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A crise do basquete brasileiro

Assistindo à bela vitória da Argentina contra a Grécia, fiquei imaginando como seria ter nosso basquete em um jogo como esse, com a capacidade técnica e a garra de nossos hermanos. Sim, porque o que a Argentina tem feito nos últimos tempos com o basquete é um exemplo de tudo o que o Brasil deveria fazer. De presa fácil para nossa seleção, os argentinos passaram a campeões olímpicos e uma das principais equipes do mundo em pouco tempo.

Outro bom exemplo de crescimento nos últimos tempos é o vôlei brasileiro. Ao perceber que o esporte rendia público e que havia talento, empresas passaram a apoiar e a montar parcerias com clubes e até com a seleção. O resultado é esse que estamos vendo; somos campeões olímpicos no masculino e no feminino estamos sempre chegando entre os primeiros. Talento e público o basquete já provou que tem.

Essa mudança precisa acontecer rapidamente se quisermos salvar nosso basquete. O Brasil atravessa por uma de suas piores fases no basquete em todos os tempos. O feminino, que vinha se salvando ultimamente, ficando sempre entre os primeiros do mundo, está em absoluta queda. Sem Paula e Hortência, vinha conseguindo manter uma regularidade com Janeth e companhia. Mas nessa Olimpíada decepcionou e foi eliminado na fase de grupos com campanha pífia, conseguindo apenas uma vitória.

Já o basquete masculino está em queda faz tempo. Apesar de contar com vários jogadores atuando na NBA, decepcionou os torcedores novamente ao ficar fora dos Jogos Olímpicos pela terceira vez consecutiva. Pior que isso, só a falta de vontade desses “astros” de atuarem defendendo nossas cores. Mas não para por aí. Pela primeira vez desde 2002 não contamos com jogadores brasileiros no draft.

Com toda essa crise, falta de apoio, desorganização e desonestidade dos dirigentes, é difícil acreditar que algo mudará. Será que chegamos ao fundo do poço ou vamos mais fundo ainda?

O basquete atual globalizado

A disputa do basquete nos jogos olímpicos desse ano deve ser acirrada e o nível técnico das equipes promete ser alto, o que faz com que a briga pelo ouro seja mais nivelada.

Das doze pátrias participantes, pelo menos seis têm grandes chances de ganhar o ouro. Os EUA, que destoam um pouco dessa competitividade por contarem com os melhores jogadores do mundo; Lituânia, um time forte, que sempre chega como candidata ao título; Grécia, dona de um basquete coletivo impressionante; Espanha, credenciada pelo título mundial; Rússia, campeã européia de 2007; Argentina, atual campeã olímpica. Isso sem mencionar as seleções que podem chegar como surpresa e beliscar uma medalha, como a Alemanha, que possui um forte jogo debaixo da cesta, e a Croácia, que segue o exemplo da Grécia e conta com um ótimo jogo coletivo.

Esse equilíbrio vem crescendo nos últimos tempos. Houve época em que quase todos os torneios de basquete eram vencidos por Estados Unidos ou URSS. Esse basquete atual mais nivelado se deve ao fato de o esporte estar globalizado. Tirando Irã e Angola, que não devem ser adversários à altura dos outros selecionados, todas as equipes contam com jogadores atuando na NBA ou na Europa. Conhecendo e atuando nas melhores ligas de basquete do mundo os jogadores não melhoram apenas tecnicamente, mas também taticamente. Eles trazem para as suas equipes as características do jogo europeu ou norte americano. Com isso, a tendência é que o jogo fique cada vez mais equilibrado e os torneios cada vez mais disputados.

Devem destoar desse equilíbrio os times que não contarem com jogadores nos principais centros do basquete no mundo. Afinal, o fato de Angola e Irã serem apontados como os principais candidatos ao último lugar dos grupos e não terem jogadores atuando nas principais ligas do mundo não é apenas uma coincidência.

Bate-Papo – Diretoria, negócios e estrangeiros…

O que vocês acham da postura da diretoria no mercado de off season, nas trocas e contratações; é muito conservadora ou tem um planejamento ponderado?

