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Artigo – Por que nos odeiam tanto?
Antes de tudo, antes de escrever e explicitar os motivos de estar fazendo tal artigo, alerto você, caro leitor, que este não seria o assunto deste espaço que hoje me é destinado. Provavelmente eu falaria sobre as disputas dos playoffs que começarão no próximo dia 19. Mas não; fui motivado a tratar desse tema após um acontecimento que chamou muito minha atenção.
Vamos aos fatos.
Tenho um grande amigo que é torcedor do Dallas Mavericks, maior rival do San Antonio Spurs na Liga. Pois bem, até aí nada melhor para ele do que fazer chacotas do meu time quando este perde algum jogo na temporada. Nada mais natural do que ele vir falar cobras e lagartos para mim depois do Spurs perder para o Mavs, certo? Errado! Pois imaginem só que ontem (dia 9), abri meu scrapbook do Orkut por volta das 23:50. O jogo entre Phoenix Suns e San Antonio Spurs corria na ESPN e meu time ia perdendo em casa para o time do Arizona. Voltando aos meus scraps, vejo ali o carinhoso recado desse meu amigo, com os dizeres “Vai Suns lindo!”. Foi nessa hora que tratar do ódio das pessoas em relação ao Spurs e seus jogadores tornou-se primordial para mim.
Se não entenderam minha motivação, prestem bem atenção no raciocínio: Dallas Mavericks é o time que esse cara torce. O maior rival dele é, com certeza, o San Antonio Spurs. E obviamente é ótimo zoar um adversário quando ele perde, seja essa derrota pra você ou pra qualquer outro time. Mas alto lá! Ele estava torcendo por um time que ele deveria sentir algum rancor apenas com o intuito de ver o Spurs perder!! Isso mesmo, pois incluído nesse “Vai Suns lindo” está o desejo dele de ver o time texano ir para o brejo. Desejo esse que é muito maior do que ver o time que tem como uma das suas maiores estrelas um ex-Mavs – que fez muita falta ao time de Dirk e cia. – se dar mal! E o que acontece é que não é só ele quem pensa assim!
Dos torcedores atuais da NBA aqui no Brasil, cerca de 5% (puro chutômetro) torcem para a equipe liderada por Tim Duncan. O resto torce para as mais diversas equipes, como Lakers, Kings, Blazers, Mavericks, Suns e etc.. E, além de torcerem para suas respectivas equipes, esses torcedores têm um prazer em comum: secar e zicar o Spurs. Isso mesmo. É impossível negar que hoje o grande prazer de alguns torcedores não se limita a ver seus times ganharem, mas também a ver o San Antonio e seus jogadores se darem mal.
Pois bem, o que leva esses torcedores a tal conduta? Não posso responder exatamente, mas posso buscar algumas opções. Vamos então a elas:
1) O efeito papa-títulos
Até 1997, o que era o Spurs dentro da NBA? Apenas mais um time sem títulos, mas que já havia contado com grandes jogadores em sua história. E depois de 1997, o que é o Spurs? Um time com quatro títulos conquistados em nove temporadas disputadas (1998/99 a 2006/07). Ou seja, quase 50% dos últimos nove títulos disputados vieram parar em San Antonio. Não é a toa que Michael Finley, ao deixar o Dallas Mavericks, atravessar o rio e desembarcar no AT&T Center disse que havia saído do Mavericks porque queria um título da NBA em sua carreira. Sábio Michael, soube analisar muito bem os números e foi recompensado com o tão sonhado título. Realmente, ganhar tanto em tão pouco tempo deve irritar muito nossos rivais…
2) O efeito Tim Duncan
Bobo, estranho, lento e soneca são alguns dos milhares de apelidos que torcedores rivais colocaram no ala-pivô Tim Duncan. Mas, em sã consciência, nenhum desses rivais deixa de admitir que Duncan mudou para sempre a história da franquia, sendo um dos melhores e mais dominantes jogadores de garrafão de toda a história da NBA. Mas logo começam as falas: “Ah, mas o Spurs entregou uma temporada só pra pegar o Duncan”. Mentira? Não, mas e o que temos a ver com isso? Nada. O processo realizado pelo time texano aconteceu apenas por uma lesão do então líder da equipe David Robinson. E atire a primeira pedra quem achar que o Spurs foi o primeiro e único time a realizar tal manobra para conseguir boa escolha no draft. Esse argumento não é válido, me perdoem…
3) Don’t cry for me Argentina…
Esse, com certeza, é um dos maiores motivos do ódio brasileiro em relação ao Spurs: Manu Ginóbili. Me desculpem aqueles que acham que a rixa Brasil-Argentina é baboseira criada pela Globo: não é. Ela existe e é muito forte, tanto aqui como lá (e eles nem tem Globo…). Eu, particularmente, sou grande admirador dos hermanos muito antes de Manu jogar no Spurs. E o sucesso do ala-armador jogando pela equipe do Texas incomoda muita gente. É um assunto que levanta polêmicas do tipo “Quem foi melhor: Oscar ou Manu?” e faz com que os ânimos se exaltem muito. Além disso, Manu tem aquele velho espírito esportivo argentino de cavar faltas, fazer cera, jogar com raça demais e etc.. E isso incomoda demais os adversários, é claro.
