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Análise de um elenco brilhante

Com os campeonatos europeus de basquete em andamento (Masculino e Feminino), o Spurs Brasil cobrirá duas equipes: O CSKA Moscow, no basquete feminino, que conta com as jogadoras Becky Hammon, Ann Wauters e Edwiges Lawson-Wade – atletas do San Antonio Silver Stars – e o Tau Caramica, do brasileiro e draftado pelo Spurs, Tiago Splitter.

Desta maneira, começo hoje uma análise de ambos os elencos que se estenderá até minha próxima ‘Na Linha dos Três’. O escolhido de hoje será o CSKA Moscow, que mais uma vez montou um time forte para a disputa do competitivo campeonato russo e também da forte euroliga de clubes.

As Estrelas

#10 Ilona Korstin

Posição: Ala-armadora

Idade: 28 anos

Altura: 1.83 m

Porque ela é uma estrela?

Ilona Korstin é a grande estrela dessa equipe do CSKA. Quando classifico-a como principal estrela, não necessariamente quero dizer que é a melhor jogadora; entretanto, vejo Korstin como a grande líder e principal responsável pela vida do time. Estrela também no selecionado russo, Korstin chama atenção não só pela exuberância que desfila em quadra; seu jogo refinado aliado à sua força física – capaz de fazê-la brigar também pelos rebotes -, faz de Korstin uma guerreira em quadra e uma das principais jogadoras do mundo do basquete. Além disso, Korstin também é conhecida do público brasileiro; ela esteve em 2006 no Brasil para a disputa do mundial de seleções. Naquele torneio, suas médias foram 13.4 pontos, 5.3 rebotes e 3.0 assistências por partida.

#25 Becky Hammon

Posição: Armadora

Idade: 31 anos

Altura: 1.68 m

Porque ela é uma estrela?

A pequena armadora Becky Hammon dispensa apresentações – principalmente para nós, torcedores do San Antonio. Idolatrada na cidade texana, Hammon é aquele tipo de jogadora que todo técnico gostaria de contar; rápida, boa chutadora, decisiva e ainda por cima carismática. Na última Euroliga de clubes – principal torneio do continente -, Hammon foi uma das melhores atletas do CSKA, com médias de 12.9 pontos e quase três assistências por partida. Nesse ano, a jogadora, que se naturalizou russa para disputar as olimpíadas, busca levar seu time mais longe do que no ano passado, quando foram derrotadas nas quartas-de-final frente às também russas do UMMC Ekaterinburg.

#15 Katie Douglas

Posição: Ala

Idade: 29 anos

Altura: 1.83 m

Porque ela é uma estrela?

Katie Douglas pode ser considerada parte daquele seleto grupo de jogadoras das quais também está inserida Becky Hammon; as injustiçadas. Na minha humilde opinião, assim como Hammon, Douglas sempre foi uma jogadora que merecia mais chances no selecionado americano. Entretanto, sempre foi preterida por outras atletas nem sempre de melhor nível. Preferências a parte, após rodar na Europa jogando na Espanha e Lituânia, Douglas foi uma contratação de peso para a temporada do CSKA. Parece que foi um ano de mudanças para a jogadora, que também mudou de clube na WNBA no início da temporada; foi do Connecticut Sun – onde era a maior estrela do time – para o Indiana Fever. Douglas vem justificando sua contratação nesse começo de temporada, pois tem sido a melhor jogadora da equipe até o momento. A expectativa ao seu redor é grande, uma vez que o CSKA não quer ficar para trás dos seus principais adversários.

#11 Maria Stepanova

Posição: Pivô

Idade: 29 anos

Altura: 2.03 m

Porque ela é uma estrela?

A carismática grandalhona se tornou conhecida do público brasileiro após a disputa do campeonato mundial de 2006, em São Paulo. Na época, a Rússia surpreendeu ao derrotar os Estados Unidos na semifinal; Stepanova era o grande destaque daquela equipe, e fez, por jogo, médias de 16.0 pontos e 8.8 rebotes. O bom desempenho no mundial rendeu à jogadora o rótulo de melhor pivô do mundo (do qual particularmente eu não concordo). Aos 29 anos, Stepanova vai para sua sexta temporada junto com o CSKA e ainda é, sem dúvidas, uma das melhores pivôs da atualidade.

As Coadjuvantes

#12 Ann Wauters

Posição: Pivô

Idade: 28 anos

Altura: 1.95 m

O que ela adiciona ao time?

