Arquivo do autor:Bruno Pongas
Com ou sem Keith Bogans?


Bogans faz o que sabe de melhor: marcar!
A era Popovich foi marcada por uma ótima defesa e um ataque oportunista, que dificilmente perdia suas chances. Como todo ciclo da humanidade, no entanto, jogadores ficam velhos e por consequência passam a sentir o peso da idade. Foi o que aconteceu em muitos casos, como os de Bruce Bowen, Michael Finley e do próprio Tim Duncan.
Quando eventos como esses ocorrem, a maioria das equipes passa por uma fase de transição, que pode tanto levar poucos anos quanto ser bastante duradoura. São questões complicadas, que englobam competência e sorte. San Antonio, por exemplo, teve a competência de escolher um jogador como George Hill – que estava cotado apenas para a segunda rodada do penúltimo draft – no final do primeiro round. Num caso mais recente, o ala-pivô DeJuan Blair foi selecionado tarde, só na segunda rodada. Podemos dizer que, além da competência costumeira, San Antonio teve sorte, pois ninguém olhou para um grande potencial como Blair antes.
Falando em competência, os diretores texanos mexeram os pauzinhos como nunca nessa offseason. Nomes de peso chegaram, como o experiente Antonio McDyess e o plástico Richard Jefferson. Junto a eles, veio um outro jogador, também experiente, mas que ninguém deu nada por ele. Keith Bogans é aquele cara que passa despercebido pela maioria das equipes, já que está longe de ser uma atleta sensacional. De fato, é um ala apenas mediano, mas que, se fomos analisar bem, tem sua importância dentro de um elenco vencedor.
Gregg Popovich teve dificuldades para acertar o time nesse começo de temporada. O gladiador Bruce Bowen, que era implacável na marcação e um dos grandes símbolos dessa era vencedora, saiu, se aposentou. Com isso, parecia difícil encontrar alguém que pudesse substituí-lo a altura. Richard Jefferson era o sucessor natural de Bowen; contudo, sofreu problemas para brecar os pontuadores adversários nos primeiros jogos. Sem muitas saídas e com uma defesa que mais parecia uma peneira, Pop resolveu experimentar com Bogans.
Nem o mais otimista torcedor do Spurs poderia acreditar que Keith Bogans se encaixaria como uma luva no esquema do treinador. Se alguém apostou que ele não teria sucesso, quebrou a cara, pois em dois jogos como titular o ala mostrou que tem condições de brigar por uma vaga entre os cinco que começam. Talento? Particularmente creio que Richard Jefferson, Roger Mason e até mesmo George Hill têm mais talento do que o voluntarioso Bogans. No entanto, uma equipe vencedora precisa de atletas desse tipo, que se doem, que deem o sangue em quadra e joguem em prol do elenco, sem se preocupar com stats, sem perfumaria. Se Keith Bogans realmente provar ser um desses caras, terá vida longa no elenco de Popovich.
Duncan é dúvida contra o Mavs

O all-star e principal estrela do San Antonio Spurs, Tim Duncan, deve ficar de fora de mais um jogo. Após perder o duelo contra o Toronto Raptors para tratar de um pequeno problema no tornozelo esquerdo, o ala-pivô ainda é dúvida para a partida desta noite contra o rival Dallas Mavericks. Duncan, que tem sofrido constantes problemas físicos nos dois últimos anos, não treinou ontem a tarde, e, por isso, foi colocado como dúvida para o embate de logo mais.
Spurs (3-3) vs Raptors (3-4) – Manu Ginobili comanda o show e Spurs vence terceira
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Com 36 pontos, Manu Ginobili (dir.) foi a grande estrela da partida
Mesmo desfalcado de suas principais estrelas – Tim Duncan e Manu Ginobili, ambos com problema no tornozelo – o San Antonio Spurs mostrou toda a força de seu elenco ao bater o Toronto Raptors no AT&T Center. O jogo, que foi bastante equilibrado até meados do último período, deixou evidencias de que os texanos precisam melhorar e muito se quiserem almejar o quinto título da NBA. Como nas últimas partidas, os comandados de Gregg Popovich permitiram que Toronto pontuasse com facilidade e ficasse durante boa parte do duelo liderando no marcador. Além disso, mais uma vez chegamos perto de uma contagem centenária ainda no terceiro período – coisa que não víamos nos anos anteriores. Ao meu ver, ainda é cedo para se preocupar, já que a temporada está apenas começando e o treinador está se acostumando com os novos atletas. A tendência, claro, é melhorar com o decorrer dos jogos.