4) O(s) efeito(s) Bruce Bowen
Talvez esse seja um dos pontos mais polêmicos e que mais crie ódio nos adversários. Para os torcedores do Spurs, Bowen é um belo achado, ótimo na linha dos três e o melhor marcador de perímetro da Liga. Para os que não torcem para o time texano, ele é um assassino covarde que merece a cadeira elétrica. Calma aí, pessoal. Antes de continuar a ler, peço que dêem um olhada nesse vídeo, um mix dos chamados Bad Boys, uma excelente equipe montada pelo Detroit Pistons, que deixou marcas nas quadras, nos adversários, nas delegacias… Enfim, Bowen não é um jogador que tenha o nível técninco de jogadores que fizeram parte dessa equipe dos Pistons, mas o ódio a ele faz com que os Bad Boys ou até os Jailblazers (Jail = cadeia. Imaginem como era esse time do Blazers) pareçam santinhos. Bowen exagera sim! Mas exageram mais ainda aqueles que o condenam como um assassino de jogadores.
5) Planejamento invejável
Pois bem, o planejamento é sim um dos fatores que fazem um torcedor odiar um adversário. Até hoje, os torcedores de Detroit devem se perguntar porque Darko Milicic (nada contra ele, prestem atenção) foi a elevadíssima segunda escolha do Pistons, deixando para trás jogadores que hoje são top 10 na Liga, como Carmelo Anthony, Dwyane Wade e Chris Bosh. Já o Spurs escolheu jogadores do porte de Manu Ginóbili e Tony Parker (que para mim são melhores que Darko) em posições muito baixas no draft. Parker foi a 28ª escolha do first round de 2001, enquanto Manu Ginóbili, hoje um dos melhores estrangeiros na Liga, foi draftado na 57ª escolha (!!). Os bons drafts realizados por Gregg Popovich e sua equipe fazem com que a franquia vá se renovando e mantendo sempre seu nível. O nome disso? Planejamento.
6) O estilo de jogo
Jogo cadenciado, nada de jogadas espetaculares e nem de showtime. O que importa para o San Antonio Spurs é a eficiência. E essa, leitores, é a marca registrada do time texano. Se você acha o jogo do Spurs, então apegue-se a números e veja que o chato faz efeito. Desde a chegada de Tim Duncan, o time de San Antonio nunca ficou de fora dos playoffs. Sabendo que Duncan entrou no time na temporada 1997/98, logo podemos concluir que, com a classificação já obtida na atual temporada, San Antonio obteve nada mais nada menos do que 11 participações consecutivas na pós-temporada. Chato mas eficiente!
7) A torcida
“Antes do Duncan começar a jogar e eles ganharem um título eu nunca via um torcedor do Spurs”. Frase típica quando algum adversário se refere a torcida do time de San Antonio. Para eles, tenho apenas uma resposta: eficiência atrai torcida, que gera dinheiro, que possibilita aumento na eficiência. Pois é, meus caros. É um ciclo vicioso que o Spurs está criando.
Pois bem, esses foram os principais fatores que encontrei. Se você odeia o Spurs, com certeza se encaixa em um desses fatores. Se não odeia, provavelmente é um torcedor. Mas o importante é especificarmos que em primeiro lugar eu não coloco o Spurs acima do bem e do mal. Em segundo lugar, esse texto tem uma leve tendência de humor. E terceiro: eu sou San Antonio, vou defender meu time, ué;
E lembrem-se: odeiem com moderação.
