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Caras Novas?

O Draft de 2012 não promete grandes expectativas para os torcedores do San Antonio Spurs. Na troca que trouxe Stephen Jackson para San Antonio e enviou Richard Jefferson para o Golden State Warriors, o time texano mandou sua escolha de primeiro rodada para a equipe californiana. Com isso, sobrou apenas a tardia escolha de segundo round do Spurs, que seria a 57ª escolha se a temporada regular terminasse hoje. Esqueça então a possibilidade da franquia selecionar um jogador de grife ou do qual tenhamos muitas informações. A equipe de San Antonio deve manter sua política de selecionar algum jogador desconhecido, que não tenha impacto imediato e possa se desenvolver jogando em alguma liga de menor expressão ou na D-League – a liga de desenvolvimento da NBA.
Logo, o atleta que for selecionado muito provavelmente também não irá receber minutos na rotação texana. Mas isso não quer dizer que não teremos caras novas em San Antonio na próxima temporada. O Spurs possui uma penca de jogadores que foram selecionados ao longo dos anos e jogam no continente europeu e que podem vestir o uniforme preto e prata na temporada 2012/2013. Dedicamos este espaço para analisarmos o desempenho atual de cada jogador e as possibilidades de defender o San Antonio Spurs na temporada vindoura.
Nando de Colo
Posição: Armador
Equipe Atual: Power Eletronics Valencia
Selecionado com a 59ª escolha do Draft de 2009, Nando de Colo é um dos bons prospectos que o San Antonio Spurs possui e tem altas possibilidades de vestir o uniforme preto e prata na próxima temporada. Maduro, o armador francês, de 24 anos, tem realizado partidas consistentes pelo Valencia, acumulando médias de 13,6 pontos e 2,8 assistências na Liga Espanhola, a ACB, e 11,3 pontos e 3,7 assistências na Eurocopa, liga na qual sua equipe chegou à final, mas foi derrotada pelos russos do BC Khimki. Atualmente, no quadro de estatísticas da ACB, De Colo é o nono jogador que mais pontua (13,5 pontos por jogo) e o sexto com mais roubadas de bola (1,45). O armador tem seu contrato com o Valencia expirando no meio deste ano e já manifestou seu desejo de chegar à NBA após o fim do vínculo. Pesa na decisão do jogador a possibilidade de jogar ao lado de Tony Parker e Boris Diaw – companheiros na seleção francesa. Por atuar tanto na posição 1 como na 2, Nando De Colo poderia ser uma peça útil na rotação do Spurs. Vale lembrar que o armador já concedeu uma entrevista para o Spurs Brasil.
Erazem Lorbek
Posição: Ala-pivô
Equipe atual: FC Regal Barcelona
Erazem Lorbek é um dos melhores jogadores de um dos melhores times fora da NBA. O grandalhão, que teve seus direitos vinculados ao Spurs na troca que enviou George Hill para Indiana, sabe pontuar de diversas partes da quadra, além de ter um arremesso confiável de média e longa distância (aproveitamento de 40,4% em tiros de três pontos). Pela ACB, apresenta médias de 11,6 pontos e 4,2 rebotes. Já na Euroliga, suas médias sobem para 13,8 pontos e 4,7 rebotes. O atleta já não é mais nenhum garoto e, aos 28 anos, pode ter sua última chance de jogar na NBA. Notícias recentes têm dado como certa a vinda do pivô para a equipe texana. Mesmo não sendo um exímio defensor, Lorbek poderia ser uma adição interessante para o Spurs, e ajudaria a suprir uma das maiores carências da equipe: o garrafão.
Adam Hanga
Posição: Ala-armador
Equipe atual: Asignia Manresa
O húngaro, que foi selecionado com a 59ª escolha do último Draft e até já concedeu entrevista para o Spurs Brasil, vem em uma crescente pela sua equipe e tem ganhando destaque na Liga ACB. Após um período de adaptação à equipe e à liga, Hanga já é um dos principais jogadores do Assignia Manresa. Atlético e com boa estatura (2,04 m) para um jogador de perímetro, suas enterradas e tocos se tornaram presença frequente nos vídeos de melhores jogadas da rodada. Hanga é o quarto atleta que mais rouba bolas na liga espanhola. Além disso, registra médias de 7,6 pontos e duas assistências por partida, e é o segundo jogador de sua equipe que mais bloqueia os adversários (0,7 por partida). É improvável que Adam Hanga esteja defendendo a equipe texana na próxima temporada: o atleta ainda precisa trabalhar seu arremesso de três pontos (aproveitamento de 24% na temporada) e seu jogo defensivo, mas já mostrou ser um jogador aplicado e com potencial para se desenvolver. Vale a pena manter o olho nele!
