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O homem que passou pelos olheiros do Spurs

Esse homem se chama Dorrell Wright. Eu explico porque.

"Eu?"

Na última semana, John Schuhmann, colunista do site da NBA, publicou uma interessantíssima análise da ofensiva do San Antonio Spurs, que, inteligentemente, é armada para conseguir arremessos de três pontos da zona morta. Você sabia que, da lateral, a linha do perímetro fica cerca de um pé (30 cm) mais perto da cesta? Pois é, eu nunca tinha reparado antes de ler o artigo. E, de acordo com o jornalista, isso faz diferença: 8,2 arremessos dali produzem em média um ponto a mais do que 8,2 arremessos de qualquer outro lugar da linha dos três pontos.

Parece pouco, é claro, mas não para uma equipe montada para explorar isso como o Spurs. Schuhmann mostra cinco jogadas desenhadas por Gregg Popovich que acabam em tiros da zona morta. Além disso, segundo o jornalista, os times da NBA tentam, em média 27,6% de seus arremessos de três pontos da zona morta, enquanto na equipe texana esse número sobe para 39,3%, mais de um terço. Bem bacana, né?

E desde o início da temporada 2010/2011, sabem quem foi o jogador que mais acertou arremessos de três da zona morta? Ele mesmo, Richard Jefferson. Aproveitando-se do esquema de Pop, o ala do Spurs foi o único jogador de toda a liga que passou de 100 cestas ali da lateral. Sempre criticamos o camisa 24, mas temos que admitir que ele pelo menos tenta se adaptar ao estilo de jogo da equipe texana.

Em segundo na estatística, aparece justamente ele, Dorrell Wright. Quando a pesquisa de Schuhmann foi publicada, no último dia 28, o ala do Golden State Warriors havia convertido 83 bolas de três pontos da zona morta desde o início da temporada 2010/2011. Está à frente de nomes como Ray Allen, Jason Richardson e Shane Battier. Dali, seu aproveitamento é de 41,7%, enquanto, no total, ele costuma acertar 33,4% dos arremessos de 3 pontos. (Mais uma vez, vale ressaltar que esses números são do dia 28 e que podem ter mudado um pouco) Ainda acha que aqueles 30 cm não fazem diferença?

E vale ressaltar que Wright atingiu esses números no Warriors, que confia muito no talento individual de Stephen Curry e de Monta Ellis e que não tem jogadas coletivas tão bem desenhadas quanto o Spurs tem. Em outras palavras, a equipe de Oakland tem um ataque que se baseia mais no improviso. Imaginem, então, o estrago que o ala podia causar se jogasse com o time texano!

Wright foi um belíssimo achado do Warriors. O ala começou sua carreira no Miami Heat na temporada 2004/2005 e saiu como Free Agent no mercado de 2010. Nesse período, disputou apenas 56 jogos como titular e nunca teve médias superiores a 7,9 pontos, cinco rebotes ou 25,1 minutos por partida. Em seu primeiro campeonato pelo time de Oakland, jogou as 82 partidas como titular e apresentou médias de 16,4 pontos e 5,3 rebotes em 38,4 minutos por embate. Típico caso de um talento adormecido, que só precisava de tempo de quadra para passar a dar resultados.

Vale destacar que, na atual temporada, seu desempenho caiu. Em 18 jogos – todos como titular – o ala apresenta médias de 10,6 pontos e 4,8 rebotes em 29,5 minutos. Mas vale lembrar que o Warriors, como um todo, não faz um bom campeonato. A equipe sofreu com a contusão de Curry e ainda luta para se adaptar ao novo treinador.

Que fique claro, aqui, que isso não é uma crítica aos olheiros do San Antonio Spurs. Longe de mim! Graças a eles, a equipe texana também conseguiu achados incríveis, como os casos dos Free Agents Gary Neal e Danny Green. Isso sem falar no Draft, da onde vieram Tim Duncan, Manu Ginobili, Tony Parker, DeJuan Blair, Tiago Splitter e Kawhi Leonard… isso só para falar do elenco atual.

O objetivo dessa coluna é mostrar que talvez não seja preciso uma grande troca ou uma contratação de peso – como foi a de Jefferson e como seriam a de Caron Butler ou Tayshaun Price, por exemplo. O Spurs já é um time forte com um banco relevante. Às vezes, a peça que falta para uma equipe ser campeã é simplesmente um jogador que tem exatamente o talento que o elenco precisa. E Wright seria esse cara para o time texano.

Ok, Manu; você já pode voltar

No fim das contas, perder Manu Ginobili foi menos pior do que se esperava, não é mesmo? Neste período, Kawhi Leonard ganhou mais minutos e se tornou um defensor de perímetro interessante e Gregg Popovich encontrou em Danny Green um homem de confiança na rotação. Mas chega, né? Na derrota de sexta-feira (27) contra o Minnesota Timberwolves, o San Antonio Spurs chegou no quarto quarto com condições de vencer, mas tomou os últimos dez pontos da partida e acabou derrotado. O que jamais aconteceria se o ala-armador argentino estivesse em quadra.