Draft 2008 – O que esperar?
Cada vez mais nos aproximamos do final da temporada regular de 2007/08 da NBA. Com isso, diversas especulações vão surgindo, tais como as indicações para MVP e outros prêmios, as equipes que se classificarão para os playoffs e também o sorteio da loteria do draft, processo no qual as equipes recrutam novatos para a temporada seguinte. A posição de escolha nesse “processo seletivo” é definida por um sorteio em que as equipes com pior classificação obtém melhores posições de escolha, e as com melhor campanha, posições mais baixas.
Pois bem, o processo desse ano promete trazer grandes jogadores para a Liga, como o ala-pivô Michael Beasley, os armadores Derrick Rose e Jerryd Bayless e o pivô DeAndre Jordan (não, esse ainda não é o filho de Michael Jordan). Mas nenhum desses jogadores interessa a nós, torcedores do San Antonio Spurs. Afinal, todos eles têm perspectiva de estarem entre as 10 primeiras escolhas, colocação que o Spurs não terá nem chance de almejar. Isso porque, graças à nossa campanha, devemos pegar algo entre a 23ª e a 28ª escolha. Alguns desavisados podem se preocupar com uma colocação tão baixa, praticamente entre as últimas posições. Pois podem relaxar que draft é um assunto que a comissão técnica do time texano sabe muito bem como lidar. Afinal, não é qualquer comissão que consegue retirar um armador como Tony Parker na 28ª escolha e um craque como Manu Ginóbili na 57ª.
Mas, deixando o saudosismo dos drafts passados para trás, o que podemos realmente esperar do San Antonio Spurs no draft deste ano?
Para tal, analisemos as escolhas de maior efeito do time nos últimos anos: Ian Mahinmi e Tiago Splitter. O pivô francês foi selecionado no ano de 2005 e chegou ao Spurs nesse ano, em que vem sendo utilizado mais na equipe da D-League, o Austin Toros, do que no time principal. Tudo isso para que o jogador adquira experiência e volume de jogo necessário para a disputa da NBA, afinal, o mesmo tem apenas 21 anos recém completos (em novembro de 2007). Já o caso do ala-pivô brasileiro é um pouco diferente. Por questões contratuais, Tiago permaneceu essa temporada em seu time, o Tau Ceramica da Espanha, e ainda não há certeza de que ele virá jogar na NBA pelo time texano, apesar de 9 a cada 10 especialistas afirmarem que dessa vez não ocorrerá como no caso do argetino Luis Scola, que foi draftado pelo Spurs, não foi aproveitado e hoje está no Houston Rockets fazendo sua temporada como novato.
Como visto, os dois principais recrutados nos últimos drafts atuam dentro do garrafão. Ou seja, espera-se que esse ano seja o ano em que o perímetro seja mais visado (lembrando que a primeira escolha do Spurs em 2009 pertence ao Seattle Supersonics, graças à troca entre os times que resultou na chegada do pivô Kurt Thomas ao nosso time). Um armador para a reserva de Parker (Vaughn e Stoudemire já estão com idade avançada) e um jogador que possa ter futuro na ala parecem ser as opções primordiais.
Especialistas de sites como o HoopsHype e o NBADraft já fazem as primeiras especulações, e estas serão analisadas a partir de agora. Para o primeiro round da seleção, dois jogadores são apontados como favoritos para serem selecionados pela equipe de Gregg Popovich: o versátil Kyle Weaver e o ala Sam Young.
Weaver é um jogador que atua tanto como armador quanto como ala-armador, e está em seu último ano de faculdade. Atua pelo Washington State Cougars, onde tem médias de 12,2 pontos, 5,2 rebotes e 4,3 assistências por jogo. Este seria um jogador que, além de reforçar o perímetro com versatilidade, traria ao time texano um reserva com potencial de evolução para o astro Manu Ginóbili. Aprender com Gino seria de grande valor para o ala-armador, que tem um estilo de jogo parecido com o do argentino.
