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Ajuda o Kawhi, capitão!

Todos sabemos o quanto Kawhi Leonard será importante para o San Antonio Spurs na final da Conferência Oeste contra o Oklahoma City Thunder. O ala será o principal responsável por tentar, ao menos, minar a produção ofensiva de Kevin Durant, um dos melhores pontuadores de perímetro da NBA. Mas, talvez, para obter 100% de sucesso nesta função, o novato pode precisar de um pouco de ajuda. E essa ajuda pode muito bem vir do banco de reservas e atender pelo nome de Stephen Jackson.

Esta cena será comum a partir de domingo
Nas finais do Oeste do ano passado, o Dallas Mavericks deu uma aula de como defender o Thunder. Uma boa estratégia é tentar limitar Durant o máximo possível para que a equipe dependa mais de Russell Westbrook, que, apesar de cada vez mais maduro, tende a cometer muitos erros quando pressionado. E o mais indicado para marcar o ala adversário é Leonard, o melhor defensor de perímetro da equipe texana – até por isso, o novato foi eleito uma das peças-chave da final na prévia feita pela equipe do Spurs Brasil.
A questão é que Durant tem jogado quase 41 minutos por noite nos playoffs. Leonard, por sua vez, tem ficado em quadra apenas por 24,4. E o ideal é que sempre haja alguém descansado, com fôlego para minar o astro adversário com total intensidade a cada posse de bola. E, no banco texano, o Capitão Jackson me parece ser o homem ideal para o papel.
Na temporada regular, o Spurs encontrou sucesso na execução da estratégia que descrevi acima. Antes dos playoffs, Durant apresentou médias de 28 pontos por jogo, acertando 49,6% dos arremessos que tentou. Nas três partidas contra o time texano, no entanto, esses números caíram para 22,7 pontos por exibição, com 46,8% nos tiros de quadra.
Leonard foi, em grande parte, responsável pelo sucesso defensivo sobre Durant. Usando estatísticas avançadas, o astro do Thunder anotou 20,2 pontos a cada 36 minutos, acertando 57% dos arremessos, enquanto o novato estava no banco. Com o jovem ala do Spurs em quadra, o número de pontos sobe para 23,7, mas o aproveitamento nos tiros de quadra cai drasticamente para 43%.
Jackson, por sua vez, chegou ao Spurs no dia 15 de março. Com isso, o ala enfrentou o Thunder apenas pelo Mikwaukee Bucks nesta temporada. E os números do capitão foram o exato contrário dos de Leonard: com ele no banco, Durant fez 36 pontos a cada 36 minutos, acertando 40% dos arremessos. Com o veterano em quadra, o astro do Thunder anotou “apenas” 25,3 pontos a cada 36 minutos, mas o aproveitamento subiu para 58%.
A partir de domingo, esses números serão colocados à prova quando Leonard e Jackson colarem em Durant. Como visto acima, os dois ainda precisam melhorar a marcação em alguns pontos. Se conseguirem se superar na defesa do astro rival, o Spurs estará mais perto da final da NBA.
Faltas intencionais: tática desprezível ou aceitável?
Depois da vitória do San Antonio Spurs sobre o Los Angeles Clippers por 96 a 86, um assunto polêmico veio à tona nos corredores do Staples Center. Fazer faltas intencionais em jogadores com aproveitamento ruim nos lances-livres é uma tática abominável ou inteligente?
O técnico Gregg Popovich utilizou essa tática, que ficou conhecida inicialmente como hack-a-Shaq, sempre que precisou. Na década de 2000, quando San Antonio Spurs e Los Angeles Lakers travaram batalhas épicas, o Coach Pop tentava frear o adversário fazendo faltas intencionais no pivô Shaquille O’Neal.
Popovich sempre foi muito criticado por isso, mas nunca deixou de se aproveitar dessa “brecha” no regulamento da NBA. Contra o Clippers, o comandante texano, vendo seu time perder por 24 pontos, apelou para o hack-a-Jordan. O alvo era o pivô DeAndre Jordan, que tem um aproveitamento medíocre de pouco mais de 50% nesse quesito.
No terceiro quarto, o Coach Pop mandou seus atletas fazerem faltas em Reggie Evans, outro jogador com médias horríveis. O resultado disso, óbvio, foi favorável ao Spurs. Somados, Jordan e Evans tentaram 12 arremessos e acertaram apenas três.
Após o duelo, a imprensa local bombardeou o treinador texano de perguntas sobre o tema. “Por que você optou por colocar Reggie Evans para chutar lances-livres?”, perguntou um jornalista californiano. “Porque ele tem um aproveitamento ruim”, respondeu Popovich, arrancando gargalhadas da imprensa.
“Vocês acham que eu quero ser um cara sábio com isso, mas o que mais eu poderia fazer? Vocês queriam que eu colocasse o Chris Paul lá?”, questionou o técnico. “Fiz falta nele (Evans) por um motivo. É feio, mas faz parte do jogo. Meu trabalho é tentar vencer”, completou o treinador do Spurs.
Para o jornalista Buck Harvey, colunista My San Antonio, as faltas intencionais podem ser ainda mais úteis se pensarmos por outra perspectiva. Segundo ele, a tática faz com que o time poupe esforços na defesa. Se enxergarmos por essa ótica e sabendo que o Jogo 4 será um back-to-back, Harvey está certo.
Entendo que muitos torcedores fiquem frustrados e achem isso tudo desnecessário, mas o que Popovich faz é válido, a regra permite. O que vocês pensam sobre isso, caros leitores? Pra quebrar um pouco o gelo, olha aí o Pop tirando um sarro da cara do Shaquille O’Neal na época do Phoenix Suns. Esse vídeo é épico!
Merci, Boris!

