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Chegou a hora de Tiago Splitter!

Mestre e discípulo lado a lado (Foto: Spurs Nation)

O brasileiro Tiago Splitter sofreu para se adaptar a San Antonio. Foi uma mudança drástica para ele. A cultura norte-americana é muito diferente da cultura brasileira e ainda mais distinta da cultura espanhola (onde Splitter atuava antes de ir para a NBA). Além disso, as dificuldades para se adequar ao sistema de Gregg Popovich e ao estilo de jogo ianque também foram evidentes.

O pouco tempo em quadra em sua primeira temporada revoltou muitos brasileiros. Nossa mídia, totalmente parcial, criticava sem motivos o treinador. Alguns diziam que ele tinha algo contra brasileiros, que estava velho, passado para o basquete, essas baboseiras infundadas dos ultranacionalistas por aí. Pouca gente se lembrou (claro, nunca acompanharam o Spurs de perto) que Popovich é conhecido por dar pouca “corda” aos novatos, preferindo lapidá-los no primeiro ano. Foi assim com inúmeros bons jogadores, desde os mais antigos, como Manu Ginobili, aos mais recentes, como George Hill.

Mas isso ficou no passado. A realidade agora é outra. Primeiro porque San Antonio vive uma carência bem grande no setor – o que facilita o lado do brasileiro. Segundo porque Splitter agora é um “veterano”. Mesmo sem ter feito uma pré-temporada (por conta do locaute), o pivô já conhece melhor a cidade, o sistema de jogo e também seus companheiros. “Me sinto em casa aqui”, disse ele recentemente ao Spurs Nation. “É diferente quando você é o novato e tem de aprender tudo. Agora eu já sei quase tudo”, completou o brazuca, fazendo referência às adversidades encontradas na última época.

Os próprios companheiros e adversários de Splitter sabem de suas qualidades e esperam ansiosos por uma grande temporada. “Agora que já o vimos jogar sabemos de seu potencial”. A frase é de ninguém menos do que Tim Duncan, grande líder do San Antonio Spurs. “Estou empolgado para vê-lo em quadra nos ajudando”, pontuou Timmy. Quem também é só elogios ao brasileiro é o rival Luis Scola, amigo particular do camisa 22. “Todos precisam de um tempo (para se adaptar)”, opinou o astro argentino. “Ainda acho que ele será um grande jogador na NBA. Tiago tem bons movimentos de costas para a cesta e é muito bom no que faz”, pontuou Scola.

Splitter concorda e sabe que pode fazer muito para auxiliar o time. “Acho que posso ajudar de diferentes maneiras – jogando de costas para a cesta, cavando faltas”, disse. “Esse era meu jogo na Europa e sou capaz de fazer o mesmo aqui”, finalizou.

O brasileiro está certo. Com mais tempo de quadra e com a confiança de todos, essa temporada tem tudo para ser uma das melhores de sua carreira. Ele deverá brigar pela titularidade com o também jovem DeJuan Blair. Acho Blair bom jogador, mas ele ainda tem muito a aprender – sobretudo na parte defensiva. Por outro lado, Splitter é mais maduro, mais experiente, foi MVP na Europa e tem uma grande bagagem internacional. É possível que Popovich comece 2011/2012 com DeJuan Blair no quinteto inicial, ainda mais agora que ele está mais magro e parece mais focado em seu trabalho. Tiago ganhará seu espaço aos poucos, naturalmente, e tenho certeza que ele será muito importante na temporada regular e também nos playoffs.

Uma offseason como qualquer outra

Começa hoje mais uma pré-temporada para o San Antonio Spurs. Os torcedores do time texano têm a esperança de que ele se recupere após a eliminação precoce nos últimos playoffs, diante do Memphis Grizzlies. Para isso, muitos esperavam contratações de peso, principalmente para a ala e para o garrafão. Mas, por enquanto, os únicos reforços foram o armador T.J. Ford e o ala-pivô Steve Novak, que renovou com a equipe – além, é claro, dos novatos Cory Joseph e Kawhi Leonard. Pouco pra brigar pelo título? Talvez. Mas com certeza uma offseason com a cara da franquia.