Richard Jefferson chegou perto de um triple-double
Vamos ao embate: a equipe da casa teve um início tímido, permitindo que os visitantes jogassem livres. Essa tônica durou bastante, e o primeiro tempo viu um placar liderado em sua maior parte pelos Raptors. Ao final do segundo quarto, contudo, San Antonio conseguiu empatar, deixando tudo igual na ida aos vestiários. Na volta, tudo na mesma; jogo lá e cá, disputado – vez ou outra um dos times abria cinco, seis pontos, mas logo era alcançado e tudo voltava ao equilibrio.
No último período, no entanto, brilhou uma estrela que há muito tempo andava apagada: Manu Ginobili. O argentino simplesmente esteve endiabrado! Infiltrou, acertou chutes de três pontos (seis em oito tentados) e evidentemente fez a diferença. A cada bola impressionante acertada pelo hermano a torcida ia ao delírio, e os jogadores no banco canadense ficavam incrédulos. Mais legal ainda foi ver Matt Bonner jogar como nunca, com uma raça incrível e uma pontaria bastante afiada. George Hill fez bem o papel de Tony Parker; atacou o garrafão, chamou a responsabilidade quando preciso e fez jogadas belíssimas. E o que falar de Richard Jefferson? O cara faz aquilo que todo torcedor adora e é difícil ver em San Antonio: enterradas plásticas. Ontem mais uma vez ele jogou muito e quase conseguiu um triple-double; 24 pontos, oito rebotes e sete assistências.

Hill entrou na fogueira e substituiu Parker muito bem
Aliás, o time todo está de parabéns, pois fez, de longe, seu melhor jogo na temporada até aqui. Pelo lado do Raptors, destaque para Chris Bosh e a dupla de italianos Bargnani/Belinelli. Bosh fez brincando 32 pontos, enquanto Bargnani foi certeiro na maioria de suas tentativas; 17 pontos para ele. Belinelli, por sua vez, chamou mais atenção, pois encestou bolas cruciais; 12 pontos para ele e 100% de aproveitamento da linha dos três pontos.
Embalado e com uma grande sequência de jogos em casa, os texanos recebem amanhã um de seus maiores rivais: o Dallas Mavericks. Os Raptors, por sua vez, voltam para casa e recebem o perigoso Chicago Bulls – jogo esse que também acontece nessa quarta-feira.
Confira os melhores momentos da vitória de ontem:
Destaques da Partida
San Antonio Spurs
Manu Ginobili – 36 pontos, quatro rebotes e oito assistências
Richard Jefferson – 24 pontos, oito rebotes e sete assistências
George Hill – 22 pontos e cinco assistências
Matt Bonner – 18 pontos e quatro rebotes
Antonio McDyess – Sete pontos e dez rebotes
Toronto Raptors
Chris Bosh – 32 pontos e dez rebotes
Hedo Turkoglu – 20 pontos
Andrea Bargnani – 17 pontos
José Calderon – 13 pontos e nove assistências
Marco Belinelli – 12 pontos
Duncan fora do jogo de hoje

O ala-pivô Tim Duncan se juntou a Tony Parker e é a segunda estrela da equipe a ir para o departamento médico nessa semana. Duncan está com um pequeno inchaço no tornozelo esquerdo, e por precaução foi deixado de fora do duelo de hoje contra o Toronto Raptors. Um raio-x feito no atleta não apresentou nenhum dano sério na região inchada. Spurs e Raptors estão se enfrentando neste exato momento, e com pouco menos de dois minutos para o término do primeiro período, San Antonio vence por 27 a 26. Quem começou de titular no lugar de TD foi o também experiente Theo Ratliff.
San Antonio confia em George Hill


Hill ouve Duncan no banco de reservas. Armador é promessa pro futuro
Popovich sempre depositou muitas fichas no armador George Hill, que fez sua estreia na NBA na temporada passada. Desde que viu o atleta pela primeira vez, Pop sempre demonstrou confiaça em seu jogo. Para o treinador, Hill tem tudo para se tornar um titular no futuro: “Penso que ele tem habilidade para começar jogando, sem dúvidas”, elogiou o técnico. “Só o tempo dirá o quanto ele assimilou do jogo; ele tem capacidade para liderar a equipe em quadra, mas vamos dar tempo a ele e ver o que acontece”, completou.

Popovich aconselha o jogador. Hill conta com apoio do elenco e do treinador
Com a contusão de Tony Parker, Hill terá mais uma oportunidade de provar seu valor como titular. O mesmo aconteceu no ano passado, quando Parker se lesionou logo no início da temporada e ficou alguns jogos de fora – dando assim oportunidade para o então novato. Na época, o camisa três foi titular durante seis jogos consecutivos, mas agora crê que está mais bem preparado do que antes: “Ano passado foi quase a mesma coisa; Tony saiu e eu tive minha chance”, disse George Hill.
Além da confiança do treinador, o ex-jogador da Universidade de Indiana conta com o apoio de seus companheiros. “Nós acreditamos nele!”, disse o ala Richard Jefferson. “Todos sabem que trata-se de um armador muito capaz. É claro que vamos sentir falta do Tony (Parker) e das coisas que ele traz para o jogo. Mas quando olhamos para o banco, temos que nos sentir confiantes, pois sabemos que mesmo sem uma ou outra peça podemos ser competitivos”, encerrou.
Hill sabe o quão importante é ser apoiado pelos seus colegas. Agora, mais experiente, ele se sente mais preparado do que no ano passado – quando teve que assumir a titularidade recém-chegado do draft: “Estou muito mais experiente e disciplinado do que eu era na última temporada”, pontuou. O San Antonio Spurs recebe hoje o Toronto Raptors, e o torcedor menos ligado tem a chance de acompanhar uma das principais promessas da equipe para o futuro.


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