Ele chegou quando muitos dos torcedores sonhavam com a contratação de Chris Kaman. Mas, aos poucos, Boris Diaw foi conquistando os torcedores do San Antonio Spurs. Titular do garrafão da equipe texana nos playoffs, o ala-pivô francês tem mostrado um grande trabalho defensivo, uma técnica apurada na hora de passar a bola e uma importante experiência que o tornaram, em pouco tempo, peça importante na equipe.
Por enquanto, é possível dizer que a inteligência é o principal triunfo de Diaw em San Antonio. Isso porque, dos jogadores ativos na rotação dos playoffs, ele é o que menos conhece o sistema tático da equipe – foi uma das últimas contratações da franquia, ao lado de Stephen Jackson e Patrick Mills, mas o primeiro já havia jogado em San Antonio e o segundo pouco tem entrado em quadra na pós-temporada.
Para suprir a falta de conhecimento, Diaw tem apostado em duas de suas melhores características. A primeira delas é a movimentação de bola. Na pós-temporada, o francês já soma 17 assistências e fica atrás somente de Tony Parker, que distribuiu 42, e de Manu Ginobili, que conseguiu 26. Ter um bom passador alto ajuda a acionar jogadores que se posicionem bem perto da cesta – além de Duncan, Kawhi Leonard e Tiago Splitter têm essa característica no elenco texano.
A segunda maneira que Diaw tem encontrado para minimizar seu desconhecimento do sistema tático é jogar aberto. Desde que chegou ao Spurs, o ala-pivô entendeu a importância das bolas de três para o time. Por isso, tratou de melhorar no fundamento – errou seus cinco primeiros tiros de longa distância com a camisa do San Antonio, mas, desde então, registra aproveitamento de 80% (12-15). Para se ter ideia da importância do francês jogar no perímetro e abrir a quadra, o Spurs ainda não perdeu nenhum jogo em que Diaw tentou ao menos um arremesso de três (14-0). Nos duelos em que o ala-pivô esteve tímido no perímetro, o aproveitamento foi menor (12-2).
Com inteligência para movimentar a bola e precisão nos tiros de três pontos, Diaw consegue espalhar os marcadores adversários com mais qualidade do que Matt Bonner, que é apenas um arremessador. Mas, mesmo teoricamente atuando mais afastado da cesta, o francês consegue cumprir as duas principais funções que o Spurs precisa em um ala-pivô: rebotes e defesa.
Diaw soma 35 rebotes na pós-temporada e, no elenco texano, fica apenas atrás de Duncan, que já coletou 50. Mas, na tábua ofensiva, o francês lidera a estatística com folga: são 13 importantes ressaltos, que deram ao Spurs oportunidades de se manter no ataque. Como base de comparação, The Big Fundamental, segundo colocado, pegou “apenas” nove.
Mas é na defesa o principal impacto de Diaw até aqui. Após ter feito bom trabalho contra o garrafão do Utah Jazz na primeira rodada dos playoffs, o jogador tem repetido o sucesso contra o Los Angeles Clippers, especialmente defendendo Blake Griffin. Usando estatísticas avançadas, o astro angelino tem médias de 18,4 pontos, com 32% de aproveitamento, a cada 36 minutos quando Diaw está em quadra. Quando o francês vai para o banco, esses números se transformam em 21,3 pontos, com 35% nos arremessos de quadra. Que tal?
Isso sem falar no sucesso que Diaw tem conseguido na missão de afastar Griffin da cesta. O astro do Clippers teve média de 10,9 rebotes por jogo na temporada regular, número que caiu para 6,4 na série contra o Memphis Grizzlies. Contra o Spurs, no entanto, são apenas cinco ressaltos por partida!
Inteligência para rodar a bola, precisão nos tiros de três, sucesso nos rebotes e competência na defesa. O único lado ruim de tudo isso é saber que Diaw será agente livre na próxima offseason. Que R.C. Buford e companhia mantenham o ala-pivô francês, que já uma peça importante para o sucesso do Spurs.
O novo dono da bola

