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Éramos segundo…

Na coluna de hoje darei um tempo na análise dos times de maior destaque nesse começo de temporada para comentar um fato que ocorreu comigo e me fez pensar em algumas coisas.
Nessa semana chegou até mim a informação de que um site especializado na cobertura de basquete estava à procura de estagiários. Antes de mandar meu currículo entrei no endereço para conhecer um pouco do trabalho e saber se me encaixava na função. Logo de cara percebi que pertencia a um grande portal, mas a estrutura e a qualidade se assimilavam muito à do nosso blog. Não me entenda mal leitor, não estou dizendo que nosso blog não tem qualidade. O que me assustou e me fez pensar foi saber que talvez o principal site sobre basquete de um grande portal brasileiro tenha a mesma estrutura de um blog criado por estudantes.
Isso tudo me fez pensar na cobertura dada pela imprensa oficial ao esporte que já foi o segundo na preferência dos brasileiros. Quase não se fala mais de basquete nos grandes veículos de imprensa hoje em dia. Mesmo na TV fechada, em canais como ESPN, por exemplo, o espaço está cada vez menor – basta lembrar que pouco tempo atrás não pudemos assistir às finais da NBA enquanto eram televisionadas emocionantes partidas de pôquer. E pensar que chegamos a ver canais abertos passando jogos, criando programas que falassem do assunto. Atualmente, quase toda a cobertura está nas mãos de blogs de fãs, sem o apoio dos grandes veículos.
É evidente a queda de popularidade do basquete no Brasil. Hoje, a grande maioria dos fãs de esporte elegem o vôlei como segundo em sua preferência. Mas será que a queda na popularidade aconteceu pela má cobertura ou a má cobertura aconteceu pela queda na popularidade? Quem nasceu primeiro? Parece claro que no meio disso tudo o descaso de quem cuida do esporte e a falta de apoio só prejudicam e empurram mais para baixo a notoriedade do basquete.
Creio que a paixão pelo esporte sobreviva por vontade dos fãs, que não desistem de torcer e procurar meios para acompanhar seus times. Mas não seria nada mau ver novamente ginásios lotados e a popularidade do basquete crescendo. Afinal, basquete também é uma paixão dos brasileiros.
Times de destaque, porém…

Na coluna de hoje continuarei analisando os times que têm se destacado nessa primeira parte da temporada. Depois de falar de Lakers, Celtics, Hawks, entre outros, abro espaço para comentar sobre duas franquias que vêm crescendo de produção e figuram entre os destaques da NBA neste ano.
O que esperar de um time que teve aproveitamento de 54.9% na última temporada, não se reforçou com grandes nomes e conta com apenas quatro jogadores com média de pontos acima de dez na atual temporada? Pois é, esse é o atual segundo colocado na conferência leste, o Cleveland Cavaliers. A franquia começou com alguns tropeços na atual temporada, mas se acertou e venceu os últimos nove jogos. Contando com seu principal líder, LeBron James, em grande fase, além de um ótimo trabalho de equipe defensivamente, os Cavaliers têm surpreendido e atropelado seus concorrentes.
Outra equipe que tem aparecido com destaque nesta temporada é o Portland Trail Blazers. Com um elenco jovem, sem medalhões ou grandes craques, o time é o terceiro da Conferência Oeste. Graças às ótimas atuações do ala-armador Brandon Roy, que vem sendo o principal pontuador de equipe com média de 20.8 pontos, além da força demonstrada por Greg Oden, o apoio de LaMarcus Aldridge e o ótimo reserva Rudy Fernandez, o Portland têm surpreendido a todos e pode finalmente voltar aos playoffs neste ano.
Porém, ambas as equipe contam com problemas que podem atrapalhar a sequência de bons resultados. Pelo lado do Cleveland, o principal problema é LeBron James, ou melhor, o fato de ele jogar praticamente sozinho, carregando seus companheiros no ataque. Se não houver maior apoio ofensivo à ele, ficará difícil bater os grandes rivais de conferência, como Boston, Orlando e Detroit.
Já o problema do Portland é outro. Por ser uma equipe muito jovem, formada com jogadores não tão acostumados aos playoffs, o time pode tremer em momentos decisivos. Uma coisa é jogar bem durante a temporada regular. Outra bem diferente é ter capacidade de brilhar na decisão, e isso nenhum jogador do time mostrou ser capaz de fazer ainda.
O mesmo Lakers, porém mais forte

