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A magia de Orlando

Seguindo a série de análises das equipes de maior destaque na NBA, darei espaço na minha coluna de hoje ao Orlando Magic.
A equipe da Flórida já vinha crescendo nos últimos tempos. Depois de obter a pior campanha da NBA na temporada 2003-04, com apenas 21 vitórias, a franquia selecionou o jovem pivô Dwight Howard. Foi quando começou a ascensão.
Mesmo com o crescimento, o Orlando bateu na trave nas duas temporadas seguidas (2004-05 e 2005-06), conseguindo voltar aos playoffs apenas na de 2006-07, na última vaga do leste. A equipe melhorou ainda mais no ano seguinte, conseguindo a terceira colocação em sua conferência. Mas ainda assim, não foi páreo para equipes mais preparadas, como Boston e Cleveland.
Para esta temporada, a equipe ficou ainda melhor. Conta com a colaboração do armador Jameer Nelson, com médias de 17.1 pontos e 5.3 assistências; do ala-pivô Rashard Lewis, 19.3 pontos e 6 rebotes; além do ala Hedo Turkoglu, que vem contribuindo com 17.2 pontos por jogo.
Claro que todos eles têm colaborado com a equipe, mas a principal estrela e motivo pelo qual o Magic está nesta confortável situação é o super pivô Dwight Howard. Com médias de 20 pontos, 13.8 rebotes e 3.17 tocos por jogo, Howard está sendo peça chave para tornar o Orlando uma das melhores equipes da NBA. Com 34 vitórias e 10 derrotas, a franquia tem hoje o quarto melhor desempenho da temporada, atrás apenas de Celtics, Cavaliers e Lakers, e deve chegar com muito mais força aos playoffs do que nos últimos anos. Boston e Cleveland que se segurem, porque o Orlando vem para brigar.
Kobe x LeBron

A temporada continua e na última semana dois grandes concorrentes ao título que contam com os principais candidatos a MVP se enfrentaram. Lakers e Cleveland travaram o principal embate da rodada que homenageia Martin Luther King. Mais do que uma simples partida, esse encontro promovia o duelo de Kobe e LeBron, os dois maiores jogadores da NBA na atualidade. Fãs e especialistas não têm dúvidas quanto à qualidade de ambos, mas quando o assunto é “quem é o melhor?” há uma divisão.
No entanto, Bryant parece já ter assumido uma posição em relação a isso. Antes da partida, afirmou que James era o MVP da temporada até o momento. O camisa 24 da equipe de Los Angeles declarou: “Ele está jogando um basquete incrível e sou um de seus grandes fãs. James fez a melhor primeira metade de temporada e hoje seria o merecedor do prêmio de MVP, não tenho dúvidas.”
Os dois têm apresentado um basquete de altíssima qualidade e sem dúvida o prêmio estaria bem entregue para ambos. Mas infelizmente só um pode ganhar. No duelo entre as equipes lideradas por eles, no último dia 19, deu Lakers. No entanto, o cestinha da partida foi LeBron: 23 pontos contra 20 de Bryant. Nas estátisticas da temporada, James também leva vantagem. São 27.6 pontos; 7.2 rebotes e 6.6 assistências, contra 27 pontos, 5.6 rebotes e 5.1 assistências de Kobe.
A disputa ainda está em aberto, inclusive para outros atletas, mas fazia algum tempo que dois jogadores não se destacavam tanto dos outros como fazem estes dois nesta temporada. A briga está boa e quem tem a ganhar com isso é só o basquete. Jogadores com qualidade acima do normal e líderes em quadra nunca são demais para a NBA.
Ascenção e queda

