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Confiem em Danny Green!

A contusão de Manu Ginobili foi assustadora, claro. O ala-armador é um dos jogadores mais importantes do elenco do San Antonio Spurs e com certeza fará muita falta até voltar. Mas, graças às características do plantel, o argentino talvez seja o membro do big three mais substituível. Pensei isso após a lesão do astro, já que a equipe texana tinha James Anderson e Gary Neal em sua reserva. Mas eu realmente não contava com uma coisa: que a ausência do craque abriria espaço para a aparição de uma força improvável do grupo, o versátil Danny Green.

Conheça o "novo" rosto do San Antonio Spurs
Gregg Popovich seguramente sabia que tinha um jogador de potencial, principalmente defensivo, em mãos. Prova disso é que Green ficou no elenco após uma série de testes na posição – ao contrário de Bobby Simmons, Ime Udoka, Larry Owens e Da’Sean Butler, que receberam oportunidades mas não conseguiram se firmar. Mas acho que nem o mais fervoroso dos fãs do jovem ala esperava um desempenho tão sólido e decisivo diante do Golden State Warriors.
É bem verdade que a vitória do Spurs sobre os californianos foi facilitada por conta da lesão de Stephen Curry. Mas isso de forma alguma tira os méritos de Green, único de toda a rotação que conseguiu exercer uma boa marcação sobre Monta Ellis – que marcou impressionantes 39 pontos no embate. Confiante por conta de seu sucesso defensivo, o ala do time texano ainda anotou oito pontos, alguns importantíssimos na reta final do duelo.
Green está acostumado a assistir grandes jogos do banco. Antes de chegar ao Spurs, o ala atuava no Cleveland Cavaliers de LeBron James. Porém, ao invés de deixar o tempo como reserva o desmotivar, o jovem parece ter tomado isso como lição, e, contra o Warriors, mostrou que sabe o que é preciso no último quarto de um jogo equilibrado – perícia defensiva e frieza no ataque. Uma mostra da maturidade do atleta, que, em entrevista concedida ao Spurs Brasil durante o locaute, mostrou que parece ser um cara inteligente e disciplinado – ou seja, tem o perfil que agrada Pop.
Sem contar com Ginobili, o técnico do Spurs tem usado três jovens jogadores – além de Green, James Anderson e Kawhi Leonard – para marcar as estrelas de perímetro do adversário. Hoje, contra o Denver Nuggets, provavelmente os três ficarão na cola do italiano Danilo Gallinari. A vantagem de Green é que ele é mais leve e ágil que os outros dois jogadores do Spurs. Por isso, Pop pode até mesmo arriscar e colocá-lo para marcar Ty Lawson no jogo de logo mais, dependendo do estrago que o armador estiver causando.
Para Green conseguir definitivamente uma vaga na rotação, só falta seus companheiros confiarem mais nele. Contra o Dallas Mavericks, após ganhar um rebote de ataque, o ala se posicionou livre no perímetro e ficou pedindo a bola para Tony Parker, que preferiu esperar que todo o ataque do Spurs se posicionasse para começar uma nova jogada. Mas o jovem não reclamou. Ao invés disso, simplesmente começou a movimentação que lhe cabia na jogada chamada pelo francês. Mais uma prova de sua maturidade.
A lamentar apenas o espaço que Anderson perdeu. Com Green em alta, o ala-armador, que tem no arremesso de três sua maior arma, mal entrou em quadra contra o Mavericks depois de ter sido titular contra o Warriors. Que ele se espelhe em seu companheiro e continue lutando para não virar uma eterna promessa – afinal, potencial ele tem de sobra.
Um novo Tim Duncan
A derrota de segunda-feira (2) para o Minnesota Timberwolves foi terrível. Além do revés, o San Antonio Spurs perdeu o argentino Manu Ginobili por tempo indeterminado. Acredita-se que o ala-armador se ausentará por até seis semanas. Apesar dos pesares, a noite de ontem teve alguns pontos positivos. O principal deles (talvez o único, na verdade) foi Tim Duncan.
Mas por que o velhaco Duncan, no auge de seus 34 anos, pode ser considerado um ponto positivo? É fato que o camisa 21 nem de longe lembra aquele garoto que encantou a liga e ganhou quatro títulos há alguns anos. É fato também que Timmy está mais lento e cada vez pior na defesa, mas ontem contra o Wolves Duncan mostrou que pode reinventar seu jogo.
Como disse anteriormente, Timmy está mais devagar. Os joelhos desgastados denunciam a idade avançada de um veterano incansável, que ainda treina e joga em alto nível. Mesmo com tantos problemas, Duncan ainda á capaz de contribuir – e muito – com o San Antonio Spurs, mas para isso precisa ajustar seu estilo de jogo.
Digo ajustar pois creio que essa seja a palavra certa. Desde que entrou na NBA, Timmy sempre mostrou muita versatilidade. Por ser muito bom de costas para a cesta e dominar os pivôs adversários, pouca gente lembra que ele tem um arremesso de média distância bastante confiável. Contra o Minnesota Timberwolves, Duncan mostrou que essa arma pode ser muito eficaz. Diante de Darko Milicic (que é um bom defensor), o camisa 21 acertou uns cinco ou seis mid-shots certeiros e manteve, em certo ponto da noite, o Spurs emparelhado com o rival no marcador.
É aí que entra o ajuste no estilo de jogo. Ninguém quer que ele deixe de jogar de costas para a cesta e apague todo o talento que o consagrou, mas Duncan pode – e deve – se posicionar mais longe do aro em alguns momentos. Gregg Popovich é esperto, já deve ter pensado em algo parecido e sabe que Duncan, além da pontaria calibrada, possui uma habilidade de passe incomum. Enquanto o ala-pivô se desloca, DeJuan Blair ou Tiago Splitter podem se estapear com os rivais pelos rebotes.
Tim Duncan é um gênio, considerado por muitos o melhor ala-pivô da história da NBA. Aos 34 anos, ele ainda tem muita lenha para queimar e mostrou ontem que é capaz de se reinventar. Para isso basta muito treino e algumas jogadas desenhadas para esse arremesso de média distância sair limpo. O que vocês acham?
Spurs precisa de mais um pivô

