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Nem sempre as estrelas trazem sucesso

Uma notícia divulgada em um grande jornal de Denver surpreendeu os torcedores do Nuggets. A diretoria da equipe estaria interessada em envolver Allen Iverson em uma troca na próxima trade deadline, no início do ano que vem. Ao mesmo tempo, surge a notícia de que Vince Carter estaria na mira do Cleveland Cavaliers, sendo envolvido em uma troca com Wally Szczerbiak. Pode parecer que não, mas essas duas notícias têm muita coisa em comum.
Iverson chegou ao time do Nuggets para fazer uma grande dupla com Carmelo Anthony e tornar a equipe uma das melhores da NBA. No entanto, a dupla, apesar de marcar bastante pontos, não conseguiu fazer o Denver chegar muito mais longe de onde chegara sem eles. Allen tem um contrato de mais de US$ 20 milhões, o que obriga o Denver a pagar uma multa de US$ 6.3 milhões para a Liga todos os anos. Ou seja, evidentemente o valor investido não foi bem aproveitado. Allen sempre foi um jogador de decisão, cestinha, que gosta de ter a bola nas mãos para finalizar a jogada, assim como Carmelo. Talvez por serem jogadores com as mesmas características individualistas essa parceria não tenha dado certo.
Vince Carter ficou famoso na NBA por suas atuações com a camisa do Toronto Raptors, onde era o cestinha, o jogador de decisão, que gosta de ter a bola nas mãos para finalizar a jogada. Mas a equipe do Cleveland, para onde Carter se transferiria, já possui um jogador com essas características: Lebron James. Por que tentar repetir uma receita que tantas vezes não deu certo, não só no basquete como em outros esportes, de contar com estrelas demais no mesmo time? E mais, estrelas com características semelhantes.
A verdade é que em todos os esportes os times tendem a ser megalomaníacos, buscando sempre os melhores, os que aparecem mais na mídia, até como estratégia de marketing. Mas o esporte já nos ensinou que não é assim que se monta uma equipe vencedora. Nem sempre as maiores estrelas formam os melhores times.
Uma receita para o penta