Caro leitor, como vocês devem ter percebido, estive ausente na última semana, impossibilitado de escrever minha coluna por falta de tempo. Peço desculpas a vocês e agradeço meu colega Leonardo Sacco por ter me representado tão bem.
Bom, vamos ao que interessa. A temporada vai passando e já foram disputados aproximadamente 18 jogos por cada franquia. Algumas equipes que apareciam muito bem vão ficando para trás, como o Atlanta, citado por mim algumas semanas atrás, e provam que não têm qualidade para manter uma regularidade. Outras fazem o caminho inverso. Os rivais Dallas e San Antonio parecem ter encontrado finalmente seu melhor basquete e voltam a ter mais vitórias do que derrotas.
Mas se existem duas equipes que têm mantido a regularidade e aparecem como grandes favoritos são os dois finalistas da última temporada: Lakers e Celtics. O Celtics conta, provavelmente, com o melhor elenco da NBA. Além de seus 3 astros (Paul Pierce, Kevin Garnett e Ray Allen), a franquia possui ótimos jogadores “secundários”, como Rajon Rondo. Era esperado que, mantendo a base, o sucesso fosse mantido, e é exatamente o que vem acontecendo.
Já o Lakers surpreende. Não pela sua boa campanha, afinal se um time chega a uma decisão deve ter algum mérito, mas por sua extrema regularidade. São 14 vitórias e 2 derrotas até o momento para o time da Califórnia, que ainda conta com Kobe Bryant como sua principal arma ofensiva. No entanto, o ala-armador não tem jogado sozinho como vinha acontecendo há algumas temporadas. São cinco jogadores com dois dígitos em média de pontos na temporada. Pau Gasol parece ter entendido seu papel na equipe e assumido a responsabilidade, o que claramente faltava para ele no último playoff. Andrew Bynum vem adiquirindo experiência e seu jogo tem crescido, são 9.1 rebotes e 12.7 pontos de média. Até Lamar Odom tem sido importante vindo do banco.
Talvez esse seja o ano do Lakers. Mantendo o estilo de jogo e a regularidade, eles podem chegar lá. O que pesa contra é a falta de experiência de alguns jogadores, principalmente em playoffs, nos quais alguns tendem a sumir do jogo. Mas mesmo que não seja esse o ano, mantendo essa equipe, que só deve crescer de produção daqui para frente, os californianos têm grande possibilidade de conquistar o anel. Só resta saber quando…
Um bom futuro pela frente?
Quando recebi o convite para integrar o Spurs Brasil, também fui automaticamente convidado para escrever o Na linha dos 3. O objetivo da coluna é escrever sobre basquete, independente se for masculino, feminino, NBA, basquete europeu, sub-20, sub-15 ou fraldinha.
Desta maneira, gostaria de falar de um time que é pouco citado e muitas vezes subestimado por estar deveras distante dos grandes centros do basquete. Trata-se do Memphis Grizzlies.
Primeiramente, acho interessante fazer um comparativo entre Pau Gasol (Ex-Memphis e atual Lakers) e Marc Gasol (Novato do Grizzlies). É indiscutível que o irmão mais velho é mais talentoso – inclusive, na minha modesta opinião, figura entre os melhores ala-pivôs da liga – mas me lembro bem de quando o Gasol mais novo entrou para o draft e foi escolhido no meio do segundo round. Muita gente (Muita mesmo) falou mal dele, falaram que era ruim de bola, que só tinha tamanho, grande e bobo, isso e aquilo.
Bem, é claro, qualquer um falaria mal se levarmos em conta que Pau Gasol foi escolhido em terceiro lugar no draft de 2001 – ah, antes que eu me esqueça, dou um prêmio para quem lembrar qual foi o time que o selecionou. Sim, caros leitores, foi o Atlanta Hawks. Voltando ao grau comparativo, Marc Gasol, como já citado, foi selecionado no meio da segunda rodada, mais especificamente na 18ª posição. Essa disparidade entre escolhas envolvendo os dois jogadores dá margem a interpretações – que muitas vezes são errôneas e impensadas.
Aposto que essas pessoas que esculacharam o Gasolzinho nunca tinham visto, sequer, 15 minutos de seu basquete. Logo que entrou na NBA, Pau Gasol causou um grande impacto. Suas médias na primeira temporada foram de 17.6 pontos e 8.6 rebotes, o que lhe rendeu o prêmio de novato do ano – merecido, diga-se de passagem. Marc Gasol, mesmo cercado de desconfianças, também começou sua temporada de novato com o pé direito. Seu jogo confirmou que o talento não se compara ao do seu irmão, mas suas boas médias de 12.4 pontos e 7.2 rebotes em menos de 30 minutos por jogo o tornam um achado do segundo round.
Chega de Gasois! Como o objetivo é falar da equipe do Memphis Grizzlies, lá vou eu. Sinceramente, acho que o Memphis tem um bom time. Podem me taxar de louco ou o que quer que seja, mas realmente gosto de alguns dos jogadores da equipe do Tennessee. Um exemplo é o ala Rudy Gay. Apesar do nome suspeito, que já foi alvo de muitas piadinhas infames, Gay, na minha opinião, é o melhor jogador do draft de 2006. Sim, acho ele melhor que o Brandon Roy, LaMarcus Aldridge, Andrea Bargnani, enfim. E o incrível é que ele foi selecionado apenas na 8ª posição, o que comprova a incompetência de muitos dirigentes da NBA.
Outro jogador que vem me surpreendendo é o tal do O.J. Mayo. Aliás, talvez surpreendendo não seja a palavra certa, tendo em vista que muito se esperava do garoto. O que importa é que ele vem confirmando as expectativas em cima do seu basquete. Bom chutador dos três pontos, sabe pegar rebotes, ou seja, um atleta que chegará forte na briga para ser o novato do ano.
É claro que, entre alguns jovens talentos, sempre aparecem aquelas piadas de mal gosto. Um exemplo disso é o sérvio Darko Milicic. Cara, até hoje fico impressionado só de pensar que o Detroit poderia contar com Dwyane Wade, Carmelo Anthony ou um Chris Bosh da vida. Escolher Milicic em segundo no draft, está, sem dúvidas, nas Top-3 piores escolhas da história. Outra piada de péssimo gosto é o veterano Antoine Walker. Confesso que um dia até simpatizei com o Walker; ele tem uma cara de feliz e parece ser daqueles caras agradáveis, que faz um churrascão pra confraternizar o time e tudo mais. Mas seu basquete, há um bom tempo, tem deixado muito a desejar.
Entre futuros promissores e fracassos em potencial, ainda vejo mais alguns bons jogadores no Grizzlies. Mike Conley não apresentou muita coisa até aqui, mas assisti alguns jogos do Memphis e me pareceu ser um jogador interessante. Hakim Warrick é bom e Kyle Lowry me parece um reserva competente.
Trocado em miúdos: Todos nós sabemos que o Memphis mais uma vez ficará de fora dos playoffs; mas, quem sabe daqui a dois ou três anos esse time possa figurar entre os oito que se classificam para a pós-temporada. Se o Grizzlies não é daquelas equipes que enchem os olhos e dá gosto de ver jogar, pelo menos é um time simpático que merece ser acompanhado com mais cuidado.
A volta do Shaq Attack