Ryan Richards
Posição: Ala-pivô
Equipe atual: Sem Equipe
No Draft de 2010, o Spurs utilizou sua 49ª escolha para selecionar Ryan Richards, ala-pivô britânico de 2,16m. Richards começou a atual temporada vinculado à equipe espanhola do Gran Canaria, mas estava inativo em virtude de uma lesão. Antes de sequer de atuar pelo time, o jogador assinou com o Lugano Tigers, líder da liga suíça de basquete. Lá, registrou médias de 11,2 pontos e 6,7 rebotes até misteriosamente pedir para ser dispensado. As habilidades e fraquezas de Richards ainda são incógnitas, já que pouco se pêde ver do seu basquete. Mas pelo pouco observado, o britânico deu mostras de ter um jogo ofensivo refinado, e a sua defesa e sua leitura de jogo são aspectos nos quais o atleta precisa trabalhar. O nome de Ryan Richards apareceu numa pré-lista convocatória do Reino Unido para os jogos Olímpicos deste ano, em Londres. Se realmente for convocado, é uma boa oportunidade para observar seu potencial. Dificilmente veremos Richards jogando pelo Spurs na próxima temporada. Mesmo estando sem equipe, o jogador ainda não está pronto para a NBA. Se não receber nenhuma proposta vantajosa de alguma equipe europeia, creio que seria uma alternativa interessante ele disputar a D-League pelo Austin Toros, equipe filiada ao San Antonio Spurs.
Davis Bertans
Posição: Ala
Equipe atual: KK Partizan
Davis Bertans foi selecionado pelo Spurs no último Draft com a 42ª escolha, que originalmente pertencia ao Indiana Pacers mas veio para o Spurs na troca que enviou George Hill para lá. O ala, que também já concedeu entrevista ao Spurs Brasil, tem 2,08m e apenas 19 anos de idade, e, por ser ainda muito jovem e cru, tem recebido pouco tempo de quadra nas equipes pelas quais passou. Na atual temporada, Bertans começou jogando pela equipe eslovena do Union Olimpija, onde atuou algumas partidas com Danny Green até que o locaute da NBA terminasse. Lá, o ala não apresentou bom desempenho e teve um aproveitamento nos arremessos muito baixo na Euroliga. Bertans recebeu o buyout e foi jogar na equipe rival, o KK Partizan, onde recebeu alguns minutos a mais e melhorou seu aproveitamento nos arremessos. Como dito anteriormente, Bertans ainda é muito jovem e precisa desenvolver seu jogo, por isso o ala deverá passar mais algumas temporadas no velho continente. Mesmo ainda sendo cedo para se tirar conclusões, Bertans já mostrou ter muito potencial no seu arremesso, algo incomum para um jogador do seu tamanho.
Viktor Sanikidze
Posição: Ala
Equipe atual: Virtus Bologna
Sanikidze foi selecionado pelo Spurs em 2004, com a 42ª escolha do Draft. O ala georgiano de 26 anos construiu uma carreira sólida na Itália, e já expressou desejo de continuar em sua equipe na próxima temporada, o que torna um pouco improvável a vinda do atleta para o Spurs. Mesmo assim, se viesse, Viktor Sanikidze poderia ajudar o Spurs num fundamento que a equipe por vezes mostrou deficiência: os rebotes. O jogador registra médias de 10,6 ressaltos por exibição, algo incrível para o basquete europeu e para alguém que joga na posição três. Além disso, Sanikidze registra médias de 12,2 pontos por partida com um aproveitamento de 48% em seus arremessos.