Leonardo Sacco – Bom, eu tenho claríssimo em minha cabeça que a diretoria do Spurs é uma das melhores da NBA. Eles montaram um início de dinastia com peças de draft e pouco investimento. Porém, nessa abertura de mercado, acho que eles não estão trabalhando como deveriam. Primeiro foi o draft. Tudo bem, esse Hill pode calar a minha boca e a de mais um monte de gente, mas não nos esqueçamos que o Spurs deixou passar um exímio armador, Mario Chalmers. Nas Ligas de Verão ele tem sido um dos protagonistas do Heat, e ele poderia ser de nosso time! Grande vacilo da diretoria, na minha opinião.
Já sobre o mercado de agentes livres, pra mim é simples: o Spurs não vai contratar um Brand, um Davis ou um Iguodala. Então, mantenha a base e, no máximo, traga um jogador como o Maggette, que pode ser bem útil. Mas como parece que o Maggette não virá, é só não deixar o Barry escapar. Eu, pelo menos, o acho bem importante. E aí Pongas, qual sua opinião sobre a diretoria nesse período?

Bruno Pongas – Olha…
Eu concordo com a diretoria em alguns aspectos, mas não há como negar que ela nos deixa um pouco com um pé atrás às vezes. Vamos aos fatos: Voltando um pouco para o dia do draft. Tínhamos uma escolha razoável, suficiente para escolher um jogador importante para a rotação. Tivemos nas mãos alguns garotos de grande projeção, como o já citado Mario Chalmers e o ala-pivô DeAndre Jordan. Chalmers, como dito pelo Léo, vem mostrando que é sim um jogador interessante. Em compensação, penso que se o Jordan, que estava projetado para ser um Top 20, não foi escolhido nem no primeiro round, é porque alguma coisa estranha tem. Ou ele é jogador problema, ou não se mostrou competente o suficiente durante os treinos com as equipes. Para a surpresa de todos, veio o desconhecido George Hill. Logo de cara também torci o nariz para a escolha. Mas ao ver os números do garoto pela insignificante Universidade de Indiana, percebi que pode ter um bom futuro. Também gostei do fato de ele ser apegado à Universidade, já que ele teve oportunidades de ir jogar em centros maiores e preferiu ficar em Indiana. Isso me agrada, pois demonstra amor à camisa, coisa que é pouco comum hoje em dia.
Agora quanto à diretoria. Acho que ela vem cometendo alguns deslizes. Isso começou a me incomodar com a absurda troca envolvendo Luis Scola e o grego Spanoulis. Tudo bem, o Scola não estava com muita vontade de atuar pelo Spurs depois de alguns entreveiros que aconteceram, e o grego é sim um bom jogador. Mas vamos aos fatos; primeiro, Spanoulis já havia declarado que voltaria pra Europa, já que tinha grande proposta do Panathinaikos. E o Scola creio que era questão de conversar e fazer pequenos ajustes aqui e ali.
Concordo com a postura da diretoria de mantêr os pés no chão, mas sei também que é complicado sair ano e entrar ano e não vemos chegar um scorer novo, ou mesmo um jogador que chegue causando grande impacto.

Leonardo – Sobre o Scola, concordo com você. Talvez se houvesse tido mais algumas conversas, algumas negociações, o argentino teria desembarcado em San Antonio. Mas, para o lugar dele, o Splitter foi uma escolha bem interessante. A cada jogo que assisto do Brasil me impressiono mais e mais com o trabalho do Tiago. É ótimo jogador para o garrafão, tem que treinar mais seus chutes de longa e média distância, mas se vier para o Spurs, vem para ser titular.
Falando no Splitter: você acha que ele vem ou não, Pongas?