"FALA MUITO", diz Pop sobre os possíveis reforços

Claro que os torcedores tinham o direito de sonhar com uma grande contratação – e eu me incluí nessa lista. Ainda mais com nomes interessantíssimos disponíveis, como Caron Butler, Grant Hill, Shane Battier, Tayshaun Prince, David West, Nenê e Tyson Chandler, todos com caractesíticas que ajudariam a resolver as principais carências do Spurs. Mas, se pensarmos bem, contratar agentes livres caros não faz parte da filosofia da franquia na hora de montar o elenco.

O ponto forte da montagem do atual plantel texano está no Draft. Foi de lá que vieram os três principais nomes do Spurs: Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili, em ordem de chegada. Além disso, a franquia recrutou DeJuan Blair – candidato a virar titular com a aposentadoria de Antonio McDyessJames Anderson e Tiago Splitter – que podem ganhar espaço em sua segunda temporada na NBA. Isso sem falar, claro, em Joseph e Leonard, novidades do Draft deste ano.

O sucesso de Parker e Ginobili na franquia mostra outra característica recente do Spurs: a aposta em estrangeiros. Por se tratar de um mercado pequeno, San Antonio não é atrativa para os americanos, que preferem grandes centros como Los Angeles, Nova York e Miami. Por isso, a presença de gringos no elenco foi constante nos últimos anos: de cabeça, me lembro de Beno Udrih, Ime Udoka e Fabricio Oberto, além dos brasileiros Alex Garcia e, obviamente, Splitter. Isso sem falar em Nando de Colo, Adam Hanga, Davis Bertans, Erazem Lorbek e Ryan Richards, que têm os direitos ligados ao Spurs e são possíveis reforços para as próximas temporadas.

Com a base toda montada no Draft, as contratações de free agents costumam ser mais discretas. A franquia costuma adquirir apenas role players, jogadores que já chegam cientes de suas funções no elenco. São os casos de Gary Neal, Danny Green e Matt Bonner, além, é claro, do novo armador reserva Ford.

Nesta offseason, acho até que o Spurs pensou em fazer uma grande movimentação. Acredito seriamente que a franquia texana pensou em dispensar Richard Jefferson – único jogador do elenco obtido por meio de uma grande transação – e contratar Caron Butler para seu lugar. Mas, como o ala preferiu assinar com o Los Angeles Clippers, os texanos preferiram manter o camisa 24, que, apesar das dificuldades em se adaptar ao esquema de Gregg Popovich, já está adaptado à cidade, ao elenco e conta com a confiança do técnico, que afirmou que o jogador está melhorando.

Como consolo, a importância de Jefferson deve diminuir nessa temporada. A manutenção de Green, a melhora física de Anderson e a chegada de Leonard devem diminuir seus minutos. E, por incrível que pareça, isso pode ser bom para o camisa 24, que, com menos tempo de quadra, poderá concentrar sua energia na defesa, fundamento que precisa melhorar para se encaixar no esquema do Spurs.

Muitos sonhos para os torcedores, pouca movimentação dos dirigentes. Mais uma offseason com a cara do Spurs. Vamos esperar para ver se a evolução de Anderson, Green, Blair e Splitter e as chegadas de Ford, Joseph e Leonard serão suficientes para que a equipe volte a brigar pelo título.

Hora de abrir os olhos

Mr. Buford e Mr. Holt: façam alguma coisa!

Caro torcedor do San Antonio Spurs no Brasil. Ontem li um artigo muito interessante no Project Spurs sobre nossa equipe, e por isso resolvi vir aqui escrever meu ponto de vista em cima do que foi dito lá.

Como todos nós sabemos, a diretoria texana tentou trazer o ala Caron Butler para ocupar o posto de Richard Jefferson. Butler, no entanto, recusou a proposta e rumou para Los Angeles. Para atuar no Lakers? Pelo contrário: ele foi para o primo pobre da cidade – o outrora ridicularizado Los Angeles Clippers.