Robertas Javtokas
Posição: Pivô
Equipe atual: Zalgiris Kaunas
Selecionado com a 55ª escolha do Draft de 2001, o pivô de 32 anos é um jogador que provavelmente nunca vestirá as cores do San Antonio Spurs. Javtokas dificilmente irá querer trocar a Lituânia, seu país natal, para tentar a sorte em ganhar alguns poucos minutos na NBA.
Solucionando o problema
As queixas relacionadas à ala do San Antonio Spurs eram pauta antiga de boa parte da torcida. Mais precisamente, as reclamações vêm desde que o antigo titular absoluto, Bruce Bowen, começou a cair de rendimento, após o título conquistado em 2007. Quase cinco anos depois, a posição 3 do time texano parece enxergar uma luz no fim do túnel, que cada vez aumenta e brilha mais forte.

O presente e o futuro, lado a lado
Em 2009, Bowen foi envolvido em uma troca – e logo depois encerrou sua carreira – que trouxe Richard Jefferson para o Texas. Parecia que tudo estava resolvido, já que o novo ala do Spurs vinha de ótimas temporadas com o New Jersey Nets e o Milwaukee Bucks. Mas não foi bem o que aconteceu. Jefferson não conseguiu repetir o mesmo desempenho e despertou a ira de muitos torcedores.
Não que ele tenha ido tão mal assim. Em sua primeira temporada com a camisa prata e preto, ele registrou médias de 12,4 pontos e 4,4 rebotes. Mas a queda de rendimento nos playoffs e a derrota para o Phoenix Suns, antigo freguês, por 4 a 0 nas semifinais do Oeste fizeram com que a torcida elegesse Jefferson como culpado.
Desde então, o camisa 24 andava às voltas com boatos de troca, mas contou com a confiança da diretoria texana e recebeu uma extensão contratual. Depois, superou rumores de que seria anistiado pela equipe, o que acabou não se concretizando. Hoje, as críticas a Jefferson aparecem em tom mais ameno. Talvez porque, após duas temporadas sem tanto brilho, não se espere mais tanto assim dele.
Mas outra razão para as críticas terem diminuído é que hoje o Spurs conta com outras duas ótimas opções para a posição de SF e, com isso, a responsabilidade de Jefferson diminuiu. Tanto que sua média de pontos (10,4) e rebotes (3,4) na atual temporada são as menores desde que chegou a San Antonio, mas não se fala muito nisso. Com Danny Green e o novato Kawhi Leonard tendo atuações consistentes e conquistando a confiança de Gregg Popovich, Jefferson pode jogar com muito menos peso em suas costas.
Sem muito alarde, a direção texana conseguiu resolver o problema na posição 3, que hoje conta com três bons jogadores como opções. Durante a offseason, os rumores de que o Spurs estava atrás de um ala foram frequentes. Caron Butler, Tayshaun Prince, Grant Hill, Shane Battier e até Josh Howard foram sondados segundo a imprensa americana. Nenhum deles chegou, a temporada começou e com ela as boas surpresas de Green e Leonard.
Green tem 24 anos, está em sua terceira temporada na NBA, mas só agora começa a mostrar seu potencial. Nos dois anos anteriores, passou quase despercebido por Cleveland Cavaliers e pelo próprio San Antonio Spurs. Iniciou a temporada 2011/2012 apenas como parte do garbage team – aqueles que entram nos minutos finais quando tudo já está decidido -, mas com um bom trabalho defensivo e sendo consistente no ataque (7,8 pontos por jogo), já registra médias de 21,4 minutos jogados por partida. Se contabilizarmos apenas os últimos dez jogos, esse número sobre para 26,2.
Leonard é ainda mais jovem. Com apenas 20 anos, faz sua primeira temporada na NBA e chegou a San Antonio sob alguns olhares desconfiados. A dúvida era se realmente teria valido a pena se desfazer de George Hill em troca da escolha de Draft que o trouxe ao Texas. Se na hora muitos ficaram sem entender tal troca, hoje Leonard deve, pelo menos, dar um alento aos corações texanos que ficaram partidos com a saída de Hill.
Sabemos que Popovich não é um grande fã de novatos, que costumam ter que trabalhar duro para mostrar ao treinador que merecem mais chances e mais tempo de quadra. Mas Leonard parece, de cara, ter ganho a confiança do chefe. Com a lesão de Manu Ginobili, ele deixou Gary Neal para trás na corrida pela titularidade, muito em função de sua defesa contra os alas rivais. Hoje, ele acumula uma média de 23,6 minutos em quadra e 7,2 pontos por partida.
