Arquivo do autor:Leonardo Sacco

Acabou o reinado no Texas?

Não é de hoje que especialistas e torcedores do San Antonio Spurs pregam uma urgente renovação na equipe. Com a manutenção da base vitoriosa composta, principalmente, por Tim Duncan, Manu Ginobili e Tony Parker, além da aquisição de bons jovens valores, o Spurs obteria um time que colocaria a equipe – ainda mais – como credenciadíssima ao título. Na atual abertura de mercado da NBA, nada de a franquia se mexer. Darius Miles foi cogitado e acabou no Celtics. Corey Maggette foi citado, mas escolheu o Warriors. A bola da vez é Stephon Marbury, mas este deve acabar longe de San Antonio.

Obviamente, nenhum dos citados jogadores é um promessa ou algo do tipo, mas seriam interessantes demais para uma significativa melhora na rotação do time. Miles e seu problema crônico no joelho receberam, após aposentadoria declarada e descartada aos 26 anos, uma chance dos atuais campeões da NBA. Se o jogador estiver com 100% de sua forma física, é um baita reforço para qualquer time. Maggette, dos citados reforços, é o que mais me agrada. Ala pontuador, traria alegria ao modo de jogar do time, fator que considero essencial. Por fim, Marbury e seu problema crônico no cérebro poderiam ser interessantes para uma equipe que tem Jacque Vaughn (agora Salim Stoudamire) na reserva imediata.

Enquanto isso, no mesmo Texas que abriga o Spurs, uma potência começa a tomar aparência. Trata-se do Houston Rockets, rival local do Spurs e que tem se reforçado muito (e bem) para próxima temporada. Tudo começou com o rival de San Antonio cedendo um grande jogador por um saco de batatas e algum dinheiro. Luis Scola, companheiro de Manu na seleção argentina, se firmou como um dos melhores novatos da última temporada e fez doer o coração daqueles que imaginaram um time (máquina?) formado por: Parker-Manu-Bowen-Scola-Duncan. Já nessa abertura de mercado, os Rockets trouxeram nada menos do que Ron Artest, polêmico ala que fez fama no Sacramento Kings, e que quando está com a cabeça no lugar é, de longe, um dos melhores defensores da NBA.

A chegada de Artest só fortalece ainda mais um grupo que já conta com o excepcional Tracy McGrady, que pode nunca ter passado da primeira rodada da pós-temporada, mas é um jogador de qualidade soberba. O pivô Yao Ming, astro da China, ainda completa este time, que promete vir com tudo para a obtenção de seu terceiro anel de campeão. E, se nada der errado, o Rockets tem time para fazer bonito na próxima temporada.

Se nos últimos dez anos – desde a formação da dupla Duncan-Robinson – o Spurs dominou o Texas, obtendo quatro títulos de campeão do Oeste (contra nenhum do Rockets e um do Dallas Mavericks, outro rival texano) e outros quatro da NBA (contra nenhum de ambos os rivais), o time de Houston pode tirar o de San Antonio da reta e se tornar o ‘mandante’ do Texas. A situação contrastante colocada a partir da formação de um grande time pelo Rockets e envelhecimento de um grande time pelo Spurs deve preocupar os torcedores do último, que vêem sua hegemonia ameaçada realmente pela primeira vez – o Mavericks nunca montou time como o montado pelo Houston agora, por isso considero a primeira ameaça.

Enfim, se o San Antonio Spurs não abrir seus olhos e reforçar o time com mais qualidades, podemos ter a surpresa de outra força emanando do Texas, desta vez vestindo vermelho e branco. Esperar o brilho de Tiago Splitter e a consolidação de Ian Mahinmi não é a solução, certo Popovich?

A fatídica relação ‘Clube-Seleção’

A última semana foi marcada por um evento que tomou, em poucos minutos, proporções mundiais. A falência de um dos maiores bancos dos Estados Unidos e a ‘quase falência’ da AIG, maior companhia de seguro do mundo, que tem como sede o já citado país, praticamente estagnaram o mundo dos negócios ao longo dos cinco continentes. No epicentro do caos (EUA, claro), os estragos demandaram investimentos monstruosos por parte do Estado local, cifras que atingiram as centenas de bilhões de dólares despejadas em alguns minutos sobre investidores sedentos por altas de bolsas e volta da estabilidade no mercado de ações mundial.

