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Intermináveis e lendários

* Hoje publico um texto que deveria ter ido ao ar há muito tempo, mais especificamente após a derrota do Spurs para o Boston Celtics lá no começo da temporada. Por algum motivo essa pequena matéria ficou guardada no meu computador e nunca foi publicada. Apesar de ter perdido um pouco da força com o tempo, vale a pena dar uma olhada, afinal Tim Duncan e Shaquille O’Neal fazem parte da história da NBA.

O último canto dos veteranos

Juntos, Tim Duncan e Shaquille O’Neal somam oito títulos e três troféus de MVP. Ambos dominaram a NBA durante a última década e travaram batalhas épicas nos playoffs da Conferência Oeste. Agora em lados opostos, ambos querem o quinto e muito provavelmente último anel de suas carreiras.

“Nós dois sabemos que existem muitos anos para trás e poucos pela frente”, disse Timmy, após a derrota de ontem para o Boston Celtics. “Estamos aproveitando esse tempo que sobrou. Somos os padrinhos agora, os caras velhos da liga. Muitas histórias juntos, muitas batalhas”, relembrou o astro do San Antonio Spurs.

A cada entrevista, Duncan parece mais nostálgico. Suas palavras transmitem um quê de melancolia e chegam a emocionar. “Todos os combates nos playoffs, todos os All-Star Games; passamos por muitas coisas juntos, mas agora somos velhos como o tempo”, lamentou o melhor ala-pivô de todos os tempos.

Shaquille, ao contrário de Timmy, sempre teve um estilo mais polêmico. Falador, o pivô provocou muitos de seus adversários dentro e fora das quadras. Por Duncan, no entanto, Shaq sempre mostrou respeito. “Ele tinha muito respeito pelo Tim”, revelou Malik Rose, ex-jogador do Spurs, que presenciou grande parte das batalhas épicas entre San Antonio Spurs e Los Angeles Lakers durante a década passada.

Antes de se decidir pelo Boston Celtics, O’Neal disse publicamente que gostaria de jogar em San Antonio. Na época, suas palavras mostraram um pouco do respeito que existe entre os dois. “Eu gostaria muito de ir para San Antonio, jogar com o Timmy e ganhar mais um título”.

O desejo de Shaquille O’Neal jamais se realizará. Ele e Duncan marcaram época e seus nomes devem ser lembrados por anos, assim como ficaram para a história Bill Russell e Wilt Chamberlain.

Análise de McDyess no time titular

Logo no começo de 2011, escrevi uma coluna sobre o que, no meu ponto de vista, era – e ainda é – o maior problema do San Antonio Spurs nesta temporada: a defesa debaixo da cesta, principalmente no quarto posto. Após ver o texto, Gregg Popovich, leitor assíduo do Spurs Brasil, tomou uma medida aparentemente definitiva para o resto da campanha da equipe: no último dia 9, em jogo contra o Detroit Pistons, o veterano Antonio McDyess virou titular, enquanto o segundanista DeJuan Blair foi para o banco de reservas.

Possivelmente o melhor momento do Spurs na temporada, protagonizado por Dice

De acordo com Pop, a medida foi tomada de olho nos playoffs, já que a pós-temporada da Conferência Oeste deverá ter alguns dos melhores alas-pivôs da NBA, como Dirk Nowitzki, LaMarcus Aldridge, Pau Gasol e Zach Randolph. Dentre os possíveis adversários em uma hipotética final, estariam outros craques, como Carlos Boozer, Chris Bosh e Kevin Garnett. Mas será que a troca no time titular se justifica por causa disso? Antes de expor minha teoria, vamos a alguns números.

Começando por McDyess, novo membro do quinteto inicial. Com o ala-pivô neste papel, foram três vitórias e uma derrota (75% de aproveitamento). Quando começou os jogos, Dice apresentou médias de oito pontos (52% nos arremessos de quadra, 75% nos lances livres) e 6,5 rebotes em 22,2 minutos por noite. Como reserva, o veterano obteve 4,9 pontos (50,2% nos arremessos de quadra, 64,8% nos lances livres) e cinco rebotes em 17,8 minutos em média nas 57 partidas em que atuou assim.