Volta, cara. Por favor

Não há como negar que Ginobili é o jogador mais decisivo do elenco do Spurs. Nos momentos derradeiros, a bola costuma ir para a mão dele, que costuma acertar arremessos espíritas ou encontrar companheiros livres com sua criatividade. Além disso, o argentino é capaz de cavar uma falta que esfrie o jogo em corridas do adversário, como a de 10 a 0 do Timberwolves que selou a vitória da equipe de Minnesota na sexta-feira.

Sem Manu, é Tony Parker quem tem chamado a responsabilidade na hora de decidir. Mas, nesse momento, o Spurs encontra alguns problemas. Claro que o francês é um excelente jogador e pode muito bem colocar a bola embaixo do braço, mas em alguns instantes ele tem dado sinais de cansaço. O armador é um dos únicos sete jogadores do elenco que atuou em todas as 20 partidas do time (os outros são Danny Green, Kawhi Leonard, Richard Jefferson, DeJuan Blair e Tiago Splitter) e, de todo o plantel, é aquele que tem a maior média de minutos por embate: 33,1. Haja fôlego!

Além disso, o arsenal ofensivo de Parker, ainda que mortal, é menos completo que o de Ginobili. O francês costuma finalizar suas jogadas ou com um arremesso de média distância ou com uma infiltração. Nos momentos finais dos jogos, acaba se tornando previsível – ainda mais com a ausência do argentino, que costuma dividir a atenção com o francês.

Claro, existem outros jogadores no elenco com potencial para fechar um jogo. Tim Duncan provou que ainda é capaz de decidir contra o New Orleans Hornets. Porém, contra o Wolves, o ala-pivô foi muito bem marcado por Nikola Pekovic e teve dificuldades para pontuar. Gary Neal acertou grandes arremessos em sua primeira temporada, mas, no jogo de sexta-feira, errou uma bola de três no quarto quarto que poderia ter mudado a história do embate. Acontece! Até mesmo Green e Leonard já deram suas demonstrações de clutch, mas ainda são alternativas pouco confiáveis.

É bom ver que, apesar de tudo isso, o Spurs se mantém entre os primeiros colocados da Conferência Oeste. Quando Manu voltar e recuperar seu ritmo de jogo, o time deve crescer ainda mais. Só que isso ainda deve demorar cerca de três semanas para acontecer. Até lá, a equipe texana deve dar um jeito de sobreviver em jogos mais apertados.

Jogos ruins acontecem. Aceite

Bruno Pongas, blogueiro e canalha, mandou bem no resumo da derrota do San Antonio Spurs para o Sacramento Kings na noite de sexta-feira (20). A equipe texana até conseguiu impor uma defesa razoável, que teve como ponto alto a boa marcação de Tiago Splitter sobre DeMarcus Cousins, mas perdeu simplesmente porque não conseguiu arremessar bem. Foi uma derrota frustrante, é verdade, já que foi o primeiro revés do time no AT&T Center e contra uma equipe fraca. Mas aviso: isso vai acontecer mais vezes.

O Spurs provavelmente errou esse arremesso

Não podemos esquecer que vivemos um campeonato atípico. Grande parte das equipes está sofrendo com a falta de pré-temporada. Prova disso é que as excessões, como o Oklahoma City Thunder e o Philadelphia 76ers, que largaram muito bem, mantiveram seus elencos e treinadores e trouxeram o entrosamento do ano passado. Mas, para 90% das franquias, não é bem assim que funciona.

Basta olhar para o desempenho de nossos novatos. Kawhi Leonard é um bom defensor, mas ainda parece um pouco perdido no ataque – mais ou menos como aconteceu com Splitter no último ano. Talvez com uma pré-temporada, em que seria possível aprender melhor o sistema ofensivo da equipe, o desepenho do ala pudesse ser ainda melhor. O mesmo acontece com Cory Joseph, que tem bons fundamentos defensivos mas, no ataque, ainda está um pouco tímido, inibido, já que teve pouco tempo para aprender as jogadas. Idem para Gary Neal, que, pela primeira vez desde que chegou ao Texas, está tendo que passar alguns minutos como armador principal.

Além disso, as contusões prejudicaram muito o desempenho ofensivo do Spurs. Acho que nem é preciso dizer o quanto o time sente falta de Manu Ginobili, principalmente no fim de jogos apertados – como foi o de sexta. Mas a ausência de T.J. Ford também vem sendo sentida quando os reservas estão em quadra. O armador vinha comandando o jogo com naturalidade e, com suas infiltrações, conseguia encontrar arremessadores livres no perímetro, habilidade que Joseph e Neal ainda não demonstraram.

