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O que muda com Stephen Jackson

Quase dez anos depois...

Caros leitores do Spurs Brasil,

Hoje é um dia muito feliz para a maioria dos torcedores do San Antonio Spurs. Quem segue o time há mais tempo e teve a felicidade de acompanhar os dourados anos de Stephen Jackson no Texas com certeza está radiante. Mas o que de fato muda com a chegada do Captain Jack? A troca foi mesmo positiva? Vamos analisar!

Para que a franquia texana pudesse contar com o jogador, Gregg Popovich e R.C. Buford prepararam um pequeno pacote. Na bagagem eles colocaram Richard Jefferson, o aposentado T.J. Ford e uma escolha de primeira rodada que já vale para o draft da próxima temporada (o Lucas Pastore explica melhor esse trâmite neste post aqui).

Old, but gold!

Sendo assim, podemos analisar a troca sob duas perspectivas diferentes: a financeira e a esportiva. Vamos começar pelas cifras!

Stephen Jackson tem um contrato atual de US$ 9,2 mi e ganhará US$ 10,06 mi na próxima temporada. É um salário pomposo para um atleta que está prestes a completar 34 anos, mas nada se compara à bomba que era o contrato do Richard Jefferson, que ganha os mesmos US$ 9,2 mi nesta temporada e outros US$ 10,1 mi em 2012-13 e US$ 11,04 mi em 2013-14 (aqui temos uma player option, ou seja, o jogador tem o poder de decidir se mantém o vínculo com a equipe, mas acredito que ele deverá ser anistiado antes de completar esse ciclo na Califórnia).

Financeiramente, o negócio foi extremamente vantajoso para o Spurs, já que os dirigentes conseguiram desfazer a maior cagada (desculpem o baixo nível) recente da história da franquia. O que parece ter incomodado um pouco alguns torcedores, no entanto, foi a escolha de primeira rodada envolvida nessa brincadeira toda. Trata-se de um ponto polêmico, é verdade, mas quem almeja um título tem que abdicar de certas coisas de vez em quando. Isso sem falar que temos uma porrada de atletas promissores atuando no basquete europeu que podem ser muito úteis no futuro. No meu ponto de vista, Popovich e Buford acertaram em cheio novamente, assim como fizeram quando trocaram o queridinho George Hill por Kawhi Leonard.

Se financeiramente fomos bem, esportivamente a coisa foi ainda melhor. O San Antonio Spurs está perdendo um jogador omisso, obsoleto e estático. Em troca, o elenco ganha um pontuador eficiente (se bem comandado), um defensor sólido e um líder nato. Tem como ser melhor? Pior que tem! Stephen Jackson já jogou em San Antonio e criou um laço quase fraternal com o técnico Gregg Popovich. Ele conhece muito bem o estilo do treinador e o esquema tático do time, portanto só terá que fazer pequenos ajustes para se adaptar 100%.

Velhos amigos...

É importante lembrar, contudo, que o Captain Jackson que estamos recebendo nem de longe vai ser aquele jogador que brilhou jogando pelo Indiana Pacers e pelo Golden State Warriors. Como já disse anteriormente, o ala está prestes a completar 34 anos e já entrou na curva descendente de sua carreira. Ainda assim, ele mantém médias de 10,5 pontos, 3,2 rebotes e 3,0 assistências em 27,4 minutos por jogo nesta temporada.

Essas médias poderiam ser melhores se levarmos em conta que Jackson perdeu muito espaço no mês de fevereiro em Milwaukee. Enquanto em janeiro ele registrou média de 13,5 pontos em pouco mais de 33 minutos, no mês seguinte essa estatística caiu para 6,2 pontos em 19 minutos. Ou seja, alguma coisa extra-quadra pode ter acontecido entre o jogador e o técnico Scott Skiles.