Com muitos jovens promissores, o San Antonio Spurs conseguiu montar um elenco de apoio bom. Ao menos, em termos de qualidade. Em relação à quantidade, o plantel ainda deixa a desejar em um setor importantíssimo: o garrafão, maior fraqueza da equipe texana, explorada sem piedade pelo Memphis Grizzlies nos últimos playoffs. Por isso, a curto prazo, acho que a franquia precisa urgentemente trazer um reforço para a posição.

Um Duncan só é pouco!
No momento, o técnico Gregg Popovich conta apenas com quatro jogadores na rotação: Tim Duncan, DeJuan Blair, Tiago Splitter e Matt Bonner. São dois titulares e dois reservas, que, muito provavelmente, terão de entrar em quadra na maioria das partidas da temporada se a situação continuar assim. Nos três primeiros jogos, os quatro enfrentaram verdadeiras maratonas: o brasileiro atuou por 78 minutos, contra 65 de Blair e 62 de Duncan e Bonner. Haja fôlego!
Na derrota para o Houston Rockets, na última sexta-feira (30), Pop decidiu poupar seus astros Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili depois que os rivais texanos abriram 20 pontos de vantagem no terceiro quarto. O técnico fez certo, já que nessa temporada as equipes viverão verdadeiras maratonas e não valia a pena se desgastar para correr atrás no placar. Mas a decisão expôs o cobertor curto que é o garrafão.
Se decidir descansar Parker e Manu nos próximos jogos, Pop ainda contará com uma rotação razoável de perímetro formada por T.J. Ford, Cory Joseph, James Anderson, Danny Green e Kawhi Leonard. Isso sem falar em Gary Neal, que está lesionado mas deve voltar em breve. Porém, no garrafão, sobram apenas três opções quando Duncan é poupado. Diante do Rockets, Splitter teve de jogar todo o terceiro quarto por isso, e ainda dividiu com Blair os minutos no garbage time.
Sem mexer no elenco, o que Pop pode fazer a curto prazo para preservar um pouco mais seus grandalhões é usar o small-ball em alguns momentos das partidas. Leonard, que é bom reboteiro, e Jefferson, que atuou dessa maneira em alguns jogos no ano passado, podem passar alguns minutos na posição 4, fazendo uma função parecida com a de Bonner no ataque. Mas é uma alternativa apenas para tapar buraco. Não é o ideal.
Para mim, o ideal seria contratar um agente livre para ajudar na rotação. Kenyon Martin, que conseguiu se livrar de sua equipe chinesa, e Joel Pryzbilla, que chegou a se aproximar de um acerto com o Boston Celtics, são meus favoritos. Leon Powe e Dan Gadzuric são alternativas possivelmente mais baratas. Até mesmo jovens apostas, como Frank Hassell e Luke Zeller, que fizeram parte do elenco do Spurs na pré-temporada, e Marcus Cousin, que fez o mesmo no ano passado, poderiam servir ao menos para descansar os titulares durante o garbage time.
Preservar os pivôs será fundamental para que o Spurs consiga bons resultados nos playoffs. Logo mais, diante do Utah Jazz, talvez isso não seja possível, já que o rival conta com um garrafão respeitável composto por Al Jefferson, Derrick Favors, Paul Millsap e pelo novato Enes Kanter. Duncan, Blair, Splitter e Bonner precisam de ajuda.
O futuro é agora