Pongas – Bom, sinceramente eu espero que sim!
Não iria gostar de ver o episódio Scola acontecendo de novo. Se pararmos pra pensar, olha o jogador que tivemos na mão e que acabou escapando dessa maneira. O argentino fez uma excelente temporada junto ao Houston Rockets e cairia como uma luva no esquema do Popovich.
Splitter mostra a cada jogo, seja pela seleção ou pelo Tau Cerâmica, que está em franca evolução e que tem tudo para ser um jogador que cause certo impacto na NBA. É difícil falar agora, mas é fato que ele parece ter um pouco mais de cabeça que os outros brasileiros da NBA, isso é um ponto a nosso favor.
Fico feliz pelas boas atuações do Splitter pela seleção. É muito bom ver um jogador do nosso país atuando em tão alto nível. Sem brincadeira, na minha opinião ele tem tudo pra ser um dos bons pivôs da NBA nos próximos anos (Levando em conta, claro, a carência de grandalhões nos dias de hoje).
E você, Léo? Acha que ele também causará tal impacto?

Leonardo – A “novela” Splitter pode atrapalhar um pouco a vida dele em San Antonio. O Spurs parece ser um time muito fechado, com astros já definidos. Minhas opiniões são dadas como torcedor do Spurs ou brasileiro. E são elas:
Como brasileiro, acharia melhor ele ter ido para uma franquia menor e com menos craques, pois teria mais chance. Mas mesmo assim, o Spurs é um ótimo time, pois ele vai aprender simplesmente com o Duncan;
Já como torcedor do Spurs, estou eufórico pela chegada do Tiago, que dos jogadores recrutados nesse processo de renovação é o que mais me agrada.
Bom Pongas, acho que por hoje é só. Peço desculpas para nossos visitantes pelos problemas técnicos que temos passado. A cobertura da WNBA e o Bate-Papo foram afetados na última semana, mas voltarão com força total. Abraços para você e para nossos leitores.

O desempenho das nossas meninas

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Tivemos o pré-olímpico feminino de basquete. Lá, conseguimos com méritos a classificação para as Olimpíadas. Agora, chegou a vez dos homens brigarem por uma vaguinha em Beijing. Ontem perdemos pra Grécia (derrota já esperada, diga-se de passagem). O adversário da vez será a Alemanha, que convenhamos, não é nenhum bicho papão. Junto a tudo isso, tivemos o draft da NBA. As ligas de verão estão a todo vapor e logo chegará a temporada 2008-2009. Com todos esses eventos acontecendo simultaneamente, o espaço destinado às meninas do San Antonio Silver Stars diminuiu um pouco. Entretanto, isso não significa que deixaremos de acompanhar o desempenho das nossas meninas.

Sendo assim, para situar um pouco o leitor que gosta de WNBA, aí vai um panorama de como as coisas andam. Já se foi mais de metade da temporada (Vale lembrar que a liga feminina é composta por 14 times; cada equipe disputa 34 jogos). Após as 23 partidas disputadas até aqui, as Stars ocupam o primeiro lugar na conferência oeste, com a melhor campanha de toda a liga. São 16 vitórias e apenas sete derrotas. Em segundo lugar, vem o veteraníssimo Seattle Storm, da dupla Lauren Jackson e Sue Bird. Elas têm dois jogos a menos que as Stars, mas se vencerem os embates ‘pendentes’, apenas igualam nossa campanha. O terceiro colocado é o badalado Los Angeles Sparks, que teve uma ligeira queda de produção nos últimos jogos (13-8).

Com apenas 11 jogos por vir, é muito difícil que a equipe de San Antonio não se classifique (Quatro equipes se classificam por conferência), tendo em vista que o quarto colocado pelo lado oeste é o irregular Minnesota Lynx (10-10). Por falar em quarta vaga, a disputa por um lugar nos playoffs está cada vez mais acirrada. Com toda a certeza, San Antonio Silver Stars, Seattle Storm e Los Angeles Sparks estão com suas vagas praticamente garantidas. Talvez ocorram algumas mudanças de posições entre eles, mas creio que esses três estarão nos playoffs, já que inegavelmente são os mais fortes da conferência. O atual campeão Phoenix Mercury vem decepcionando com a pífia campanha de 9-12. Todavia, é uma equipe que eu não descartaria em hipótese alguma, já que possui grandes jogadoras.