Queridos leitores; após algumas semanas de ausência devido a viagens de fim de ano com a família, estou de volta. Agradeço aos meus companheiros que me cobriram durante este tempo e peço desculpas a vocês pelo meu período distante.
Durante as últimas semanas, duas franquias tomaram o noticiário da NBA e foram assunto para os fãs de basquete. Uma por seu ótimo retrospecto e invencibilidade em casa e a outra por sua queda vertiginosa e inexplicável. É claro que eu estou falando dos dois principais candidatos ao título da conferência leste, Boston e Cleveland.
O atual campeão da NBA não consegue repetir as grandes atuações do começo de temporada, quando conseguiu uma série de 19 jogos invicto. Desde a rodada do Natal, quando foi derrotado pelos Lakers, o time não se achou mais e perdeu sete dos últimos 11 jogos. A crise é tão grande que até os antes “intocáveis” Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett estão sendo questionados. Segundo os fãs, os três estariam cansados devido à idade e produzindo pouco ofensivamente. Até o treinador da equipe, Doc Rivers, criticou seus jogadores, dizendo que a atitude em quadra precisa ser mudada e os arremessos de longa distância aprimorados.
O que ninguém consegue enteder mesmo é o motivo dessa queda. Não houve troca de jogadores ou contusões que pudessem afetar o rendimento da equipe. Pierce, Allen e Garnett estão presentes em todos os jogos. Será apenas uma má fase ou só o início de uma queda? Se serve de consolo para os fãs dos Celtics, a equipe venceu suas últimas duas partidas, ambas contra o Toronto.
Já os fãs dos Cavaliers estão rindo à toa. A equipe segue invicta em casa nesta temporada e vai passando por cima de seus adversários sem encontrar muitas dificuldades. LeBron James segue jogando demais e dando show. Mo Williams e Delonte West continuam marcando seus pontinhos. Varejão pegando rebotes e sendo importante na defesa. Nem a falta de Zydrunas Ilgauskas, machucado, está sendo sentida pelos novos líderes da divisão leste.
A equipe evoluiu muito do ano passado para esse. Alguns jovens jogadores ganharam mais experiência e estão sendo muito importantes para a equipe. Resta saber se na hora dos playoffs esses mesmos jogadores vão conseguir suportar a pressão e ter o mesmo rendimento da temporada regular. Mas se a queda do Boston continuar acontecendo, a equipe de Cleveland pinta como a principal favorita ao título da conferência leste.
Lições para a mídia brasileira

Como todos sabemos, o Novo Basquete Brasil (NBB) é uma realidade. A nova liga nacional é uma réstia de esperança de recuperação do espaço do basquetebol no país, principalmente no masculino; vale lembrar que não participamos de uma olimpíada há anos e que não conseguimos juntar nossos melhores atletas faz tempo.
Pois bem; sabemos também que a cobertura do basquete no Brasil é bastante falha. Eu, grande fã de programas de esporte, tenho dificuldade de saber o que acontece nacionalmente com a bola laranja; não tenho idéia, por exemplo, de como foi nosso último campeonato nacional. Claro, por uma certa negligência minha, mas é fato que o esporte é ausente nos principais noticiários esportivos brasileiros.
Na tarde de natal, assisti a uma transmissão estadunidende do jogo Spurs @ Suns via internet. Uma lição de cobertura; estatísticas e curiosidades pipocavam na tela a todo instante. Assisti Shaq perder seu lance livre de número cinco mil e se tornar um dos maiores pontuadores da história no dia de Natal. Um trabalho de pesquisa sem sombra de dúvidas invejável.
Temos ainda sites especializados em draft, que permitem prever as escolhas dos times para os próximos anos. Os sites oficiais das equipes, filiados ao da NBA, são cheios de informação que facilitam a cobertura dos meios de comunicação. Um modelo perfeito de aliança da liga com a mídia, e, consequentemente, com seu público alvo.
Esse trabalho pode sim ser feito na liga de basquete nacional; de modo até mais fácil, uma vez que ela ainda está começando. Um departamento de estatísticas filiado à acessoria de imprensa da liga, por exemplo, seria bastante interessante. Sugestões à parte, vamos ver como será a cobertura dos nossos meios de comunicação da nossa liga de basquetebol.
Há onze anos atrás…