Já Blair disputou 63 jogos como titular, dos quais o Spurs venceu 51 (cerca de 81% de aproveitamento). No quinteto inicial, o ala-pivô apresentou médias de 8,7 pontos (50,1% nos arremessos de quadra, 66,3% nos lances livres) e 7,3 rebotes em 22,1 minutos. Nas quatro partidas em que disputou como reserva, estes números se transformaram em 9,2 pontos (53,8% nos arremessos de quadra, 75% nos lances livres) e seis rebotes em 18,2 minutos por jogo.

Como deu para ver, a mudança surpreendentemente pouco influiu no rendimento de Blair. E, se pararmos para pensar, faz sentido: o segundanista é um atleta cujo estilo esbanja vitalidade, um daqueles jogadores que traz energia para a equipe quando vem do banco. Vale lembrar também que Blair está prestes a disputar somente sua segunda pós-temporada da carreira. Por isso, talvez seja mesmo melhor para ele entrar no decorrer das partidas, enfrentando os reservas adversários e ganhando experiência. Além disso, o atleta deve fazer dupla com Matt Bonner, que gosta de jogar aberto e deixa a área pintada para Blair fazer o que melhor sabe: pontuar embaixo da cesta.

E é inegável que a entrada de Dice dá maior consistência defensiva para o time titular. Se não um gênio defensivo, o veterano ala-pivô conta com sua experiência e seu posicionamento para ser um obstáculo maior para os rivais do que seus colegas Blair e Bonner. Além disso, sua eficiência ofensiva (oito pontos por jogo como titular) é mais do que suficiente em um quinteto que conta com outros quatro pontuadores: Tony Parker, Manu Ginobili, Richard Jefferson e Tim Duncan.

Me parece que Pop acertou em cheio com a troca. Em tempo: espero que, na próxima temporada, já mais adaptado ao estilo de jogo da NBA, Tiago Splitter seja uma das alternativas para o Spurs no time titular. O brasileiro tem a defesa como um de seus pontos fortes, e, quem sabe, pode ser útil já a partir dos próximos playoffs.

“Blefe” de Popovich pode ter facilitado vitória sobre o Heat

Achei essa montagem ótima! Um brinde à genialidade de Gregg Popovich!

Ninguém esperava que Tony Parker fosse voltar contra o Miami Heat. Segundo a imprensa texana, o jogador deu uma corridinha e tentou alguns arremessos tímidos no aquecimento para a partida desta sexta-feira – nada demais. Parker era carta fora do baralho. Os médicos haviam dito que ele precisaria de pelo menos duas semanas para se recuperar de um problema na panturrilha esquerda.

Para a surpresa de todos, no entanto, o francês voltou do aquecimento uniformizado e prontinho para o jogo. Ninguém entendeu nada; nem eu, nem os jornalistas texanos e muito menos Erik Spoelstra, técnico do Miami Heat.

Após a partida (massacre, melhor dizendo), Manu Ginobili foi entrevistado pela imprensa local e revelou que todos já sabiam do retorno de Parker desde o início do dia. E ninguém disse nada? Absolutamente nada! Sabe o que isso me lembrou? O saudoso futebol brasileiro. Técnicos escondendo o time, lista dos onze titulares saindo em cima da hora – aquela beleza que todos já conhecemos.

Gregg Popovich, inteligente que é, soube utilizar de um recurso simples para confundir a cabeça do técnico adversário, que estava preparado para um Spurs e acabou se deparando com um time completamente diferente. Méritos totais para o coach Pop, que armou essa brincadeira de forma despretensiosa e acabou se dando bem. Falando em brincadeira, alguém lembra do Popovich sacaneando o Shaq? Caso nunca tenha visto, dê boas risadas com o vídeo abaixo! Ah, aproveite e clique aqui para entender a montagem que ilustra o post.