A temporada 2008/2009 da NBA está a cada dia mais próxima, faltando hoje pouco menos de um mês e meio para o início dos embates da temporada regular, época em que são decididos os dezesseis clubes classificados para a pós-temporada, na qual a briga realmente pega fogo, e, como definiu Michael Jordan, meninos e homens são devidamente separados.
Dividindo o caminho passo a passo e colocando como objeto de análise o San Antonio Spurs, dou alguns palpites para que o elenco do time texano obtenha êxito na disputa da próxima temporada.
1) A rotação
Manu Ginobili será ou não será o sexto homem da NBA? Pouco importa. O que importa é que a equipe saiba jogar sem ele, uma vez que o argentino tem sofrido com algumas contusões desde meados de 2007, fator que prejudicou o time nos playoffs e, em alguns momentos, na própria temporada regular. Quanto menos o ala-armador jogar na regular, melhor. Que comece no banco de reservas e entre em quadra para colocar fogo na partida. Com a conferência Oeste cada vez mais disputada, acho que o Spurs não se dará ao luxo de poupar Ginobili de jogos inteiros, mas sua entrada como reserva pode, gradativamente, deixá-lo 100%.
2) O parceiro de Duncan
Ian Mahinmi? Fabrício Oberto? Kurt Thomas? Os parceiros de Duncan mudarão com certeza ao longo da temporada, e, na minha opinião, Oberto deverá iniciar a temporada como titular. Não por sua qualidade técnica, mas pelo fato de Gregg Popovich parecer confiar mais nele. A adaptação do francês Mahinmi será importantíssima para as temporadas futuras e também para a disputa de 2008/2009, uma vez que com um bom parceiro ao seu lado, Duncan já provou ser capaz de decidir um campeonato. Meu preferido, pelo que vi jogar desses três, é o francês, mas sei que Pop não optará pelo mesmo, pelo menos no começo. Thomas está velho, mas ainda pega seus rebotes; é peça importante na renovação. E, falando em renovação, acho importante também a manutenção do veterano Robert Horry, porque mesmo que ele pouco atue na regular, sabemos de sua importância na pós-temporada.
3) A campanha em casa
Falar é fácil, eu sei, mas o Spurs tem que se garantir em casa. Dos 41 jogos que serão disputados no AT&T Center, pelo menos 30 devem ser vencidos pela equipe, porque essa é a campanha que se espera de uma equipe focada no título. Quando receber adversários mais fracos, a pressão da torcida pode sim decidir o jogo. Mas quando recebermos times mais fortes, Pop terá que colocar o time na pressão, para que junto com a força da torcida possamos encurralar adversários fortes.
4) Pré-temporada
Perder ou ganhar um jogo da pré-temporada não fará diferença nenhuma na temporada em si. Mas vale lembrar que o período de treinos antes da regular começar é válido para condicionar jogadores – Ginobili se recuperando de lesão, principalmente – e entrosar o time. Popovich é ótimo técnico, mas parece estar satisfeito demais com a forma que seu time joga. Os chamados treinamentos de campo são ideais para que Pop possa treinar novas jogadas e assim surpreender um pouco os adversários – e nós mesmos, torcedores do Spurs.
5) Conclusão
Não farei um palpite sobre quem será o campeão da próxima época da NBA. Coloco sim o Spurs entre os favoritos, mas não com tanta convicção quanto antes. Algumas equipes se mexeram e formaram ótimos elencos, casos de Sixers, Blazers e Heat, fator que pode complicar a disputa que já foi acirrada na última temporada. O Spurs pouco fez e confia em um elenco veterano e até certo ponto já manjado pelos adversários. Resta saber se Gregg Popovich e sua comissão terão alguma carta da manga para surpreender e, quem sabe, abocanhar o penta.
Por que eu sou Spurs?
Olá, caros leitores.
Vocês devem estar se perguntando: “Por que o Kamus está escrevendo para o site do Spurs Brasil?”. A resposta é simples: o site está passando por umas reformulações e eu fui o primeiro de alguns que ainda virão a fazer parte da equipe. Minha função será basicamente a parte de resumos dos jogos.
Mas eis outra questão: “Porque ele está escrevendo se a temporada não começou ainda e não temos jogos para resumir?”. Essa pergunta será respondida logo abaixo.
Sou um Spur desde a temporada 1998/1999, com muito orgulho e muito amor, sem dúvidas. Comecei a acompanhar o time realmente na temporada 2004/2005, e desde então a minha paixão por essa franquia cresce mais e mais. Nunca pensei que poderia chegar a gostar tanto de um time quanto eu gosto do São Paulo, mas o Spurs me fez superar o que eu sinto pelo Tricolor, e olha que isso não é pouco.
Mas por que, dentre tantas franquias mais tradicionais, como Lakers e Celtics, ou mais carismáticas, como Suns e Nuggets, eu escolhi torcer justamente para o odiado San Antonio Spurs?
Bom, vou lhes dizer alguns motivos do meu amor por essa franquia.
1 – Uma equipe bem postada, que faz um jogo simples e eficiente, sem shows e todas aquelas firulas ao estilo Phoenix Suns. Uma equipe que joga defensivamente e objetivamente. Um time que induz o adversário ao erro com uma marcação forte e objetiva, por muitos considerada desleal. Esse é o estilo de jogo do Spurs.
2 – Um planejamento invejável, com reposições sempre à altura. Escolhas de draft altas resultando em jogadores como Tony Parker (28ª escolha) e Manu Ginóbili (57ª escolha), que hoje são top em suas posições na Liga. Um elenco de apoio que conta com jogadores que sabem o que devem fazer e não vão além do que são capazes.
3 – O ódio dos torcedores adversários, que me motiva a torcer ainda mais pelo time.
4 – Tim Duncan e David Robinson. As Torres Gêmeas, que juntas trouxeram dois títulos para San Antonio. Dois gigantes (literalmente falando) da história da NBA.
5 – Minha admiração pelos nossos hermanos se reflete no aumento da minha paixão pelo Spurs. Manu Ginóbili e Fabrício Oberto fazem a minha alegria ao escutar algumas vezes “que filho da mãe esse argentino”.
6 – Por fim, os 4 títulos. Pude acompanhar todos, mesmo que os dois primeiros só vendo as finais. Títulos são muito importantes para manter o amor vivo dentro de um torcedor, e o Spurs conseguiu fazer isso muito bem. A chama do meu amor é tão grande que poderíamos ficar sem ganhar nada por 100 anos e o meu amor seria igual. É claro que eu já bati três vezes na madeira ao falar isso.
Enfim, esses são alguns dos motivos que me levam a ser um Spur. E quais são os seus?
Os grandes armadores de San Antonio