Sem Ford e Ginobili, Tony Parker tem de ficar muito tempo em quadra. Contra o Kings, no último período, o francês estava claramente exausto. Além disso, o ataque do Spurs fica mais previsível. No fim do último jogo, Tim Duncan – que não fazia boa partida e, além disso, provavelmente estava sendo poupado por Gregg Popovich – estava no banco. Com isso, toda a defesa do rival pôde se concentrar no armador, que foi obrigado a passar a bola e viu Splitter e Danny Green errarem arremessos importantes no final.

Além da ausência de pré-temporada, um torneio encurtado e apertado diminui também a quantidade de treinos. Isso machuca principalmente os arremessadores, que não têm tempo para praticar e acabam ficando descalibrados. O Spurs, que tem nos tiros de três uma arma importantíssima no ataque, vem sentido isso. Em 2010/2011, a equipe texana acertou 39,7% dos arremessos do perímetro e liderou a liga neste fundamento. Nesta temporada, o aproveitamento caiu para 36,9%, o oitavo melhor da NBA.

A queda de produção pode ser vista também nos números dos principais arremessadores. O aproveitamento de Neal despencou de uma temporada para a outra: de 41,9% para 29,3%. O mesmo aconteceu com Matt Bonner, que acertou 45,7% na última temporada e, nesta, tem 35,3% de aproveitamento. Richard Jefferson foi o único que apresentou ligeira melhora: de 44% para 45,8%. Mas, nas últimas partidas, o ala mostrou que já não está mais tão preciso quanto nos primeiros jogos.

Com um ataque prejudicado por todos esses fatores, o Spurs precisa vencer jogos na defesa. O próprio Pop já falou sobre isso e, na prática, é possível ver evolução em relação à última temporada. Em 2010/2011, a equipe texana deixava os adversários marcarem, em média, 98 pontos por noite, com 45,6% de aproveitamento nos arremessos. Neste ano, mesmo com campanha pior, a pontuação dos rivais caiu para 95,6 pontos por partida, com 45,5% de aproveitamento nos arremessos. Com espaço na rotação, Green, Leonard e Splitter têm ajudado muito nesse ponto.

Por isso, temos de nos resignar. O Spurs ainda fará muitos jogos ruins na temporada, com foco na defesa e ataque estagnado. Nos resta esperar mais desfechos positivos, como foi contra o Orlando Magic, e menos negativos, como contra o Kings.

Perder George Hill foi uma aposta válida

George Hill era um dos meus jogadores prediletos no elenco do San Antonio Spurs – além de ser o preferido de Gregg Popovich segundo o próprio treinador. Por isso, minha primeira reação ao ver que o armador havia sido enviado para o Indiana Pacers na noite do Draft de 2011 foi torcer o nariz. Agora, depois de 12 jogos na temporada 2011/2012, talvez ainda seja cedo para dizer se a troca foi boa ou não para a equipe texana. Mas, vendo o desempenho de Kawhi Leonard em quadra – e a confiança que a comissão técnica tem nele – ao menos já podemos dizer que foi uma aposta válida.

Vai que é sua, Kawhi Leonard!

Hill era a cara do futuro do Spurs. Disciplinado, bom marcador e versátil – defendia qualquer posição no perímetro -, tinha o perfil que Pop sempre busca em seus atletas. Mas Leonard também parece ser assim. E tem recebido uma moral impressionante do técnico.

Em sua primeira temporada na NBA, o ala tem média de 23,2 minutos por exibição. É o quinto que mais fica em quadra em todo elenco do Spurs. E nós sabemos o quanto isso é anormal para um calouro em San Antonio. Como base de comparação, Hill jogou 16,5 minutos por embate em seu ano de estreia. DeJuan Blair teve 18,2 e Tiago Splitter, 12,3. Prova de que Pop vê algo especial em Leonard.

A princípio, o que o Spurs fez foi trocar um bom defensor por outro de uma posição diferente. Hill era um verdadeiro carrapato, mas um marcador mais alto tem mais facilidade para contestar arremessos. O trabalho de Leonard sobre Kevin Martin no último jogo diante do Houston Rockets mostrou isso: o ala-armador rival arremessou apenas 15 bolas contra o Spurs, uma de suas marcas mais baixas na temporada.

A altura de Leonard também contribuiu com outra coisa importantíssima para o Spurs: o rebote. O novato tem média de 5,1 por jogo e, em todo o elenco, só fica atrás de Tim Duncan e DeJuan Blair no fundamento. Hill, por sua vez, coletava 2,6 por partida em sua última temporada com a franquia texana. Uma diferença considerável, levando em conta que esse é um dos principais problemas do time de San Antonio.