O super-pivô Shaquille O’Neal, já com 36 anos, parece estar reencontrando seu basquete no Phoenix neste início de temporada. No último dia 12, Shaq entrou para o grupo dos dez maiores pontuadores da história da NBA, anotado 18 pontos na derrota do seu Suns para o Rockets por 94 a 82. Com isso, passou a lenda do Boston Celtics, o armador John Havlicek, então detentor da décima marca, com 26.395 pontos.
Mas não foi só isso que O’Neal conseguiu nesta temporada. Aparentemente sua vontade de jogar basquete está de volta também. Depois de duas temporadas pífias no Miami, nas quais ficou abaixo dos vinte pontos e dez rebotes de média por jogo, o pivô tem se acertado no Suns. Claro que a forma física não é mais a mesma e dificilmente ele consegue permanecer 40 minutos ou mais em quadra, como fazia em sua época de Lakers e Magic. Mas quando conseguiu, na vitória do Phoenix sobre Sacramento por 97 a 95, anotou 29 pontos e 13 rebotes. E esta não foi a única vez na temporada que Shaq foi fundamental para o Suns. Em outras duas ocasiões foi o cestinha da equipe e em outras três foi o líder em rebotes.
O super-pivô tem recuperado sua importância dentro da equipe, mas esse não é o único indicativo de sua maior disposição em quadra. Por incrível que pareça o fato de ter sido suspenso demonstra um certo grau de comprometimento do jogador com sua equipe. Sempre polêmico, O’Neal colecionou suspensões e multas ao longo de sua carreira. Ultimamente o jogador andava sumido, longe das confusões, mas também longe de sua melhor forma. Nesta temporada, entretanto, Shaq já foi multado, após confusão no jogo contra Houston, e suspenso, após falta dura em Rodney Stuckey do Detroit.
Talvez sua motivação atual se dê pelo fato de estar tão próximo do nono e do oitavo posto de maior pontuador da história da NBA, faltando pouco mais de 200 pontos para alcançá-los. Independentemente do motivo, é ótimo para nós, fãs do basquete, podermos ver um astro como Shaquille O’Neal jogando novamente um basquete de alto nível.


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