Quando comecei a acompanhar a NBA, Tim Duncan era claramente o franchise player do San Antonio Spurs. Mesmo assim, meu jogador predileto sempre foi Manu Ginobili, que, com o passar do tempo, foi ganhando moral e passou a receber as bolas decisivas do time. Neste ano, estamos presenciando mais uma mudança neste panorama. A cada jogo que passa, Tony Parker tem se tornado mais e mais a cara da equipe texana.

Pontaria, teu nome é Parker
O francês é o mais jovem do Big Three do Spurs. Apesar de ter começado sua trajetória na NBA um ano antes do que Ginobili, Parker tem 29 anos, contra 34 do argentino e 36 de Duncan. Era natural que, mais cedo ou mais tarde, o armador assumisse o controle da equipe. Só não esperava que isso fosse acontecer rapidamente assim e que o camisa #9 fosse herdar o cargo com tanta naturalidade.
A verdade é que o acaso ajudou muito. Vale lembrar que Ginobili havia começado a temporada em grande forma e foi o melhor jogador do Spurs nos primeiros jogos do campeonato. Mas a contusão do argentino redobrou a responsabilidade de Parker. Não demorou para que o armador francês entendesse isso: nessa temporada, ele bateu seu recorde de pontos contra o Oklahoma City Thunder, ao anotar 42, e também superou sua melhor marca em assistências ao distribuir 17 contra o New Orleans Hornets.
Na temporada regular, Parker liderou o Spurs em pontos (18,3), assistências (7,7) e minutos (32) por jogo. O número de passes decisivos por partida é o melhor de sua carreira, assim como o aproveitamento em lances livres: 79,9%. São números que mostram um importante amadurecimento na carreira do jogador. E isso tem se mantido nos playoffs.
Na pós-temporada, Parker novamente é o líder em pontos (21), assistências (6,5) e minutos (32,8) por exibição. Acertou 30 dos 60 arremessos de quadra que tentou, conseguindo um aproveitamento absurdo de 50%. Colocou na cesta a única bola de três pontos que arremessou.
Nos playoffs da NBA, Parker ocupa a quinta colocação em assistências por partida. Usando estatísticas avançadas, o armador francês seria o segundo melhor em assistências a cada 48 minutos, o quinto em pontos marcados a cada 48 minutos e o quinto jogador mais eficiente da pós-temporada em números medidos a cada 48 minutos. É pouco?
Antes do começo da temporada regular, eu achava Parker o jogador menos decisivo do Big Three do Spurs. Mas agora percebo que essa impressão foi construída apenas porque o francês recebia pouco a bola nos minutos finais de jogos apertados. Neste campeonato, quantas vezes vimos o armador sair do corta-luz estabelecido por Duncan para acertar um arremesso de média distância ou um floater? Já perdi a conta. Sem dúvidas, a seleção francesa ajudou o camisa #9 a amadurecer em momentos decisivos, já que ele é o principal jogador da equipe nacional.
Falando no selecionado azul, recentemente o Spurs contratou Boris Diaw, além de, aparentemente, ter interesse em contratar Nicolas Batum e em trazer Nando de Colo da Europa. Coincidência? Acho que não. Os três, além de serem bons jogadores, ajudariam a manter Parker feliz em San Antonio. Pode ser uma tentativa da franquia para agradar seu novo craque. Com razão! Queremos Parker em San Antonio por muito tempo.
Motivos para acreditar

