem Lorbek vem daquele mesmo pacote que trouxe Kawhi Leonard para o Texas. Trata-se de um jogador rodado, mas a dúvida que fica é: quando ele virá para a NBA? Bem, a verdade é que Lorbek talvez nunca pise no AT&T Center. Isso porque ele é querido na Espanha, mais especificamente no milionário Barcelona, e tem proposta para ficar por lá até 2013. Eu até gostaria que ele viesse já na próxima temporada, mas temos que ser realistas: acho o negócio bem complicado e, se fosse apostar, diria que ele ficará na Europa.
Adam Hanga
R.C Buford chutou o balde ao recrutar o armador Adam Hanga. O atleta vem de uma escola ainda menos tradicional que Davis Bertans – a Hungria. Assim como Lorbek, o armador talvez nunca pise em solo americano para jogar basquete – seguirá o caminho de outros tantos que foram draftados e permaneceram na Europa por longos anos, como é o caso de Robert Javtokas e Viktor Sanikidze.
Por outro lado, Hanga parece determinado. Recentemente, ele esteve em San Antonio e parece ter agradado a todos por lá. Por vídeos, trata-se de um atleta interessante, mas ainda bem cru. Caso consiga uma boa equipe nos próximos anos e desenvolva seu jogo, tem chances de se juntar ao elenco texano em cerca de quatro ou cinco anos. Mas nutrir esperanças nesta aposta é loucura. Como disse, é só uma aposta.
Para concluir
Como vocês podem perceber, fiquei satisfeito com os movimentos recentes do San Antonio Spurs no draft. Fico triste pela saída do George Hill, que era um grande cara, mas penso que grandes equipes tem que pensar à frente. A aposta em jovens jogadores pode dar errado? Claro! Mas pelo menos tentaram alguma coisa. Com a mesma equipe que tínhamos na última temporada, as chances de título eram muito pequenas. Faríamos uma boa campanha na fase regular, mas na hora do “vamo ver” seríamos eliminados novamente.
Quando o título é o que menos importa

Ainda torcerei muito para esses caras
É uma pena que a trajetória da Seleção Brasileira sub-19 de basquete tenha acabado. No nosso país, o público viveu uma lua de mel de aproximadamente um ano com a equipe, que começou com a dominância de Lucas Bebê na Copa América e terminou com as boas atuações de Raulzinho no Mundial da categoria. Claro que a eliminação machuca – ainda mais como foi, com uma cesta espírita e contra a Argentina. Revés que, inevitavelmente, faz lembrar o que o Brasil sofreu no Mundial adulto contra os rivais sul-americanos. Porém, no meu entendimento, as derrotas apontam para caminhos diferentes.
A Seleção adulta precisa de resultados importantes para voltar a sorrir. Ele quase veio, duas vezes: contra os Estados Unidos, na primeira fase, e contra a Argentina, em partida eliminatória. Porém, para Marcelinho Huertas, Anderson Varejão, Tiago Splitter e companhia, o quase não bastou. O Brasil precisa de vitórias relevantes para que o esporte volte a crescer no país. Porém, nas equipes de base o foco deve ser outro.
Uma equipe sub-19 não deve ter como prioridade ser campeã, e sim formar talentos, tecnicamente e taticamente. Na parte técnica, não existe hoje, no país, ninguém mais confiável do que José Neto. O treinador é excelente no tratamento com jovens talentos, e, além de Raulzinho e Bebê, conseguiu extrair o máximo de cada jogador em determinados momentos do torneio. Além disso, na parte tática, montou, principalmente, uma defesa interessante, que sufocava o perímetro e deixava o garrafão a cargo do jovem pivô. Espero que a Confederação Brasileira de Basquete considere o nome do técnico quando Rubén Magnano deixar a equipe adulta.
Raulzinho faz parte do ciclo da Seleção para a Olimpíada de Londres-2012. E é muito difícil imaginar que Bebê não fará parte da preparação para os Jogos do Rio-2016. Além disso, foi possível detectar outros talentos na equipe, como Felipe Taddei, Bruno Irigoyen e Cristiano. O futuro parece próspero, independentemente de resultados.
A mesma paciência que devemos ter com esses talentos, peço que tenhamos também com Davis Bertans. O atleta, que já era figurinha certa no San Antonio Spurs desde antes do Draft, foi selecionado por sua precisão nos arremessos de três pontos. Porém, no Mundial sub-19, o jogador acertou apenas 24,4% dos lances que tentou do perímetro.
Mas Bertans teve sobre suas costas algo que a Seleção Brasileira não teve: pressão por resultados. A Letônia jogava em casa e, para piorar, o ala jogou improvisado, no garrafão, posição que não parece ser a sua. Além disso, o jogador, ainda imaturo – algo normal nessa idade – se sentiu obrigado a tentar reverter os resultados negativos que sua equipe acumulou, e atingiu a assustadora marca de 45 arremessos de três em cinco partidas. Média de nove por jogo, o que naturalmente não vai acontecer na NBA.
Mesmo assim, o jogador mostrou boa altura e envergadura, e deixou a competição com médias de 13,2 pontos e sete rebotes por exibição. Nada mal. O Spurs parece ter achado mais um talento, que ainda precisa ser moldado. Ainda assim, um talento.







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