Além disso, com sua enorme envergadura, contribui com 5,0 rebotes e 1,1 roubos, desperdiçando apenas 0,6 bolas por jogo. Nada mal.
Com Jefferson, Green e Leonard, o Spurs está bem servido de alas para as próximas temporadas. Com um problema a menos para resolver, a direção texana poderá voltar suas atenções a outro setor que vem passando problemas nos últimos anos: o garrafão. Mas isso é assunto para um outro dia…
O adeus de Shaq

Vocês podem até estar estranhando um post sobre Shaquille O’Neal aqui. Logo aqui, no blog do San Antonio Spurs, eterno adversário do super-pivô. Mas não há como deixar passar em branco a aposentadoria de uma lenda da NBA como ele. Deixo de lado minha face de torcedor e assumo o papel de admirador do esporte, amante do basquete e da NBA.

Outro encontro como este, só em uma futura partida de showbol
Foram 19 temporadas de Shaq na liga norte-americana. Eu mal havia aprendido a falar e o gigante já fazia estragos nos garrafões da NBA após ser recrutado pelo Orlando Magic. Em 1995 já fazia seu primeiro grande feito, levando a franquia, que tinha apenas seis anos de existência, à sua primeira final da liga, com médias monstruosas de 29,3 pontos e 11,4 rebotes.
Mas este foi só o primeiro passo de uma carreira genial de Shaq. Depois vieram quatro títulos da NBA (três com o Lakers e um com o Heat), um MVP (2000), três MVP Finals (2000, 2001 e 2002), 15 seleções para o All-Star Game e oito seleções para o All-NBA First Team, entre tantas outras conquistas que, se listadas, me exigiriam ao menos uma dezena de linhas.
Mas não quero entrar no mérito de quem foi Shaq apenas pelas conquistas. Shaq foi muito mais do que isso. Quando comecei a me interessar por basquete, quando ainda era um pré-adolescente, Shaquille O’Neal era “o cara” da NBA. Talvez tenha sido o primeiro jogador que conheci e aprendi a admirar.
Em uma época de entressafra de ídolos, no período pós-Jordan, Shaq foi um dos primeiros a despontar como um novo ícone, o novo “garoto-propaganda” da NBA. Papel que ele sempre tirou de letra. Apesar do comportamento polêmico em algumas ocasiões, Shaq sempre foi dono de um carisma sem igual. Brincalhão e sorridente, era um dos preferidos da garotada onde estivesse.
Tenho apenas 20 anos, mas pude ver, ao menos um pouco, o auge deste gigante. Os mais jovens podem não ter noção da dimensão do que Shaq significa para a NBA e para quem começou a acompanhar o basquete na primeira metade dos anos 2000. Posso dizer que, junto de Tim Duncan, foi ele o meu ídolo. Houve um período, inclusive, que Timmy e Shaq dominavam a liga, e de 99 a 2007 não houve uma final sequer sem a presença de um deles.
Ganhei mais admiração ainda por Shaq nos anos finais de sua carreira. Mesmo depois de ter sido o jogador mais dominante da NBA, aceitou o papel de coadjuvante – se é que podemos chamar assim um cara com médias de 20 pontos e nove rebotes – na campanha do título do Miami Heat, em 2006, formando dupla com Dwyane Wade.
O tempo passou e Shaq já não era mais o mesmo. O tempo passa para todo mundo e o corpo já não tem mais a mesma capacidade de antes. E Shaq soube aceitar seu papel e seguiu na ativa. Perambulou por Suns, Cavs e Celtics nos últimos anos de carreira, pelo simples prazer de jogar, já que de dinheiro ele não precisaria mais. Acima de tudo, Shaq amava jogar basquete, e era isso que o mantinha em quadra.
Mas chegou a hora do grande astro deixar seu palco. Sai de cena o policial nas horas vagas, o Shaq Attack, o The Diesel, o Big Cactus… Obrigado, Shaq, pelos serviços prestados ao basquete.