Um pouco sobre Larry Owens

Como adiantei ontem, o San Antonio Spurs pode fechar um contrato de dez dias com o ala Larry Owens, do Tulsa 66ers. Owens está em Tulsa há duas temporadas e acumula médias de 15.0 pontos, 5.7 rebotes e 3.2 assistências em 72 partidas. O jogador, inclusive, foi peça fundamental no vice-campeonato do 66ers na última temporada da NBDL (Liga de Desenvolvimento da NBA).

Tendo em vista o provável reforço, procurei um jogo de Tulsa (o League Pass da D-League é grátis) para observar o tal de Larry Owens mais de perto. Assisti à partida do último dia 14 de dezembro, entre 66ers e Texas Legends. Na oportunidade, o camisa 23 anotou 18 pontos (7-10), pegou cinco rebotes e distribuiu cinco assistências na vitória por 130 a 116: um bom desempenho.

Apesar da boa partida, Owens tem alguns defeitos em seu jogo, sobretudo na parte defensiva. Mesmo sendo bem forte e ágil, ele me pareceu um pouco perdido na defesa e comprometeu o time em algumas jogadas. É claro que a análise feita com base num único jogo fica comprometida, mas é interessante trazer à tona o pouco que vi.

Sua principal qualidade me pareceu a versatilidade. Por ter um físico privilegiado (2m01 e quase 96 quilos), Owens pode jogar tanto de ala quanto de ala-pivô. Além disso, ele possui um arremesso de longa distância consistente e tem boa velocidade para um ala. No meu ponto de vista, Larry pode ganhar um contrato garantido se mostrar serviço na defesa. Caso contrário, creio que RC Buford irá procurar outras alternativas no mercado.

Contraponto

Contrapondo minha análise, o jornalista Rob Mahoney, do Pro Basketball Talk, acredita que, caso contratado, Owens terá um bom impacto. “Larry deverá cair bem em San Antonio, sobretudo para os arremessos da zona morta. Ele tem 37,7% de aproveitamento de três pontos em duas temporadas na D-League e expressivos 46,4% de longa distância nos últimos playoffs. Além disso, Owens é um reboteiro sólido e um bom defensor, o que faz dele um ótimo complemento para o Spurs. Certamente ele jogará pouco, mas será muito útil caso a equipe lide com problemas físicos”, avaliou Mahoney.

Há lugar para James Anderson?

James Anderson numa de suas especialidades

 

Quando RC Buford recrutou James Anderson, ele estava atrás de um bom defensor que soubesse chutar de longa distância. Contundido, Anderson perdeu a Summer League e só pôde mostrar seu potencial quando a temporada regular começou.

A jornada do ala, no entanto, durou pouco. Foram seis partidas e uma fratura por stress no pé direito. Nesse curto espaço de tempo, Anderson mostrou talento. Esteve em quadra por quase 18 minutos por noite e obteve média de sete pontos, além 50% de aproveitamento nos tiros longos.

Prestes a voltar às quadras, o camisa 25 terá que lutar para recuperar seu posto. Enquanto esteve fora, James viu George Hill e Gary Neal tomarem conta do banco de reservas. Antes de se lesionar, o novato de Oklahoma State tinha quase 20 minutos por noite, tempo que foi devorado por seus colegas.

Gregg Popovich tem uma bela dor de cabeça pela frente. Experiente, o treinador vem tentando fazer com que seu mais novo pupilo continue esperançoso em readquirir a vaga que deixou antes de se machucar. “Ele sacou nosso esquema muito rápido”, elogiou. “Espero que volte no mesmo ritmo”, completou.

As palavras de Pop transmitem elogios, mas ao mesmo tempo deixam nas entrelinhas um quê de desafio. Anderson terá que ralar para reconquistar seu espaço. Apesar de dar muitas chances aos seus novatos, Pop pouco confia neles. Quando chegou a San Antonio, Manu Ginobili, ídolo na Itália e MVP na Europa, demorou a ganhar a confiança do treinador. O mesmo aconteceu com Tony Parker, Beno Udrih, George Hill, DeJuan Blair e com o brasileiro Tiago Splitter. Nada mais natural que aconteça o mesmo com o inexperiente James Anderson.