Desde 2004 no time russo, Ann Wauters é daquelas jogadoras que nunca é a estrela principal do time; contudo, é uma peça que adiciona muito a qualquer elenco, muito pela sua força de vontade. Conhecida também dos torcedores de San Antonio, Wauters chegou esse ano nas Stars e formou junto com Sophia Young e Becky Hammon um trio que deu muita dor de cabeça às adversárias da liga. Oriunda da cidade Sint-Niklaas, na Bélgica, Wauters também tem no currículo jogos pela fraca seleção de seu país. Muitas vezes, o jogo dela passa desapercebido por não ser daquelas atletas que dá show em quadra; Ann faz seu trabalho – muito bem feito, por sinal – e sem estardalhaços, o que é muito difícil de se observar em um mundo que cada vez mais um quer ser melhor do que o outro.

#9 Olexandra Gorbunova

Posição: Ala

Idade: 22 anos

Altura: 1.86 m

O que ela adiciona ao time?

A ala ucraniana Olexandra Gorbunova chegou esse ano ao renovado time do CSKA. Quando jogava pela equipe do MKB Euroleasing, da Hungria, Gorbunova teve expressivas médias de 14.3 pontos e 8.0 rebotes por partida na Euroliga. Além disso, foi a principal jogadora de sua equipe no campeonato mundial Sub-20; lá, suas médias foram ainda melhores; 19.6 pontos e 9.6 rebotes. Na sua estréia pelo time russo, Gorbunova anotou 11 pontos e agradou bastante ao técnico Gundars Vetra. Sua principal arma é o tiro de três pontos e a precisão nos arremessos de quadra; Gorbunova é vista na europa como uma jogadora de muito futuro – não é à toa que foi contratada pela milionária equipe do CSKA.

#4 Janel McCarville

Posição: Pivô

Idade: 25 anos

Altura: 1.89 m

O que ela adiciona ao time?

Janel McCarville é uma jogadora que evoluiu muito desde a sua chegada à WNBA. No New York Liberty, McCarville é hoje uma das principais jogadoras; ela ajudou sua equipe a chegar nas semifinais de conferência desse ano – feito que não ocorria há algum tempo. Sua força física e boa defesa garantem à atleta um bom posicionamento no garrafão e uma boa quantidade de rebotes; entretanto, é possível que ela tenha seus minutos no time russo bastante reduzidos, já que a disputa por vagas de pivô e ala-pivô é muito grande. Maria Stepanova é uma espécie de xodó dentro do elenco, ao passo que Ann Wauters ainda está um nível acima de McCarville. Aos poucos, ela irá entrar e contribuir com a equipe, mas não espere na Europa a mesma Janel da WNBA.

#14 Liudmila Sapova

Posição: Ala-pivô

Idade: 24 anos

Altura: 1.85

O que ela adiciona ao time?

A jovem russa, novidade no elenco desse ano, é uma das interessantes atletas do país no basquete; contudo, ainda tem muito o que provar e deve ser apenas uma opção secundária dentro do elenco. Um bom começo para ela pode ser se destacar no CSKA. Apesar da pouca idade (24 anos), Sapova já rodou por clubes como o Dynamo de Moscow e o Chevakata – sua última equipe antes do CSKA. Pelo Chevakata, Sapova conseguiu médias de 13.0 pontos e 5.3 rebotes por jogo na última Euroliga, sendo assim uma das principais jogadoras do time. Pela Rússia, no último campeonato mundial Sub-20, Sapova obteve médias de 10.1 pontos e 4.4 rebotes.

#8 Edwiges Lawson-Wade

Posição: Armadora

Idade: 29 anos

Altura: 1.66 m

O que ela adiciona ao time?

Na equipe russa desde 2004, Edwiges Lawson-Wade é daquelas jogadoras que parece nascida para ser coadjuvante. O termo poderia soar pejorativo, mas quem vê Edwiges em quadra tem a certeza que ela é uma grande atleta. Aos 29 anos, ela contribui mais com experiência do que com jogo propriamente dito. Também conhecida dos torcedores de San Antonio, Edwiges foi importante na conquista do título da Conferência Oeste, substituindo a titular Becky Hammon em momentos importantes dos duelos. Na última temporada pelo CSKA, Wade obteve médias de 7.1 pontos e quase quatro assistências por jogo.

#13 Elena Danilochkina

Posição: Ala-armadora

Idade: 22 anos

Altura: 1.85 m

O que ela adiciona ao time?