E agora, olho nas prateleiras de rap, nos filmes, nos programas de talk show da televisão. Algo me diz que ainda veremos muito de Shaquille O’Neal nesses lugares.
E se Duncan tivesse ido para o Mavericks?
Caros leitores do Spurs Brasil; hoje, nosso ex-blogueiro Leonardo Sacco escreve um texto especial. Uma espécie de brincadeira. O autor tenta prever o que aconteceria se o Dallas Mavericks tivesse a primeira escolha do draft de 1997, e tivesse selecionado Tim Duncan. O texto é meio longo, mas vale a leitura. Caso gostem, o escritor promete voltar com mais textos da série “E se?”.
O ano era ruim para o Dallas Mavericks. Acostumado com campanhas pífias desde o começo da década, o time já ia mal das pernas quando perdeu o promissor armador Jason Kidd para o Phoenix Suns. E a temporada de 1996/97 terminou com uma campanha nada animadora: 54 derrotas, apenas 24 vitórias e um futuro que se fazia presente apenas nas através do jovem ala Michael Finley, um cestinha em potencial. Panorama pior era vivido apenas pelos rivais texanos do San Antonio Spurs. Com um problema nas costas do pivô David Robinson, seu principal jogador, o time prateado fazia feio e era um dos grandes sacos de pancada da liga naquele ano. Conseguiu terminar com campanha ainda mais negativa.
A saída encontrada pelos dois rivais era rezar pela loteria que definiria o draft de 1997. Pela pior campanha, o Spurs precisava menos da sorte para ter a primeira escolha; os torcedores já faziam festa ao imaginar uma dupla formada por Robinson e Tim Duncan, apontado por todos os especialistas como a iminente primeira escolha do recrutamento em questão. Os torcedores do Mavericks, por sua vez, se conformavam em ter que achar algum bom jogador nas escolhas seguintes – a diretoria cogitava, até, utilizar suas picks para conseguir bons negócios e algum dinheiro.
E foi assim, sem nenhuma esperança, que os diretores de Dallas ouviram incrédulos o anúncio: a primeira escolha do draft de 1997 era do Mavericks. Para o Spurs, restou um segundo lugar que mais parecia inútil – nenhum jogador cotado para ser selecionado parecia ter o impacto imediato de Duncan. As semanas que antecederam o draft foram de sentimentos opostos no Texas. O lado de Dallas estava em festa com a chance de ouro de ter um potencial enorme em seu elenco; o lado de San Antonio lamentava a chance perdida por puro azar.

Conseguem imaginá-lo com outra camisa?
O ala-pivô, é claro, foi escolhido sem maiores rodeios pelo Mavericks. Conhecido por ter passado toda sua infância se dedicando ao nado, Duncan chegou a Dallas sem fazer muito alarde. Com seu jeito pacato, mudou-se para a cidade apenas algumas semanas antes de começar a treinar e participou de poucas atividades de marketing – no qual se mostrava terrível devido à sua timidez. Seu talento, porém, foi visto logo nos primeiros treinamentos. Dominante, foi colocado logo de cara entre os titulares pelo técnico Don Nelson, que assumira a equipe no lugar de Jim Cleamons, considerado inexperiente demais para montar um time em torno de um jovem astro.
Na estreia da temporada, a Reunion Arena estava completamente abarrotada para presenciar a estreia do novo craque. Vestindo a camisa 1, em referência à escolha no draft, Duncan estreou bem, com 21 pontos, 15 rebotes e três tocos na vitória contra o forte Utah Jazz de John Stockton e Karl Malone – esse dominado pelo jovem ala-pivô logo no primeiro encontro entre ambos. A esperança, a partir daí, surgiu com muita força em Dallas. Com o jovem jogador sendo o centro de tudo e com o apoio do pontuador Finley, parecia que a hora de o Mavericks chegar com força entre os melhores da liga estava pintando.
O que era pouco esperado, todavia, é que o jogo proposto por Nelson, com muita velocidade, seria prejudicial para Duncan, que caiu vertiginosamente nas partidas seguintes. A temporada acabaria com uma decepcionante campanha de 41 vitórias e 41 derrotas, melhor que no ano anterior, mas insuficiente para garantir a vaga aos playoffs. Timmy, por sua vez, garantiria o prêmio de melhor novato ao fechar o ano com médias de 14,3 pontos e 11,4 rebotes. Na disputa, superou o jovem Tracy McGrady, deixado de lado no draft por Gregg Popovich, técnico do Spurs, que alegara que aquele era um jogador jovem e sem a rodagem necessária – havia saído direto da high school para ser selecionado pelo Toronto Raptors.