E o que muda na prática a partir de agora? Bem, essa é uma pergunta difícil de responder, mas eu aposto que o camisa 3 herdará o posto de titular de Richard Jefferson. O provável quinteto inicial do San Antonio Spurs nos playoffs será: Tony Parker, Manu Ginobili (ou Danny Green, caso Popovich opte por usar o argentino como sexto-homem), Stephen Jackson, DeJuan Blair e Tim Duncan. Em partidas disputadas contra adversários mais fortes, o treinador poderá montar uma verdadeira fortaleza defensiva. Imaginem Ginobili, Leonard, Jackson, Duncan e Tiago Splitter em quadra ao mesmo tempo? Em outro cenário, contra equipes baixas, Popovich terá um small ball pra lá de interessante: Parker, Ginobili (Green), Jackson, Leonard e Duncan (Splitter). Nada mal…

É por essas e por outras (aguardo os comentários na caixinha abaixo) que a vinda de Stephen Jackson me deixou extremamente animado. Me lembrou um pouco quando Michael Finley chegou ao Spurs. Finley tinha 32 anos quando deixou o rival Dallas Mavericks e desembarcou em San Antonio trazendo experiência e capacidade de contribuir igualmente no ataque e na defesa. Sua trajetória com a camisa preto e prata foi belíssima e culminou com um título inédito em sua carreira. Eu, como torcedor, espero que o Captain Jackson construa uma história semelhante – ou melhor, dê continuidade à grande história que ele já pavimentou no Texas.

Saudades? Magina...

Palpites – Spurs X Grizzlies – 1ª Rodada – Playoffs 2011

Olá, caros leitores! Com a chegada dos playoffs, retomaremos o que implantamos nos últimos anos: nossos palpites. Nesta temporada, teremos de volta o ponto de vista dos autores do blog Spurs Brasil, que a seguir falam sobre as expectativas para esta primeira rodada dos mata-matas da NBA. Vamos aos palpites:

Glauber da Rocha

A série – A primeira rodada dos playoffs não deve trazer grandes problemas para o Spurs avançar às semifinais da Conferência, mesmo que Manu Ginobili fique de fora dos jogos iniciais da série. Sem Rudy Gay, a força do Grizzlies fica limitada ao seu jogo debaixo da cesta e  a uma “grande noite” dos jogadores de perímetro, como Mike Conley, O. J. Mayo e Tony Allen.

O destaque – George Hill. Com a provável ausência do ala-armador argentino nas primeiras partidas da série, o sexto-homem do San Antonio será essencial para ajudar Tony Parker e Tim Duncan ofensivamente, e para segurar o ímpeto de Mayo e Allen na defesa.

Palpite – Spurs em 5 jogos.

Victor Moraes

A série Apesar de ter sido o último time a garantir vaga nos playoffs, o Memphis Grizzlies é perigoso e mostrou isso durante a temporada. Arrancou vitórias de equipes badaladas, inclusive do próprio Spurs. A ausência de Rudy Gay sem dúvida será sentida, mas a equipe não caiu de rendimento da maneira que se esperava quando ele se machucou. Isso pela força coletiva do elenco, que, se não tem nenhum gênio, tem bons jogadores, incluindo ótimos defensores como Tony Allen e Shane Battier.

O destaque Tim Duncan. É impossível negar que o ponto forte do Grizzlies é seu jogo na área pintada. A dupla Zach Randolph e Marc Gasol é uma das mais perigosas da NBA. Por isso, um bom desempenho de Tim Duncan será fundamental, dos dois lados da quadra. Ele deverá ficar responsável, na maior parte do tempo, por frear Gasol, que mesmo não sendo o maior pontuador da equipe, é um pivô eficiente no jogo de costas para a cesta. Se Tim Duncan estiver inspirado, irá exigir maior cuidado da dupla do Grizzlies e forçará duplas, abrindo espaço para os arremessadores brilharem.

Palpite Spurs em 6 jogos.

Robson Massaki (Koba)

A série – O time de Memphis é jovem, mas dará pouco trabalho para a experiente equipe do Texas. O banco do Spurs está muito bem servido, como em nenhum outro ano esteve.

O destaque – O destaque ficará por conta do trio Parker-Manu-Duncan, que deve jogar bem, e, claro, de jogadores que trazem aquele gás extra nos momentos de descanso dos titulares.

Palpite – Spurs em 4 jogos.

Lucas Pastore

A série – Espero uma série complicada. O Memphis Grizzlies é um adversário duro, que não aposta em destaques individuais, e sim no coletivo. A equipe, que também é da divisão sudoeste, pode muito bem acabar uma partida com seis ou sete jogadores exibindo dígitos duplos no boxscore. Para minimizar esta versatilidade, cada jogador do Spurs terá de marcar seu adversário como se estivesse encarando um Kobe Bryant ou um Dirk Nowitzki.