Mas por que ele se decidiu pela equipe californiana? Dinheiro? Mídia? A resposta para essa pergunta é simples: futuro! O Los Angeles Clippers tem hoje um dos elencos mais jovens e promissores da NBA. Blake Griffin e agora Chris Paul encabeçam uma equipe repleta de bons valores e com um horizonte brilhante pela frente.

E o que o San Antonio Spurs tem a ver com isso? Bem, como eu dizia lá no começo, a franquia texana brigou para contar com os serviços do ala, mas acabou perdendo para a juventude do Clippers.

Pensemos agora como Caron: nós temos algum atrativo atualmente? San Antonio é uma metrópole grande, é verdade, mas localizada bem longe dos grandes centros. A cidade fica no centro-sul dos Estados Unidos, ao passo que o dinheiro está concentrado no Leste (Nova York e Cia) e no Oeste (Los Angeles e Cia).

É claro que é possível montar bons times fora dos grandes centros (o próprio Spurs é prova disso), mas a dificuldade é bem maior, ainda mais por termos um elenco envelhecido. Tim Duncan está prestes a se aposentar, Manu Ginobili está bem longe de ser o Ginobili dos velhos tempos e Tony Parker nunca foi considerado o salvador da pátria.

O elenco continua bom? Sim, continua. Há bons jogadores, algumas promessas, mas nenhum Blake Griffin, por exemplo. No passado Tim Duncan foi um Blake Griffin e “trouxe” muitos atletas sem contrato para San Antonio. Mas quem é o nosso Blake Griffin de hoje? Ninguém! E é por isso que temos encontrado tantas dificuldades para contratar as peças que queremos.

Sei que é fácil falar e que deve ser complicado para os próprios dirigentes, mas alguma coisa tem de ser feita urgentemente. Pensar em algumas trocas, abrir espaço na folha salarial, montar um bom elenco aos poucos. O Memphis Grizzlies mostrou que esse combo pode trazer resultados – mesmo que esses resultados demorem um pouco a aparecer. Chegou a hora de pensar grande, pois caso contrário ficaremos muitos anos naquele limbo dos times que chegam aos playoffs e nunca ganham nada.

A incompetência na era Jefferson

O San Antonio Spurs é um modelo bem sucedido de administração na NBA. Não à toa, é a franquia de mercado pequeno com mais na liga – foram quatro, atrás apenas de Boston Celtics (17), Los Angeles Lakers (16) e Chicago Bulls (6). Mas nem por isso a franquia não erra. E, recentemente, tem errado feio. Falo das movimentações ao redor de Richard Jefferson, ala titular da equipe nas duas últimas temporadas.

Adivinha, doutor, quem tá de volta na praça...

Não questiono sua contratação. Quando o Spurs adquiriu Jefferson, ele vinha de uma boa temporada no Milwaukee Bucks. Em troca, a franquia texana enviou um já decadente Bruce Bowen, que havia jogado só dez partidas como titular na temporada anterior, e dos veteranos e dispensáveis Kurt Thomas e Fabrício Oberto. Vale lembrar que Bowen e Oberto se aposentaram depois da troca. Foi uma aposta mais do que válida.

A movimentação mais duvidosa aconteceu na última offseason. O contrato de Jefferson, que não conseguiu engrenar em seu primeiro ano com a equipe, acabaria no meio deste 2011, ao fim da última temporada. Mas a franquia decidiu quebrar o vínculo e renovar por mais tempo com o ala, diluindo seu salário por mais um ano. Resultado: o atleta agora está garantido até o meio de 2013, e ainda tem uma Player Option para a temporada seguinte.

Entendo que abrir mão de Jefferson após uma ou duas temporadas poderia ser precipitado. Eu o acho um bom jogador, que apenas tem dificuldades para se encaixar no rígido sistema de Gregg Popovich. Mas sinceramente não faz sentido renovar por tanto tempo com alguém que não tem rendido o esperado.

O segundo grande erro aconteceu nesta offseason. Confiantes de que conseguiriam contratar Caron Butler, os dirigentes do Spurs deixaram vazar que pretendiam usar a cláusula de anistia em Jefferson. Resultado: perderam não só Butler, mas também Tayshaun Prince, Shane Battier e Grant Hill, outras opções da equipe para a posição 3. E agora?