Em seu segundo ano, Duncan ganhou um reforço de peso: vindo do Phoenix Suns, o armador Steve Nash caiu como uma luva para o Mavericks. O lockout pelo qual a NBA passou naquele ano diminuiu pela metade o número de jogos da temporada regular e facilitou a chegada do Mavericks aos playoffs. O time de Dallas cairia apenas nas finais de conferência, quando foi derrotado pelo Portland TrailBlazers, que levaria o título da liga na sequência. Os bons resultados e o time promissor atraíram os milhares de dólares de Mark Cuban, excêntrico milionário que comprou a franquia na metade de 2000.
Com dinheiro em caixa e a dupla Duncan-Nash, o Dallas passou a ser frequentador habitual dos playoffs. Na temporada 1999/00, porém, um problema físico do ala-pivô após o All-Star Game prejudicou o Mavericks, que deixou a vaga nos playoffs escapar na última partida, derrota fora de casa para o Milwaukee Bucks, que vencera com uma bola de três no estouro do cronômetro, convertida pelo novato Dirk Nowitzki, destaque daquele time no ano. A volta de Duncan no ano seguinte levou o Mavericks de novo à pós-temporada, mas a falta de um companheiro mais forte debaixo da cesta ficava evidente na derrota diante do Lakers de Shaquille O’Neal, na final de conferência. Duncan e o Mavericks, assim, passavam a ficar marcados por sempre nadar e morrer na praia.
Para solucionar o problema, Cuban e sua diretoria apostaram em Raef LaFrentz, pivô que se destacava no Denver Nuggets. O atleta se mostrou um ótimo companheiro para Duncan, mas pecava por se lesionar demais. Sempre no estaleiro, LaFrentz fazia falta, e o Dallas via seu grande rival Spurs começar a crescer com a chegada do argentino Manu Ginobili e do francês Tony Parker, que aos poucos iam se mostrando uma boa dupla de armadores para David Robinson. No Mavericks, o panorama só piorava com mais dois revezes consecutivos na pós-temporada, ambas para o Lakers de O’Neal.
Sem títulos e sem um esquema de jogo que agradasse, Don Nelson deixou o time em 2004. E essa seria a primeira das mudanças pelas quais o Dallas passaria naquele ano. Nash deixara o time para retornar ao Suns, time no qual se consagraria duas vezes MVP no esquema run’n’gun. Sem um armador puro, o time apostou nas chegadas do treinador Avery Johnson, ídolo em San Antonio e especialista em defesa, e na dupla de alas formada por Josh Howard e Antawn Jamison. Ao lado de Duncan, os dois foram responsáveis pelo primeiro título de conferência da história do Mavericks, em 2004. O time, porém, pecou pela inexperiência em finais e, apesar do desempenho magnífico de Duncan, perdeu a série em melhor de sete contra o forte Detroit Pistons por 4 a 3. O ala-pivô fecharia a finalíssima com médias de 27,8 pontos, 13,4 rebotes e 6,4 assistências por partida.
Mais experiente e agora com a carga de ter disputado um série final, Duncan foi essencial para que o Mavericks chegasse, em 2005, a mais uma final de conferência, vencida, no entanto, pelo ofensivo time do Suns. Em um embate épico, o time de Phoenix atropelou o de Dallas, mostrando que poder ofensivo era sim capaz de atingir as finais – vencidas, novamente, pelo Pistons. A torcida, porém, parecia mais tranquila que nas últimas vezes, e viu em 2006 seu ano decisivo.