Nos últimos anos, usei por várias vezes esse espaço para alertar sobre a idade avançada do elenco do San Antonio Spurs. Os astros da franquia – principalmente Tim Duncan e Manu Ginobili – já estão em fim de carreira e essa temporada pode ser a última chance dos dois, juntos, conquistarem o quinto título da equipe. Mas desde que os dois começaram a atuar juntos, nunca o elenco texano teve tantas perspectivas de futuro quanto agora.

O futuro
O plantel está cheio de jovens jogadores que aparentam ter potencial para, no mínimo, se tornarem peças sólidas no plantel Spurs em um futuro próximo. São os casos de Cory Joseph, Gary Neal, James Anderson, Kawhi Leonard, DeJuan Blair e Tiago Splitter. Vejo até mesmo talento suficiente em Danny Green para que ele garanta um lugar relevate no elenco. E o mais interessante é que todos eles deverão ter tempo de quadra na próxima temporada para crescerem ao lado de Manu, Duncan e Tony Parker.
O garrafão preocupa, é verdade – principalmente na parte defensiva. Mas, com a aposentadoria de Antonio McDyess, Blair e Splitter deverão ganhar bastante tempo de quadra para começarem a desenhar a dupla de garrafão titular do futuro da franquia. Não podemos esquecer que, na Europa, a franquia texana tem os direitos de Erazem Lorbek, que poderá chegar na próxima temporada para ajudar na transição entre as gerações, e de Ryan Richards, que demonstra potencial em seus primeiros passos como profissional.
Nas alas, o futuro está mais encaminhado do que em qualquer outra posição. Neal, com seus arremessos precisos e seu sangue frio na hora de decidir, já tem lugar cativo na rotação. Anderson, machucado na última temporada, também confia nos tiros de três pontos, mas é mais atlético e defende melhor do que o companheiro. E, por falar em defesa, Leonard foi a principal aposta do Spurs no último Draft – se tudo der certo, se tornará o marcador de perímetro que faltou na última temporada. Green corre por fora e também se candidata a essa função. E, olhando para o velho continente, Adam Hanga e Davis Bertans subiram de nível e aguardam uma chance.
Na armação, a franquia deu um passo atrás, é verdade. George Hill era jovem, mas já demonstrava maturidade o bastante para assumir a liderança de perímetro do Spurs depois das saídas de Parker e Ginobili. Para seu lugar, chegou Joseph, que, assim como o antecessor, aposta na versatilidade – pode atuar nas posições 1 e 2 – e na defesa para assegurar seu lugar. Como o canadense ainda é jovem e imaturo, a equipe contratou T.J. Ford para ajudar em seu desenvolvimento e segurar a onda em jogos mais importantes. E o time de San Antonio ainda tem a opção de trazer, também da Europa, o francês Nando De Colo para exercer essa função.
Geralmente, reconstruir uma franquia é algo que leva tempo e que tira uma equipe dos playoffs por muitas temporadas. Basta ver o quanto o Oklahoma City Thunder demorou para construir um time relevante. Mas, graças ao sucesso no Draft, o Spurs conseguiu fazer isso sem deixar de brigar no topo – o Detroit Pistons, adversário dos texanos nas finais de 2005, por exemplo, ainda não conseguiu algo parecido.
O atual elenco do Spurs talvez seja insuficiente para que a equipe brigue pelo título em 2012. Mas dá mostras de que a equipe texana ao menos continuará indo para os playoffs nas próximas temporadas.





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