Onde você estava há 11 anos atrás? Provavelmente, assim como eu, você não deve se lembrar. É possível que do alto dos meus nove anos na época, deveria estar jogando videogame – aqueles joguinhos legais do Mega Drive como Alex Kid e Rock’n Roll Racing – ou simplesmente na rua batendo aquela bolinha esperta com os amigos – já que na época, jogar futebol na rua era algo que quase todos faziam. Infelizmente, hoje em dia isso se tornou algo praticamente impossível.
No longínquo dia 29 de março de 1998 – data que completará 11 anos em breve – a equipe do San Antonio Spurs viajava até Indiana para enfrentar o Pacers de Reggie Miller no extinto ginásio Market Square Arena. Naquele dia, Tim Duncan, que já estava na sua segunda temporada e em vias de se tornar o principal jogador da franquia, anotou 24 pontos na vitória da equipe texana.
Para Duncan, aquela data ficou marcada como apenas mais uma partida com mais de 20 pontos em sua carreira. Para outro garoto, ganhar um autógrafo de tal estrela se tornaria algo marcante em sua vida. Falo do armador George Hill, atleta draftado pelo San Antonio Spurs no recente recrutamento da liga norte-americana de basquete.
Na época, o jovem Hill tinha 11 anos. Natural de Indiana, o futuro armador foi ao ginásio presenciar mais um jogo do time da cidade, o Pacers, e, de quebra, foi atendido com simpatia pelo astro do time adversário, que lhe concedeu um autógrafo ao final do embate. “Até hoje tenho a foto que ele autografou. Sempre digo que vou trazê-la para mostrar pra ele (Duncan)”, disse o novato.
O reencontro após 12 anos é curioso. Hoje Hill tem 22 anos e joga ao lado de um dos melhores jogadores da história da NBA. Duncan, que completará 33 anos no próximo 25 de abril, brincou e disse que se sente velho com toda essa história. Se pensarmos, ele está certo; na época ele tinha apenas 20 anos, era um garoto recém-chegado à NBA, o que Hill é exatamente hoje.
Coincidências à parte, toda essa história me fez parar e pensar em algumas coisas. Comecei a acompanhar a NBA no final da temporada 1997-1998. Vi jogadores como Tim Duncan, Kevin Garnett, Kobe Bryant, Allen Iverson, Tracy McGrady e o próprio Shaquille O’Neal crescerem e se tornarem o que são hoje em dia. Vi momentos mágicos de Reggie Miller e Michael Jordan, embora lamente não ter nascido alguns anos mais cedo para tê-los acompanhado mais de perto. Vi LeBron James surgir como o novo Jordan e acompanharei sua carreira do início ao fim, assim como acompanhei as de Duncan, Kobe, Garnett.
Os novos jogadores surgem aos poucos; só para efeito comparativo, as três primeiras escolhas do draft no ano passado foram Derick Rose, Michael Beasley e O.J Mayo. Rose é de 1988, mesmo ano que eu nasci. Mayo é um pouco mais velho (1987), e Beasley é de 1989, ou seja, é mais novo do que eu. Daqui há alguns anos, tenho certeza que verei Rick Rubio entrar e estourar na NBA (ele é de 1990), e por aí vai.
Acho isso tudo engraçado e estranho ao mesmo tempo. Outro dia, em conversa com um amigo, disse que essa é uma das maneiras de perceber o quanto você está ficando velho. Já não jogo mais Alex Kid e muito menos bola na rua; como se não bastasse, os atletas que entram na NBA são cada vez mais novos do que eu. Brincadeiras à parte, terei orgulho de contar aos meus filhos que acompanhei todos esses jogadores bem de perto e vi cada momento mágico das lendas de hoje em dia e das que se tornarão lendas daqui há alguns anos.

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