Com a chegada do jovem armador Devin Harris após algumas trocas, o Mavericks tinha o seguinte quinteto na temporada 2005/06: Harris, Howard, Jamison, Duncan e Erick Dampier, que chegara para substituir LaFrentz, dispensado devido ao físico frágil. O time voou na temporada regular, atropelando adversários até os playoffs. A melhor campanha geral fez com que Duncan recebesse seu primeiro MVP. Na pós-temporada, vitórias fáceis e mais um título de conferência. Na grande final, o inexperiente Miami Heat. De um lado, Duncan. Do outro, novamente O’Neal. O resultado, repetido. Surpreendendo a todos, o time da Flórida venceu e oficializou Shaquille como pedra no sapato do Mavericks.
A nova derrota fez com que a carreira de Duncan mudasse para sempre. Durante o mercado de transferências, foi envolvido em uma troca com o Bucks, na qual Nowitzki e o ala Michael Redd foram enviados para Dallas em troca do ala-pivô e de Jamison. O Dallas nunca mais teria um desempenho desse tipo, brilhando sempre apenas durante a temporada regular. O Bucks, por sua vez, passou a frequentar mais os playoffs, mas nunca com grandes avanços.
Descontente com isso, Duncan quis testar o mercado e passou a ser o mais cobiçado dos agentes livres daquele ano. Para a surpresa de todos, acabou assinando com o Spurs, time que o perdera durante um sorteio de loteria e que ele aprendera a derrotar em seus anos de Mavericks. Sua chegada aconteceu com desconfiança. Os torcedores, porém, sabiam que sua chegada ao elenco transformaria a franquia, comandada pelos estrangeiros Ginobili e Parker após a aposentadoria de Robinson.
O impacto da chegada foi imediato. Duncan levou o time à melhor campanha da temporada 2007/08, sendo eleito mais uma vez MVP, mas foi derrotado na final de conferência para o Lakers de Kobe Bryant e Pau Gasol. Comandado por Gregg Popovich, o ala-pivô voltou a mostrar o basquete do início de sua carreira, e o Spurs passou a ser uma das forças do Oeste. Timmy, porém, seguia com sua sina dos tempos de Dallas, de estar sempre no quase e nunca ganhar o anel. Seguiu como um dos melhores da liga até 2011, ano no qual resolveu fazer sua última temporada.
No ano derradeiro, levou o Spurs à melhor campanha da regular, atropelando adversários também nos playoffs. Na final de conferência, ficou frente a frente com Nowitzki e o Dallas pela primeira vez em um jogo de pós-temporada. Após seis partidas muito disputadas, o AT&T Center estava lotado para o confronto decisivo. Depois de uma partida muito equilibrada, overtime. E foi aí que a estrela de Duncan brilhou. Um tiro certeiro para três pontos, no estouro do cronômetro, colocou o Spurs novamente nas finais. Os torcedores do Dallas, incrédulos, assistiam sua cria colocar ponto final em mais uma tentativa de título. Pior que isso: levava o Spurs, grande rival, a mais uma final.
O adversário era o Boston Celtics. Mais uma vez Shaquille O’Neal estava no caminho de Duncan. Nos seis primeiros jogos, mandos de quadra respeitados. O duelo derradeiro, novamente, ficava para o AT&T Center abarrotado. O Spurs nunca estivera perto da glória como agora – nem Tim Duncan. O jogo, mais do que uma final, marcava a despedida de um jogador que, em sua carreira, havia sido lendário. E o adeus foi digno. Anel para o Spurs, MVP para Duncan – um combinado mais que perfeito.
Artigo de Manu Ginobili para o jornal La Nación
Caros leitores do Spurs Brasil, a temporada acabou para nós, infelizmente. A partir de agora, tentaremos dar um gás nas notícias do nosso San Antonio Spurs para manter o blog abastecido. Eu começo com um artigo publicado pelo Manu Ginobili no jornal argentino La Nación. Quem entende o mínimo de espanhol conseguirá compreender facilmente as palavras dele. É uma leitura que vale a pena!
No artigo, o craque argentino fala sobre a derrota para o Memphis Grizzlies, a aposentadoria de Antonio McDyess, a possível greve da NBA e o Pré-Olímpico de Mar Del Plata. Veja abaixo o texto na íntegra.
Es una pena terminar así después de la muy buena temporada regular que tuvimos. Al revés de otros anos, me parece que esta vez dimos el pico de rendimiento mucho ante de los playoffs, en diciembre-enero. No pudimos mantener una regularidad de allí en más. Declinamos en el momento más importante, mientras que Memphis venía en alza y dio lo mejor en la postemporada. No hay duda de que nos ganaron bien. Fueron fuertes, duros y pese a que nosotros defendimos bien y tuvimos intensidad, no los pudimos igualar.