A tamanho de Leonard também ajuda em sua versatilidade. Assim como Hill, o ala pode defender várias posições. Porém, mais alto, pode até mesmo passar alguns minutos como um falso ala-pivô. Pop tem usado essa formação tática contra equipes que usam o small-ball: foi assim contra o Rockets e contra o Portland TrailBlazers, que utilizaram, respectivamente, Chandler Parsons e Gerald Wallace na posição quatro durante boa parte de seus confrontos contra o Spurs.

Em suma: o Spurs trocou seu principal defensor de perímetro por outro que preenche melhor as necessidades da equipe – apesar de que, obviamente, a curto prazo Leonard é menos experiente. Mas vale lembrar que também recebemos na troca os direitos de Erazem Lorbek e Davis Bertans. O ala-pivô esloveno tem médias de 10,9 pontos (42,2% FG, 32,5% 3 PT, 75% FT) e 3,9 rebotes em 25 minutos por jogo pelo Barcelona na Liga ACB – o campeonato espanhol de basquete – e é um jogador pronto para assumir seus 10, 15 minutos na rotação do time texano quando for contratado. O ala letão, de apenas 19 anos de idade, é uma aposta. Na competitiva liga adriática, tem médias de 4,2 pontos (41,3% FG, 33,3% 3 PT, 66,7% FT) e 1,5 rebotes em quase 17 minutos por jogo. Com potencial nos tiros longos, pode exercer a função que Brent Barry e Michael Finley faziam e que Gary Neal faz hoje: um arremessador que vem do banco. Se desenvolver seu corpo, pode até mesmo ser uma alternativa para o papel que Matt Bonner tem no time, um ala-pivô que joga aberto.

São motivos suficientes para dizer que a aposta da franquia texana foi válida.

Richard Jefferson: novo candidato a ídolo ou fase passageira?

Dá pra confiar nele?

Richard Jefferson tem enfrentado um caminho tortuoso desde que chegou a San Antonio. O camisa 24 foi contratado como a peça que faltava para o Spurs conquistar mais títulos, mas nunca conseguiu ser o jogador que se destacou atuando pelo New Jersey Nets e pelo Milwaukee Bucks.

2011/2012 começou e o ala quase foi embora antes mesmo do início da temporada. Rumores indicavam que o Spurs estava atrás de um jogador que o substituísse. Assim que esse novo atleta fosse contratado, a franquia texana exerceria a cláusula da anistia sobre Jefferson e não mais o veria com o uniforme preto e branco.

Acontece que a pré-temporada passou e todos os alvos da diretoria foram fechando com outras equipes. Caron Butler se juntou a Blake Griffin no Los Angeles Clippers, Grant Hill renovou com o Phoenix Suns, Vince Carter foi para o Dallas Mavericks e Josh Howard rumou para Salt Lake City.

Sem grandes alternativas, o jeito foi ficar com Richard Jefferson e apostar nele por mais um ano. Neste começo de temporada, pelo menos, o ala vem mostrando serviço e muita confiança em seu arremesso – algo que faltou nos playoffs de 2010/2011. Até o momento, o camisa 24 tem médias de 14,2 pontos e 3,2 rebotes por noite, além de um impressionante aproveitamento de 51,9% de longa distância.

Ala comemora cesta de três pontos após toco espetacular

Ontem, contra o Denver Nuggets, o jogador foi novamente decisivo. Foram 19 pontos e um toco espetacular sobre o armador Ty Lawson no final da partida. Depois do bloqueio, Jefferson foi para o ataque e converteu um tiro de três pontos. O ginásio veio abaixo e ele comemorou o feito como nunca. “Foi uma ótima jogada”, elogiou o técnico Gregg Popovich. “Ele tem arremessado muito bem e jogado com agressividade e confiança”, completou o treinador.

Após o duelo, Richard foi cercado por jornalistas e também comentou o lance. “Depois do toco vi que Lawson tinha caído e saí correndo para o ataque. Felizmente meus companheiros me encontraram livre e eu consegui converter o chute”, disse ele, antes de valorizar a força do elenco texano. “Esse começo de temporada estranho trará muitos problemas físicos para as equipes. O time que permanecer unido e jogar unido prevalecerá no final”, pontuou.

Nós do Spurs Brasil e os torcedores do San Antonio Spurs ao redor do mundo esperamos que Richard Jefferson mantenha esse ótimo ritmo durante todo o ano. Em 2010/2011, todos lembram que ele também começou muito bem, mas aos poucos foi caindo.  Dava raiva vê-lo em quadra, tamanha a sua passividade no ataque e na defesa. Ok, hora de bater três vezes na madeira e torcer para que isso jamais aconteça novamente.

Fiquem com o vídeo do toco sobre o armador Ty Lawson