Elena Danilochkina é uma das maiores promessas do basquetebol russo para os próximos anos. Com apenas 22 anos, ela já tem um vasto currículo  – incluindo clubes e seleções de base. Nova contratada do CSKA, Danilochkina construiu uma sólida carreira quando atuou de 2002 a 2007 no Dynamo de Moscow. Na equipe rival, a jogadora foi muito bem na última temporada; suas médias na Eurocup – competição secundária do continente – foram 11.9 pontos e 4.0 rebotes. Pelo selecionado russo, Danilochkina foi um dos destaques da equipe campeã do torneio Sub-18 em 2002 e do torneio Sub-20 de 2004. Além disso, em 2006, a atleta foi condecorada com o prêmio de melhor atleta jovem da Rússia.

#5 Ekaterina Lisina

Posição: Pivô

Idade: 21 anos

Altura: 1.98 m

O que ela adiciona ao time:

À exemplo da companheira Danilochkina, Ekaterina Lisina é também uma das boas promessas do basquete russo; uma prova disso foi a nomeação para a disputa do prêmio de melhor atleta jovem de 2006, concedido pela FIBA. Lisina começou sua carreira cedo; aos 16 anos mudou para a Hungria para jogar pelo Mizo Pecs. A jogadora ficou pouco tempo na equipe húngara; entretanto, em duelo pela euroliga contra o próprio time do CSKA, Lisina chamou atenção por bloquear duas vezes sua colega (Na época adversária) Maria Stepanova. Alguns dizem que a jogada foi o passaporte da atleta para o campeonato mundial de 2006; verdade ou não, o jogo de Lisina encheu os olhos do técnico da seleção, Igor Grudin, que não pensou duas vezes em convocá-la para seu time. Uma das barreiras para a grandalhona no CSKA será a forte concorrência; todavia, o jogo de Lisina é somente para daqui alguns anos.

Fora de Combate

OIga Arteshina

Posição: Ala

Idade: 25 anos

Altura: 1.82 m

O que ela adiciona ao time?

Apesar de ainda jovem, Olga Arteshina é um dos grandes símbolos dessa equipe do CSKA Moscow. Na equipe desde 1997, Arteshina já disutou duas olimpíadas, campeonato mundial, campeonato europeu, já foi medalha de ouro, de prata e de bronze; ou seja, apesar dos 25 anos, já possui um vasto currículo. Para os aficcionados pelo time, é uma pena que um símbolo como ela esteja fora de combate; entretanto, é por um grande motivo. Arteshina está fora das quadras devido à gravidez; inclusive não disputou as Olimpíadas de Beijing pelo mesmo motivo. Na última temporada pelo CSKA, suas médias foram de 8.5 pontos e 5.3 rebotes.

Início de uma nova realidade

O possível êxodo de jogadores da NBA para a Europa parece começar a fazer efeito. As notícias de que times do velho continente estariam fazendo propostas a jogadores da maior liga de basquete do mundo estão cada vez mais constantes. Michael Finley, James Posey, Anthony Parker e Ricky Davis já tiveram seus nomes vinculados a boatos de transferências para o Olympiakos (GRE), que já levou para sua equipe o ala-armador Josh Childress, ex-Atlanta Hawks. O pivô Alexander Johnson, do Memphis Grizzlies, foi contratado pela equipe alemã do Brose Baskets (equipe base da Seleção da Alemanha) e o TAU Cerámica, de Tiago Splitter, está de olho em três pivôs da NBA.

Nesta semana, o pivô do Los Angeles Lakers, Andrew Bynum, complicou as negociações de renovação de contrato com a equipe californiana. Tudo porque o o jovem jogador de 21 anos exigiu uma quantia mensal de 17 milhões de dólares. Um alto valor para um jogador tão jovem que já se contundiu gravemente. Até por isso, a diretoria da franquia achou o valor absurdo e não deve renovar seu contrato.

Aparentemente, essas notícias não têm nada em comum, mas Bynum pode ser apenas o exemplo de uma nova tendência na NBA. Com os clubes europeus oferecendo fortunas para a contratação de jogadores, estes mesmos devem começar a abusar de suas equipes, negociando salários astronômicos e impossibilitando a renovação. Este será um problema novo, com o qual a NBA não está acostumada a lidar. Sempre soberana, a liga se dá ao luxo de imprimir um limite de salários às franquias e, ainda, puni-las se saem de tal limite. Pode não ser o caso de Bynum, mas não se surpreenda se casos como esse se tornarem comuns a partir de agora.