Si uno analiza la serie juego por juego, excepto el cuarto que perdimos por mucha diferencia, los demás se definieron de forma ajustada; incluso nosotros pudimos perder el quinto también si no empatábamos el tiempo regular con ese triple milagroso de Gary Neal. Fueron juegos peleados, pero ellos tuvieron mayores recursos, aprovecharon muy bien su poderío en la pintura con el juego interior, los cortes y cargando a todos los rebotes como bestias. Además, Zach Randolph tuvo una serie tremenda y Marc Gasol jugó muy bien. Otra clave es que ellos metieron los tiros importantes en los momentos decisivos.
Si bien Randolph rindió en alto nivel, ya sabíamos que el juego de Memphis se fundamentaba en él, que había tenido una buena temporada regular; incluso, creo que no fue All Star en el Oeste porque en esa posición hay muy buenos jugadores. Y no me sorprendió lo que hizo con nosotros más allá de algunos “zapatos” que embocó. Los grandes jugadores rinden más cuando más presión hay.
En cuanto a los triples, que fueron importantes para nosotros en la serie regular, pero no frente a Memphis, la virtud fue de la defensa que plantearon. Fueron muy rápidos, ajustaron muy bien y nos impidieron tirar cómodos desde los corners, desde donde habitualmente tenemos buenos porcentajes. Realmente no encontramos espacios. Por ahí Neal se los generó por su velocidad para lanzar, pero ni Bonner ni Richard (Jefferson) pudieron encontrar su tiro.
La defensa de ellos estuvo bien planteada, nos aislaron, no nos dejaron jugar pick and roll y ni Tony Parker ni yo encontramos espacios para crear juego. Tuvieron una buena estrategia para impedirnos hacer nuestro mejor juego.
Al final, cuando terminó todo, la sensación fue de desilusión… No nos queda mucho tiempo para volver a sonar con el título, ya estamos un poco veteranos. Tenemos la sensación de que perdimos una gran oportunidad. Pensábamos que podíamos llegar a pelear al menos el título de la conferencia. Pero así son las cosas. A las finales del Este y del Oeste sólo llegan cuatro de los 30 equipos. No se le puede llorar al Dios del básquetbol por esta eliminación. Lamentablemente no pudimos seguir creciendo.
Por ahora, nada se habló del futuro. Ni Antonio McDyess vino a decirnos que se retiraba, como leí por ahí. No hablé tampoco con Popovich, así que no sé cómo continuará todo. Me imagino que no habrá grandes cambios porque todos tenemos contrato por unos anos más.
Y no me pidan que les hable de las otras series y de candidatos porque, se imaginarán, lo único que quiero hacer ahora es aislarme, descansar mental y físicamente y disfrutar de mi senora y los mellis. Quizá más adelante me vengan ganas de mirar la definición de la NBA, pero por ahora quiero informarme poco de todo lo que sucede.
El próximo objetivo será el Preolímpico, pero faltan cuatro meses todavía. Ojalá lleguemos todos bien. Por lo menos los que estuvimos en la NBA vamos a llegar con bastante tiempo de descanso. Yo, recuperado de mi esguince de codo (en dos semanas me tengo que hacer una nueva resonancia); Luisito (Scola), con su rodilla operada en buen estado, y bueno, sé que Carlitos (Delfino) y Chapu (Nocioni) terminaron bien la temporada.
No creo que el lock out patronal, que parece que puede concretarse, nos impida jugar el Preolímpico porque la Confederación no pueda negociar los seguros con la NBA. A lo mejor tiene que poner más dinero que el habitual para hacernos un seguro por todo el tiempo que nos queda de contrato con nuestras franquicias. Ése puede ser el problema. Yo estoy tratando de informarme con la Asociación de Jugadores, pero es difícil, las cosas no están claras, el ambiente es muy raro y no se sabe bien qué va a pasar.
Pero, repito, supongo que no habrá problemas para que podamos disfrutar de ese Preolímpico junto a nuestro público.






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