Agora, Pop terá o desafio de motivar um jogador que ficou sabendo pela imprensa que não fazia parte dos planos da equipe. Isso porque, sinceramente, Jefferson é melhor do outras opções ventiladas, como Reggie Williams, Josh Howard, Vince Carter, Maurice Evans e Bostjan Nachbar. Prova disso é que o camisa 24 foi confirmado no elenco que começou nesta sexta-feira (9) os treinos de pré-temporada.

Por falar em pré-temporada, o armador Cory Joseph, uma das principais apostas do Spurs no último Draft, não faz parte do elenco. Será apenas porque ele é jovem demais ou será que trata-se de um raro erro da equipe no recrutamento de calouros? Esperamos que R.C. Buford e companhia não tenham perdido a mão…

E tome rumor… A NBA voltou!

Rumores, empresários, possíveis contratações, fontes anônimas… É amigos, a NBA voltou! Com o fim do locaute tão próximo do começo da temporada, deveremos ter um mercado intenso nos próximos dias. Por isso, hoje vou usar este espaço para discutirmos: será que o San Antonio Spurs começou bem suas movimentações na offseason? Ao menos a princípio, acredito que não.

Tua batata tá assando, meninão!

Está na cara que a franquia texana considera seriamente a contratação de um ala. Caron Butler, Josh Howard, Maurice Evans e Bostjan Nachbar estão na lista de possíveis reforços da equipe. O que mostra certa insatisfação com Richard Jefferson, titular nas últimas temporadas em uma posição que certamente foi uma das carências do time desde a saída de Bruce Bowen. Mas vale lembrar que o camisa 24 apresentou médias de 11 pontos e 3,8 rebotes por partida, além de um belo aproveitamento de 44% nos arremessos de três. Será que algum desses reforços pode igualar essa produção?

Sinceramente, acho que só Butler pode chegar a números parecidos. E tenho cá minhas dúvidas se o ala, que terminou a última temporada com o Dallas Mavericks, se encaixaria no rígido esquema de Gregg Popovich, que exige um jogador na posição 3 com boa defesa e precisão nos arremessos de três.

Entre investir em um dos quatro jogadores citados ou dar tempo de quadra para os jovens do elenco, fico sem dúvidas com a segunda opção. Vale lembrar que, no plantel, a equipe terá o novato Kawhi Leonard e o especialista em defesa Danny Green. O ala-armador James Anderson pode ser improvisado na posição 3 com certa naturalidade e, em eventuais emergências, Manu Ginobili e Gary Neal podem quebrar um galho ali.

Mas, se a franquia texana quiser mesmo investir em um ala, acho que existem nomes mais interessantes no mercado. São os casos de Andrei Kirilenko, Grant Hill, Shane Battier e Tayshaun Prince, agentes livres irrestritos, e de Chris Douglas-Roberts, Jeff Green e Matt Barnes, que podem acabar entrando no mercado.

Porém, na minha opinião, a maior urgência é reforçar o garrafão. E, por enquanto, o único nome especulado foi o do bom e velho Fabricio Oberto. Mais velho do que bom, cá entre nós. Pouco para um time que claramente foi eliminado nos últimos playoffs por conta de dificuldades de marcação nas posições 4 e 5.

Acho que nessa temporada podemos contar com uma melhora de DeJuan Blair e, principalmente, de Tiago Splitter, o que pode poupar um pouco o veterano Tim Duncan. Mas vale lembrar que o ala-pivô Antonio McDyess, que terminou a última temporada como titular, pode acabar aposentando-se. Com isso, a quarta e última opção no elenco seria Matt Bonner, que… bem, é Matt Bonner.

Por isso, acho que o Spurs teria de investir todos os seus recursos nesta offseason para contratar mais um jogador de garrafão. Talvez até mesmo dispensando Jefferson por meio da nova cláusula de anistia e abrindo espaço para a chegada de Nenê ou Tyson Chandler, agentes livres irrestritos. Com um pouco de sorte, Marc Gasol também pode entrar no mercado. Ronny Turiaf, Glen Davis e Carl Landry são alternativas mais modestas. Mas opções não faltam.