Voltando a falar de San Antonio, muito do crescimento da equipe se deve a dois fatores: À chegada da belga Ann Wauters, que é uma excelente jogadora, nível All-Star, e o trabalho magnífico feito pelo técnico e General Manager da equipe, Dan Hughes. Em apenas três anos de trabalho, Hughes conseguiu levantar uma franquia fracassada e esquecida em um time forte e competitivo. Primeiro com boas escolhas no draft; selecionou Sophia Young, que hoje é um dos pilares principais da equipe, e Shanna Crossley, que infelizmente está fora da temporada devido à uma contusão. Depois, com grandes trocas, trouxe Erin Buescher junto ao Sacramento Monarchs a troco de nada e conseguiu a troca mais absurda de todos os tempos (Compararia à troca envolvendo Pau Gasol e os Los Angeles Lakers). Dan Hughes conseguiu trazer a armadora Becky Hammon, indiscutivelmente a melhor jogadora da equipe e uma das melhores jogadoras do mundo, por Jessica Davenport (Inexpressiva segunda escolha de draft), e mais uma escolha de primeiro round desse ano. Advinhem com quem foi o tal negócio? Ninguém mais ninguém menos que o New York Liberty! Pelo visto não é só na NBA que a equipe de Nova York comete trapalhada.

Hoje, vejo nas Stars uma equipe absolutamente capaz de conquistar seu primeiro título. É claro que os adversários são fortes, mais até do que no ano passado, quando fomos eliminados na primeira rodada dos playoffs pelo Phoenix Mercury em partidas de arbitragem duvidosa. Só que nosso quinteto titular não fica devendo para nenhum dentro da liga, nem para o Los Angeles Sparks. O grande problema é o banco de reservas. O nosso até que é um bom banco, mas ainda não são suplentes de um time campeão. Se da pra conquistar o caneco? Com certeza sim! Já provamos que conseguimos enfrentar as melhores equipes de igual pra igual, esse já é o primeiro passo pra conquista de um título.

Futuros adversários

O Brasil venceu com tranqüilidade, como se esperava, a fraca seleção libanesa, e está classificado para a segunda fase do Pré-olímpico mundial. Se vencer a Grécia, a seleção enfrentará a Nova Zelândia, que perdeu para os alemães. Se perder, enfrentará a própria Alemanha, que não tomou conhecimento e atropelou os neozelandeses, com grande exibição de Dirk Nowitzki, que deveria servir de exemplo para nossas “estrelas” brasileiras da NBA, já que está disputando essa competição por vontade própria, porque pagou o seguro do seu próprio bolso.

Na partida de ontem, nossa seleção não foi muito testada, deivido à fragilidade do adversário. Entretanto, foi possível observar alguns defeitos e algumas qualidades na equipe de Moncho Monsalve. O Brasil apresentou muitas falhas defensivas, principalmente na marcação dos alas e dos armadores, deixou a seleção adversária chutar muitas bolas de três e fazer algumas infiltrações, o que pode ser fatal contra equipes de qualidade. Apesar disso, apresentou uma melhor distribuição de jogo com os pivôs, tanto é que Baby e Murilo, que não começaram o jogo como titulares, marcaram 16 e 14 pontos respectivamente.

Porém, isso não é o suficiente. Se quiser chegar às Olimpíadas, nossa seleção precisa melhorar muito. Se for batida pela Grécia e precisar enfrentar a Alemanha, por exemplo, quem conseguirá marcar os pivôs Kaman e, principalmente, Nowitzki? Ambos têm 2,13 metros de altura. Nowitzki ainda possui uma agilidade impressionante, que faz com que possa revezar entre as posições 3, 4 e 5. Em qualquer uma delas, não há ninguém em nossa seleção que consiga pará-lo.

Mas o Brasil pode vencer a Grécia e, com isso, enfrentaria a Nova Zelândia, que é um adversário mais fraco na teoria. Entretanto, mesmo contra esse adversário, a seleção pode se complicar. Isso porque eles possuem uma equipe muito rápida, que tem como características os chutes de longa distância e as infiltrações, exatamente o que nossa seleção não soube anular no primeiro jogo.

Por isso acho que, para chegar à Pequim, ainda será necessário muita luta e melhoria na equipe, porque a facilidade com que ganharam ontem não se refletirá daqui para frente nesse pré-olímpico.