Pré-temporada não vale nada

Final das férias. É hora de os jogadores da NBA deixarem de lado a boa (ótima) vida que levam longe das quadras e focarem suas atenções nos treinamentos e partidas que se arrastarão até meados de maio, quando apenas 16 franquias conseguirão a tão sonhada vaga para a pós-temporada. Mas antes que a temporada regular da NBA seja iniciada, os times têm sua chance de vender alguns ingressos e mostrar para os fãs os times que desfilarão por, no mínimo, 82 jogos. É aí que começa a chamada pré-temporada.

Antro de jogadores jovens, a pré-temporada tem a função inicial de prever a temporada que começará, além de apresentar novatos e entrosar equipes. Mas será que a disputa da mesma é realmente válida? Comecemos nossa análise pelo San Antonio Spurs.

Multi-campeã da NBA na década em vigência, a franquia de San Antonio parece ser o retrato perfeito da pré-temporada: jogadores com contrato curto para serem testados, astros fora por lesão, placares adversos. A começar pela ausência do lesionado ala-armador Manu Ginobili, o Spurs já se apresenta vazio para a disputa da pré-temporada. Perder ou ganhar pouco importa, e jogadores que provavelmente nunca mais terão seus nomes pronunciados pelos narradores do AT&T Center desfilam seu jogo pelas quadras texanas. Jogadores como o ala-pivô Anthony Tolliver, que com seus disparos certeiros de três pontos e boas atuações nos jogos que precedem a temporada regular, tem chamado a atenção de muitas pessoas, entre elas Gregg Popovich, técnico do Spurs e responsável pela chance de Tolliver na equipe. Porém, pensem: Tolliver tem se destacado em jogos nos quais o Spurs não tem compromisso nenhum – assim como o adversário. Muitos pedem sua contratação, mas qual será o jogador que se esconde atrás do “Tolliver da Pré-Temporada”? Um cara que provavelmente não terá muitas chances quando a coisa tiver validade, creio eu, e que ainda não terá na regular o belo aproveitamento que tem apresentado nos últimos embates. Pego o ala-pivô como exemplo pois seu caso é gritante, mas muitos como ele se apresentam nos 30 times que disputam a NBA.

Outro exemplo gritante pode ser encontrado na última sexta-feira, 17 de outubro. Imagine-se na seguinte situação, leitor: o Boston Celtics, atual campeão da NBA, recebe em seu ginásio o combalido New York Knicks, de técnico novo e elenco velho. A partida, válida para a disputa da regular, será decisiva para o Celtics. Quem é o favorito? Quem, pela lógica, vencerá? Claro, o esporte é a parte da vida onde a lógica mais se desfaz, mas apontar o Knicks como favorito à vitória é uma jogada arriscadíssima. Pois na citada sexta-feira, vitória do Knicks em um TD Banknorth Garden lotado de verde e branco. Situações pitorescas provocadas pela risória pré-temporada. É o caso igual ao de Tolliver: quem apostará nele na regular? Quem apostará no Knicks na regular?

Por essas e outras a pré-temporada da NBA segue não tendo valor nenhum no âmbito da disputa. O lado físico, é claro, é revigorado, assim como os ânimos que começam a imaginar a disputa que se seguirá por meses. Mas nem o entrosamento é ressaltado, afinal, se o Celtics perdeu para o Knicks e o Spurs tem como grande destaque Tolliver, qual será o desfecho desses times quando a coisa for para valer?

E não digam que não avisei se em meados de maio o site da NBA informar que Anthony Tolliver, ala-pivô do San Antonio Spurs, tem as impressionantes médias de 0.8 pontos e 1.2 rebotes em pouco mais de dez minutos disputado por jogo na temporada regular.

Pré-temporada? Não vale nada mesmo.

Um fim e um recomeço

Pouco mais de uma semana após a final da WNBA, em que o Detroit Shock simplesmente varreu o San Antonio Silver Stars – estreante em finais -, é tempo de refletir. O time do Texas fez um trabalho sensacional durante a temporada regular; não me canso de dizer que desde a chegada de Dan Hughes (há três anos atrás) a equipe mudou da água pro vinho. Junto com ele, chegaram Becky Hammon, Ann Wauters, Shanna Crossley, entre outras; Sophia Young amadureceu e se tornou uma das melhores jogadoras da liga. A pergunta que fica então é a seguinte: O que faltou para conquistar o título?