Podem vocês, leitores do Spurs Brasil, achar que nada do que aqui foi dito até o momento tem relação com a franquia do Texas para qual a grande maioria dos leitores deste blog é fã. Ledo engano. O San Antonio Spurs pode ser uma das franquias que mais tem chances de sofrer com a crise pela qual os EUA estão passando. Por quê? Simples: a AIG, citada acima como uma das companhias que quase quebrou – salva pelo governo como os indiozinhos da música ‘quase, quase virou…mas não virou!’ – é nada mais nada menos do que a seguradora de Tony Parker enquanto o francês defende sua pátria no classificatório para o Eurobasket, torneio continental de seleções.

Ou seja, caso o jogador se lesione defendendo a França, o Spurs não terá para quem pedir indenização! Isso mesmo, leitor. Como pedir dinheiro para um fundo que está falido? Pois o Spurs é o time que pode perder mais com essa crise, afinal Parker é simplesmente um dos três melhores jogadores que a franquia tem à sua disposição.

Tal situação abre um velho e cansativo debate: até que ponto a relação entre atletas e seus times pode ser quebrada devido a convocações nacionais? A França, nesse caso, não despejou um centavo para ter Parker, não investiu em seu crescimento como jogador e apenas o usa algumas vezes por ano. Já o Spurs paga salários, médicos e tudo que há de melhor para que o armador desenvolva seu melhor jogo. É justo uma equipe arcar com danos que seus atletas sofrem longe de seus cuidados? Pois bem, essa é, com certeza, uma das maiores discussões de todos os esportes, não só do basquete. Minha opinião: o seguro é obrigatório, e em caso de não ressarcimento por danos causados, o jogador nunca mais volta a ser convocado. E ponto final.

Seguradora de Parker pode prejudicar Spurs

A AIG é uma das maiores seguradoras do mundo, com sede nos Estados Unidos, país que nos últimos dias vem passando por graves instabilidades financeiras. Devido a essas instabilidades, a citada companhia de seguro quase declarou sua falência na última terça-feira, não tomando tal atitude graças a uma intervenção do governo local, que comprou cerca de 80% das ações da empresa, que continuou ‘viva’. Até aí, nada de especial para o Spurs, não fosse o fato de um dos principais jogadores do time, o armador francês Tony Parker, estar com seu seguro para lesões vinculado à seguradora AIG.

Mesmo que a falência não tenha sido decretada, a AIG passa por grave crise financeira e não se sabe ao certo como os pagamentos aos segurados serão feitos. Registrado pela Federação Francesa de Basquete na AIG européia, Parker renderia algum dinheiro para o Spurs em caso de lesão sofrida no qualificatório para o Eurobasket, do qual o jogador participa atualmente. Como não se sabe de onde a AIG tiraria dinheiro em caso de ter que pagar tais valores – que nos seguros de jogadores da NBA costumam ser altíssimos – os torcedores da franquia de San Antonio já esboçam alguma preocupação, assim como os dirigentes locais.

Principal destaque do selecionado francês, Parker tem conduzido sua seleção em uma campanha surpreendente, uma vez que a França era uma das favoritas à vaga e atualmente já é candidata a ficar de fora do Eurobasket a ser disputado no verão europeu de 2009, na Polônia. Caso haja uma eventual lesão, as chances de o San Antonio Spurs ter que arcar sozinho com os valores do tratamento são grandes, fato que pode desencadear nova disputa entre times da NBA e seleções.

Uma receita para o penta

 A temporada 2008/2009 da NBA está a cada dia mais próxima, faltando hoje pouco menos de um mês e meio para o início dos embates da temporada regular, época em que são decididos os dezesseis clubes classificados para a pós-temporada, na qual a briga realmente pega fogo, e, como definiu Michael Jordan, meninos e homens são devidamente separados.

Dividindo o caminho passo a passo e colocando como objeto de análise o San Antonio Spurs, dou alguns palpites para que o elenco do time texano obtenha êxito na disputa da próxima temporada.

1) A rotação

Manu Ginobili será ou não será o sexto homem da NBA? Pouco importa. O que importa é que a equipe saiba jogar sem ele, uma vez que o argentino tem sofrido com algumas contusões desde meados de 2007, fator que prejudicou o time nos playoffs e, em alguns momentos, na própria temporada regular. Quanto menos o ala-armador jogar na regular, melhor. Que comece no banco de reservas e entre em quadra para colocar fogo na partida. Com a conferência Oeste cada vez mais disputada, acho que o Spurs não se dará ao luxo de poupar Ginobili de jogos inteiros, mas sua entrada como reserva pode, gradativamente, deixá-lo 100%.