O destaque – Antonio McDyess. Depois que Rudy Gay se lesionou, Zach Randolph é o que o Grizzlies tem mais perto de uma estrela. O jogador não se destaca somente nos pontos, mas também nos rebotes, principalmente ofensivos. O desempenho de Dice será fundamental para limitá-lo e para não permitir que o time de Memphis tenha a segunda chance para pontuar.

Palpite – Spurs em 6 jogos.

Estatísticas – Spurs X Grizzlies – 1ª Rodada – Playoffs 2011

XMemphis Grizzlies

San Antonio Spurs (61-21)

Pontos: Tony Parker (17.5)
Rebotes: Tim Duncan (8.9)
Assistências: Tony Parker (6.6)
Bloqueios: Tim Duncan (1.9)
Roubadas: Manu Ginobili (1.5)
FG%: Tiago Splitter (52,9%)
3PT%: Matt Bonner (45,7%)
FT%: Manu Ginobili (87,1%)
Vitórias seguidas: 12. Entre 21 e 24 de novembro
Derrotas seguidas: Seis. Entre 23 de março e 01 de abril

Time titular

Memphis Grizzlies (46-36)

Pontos: Zach Randolph (20.1)
Rebotes: Zach Randolph (12.2)
Assistências: Mike Conley (6.5)
Bloqueios: Marc Gasol (1.7)
Roubadas: Tony Allen (1.8)
FG%: Marc Gasol (52,7%)
3PT%: Rudy Gay (39,6%)
FT%: Darrell Arthur 81,3%)
Vitórias seguidas: Cinco. Entre 17 de janeiro e 04 de fevereiro
Derrotas seguidas: Cinco. Entre 10 e 19 de novembro

Time Titular

Série na temporada (2-2)

18/12/2010 – Spurs 112 vs 106 Grizzlies

Tony Parker garantiu a vitória texana ao anotar incríveis 37 pontos diante de um Memphis que teve no ala-pivô Zach Randolph seu melhor jogador em quadra. Assim como será na noite deste domingo, o adversário estava sem Rudy Gay na oportunidade – o ala estava suspenso pela liga.

27/02/2011 – Spurs 95 vs 88 Grizzlies

Se desta vez Parker se contundiu e teve apenas 13 minutos de quadra, coube a Manu Ginobili o papel de destruir a defesa adversária com nada menos do que 35 pontos anotados. Pelo lado adversário, destaque novamente para Randolph, autor de 24 pontos e impressionantes 17 rebotes.

01/03/2011 – Spurs 93 @ 109 Grizzlies

Uma das piores partidas do Spurs na temporada – talvez a pior. O time jogou sem Parker e nenhum titular conseguiu sequer atingir a marca dos dez pontos. Randolph, como praxe, foi o melhor em quadra pela equipe de Memphis, desta vez com 21 pontos, dez rebotes e cinco assistências.

27/03/2011 – Spurs 104 @ 111 Grizzlies

Mais uma vez o San Antonio jogou mal em Memphis. O time texano estava sem Duncan, lesionado, e ainda viu Ginobili sair machucado no meio da partida. A equipe de San Antonio teve como grande destaque o sexto-homem George Hill, com 30 pontos.

Um pouco sobre Larry Owens

Como adiantei ontem, o San Antonio Spurs pode fechar um contrato de dez dias com o ala Larry Owens, do Tulsa 66ers. Owens está em Tulsa há duas temporadas e acumula médias de 15.0 pontos, 5.7 rebotes e 3.2 assistências em 72 partidas. O jogador, inclusive, foi peça fundamental no vice-campeonato do 66ers na última temporada da NBDL (Liga de Desenvolvimento da NBA).

Tendo em vista o provável reforço, procurei um jogo de Tulsa (o League Pass da D-League é grátis) para observar o tal de Larry Owens mais de perto. Assisti à partida do último dia 14 de dezembro, entre 66ers e Texas Legends. Na oportunidade, o camisa 23 anotou 18 pontos (7-10), pegou cinco rebotes e distribuiu cinco assistências na vitória por 130 a 116: um bom desempenho.