Quando paro pra pensar nos dois times de San Antonio, tanto o Spurs como as Stars, vejo que ambos têm algumas semelhanças. A começar pelo elenco; o ponto forte da equipe masculina é o conjunto; o trio formado por Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan é a alma do time, mas jogadores considerados coadjuvantes possuem sua devida importância. Também é assim com o time feminino; Becky Hammon, Sophia Young e Ann Wauters formam um tripé de respeito e ditam o ritmo da equipe, contudo, outras jogadoras como Vickie Johnson e Erin Buescher são fundamentais.
Outro fator de igualdade entre os dois se dá pelos treinadores. Gregg Popovich está há anos no comando do Spurs; de lá pra cá fez um trabalho irretocável, conquistou quatro títulos e é considerado um dos melhores técnicos da atualidade. Dan Hughes está no comando das Stars há muito menos tempo, mais especificamente há três temporadas. Apesar de ‘novato’ no cargo, ele foi eleito técnico do ano de 2007 após levar San Antonio pela primeira vez aos playoffs. Além disso, Hughes acumula dois cargos; além de técnico ele é também o General Manager.
Após fazer um ligeiro panorama do grau de igualdade entre as duas equipes, foco minha análise em dois jogadores muito parecidos e essencias. Falo de Tony Parker e Becky Hammon. Tony Parker chegou ao Spurs no draft de 2001. Apesar de ter feito uma sólida e promissora carreira na Europa, ele chegou cercado de desconfianças, já que veio com a responsabilidade de assumir o posto de titular logo de cara. Como todo o grande atleta, Parker atropelou as críticas e, em sua primeira temporada, deu mostras de que tinha condições de ser o armador principal da equipe. Entretanto, alguns erros em jogos decisivos colocaram sua permanência no Spurs em cheque. Mesmo com alguns rumores de troca que envolviam o veterano Jason Kidd, o francês continuou o seu trabalho e deu a volta por cima; hoje é titular absoluto e inclusive tem no currículo – além de três títulos da liga – um troféu de MVP das finais.
Becky Hammon chegou à San Antonio de maneira inusitada. A jogadora já tinha sua carreira feita na WNBA jogando pelo New York Liberty, já tinha ido aos playoffs, disputado finais e participado do jogo das estrelas. Mas em uma troca no maior estilo Gasol – Memphis – Lakers, Hammon foi parar no Texas, ou seja, foi trocada por um saco de batatas – se o basquete de Nova York mal consegue administrar uma equipe (Knicks), imaginem duas.
Foi a partir da chegada de Hammon que as Stars – antes saco de pancadas da WNBA – tomaram um rumo vitorioso. Titular absoluta, a jogadora ajudou a equipe a ir à pós-temporada pela primeira vez em sua curta história; de quebra, ainda teve sua melhor temporada na carreira, com médias de 18.8 pontos e 5.0 assistências, e, ao ser selecionada para o jogo das estrelas de 2007, se tornou apenas a segunda jogadora da história da liga a participar do evento por duas conferências diferentes. Nesse ano, a equipe busca dar mais um passo vencedor; pela primeira vez, possui um elenco capaz de brigar pelo título da WNBA, e a liderança do campeonato faltando somente duas rodadas para o término da temporada regular mostra isso.
Como vimos, os jogadores citados têm histórias diferentes em San Antonio. O que os liga é o fato de serem parte fundamental para o andamento de seus respectivos elencos. Na minha humilde opinião, Parker é o melhor armador da história do Spurs; acompanhei Avery Johnson e ele era sim um ótimo jogador, todavia, o francês já está alguns passos à frente do armador do primeiro título. Já Hammon, nem preciso falar; como já disse, foi a partir de sua chegada que as Stars finalmente entraram no eixo, ou seja, temos o grande privilégio de poder acompanhar nos dias de hoje dois dos jogadores mais importantes para a história de San Antonio.
Vem aí mais uma temporada

Deu a lógica no torneio de basquete dos Jogos Olímpicos de Pequim. O time americano, sempre favorito, soube exercer sua supremacia técnica e física para atropelar os adversários um a um. Na decisão do ouro, a vítima foi a Espanha, de quem também se esperava uma boa campanha por ser a atual campeã mundial. O bronze ficou com a Argentina, em decisão contra a Lituânia, duas seleções que corresponderam as expectativas e mostraram um grande basquete.
Com o término da disputa, todos os olhos dos fãs do basquete voltam-se novamente para a NBA e mais uma temporada que começa no final de outubro. Antes mesmo do início da competição, algumas equipes já são credenciadas como favoritas. Por terem os melhores elencos e contarem com bons retrospectos recentes, equipes como Spurs, Celtics e Lakers iniciam a temporada como grandes candidatos ao título.
Correndo por fora, mas com boas equipes, Mavericks e Hornets são os maiores candidatos a desbancar os favoritos e conseguir seu primeiro título na NBA. O Dallas dependerá muito de Jason Kidd. Se o armador conseguir se entrosar com a equipe e repetir suas atuações dos tempos de Nets, a equipe texana terá grandes chances de brigar pelo campeonato. O New Orleans conta com uma ótima equipe, municiada por um grande armador. Chris Paul terá mais uma vez a responsabilidade de conduzir os Hornets em sua campanha. Mais experiente, o armador deverá ser um dos principais destaques da NBA nessa temporada.
As equipes ainda estão se preparando técnica e fisicamente e buscando reforços para a temporada. Alguns times se reforçaram bem, como o 76ers, que contrataram Elton Brand. Mas será que alguma equipe será capaz de acabar com a superioridade dos três favoritos? No mês que vem começaremos a descbobrir.

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