2) O parceiro de Duncan

Ian Mahinmi? Fabrício Oberto? Kurt Thomas? Os parceiros de Duncan mudarão com certeza ao longo da temporada, e, na minha opinião, Oberto deverá iniciar a temporada como titular. Não por sua qualidade técnica, mas pelo fato de Gregg Popovich parecer confiar mais nele. A adaptação do francês Mahinmi será importantíssima para as temporadas futuras e também para a disputa de 2008/2009, uma vez que com um bom parceiro ao seu lado, Duncan já provou ser capaz de decidir um campeonato. Meu preferido, pelo que vi jogar desses três, é o francês, mas sei que Pop não optará pelo mesmo, pelo menos no começo. Thomas está velho, mas ainda pega seus rebotes; é peça importante na renovação. E, falando em renovação, acho importante também a manutenção do veterano Robert Horry, porque mesmo que ele pouco atue na regular, sabemos de sua importância na pós-temporada.

3) A campanha em casa 

Falar é fácil, eu sei, mas o Spurs tem que se garantir em casa. Dos 41 jogos que serão disputados no AT&T Center, pelo menos 30 devem ser vencidos pela equipe, porque essa é a campanha que se espera de uma equipe focada no título. Quando receber adversários mais fracos, a pressão da torcida pode sim decidir o jogo. Mas quando recebermos times mais fortes, Pop terá que colocar o time na pressão, para que junto com a força da torcida possamos encurralar adversários fortes.

4) Pré-temporada

Perder ou ganhar um jogo da pré-temporada não fará diferença nenhuma na temporada em si. Mas vale lembrar que o período de treinos antes da regular começar é válido para condicionar jogadores – Ginobili se recuperando de lesão, principalmente – e entrosar o time. Popovich é ótimo técnico, mas parece estar satisfeito demais com a forma que seu time joga. Os chamados treinamentos de campo são ideais para que Pop possa treinar novas jogadas e assim surpreender um pouco os adversários – e nós mesmos, torcedores do Spurs.

5) Conclusão

Não farei um palpite sobre quem será o campeão da próxima época da NBA. Coloco sim o Spurs entre os favoritos, mas não com tanta convicção quanto antes. Algumas equipes se mexeram e formaram ótimos elencos, casos de Sixers, Blazers e Heat, fator que pode complicar a disputa que já foi acirrada na última temporada. O Spurs pouco fez e confia em um elenco veterano e até certo ponto já manjado pelos adversários. Resta saber se Gregg Popovich e sua comissão terão alguma carta da manga para surpreender e, quem sabe, abocanhar o penta.

Um exemplo de vida

 

A mídia faz poucas referências. As pessoas poucos sabem sobre. A badalação passa longe, bem longe. As delegações nacionais são pequenas. O investimento é infinitamente menor. Mas nem assim as Paraolimpíadas deixam de ser exemplo para qualquer ser humano que vagueie pela Terra. Iniciados em Pequim após o término dos badalados Jogos Olímpicos, os Jogos Paraolímpicos começaram e são escassas as informações sobre ele.

 

Alguns periódicos brasileiros dedicam uma nota, um texto ou, no máximo, uma página para o evento, no qual o Brasil é sempre bem representado e, no geral, acaba sempre se saindo melhor do que na Olimpíada em si. Acaba se saindo melhor porque ganha mais medalhas, mas mesmo que não ganhasse nenhuma honraria, seria mais honrado do que qualquer coisa. Todos os tipos de deficiência, desde cegos até amputados, passando por deficientes de nascença até pessoas que ficaram deficientes ao longo de suas vidas estão presentes nas Paraolimpíadas, que mostram para o mundo o que há de melhor no espírito olímpico.

 

Nessa disputa a palavra “limite” é colocada de lado, com recordes e mais recordes sendo quebrados. Pessoas para quem a sociedade costuma olhar torto sobem no lugar mais alto do pódio como prova de que o limite está em nossas cabeças. Ou você acha que ao ver uma pessoa sem as duas pernas nadar e quebrar uma marca de tempo ainda podemos falar de uma deficiência como limite ou problema?

 

É claro que ninguém que ali está desejou ser portador de deficiência. Não faço aqui uma exaltação à deficiência, claro que não. Exalto a perseverança, a força de vontade, a determinação destes atletas, que levam o espírito olímpico ao seu auge durante essa disputa. Uma pena que nenhuma – ou quase nenhuma – atenção seja desferida a tão nobre evento.

 

Basquete? Fica para a semana que vem…