O Detroit Shock é uma equipe experiente, com um técnico experiente – o veterano bad boy Bill Laimbeer. Jogadoras como Katie Smith, veteraníssima do selecionado norte-americano, Deanna Nolan, que quase foi na de Becky Hammon para disputar as Olimpíadas de Beijing pela Rússia, e Taj McWilliams-Franklin, que já rodou por muitas equipes da liga, sem dúvidas fizeram a diferença. Seria infeliz da minha parte afirmar que foi a experiência que colocou em cheque toda a campanha das Stars, já que as comandadas de Dan Hughes contavam com jogadoras rodadas, como Vickie Johnson, Becky Hammon e a própria Ann Wauters.

Desta maneira, fica claro que o que faltou foi um pouco de comando e um pouco mais de atitude por parte das principais jogadoras. Longe de mim promover caça às bruxas ou qualquer coisa do tipo, até porque o que essas pessoas fizeram (Técnico e jogadoras), ninguém jamais havia feito na história da franquia. Torço para que o baque desse ano fique de lição para a temporada que só retorna em meados do ano que vem; agora é hora das jogadoras retornarem às suas equipes da Europa para a disputa dos campeonatos regionais e da Euroliga de clubes. Tenho certeza que na próxima temporada o time estará um pouco mais maduro, e quiçá vacinado para não deixar o sucesso de melhor campanha subir à cabeça novamente.

Do outro lado da corda está o San Antonio Spurs. Eliminado na final da Conferência Oeste pelo Los Angeles Lakers ao término da última temporada, o Spurs busca seu quinto título com alguns novos nomes no elenco. Nenhum nome de peso chegou, e, ainda por cima, o time ficará sem o astro Manu Ginobili durante um bom período da temporada – devido a uma cirurgia no tornozelo. Mesmo assim, estou mais confiante do que o ano passado, pois os primeiros sinais de reformulação estão chegando sem aquele declínio crítico pelo qual as equipes costumam passar nessas mudanças.

É claro que Roger Mason, Salim Stoudamire e George Hill não são os salvadores da pátria; longe disso. Todavia, são jogadores que chegam com o objetivo de fazer o que muito poucos fazem: O serviço sujo. Trabalhar duro, jogar para o time, se empenhar com todo o coração à equipe em detrimento de bons números. Essa parte quase ninguém está disposto a fazer, e se torna cada vez mais difícil enxergar nos elencos por aí atletas que exercem esse tipo de função; nesse quesito, pelo menos, o Spurs está um passo à frente.

O fim do armador clássico?

O armador Steve Nash, do Phoenix Suns, anunciou que pretende se retirar das quadras em quatro anos. O veterano de 34 anos disse que pretende renovar seu contrato com o time por mais dois anos. Nash tem um vínculo contratual de dois anos junto ao Phoenix, o que lhe rende 26 milhões de dólares.

Com a aposentadoria de Nash e o fim da carreira de Jason Kidd, que parece estar cada vez mais perto, já que o jogador não é mais nenhum jovem, a NBA fica carente de armadores clássicos, jogadores que se sobressaem não pelas infiltrações ou belos arremessos, mas sim pelas assistências. Nash e Kidd talvez sejam os últimos remanescentes desse tipo de jogador na NBA. Atletas como Bob Cousy, que revolucionou a maneira de um armador jogar; Isiah Thomas, que, apesar de marcar muitos, pontos tinha média de 9.3 assistências por jogo; Magic Johnson; ou Oscar Robertson, com média de 9.5 assistências por jogo, não existem mais. Hoje, o armador joga mais pra si próprio do que para o time. Como é o caso de Allen Iverson, que tem média de 27.9 pontos por jogo, mas apenas 6.3 assistências; Dwayne Wade, que tem médias muito parecidas, entre outros.

Hoje em dia existem outras preocupações na cabeça dos atletas além do próprio basquete. Eles querem aparecer cada vez mais, ganhar mais dinheiro, serem conhecidos e reverenciados, e normalmente quem tem todos esses privilégios é quem pontua mais, quem é o maior cestinha. Isso faz com que desde criança os futuros jogadores aprendam a arremessar, infiltrar e esquecem da armação em si, do passe.

As mudanças ocorrem em qualquer esporte e não são necessariamente boas nem ruins. Mas se o armador “clássico” não fosse tão importante para NBA, por que então um jogador como Nash tem dois títulos de MVP? Em um basquete em que todos os armadores pegam a bola e querem decidir, os que se destacam são os que pensam na equipe.