Já Sam Young seria um jogador que teria menos minutos do que possivelmente Weaver poderá vir a ter, por um simples motivo: o substituto para Bowen na ala do Spurs parece ser mesmo Ime Udoka, que vem cada vez mais crescendo e mostrando estilo de jogo parecido com o do atual titular. Com médias de 18,1 pontos e 6,3 rebotes por jogo em sua terceira temporada na universidade, Young dificilmente será selecionado para jogar a temporada 08/09 na NBA.
Para o segundo round do draft, os especialistas falam em um jogador: DeMarcus Nelson, ala-armador que está em seu último ano de faculdade, jogando por Duke. Nelson vem para o possível recrutamento com médias de 14,5 pontos e 5,8 rebotes por jogo. Caso Kyle Weaver seja realmente draftado pelo Spurs, as chances de DeMarcus ser selecionado pela equipe de San Antonio caem muito, pois o time partiria para jogadores que atuassem como armadores ou alas de ofício.
Ou seja, devemos esperar do Spurs escolhas que reforçem o perímetro do time e que provavelmente mais treinarão do que jogarão, para aperfeiçoarem seus fundamentos e aprenderem com os grandes jogadores que fazem parte do elenco. Fiquem atentos, com a proximidade do draft, as notícias aumentam e o Spurs Brasil estará em cima do lance com as possíveis novidades em relação às escolhas do time.
Humor – Os cachorros velhos de San Antonio
Uma velha senhora foi para um safari na África e levou seu velho vira-lata com ela.
Um dia, caçando borboletas, o velho cão, de repente, deu-se conta de que estava perdido.
Vagando a esmo, procurando o caminho de volta, o velho cão percebe que um jovem leopardo o viu e caminha em sua direção, com intenção de conseguir um bom almoço.
O cachorro velho pensa:
-Oh, oh! Estou mesmo enrascado! Olhou à volta e viu ossos espalhados no chão por perto. Em vez de apavorar-se mais ainda, o velho cão ajeita-se junto ao osso mais próximo, e começa a roê-lo, dando as costas ao predador.
Quando o leopardo estava a ponto de dar o bote, o velho cachorro exclama bem alto :
-Cara, este leopardo estava delicioso ! Será que há outros por aí ?
Ouvindo isso, o jovem leopardo, com um arrepio de terror, suspende seu ataque, já quase começado, e se esgueira na direção das árvores.
-Caramba! pensa o leopardo, essa foi por pouco! O velho vira-lata quase me pega!
Um macaco, numa árvore ali perto, viu toda a cena, e logo imaginou como fazer bom uso do que vira: em troca de proteção para si, informaria ao predador que o vira-lata não havia comido leopardo algum…
E assim foi, rápido, em direção ao leopardo. Mas o velho cachorro o vê correndo na direção do predador em grande velocidade, e pensa:
-Aí tem coisa!
O macaco logo alcança o felino, cochicha-lhe o que interessa e faz um acordo com o leopardo.
O jovem leopardo fica furioso por ter sido feito de bobo, e diz:
-Aí, macaco! Suba nas minhas costas para você ver o que acontece com aquele cachorro abusado!’
Agora, o velho cachorro vê um leopardo furioso, vindo em sua direção, com um macaco nas costas, e pensa:
-E agora, o que é que eu posso fazer ?
Mas, em vez de correr (sabe que suas pernas doídas não o levariam
longe…), o cachorro senta, mais uma vez dando costas aos agressores, fazendo de conta que ainda não os viu, e, quando estavam perto o bastante para ouvi-lo, o velho cão diz:
-Cadê o safado daquele macaco? Estou com fome! Eu o mandei buscar outro leopardo para mim! ’
Moral da história: não mexa com cachorro velho… idade e habilidade se sobrepõem à juventude e intriga. Sabedoria só vem com idade e experiência.
TEAM IS EVERYTHING
Artigo – O verdadeiro Bowen
Há algum tempo atrás, escrevi um artigo sobre os “carregadores de piano” do Spurs. E muitos se perguntaram por que eu não havia citado Bruce Bowen. Simples; Bowen tem um papel tão fundamental na equipe que merece um artigo especial somente sobre ele, passando por sua infância difícil, pelo basquete da Europa e chegando até sua trajetória vitoriosa e polêmica na NBA.