Calma, amigos. Apesar do título, este artigo não se trata de mais um comercial da Coca-Cola com uma mensagem bonita para a humanidade. Quero aproveitar este espaço para expor algo que estive pensando nos últimos dias. Afinal, existem razões para acreditar em mais um título do San Antonio Spurs nesta temporada?
Sim, há, e muitas! Eu explico…

Chegou a hora dessa cena se repetir?
Banco de reservas
Esse é o principal motivo que me faz acreditar que o Spurs vai terminar a temporada 2011/2012 com o troféu Larry O’Brien nas mãos. Alguns podem até discordar, mas, para mim, o Spurs tem o melhor banco de reservas da NBA. Nenhuma equipe possui alternativas tão boas como os texanos, que contam com toda a categoria de Manu Ginobili, a experiência de Stephen Jackson e a técnica de Tiago Splitter.
O poderoso banco de reservas faz do Spurs uma das equipes mais constantes de toda a liga. Os já conhecidos “apagões” foram se tornando mais raros e hoje vemos um elenco homogêneo, onde todos contribuem e sabem muito bem o seu papel.
Veteranos saudáveis
Alguns importantes jogadores do Spurs já viveram suas épocas áureas há algum tempo. Tim Duncan é o mais veterano, com 36 anos. Manu Ginobili e Stephen Jackon aparecem logo atrás, ambos com 34. Destes, apenas Manu Ginobili enfrentou problemas mais sérios durante a temporada, mas já está totalmente recuperado.
Méritos para Gregg Popovich. Com o bom elenco que tem em mãos, o treinador, escolhido como Técnico do Ano da NBA, soube dosar o tempo de quadra de seus jogadores, poupando os “vovôs” sempre que possível.
Tony Parker
Aos 29 anos, o armador vive seu auge na carreira e é o principal jogador do Spurs na atual época, com médias de 18,3 pontos e 7,7 assistências na temporada regular. O francês vem jogando um basquete de altíssima categoria, em nível que só vi o camisa #9 jogar na decisão de 2007, quando ficou com o troféu de MVP das Finais.
Mais novo jogador do Big Three e presente nas últimas três conquistas de título dos texanos, Tony Parker assumiu a liderança da equipe e não decepcionou. Há até quem o coloque na corrida pelo MVP, o que, ao meu ver, não é nenhum exagero.
Alternativas nas alas
A traumática eliminação do Spurs para o Memphis Grizzlies, no ano passado, teve seu bode expiatório: Richard Jefferson. E contratar um jogador para a posição de Small Forward tornou-se uma prioridade em San Antonio. Mas nem o mais otimista torcedor imaginaria um cenário favorável tão cedo.
Logo no Draft, a franquia acabou abrindo mão de um de seus “queridinhos” e enviou George Hill para o Indiana Pacers em troca da 15ª escolha do recrutamento, que viria a ser Kawhi Leonard. O novo ala chegou sob desconfiança, mas, com sua inteligência, esforço e, principalmente, boa defesa, conquistou até os mais exigentes torcedores.
Teve também o crescimento do até então desconhecido Danny Green, que surgiu ninguém sabe muito bem de onde, mas assim que teve oportunidade a agarrou e não largou mais. Além disso, assim que pôde, o Spurs envolveu Jefferson em uma troca e trouxe de volta Stephen Jackson. A ala, desta forma, passou de “problema” para solução em San Antonio.

Em 1999, a temporada acabou assim…
Para os supersticiosos…
Vivemos um campeonato encurtada por um locaute, com apenas 66 jogos ao invés dos tradicionais 82. E foi a segunda vez que a NBA teve partidas canceladas em função de uma greve. A primeira, se vocês não se lembram, foi em 1998/1999, quando a temporada regular teve apenas 50 jogos. E quem foi o campeão naquela oportunidade? Sim, o San Antonio Spurs.
13 anos depois, se todas as razões que apontei anteriormente não forem suficientes, você pode se apegar à superstição, fazer suas mandingas e torcer pela equipe texana…
Afinal, “Spurs é campeão” tem 13 letras!




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