Apesar da boa partida, Owens tem alguns defeitos em seu jogo, sobretudo na parte defensiva. Mesmo sendo bem forte e ágil, ele me pareceu um pouco perdido na defesa e comprometeu o time em algumas jogadas. É claro que a análise feita com base num único jogo fica comprometida, mas é interessante trazer à tona o pouco que vi.

Sua principal qualidade me pareceu a versatilidade. Por ter um físico privilegiado (2m01 e quase 96 quilos), Owens pode jogar tanto de ala quanto de ala-pivô. Além disso, ele possui um arremesso de longa distância consistente e tem boa velocidade para um ala. No meu ponto de vista, Larry pode ganhar um contrato garantido se mostrar serviço na defesa. Caso contrário, creio que RC Buford irá procurar outras alternativas no mercado.

Contraponto

Contrapondo minha análise, o jornalista Rob Mahoney, do Pro Basketball Talk, acredita que, caso contratado, Owens terá um bom impacto. “Larry deverá cair bem em San Antonio, sobretudo para os arremessos da zona morta. Ele tem 37,7% de aproveitamento de três pontos em duas temporadas na D-League e expressivos 46,4% de longa distância nos últimos playoffs. Além disso, Owens é um reboteiro sólido e um bom defensor, o que faz dele um ótimo complemento para o Spurs. Certamente ele jogará pouco, mas será muito útil caso a equipe lide com problemas físicos”, avaliou Mahoney.

Estatísticas – Spurs X Suns – Semifinal de Conferência – Playoffs 2010

X

San Antonio Spurs (7º)

Líderes nos Playoffs
Pontos: Manu Ginobili (19)
Rebotes: Tim Duncan (9.5)
Assistências: Tony Parker (5.6)
Bloqueios: Tim Duncan (1)
Roubadas: Manu Ginobili (2.3)
Faltas: Antonio McDyess (3.3)
Erros de ataque: Tim Duncan (2.8)
FG%: Richard Jefferson e Antonio McDyess (54,1%)
3PT%: George Hill (50%)
FT%: Manu Ginobili (87,2%)
Minutos: Tim Duncan (37,1)

Time titular

Antonio McDyess – C
Antonio McDyess

Tim Duncan – PF
Tim Duncan

Richard Jefferson – SF
Richard Jefferson

Manu Ginobili – SG
Manu Ginobili

George Hill – PG
George Hill

Phoenix Suns (3º)

Líderes nos Playoffs
Pontos: Jason Richardson (23.5)
Rebotes: Grant Hill (8.3)
Assistências: Steve Nash (9.8)
Bloqueios: Amare Stoudamire (1.6)
Roubadas: Jason Richardson (1.2)
Faltas: Louis Amundson (3.5)
Erros de ataque: Steve Nash (4.3)
FG%: Amare Stoudemire (54,1%)
3PT%: Jason Richardson (51,2%)
FT%: Channing Frye (87,2%)
Minutos: Amare Stoudemire (34,6)

Time Titular

Jarron Collins – C
Jarron Collins

Amare Stoudemire – PF
Amare Stoudemire

Grant Hill – SF
Grant Hill

Jason Richardson – SG
Jason Richardson

Steve Nash – PG
Steve Nash

Série na temporada (1-2)

15/12/2009 – San Antonio Spurs 104 @ 116 Phoenix Suns

Na época invicto em seus domínios, o Suns fez valer o bom retrospecto em casa e passou por cima de San Antonio. O bom desempenho do trio Nash-Dragic-Stoudemire foi fundamental para a conquista.

28/02/2010 – San Antonio Spurs 113 vs. 110 Phoenix Suns

Em casa, foi a vez dos comandados de Gregg Popovich contarem com um trio insiparo. Na oportunidade, Duncan-Ginobili-Jefferson lideraram a corrida para o triunfo.

07/04/2010 – San Antonio Spurs 101 @ 112 Phoenix Suns

Em mais um exaustivo back-to-back na temporada, o San Antonio sucumbiu ao poder do Phoenix e deixou o deserto do Arizona com sua 30ª derrota na temporada, em noite inspirada da dupla Nash e Stoudemire.