“70% do planeta é coberto por água, o restante por Bruce Bowen”. Cartazes com essa frase são ostentados pelos torcedores de San Antonio em praticamente todas as partidas no AT&T Center. Isso demonstra o quanto o veterano de 36 anos é querido pela torcida.
Mas, antes de chegar ao Texas para jogar pelo Spurs, Bowen teve uma trajetória um pouco diferente dos outros jogadores, pelo fato de não ter sido draftado.
Nascido em Merced, na Califórnia, Bowen teve uma infância difícil; sua mãe era viciada em drogas e a família passava necessidade. Bruce Jr. passava seus dias jogando basquete nas ruas, e tornou-se estrela na escola local Edison High School. Recebeu bolsa de estudos e foi jogar pela faculdade Cal State Fullerton, onde jogou por 101 vezes, anotando médias de 11,4 pontos e 5,8 rebotes por jogo.
Bowen entrou para o draft da NBA em 1993, mas, mesmo após uma boa temporada como senior (4º ano como jogador universitário), não foi selecionado por nenhuma equipe. E, diante desse cenário, Bowen mudou de equipe diversas vezes entre 93 e 97 passando pelo basquete francês com o Le Havre, em 1993–94, e com o Evreux, na temporada seguinte. Em 1995-96, retornou aos Estados Unidos, onde jogou pelo Rockford Lightning, da CBA. Na temporada seguinte, voltou a França, com Besançon, antes de retornar novamente para o Lightning em fevereiro de 1997.
Em 1997, Bruce Bowen teve sua primeira aparição na NBA. E foi uma aparição relâmpago. No dia 16 março daquele ano, Bowen jogou por 1 minuto pelo Miami Heat em partida contra o Houston Rockets, anotando apenas um bloqueio. Nas duas temporadas seguintes, Bowen apareceu em 91 partidas jogando pelo Boston Celtics, mas sempre com estatísticas discretas. Aliás, Bowen nunca se destacou por estatísticas espetaculares.
Em 1999-00, Bowen inicou a temporada jogando pelo Philadelphia 76ers; apareceu em 42 partidas e foi trocado junto ao Chicago Bulls, sendo imediatamente dispensado. Então, como agente livre, assinou com o Miami Heat, onde concluiu aquela temporada e também jogou a seguinte, quando, pela primeira vez na carreira, jogou todos os 82 jogos da temporada regular, e foi nomeado para o segundo time ideal de defesa da liga.
Finalmente em 2001-2002 chegou ao San Antonio Spurs, onde permanece até hoje. E foi no time do Texas que Bowen entrou em sua melhor fase na carreira (e a mais polêmica também). O camisa #12 ganhou três anéis de campeão com o Spurs, em 2003, 2005 e 2007, sendo fundamental em todos eles, desempenhando um importante papel defensivo, marcando sempre a “estrela” da equipe adversária, o que o fez ganhar o reconhecimento da torcida e também da NBA, que o premiou nomeando-o 2 vezes para o segundo time ideal de defesa e, atualmente, 4 nomeações seguidas para o All-Defense First Team. Recentemente, Bowen conseguiu uma sequência de 500 jogos sem se ausentar de nenhum, algo raro hoje em dia no basquete de alto nível e de força física da NBA.
Apesar de toda a polêmica o envolvendo, com muitos o considerando um jogador desleal, Bruce Bowen sempre é lembrado nas listas para o prêmio de jogador de defesa do ano, um reconhecimento ao esforço e dedicação de um dos melhores defensores da história do San Antonio Spurs e, porque não, da NBA.
Ficha Técnica:
Nome: Bruce Bowen Jr.
Data de Nascimento: 14/06/1971
Local de Nascimento: Merced, Califórinia
Peso: 91 Kg
Altura: 2,01 m
Posição: Ala
Médias na carreira (por partida):
Temporada Regular:
Pontos: 6,4
Rebotes: 2,9
Assistências:1,3
Roubos de bola: 0,9
FG: 40,8 %
3 PT: 39,1%
Playoffs:
Pontos: 6,0
Rebotes: 2,8
Assistências:1,3
Roubos de bola: 0,8
FG: 39%
3 PT: 42,1%
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Artigo – O libertador de San Antonio – Parte II
Chegamos finalmente à parte mais conhecida da carreira de David Robinson, sua participação na NBA, jogando somente pelo San Antonio Spurs. E como dito no primeiro artigo, a entrada de Robinson na liga de basquete dos EUA foi cercada de obstáculos, e por muito pouco quase não aconteceu. Afinal, após cumprir os dois anos necessários na marinha norte-americana, David quase trocou o basquete pela ginástica e, após decidir seguir no basquete, se especulava sobre uma possível renovação com o time texano, uma vez que Robinson seria agente livre antes mesmo de estrear.

Mas o pivô decidiu continuar em San Antonio e jogar pelo time que havia aberto suas portas no momento do draft de 1987. A estréia ocorreu na temporada de 1989/1990, e não podia ter sido melhor para David e os Spurs. Logo de cara, o jogador causou grande impacto na liga, que o aguardava ansiosamente devido aos dois anos de expectativa criada. Primeiramente, foi apelidado de “Almirante”, graças aos serviços prestados para a marinha dos EUA. Agora ele era David “The Admiral” Robinson, novamente com sua camisa 50, liderando o San Antonio após pífia campanha do time na temporada anterior.
O recorde em questão do San Antonio Spurs foi de 21 vitórias e impressionantes 61 derrotas. A missão do Almirante seria mais complicada do que ele poderia imaginar. E são em situações controversas e complicadas que se separam os grandes jogadores dos jogadores que serão lendas. Robinson escolheu ser uma lenda e, em apenas uma temporada, colocou o Spurs nos playoffs da NBA, com surpreendente campanha de 56 vitórias e 26 derrotas, uma melhora de 35 triunfos em relação ao recorde passado.
Essa significativa mudança mostrava qual seria o impacto de Robinson na liga. O prêmio de melhor novato da temporada foi apenas conseqüência para um jogador que teve médias de 24,3 pontos, 12,0 rebotes e 3,9 bloqueios em sua primeira época entre os profissionais. Ainda naquele mesmo ano, o Almirante levou seu time à semi-final de Conferência, onde perdeu para o futuro vice-campeão da NBA Portland TrailBlazers.
Essa temporada seria o bastante para que David Robinson ficasse para sempre na memória e nos corações dos torcedores texanos. Mas ele fez mais, muito mais. Antes de expor seus outros incríveis feitos dentro da NBA, é necessário fazer uma importante ressalva: a participação de Robinson no time de basquete mais admirado de todos os tempos, a seleção norte-americana de basquete nas Olimpíadas de 1992, em Barcelona. Michael Jordan, Larry Bird, Charles Barkley, Magic Johson e o próprio Robinson eram apenas alguns dos jogadores daquele time que encantou o mundo e levou para casa a medalha de ouro da primeira Olimpíada onde se permitiu a participação de jogadores profissionais. O Almirante poderia estar vivendo seu sonho em 1992, mas nem imaginava as glórias que o destino reservava para ele.

Ainda em 1992, foi eleito o Jogador Defensivo do Ano, com médias de 23,2 pontos, 12,2 rebotes, 2,3 roubadas de bola e 4,5 bloqueios por jogo. A carreira meteórica ainda permitiu que ele fosse eleito duas vezes consecutivas para o NBA All First Team em quatro anos de liga, nos anos de 1991 e 1992. Se formos enumerar todas as vezes que Robinson foi eleito para melhores times e melhores times defensivos, teríamos que criar outro artigo.
Após quatro anos de liga, na temporada 1993/1994, Robinson travou um impressionante duelo com o então jovem pivô do Orlando Magic Shaquille O’Neal pelo posto de maior cestinha da temporada regular. E a vitória foi do Almirante, que com incríveis 71 pontos no último jogo da temporada, contra o Los Angeles Clippers, garantiu a vitória naquela época. Vitória essa que impulsionou Robinson a vencer na temporada seguinte o prêmio individual mais importante da NBA, o de MVP da temporada regular.
Medalha de ouro olímpica, reconhecimento na NBA, eleito MVP, melhor jogador de defesa, cestinha de uma temporada, nomeado como um dos 50 maiores jogadores da história, parecia que nada faltava ao Almirante. Nada exceto um anel de campeão da NBA. E a conquista desse anel começou de maneira muito dolorosa para o jogador e para os torcedores do Spurs.

Ainda na pré-temporada de 1996/1997, Robinson se machucou seriamente, e ficou impedido de jogar na maior parte daquele ano. O resultado para o Spurs foi óbvio; recorde de 20 vitórias e 62 derrotas. Com tal campanha, restou ao time texano a primeira escolha no draft seguinte. E essa primeira escolha foi a medida que faltava para que o Spurs pudesse ser campeão. Um grande jogador fora draftado pelo time de San Antonio. Sua primeira opção não era ser jogador de basquete e sim nadador, mas uma tragédia o impediu. Seu nome? Tim Duncan. E junto com Robinson formou a dupla de garrafão que ficou conhecida como “As Torres Gêmeas”.
Agora, era só uma questão de entrosamento para que o título viesse. E veio na fatídica temporada de 1998/1999, época que ficou marcada por ter tido apenas 50 jogos, graças à crise instaurada na NBA e à greve de jogadores. Com 50, 80 ou 100 jogos, o que interessa é que as Torres Gêmeas entraram em ação e mostraram ser uma das melhores duplas de garrafão da história. Após bater Minesotta Timberwolves e Los Angeles Lakers nos playoffs, o Spurs se vingou do TrailBlazers e venceu a final da Conferência Oeste, obtendo a vaga na grande final da NBA contra o New York Knicks. E após um 4×1 contra o time de Nova York, o Spurs e David Robinson sagravam-se campeões pela primeira vez da NBA.

David Robinson havia conseguido. Transforamara o Spurs em time grande na Liga. Conseguiu o único título que faltava em sua gloriosa e meteórica carreira. O Almirante havia finalmente libertado o Spurs; ele havia dado, ao entrar para a equipe, o primeiro passo do que futuramente seria o início de uma dinastia. David se retirou em 2003, e conseguiu fazer de sua aposentadoria ser uma grande festa. Uma comemoração ao segundo título obtido pelo Spurs. O Almirante deixava a NBA com dois anéis de campeão. Passava o bastão para Tim Duncan, que ainda conquistaria mais dois títulos (por enquanto!). Marcava seu nome na história como grande homem e jogador que foi. Ficará para sempre na memória dos torcedores do Spurs e dos amantes do basquete como o Almirante, como o homem que libertou San Antonio.
Médias de David Robinson na NBA
Carreira
Jogos: 987
Minutos jogados: 34271 (34,7 por jogo)
Pontos: 20790 (21,1 por jogo)
Rebotes: 10497 (10,6 por jogo)
Bloqueios: 2954 (3,0 por jogo)
Roubadas de bola: 1388 (1,4 por jogo)
Assistências: 2441 (2,5 por jogo)
FG%: 51,8
FT%: 73,6
Playoffs
Jogos: 123
Minutos jogados: 4221 (34,3 por jogo)
Pontos: 2222 (18,1 por jogo)
Rebotes: 1301 (10,6 por jogo)
Bloqueios: 312 (2,6 por jogo)
Roubadas de bola: 151 (1,3 por jogo)
Assistências: 280 (2,3 por jogo)
FG%: 47,9
FT%: 70,8
All-Star Games
Jogos: 10
Minutos jogados: 184 (18,4 por jogo)
Pontos: 141(14,1 por jogo)
Rebotes: 62 (6,2 por jogo)
Bloqueios: 13 (1,3 por jogo)
Roubadas de bola: 13 (1,3 por jogo)
Assistências: 8 (0,8 por jogo)
FG%: 58,8
FT%: 69,5
Prêmios e indicações
10 vezes indicado ao prêmio de MVP, vencendo uma vez (1995)
Jogador com mais jogos na temporada (1990,1991)
Jogador com mais bloqueios na temporada (1991,1992)
Melhor reboteiro da temporada (1991, 1996)
Cestinha da temporada (1994)
NBA All First Team (1991, 1992, 1995, 1996)
NBA All Second Team (1994, 1998)
NBA All Third Team (1990, 1993, 2000, 2001)
All-Defensive First Team (1991, 1992, 1995, 1996)
All-Defensive Second Team (1990, 1993, 1994, 1998)
Segundo maior cestinha do Spurs, atrás apenas de George Gervin (se contarmos apenas jogos da NBA, Robinson é o maior, uma vez que Gervin marcou 4219 jogando no Spurs em sua época da ABA)
Escolhido para o Hall da Fama da NBA como um dos 50 maiores jogadores da história.
