Arquivo mensal: março 2012
Spurs (26-13) vs Clippers (23-15) – Chris Paul destruiu

103×120
Desde 2002, o Los Angeles Clippers não vencia em San Antonio. Bons tempos em que tínhamos Bruce Bowen e os placares não passavam de de 70 pontos. Na partida de sexta-feira (9), Chris Paul e Mo Williams, juntos, anotaram 69 tentos e comandaram a vitória dos angelinos por 120 a 103. Os armadores tiraram as chances dos comandados de Gregg Popovich, que não contaram com Tony Parker – poupado com fortes dores na coxa.

(D. Clarke Evans/NBAE via Getty Images)
Cuidado com o ataque aéreo
A falta de rebotes prejudicou o Spurs: foram apenas dois defensivos para Tim Duncan e um singular para DeJuan Blair, sendo a mesma quantia no ataque. E para assustar ainda mais, Bonner agarrou seis ressaltos na defesa. O fim do mundo está próximo mesmo.

(Dan Lippitt/NBAE via Getty Images)
Chuva de três pontos
Foram 14 bolas do perímetro convertidas em 27 tentativas por parte dos visitantes. Mo Williams, Chris Paul e Randy Foye contribuiram com 13 delas.
Final traumático
Pelo resumo, o jogo parece ter sido péssimo para o Spurs, mas os texanos suaram a camisa até o final. O embate chegou a ficar empatado em 96 pontos, mas Mo Williams, inspirado, fez a diferença à favor dos angelinos.
Próxima parada
O Clippers retorna para casa e recebe o Golden State Warriors no domingo, enquanto os texanos descansam o final de semana para enfrentar o Washington Wizards na segunda (12). O San Antonio continua em segundo lugar na conferência Oeste, atrás apenas do Oklahoma City Thunder.
Destaques da partida
San Antonio Spurs
Manu Ginóbili – 22 pontos (4-6 3 PT) e seis assistências
Gary Neal – 18 pontos e cinco assistências
Los Angeles Clippers
Chris Paul – 36 pontos, 11 assistências e quatro roubos de bola
Mo Williams – 33 pontos (7-9 3 PT)
Blake Griffin – 15 pontos e nove rebotes
Randy Foye – 15 pontos (3-7 3 PT)
Decadente?

Às vezes nos acomodamos repetindo clichês que se espalham pela mídia especializada e pelos torcedores da NBA: LeBron James é amarelão, Kobe Bryant é fominha e Tim Duncan é decadente. Mas até que ponto essas afirmações são verdadeiras? Por isso, resolvi usar esse espaço hoje para discutirmos a atual forma do lendário camisa #21 da franquia texana. Quanto The Big Fundamental ainda consegue contribuir com o San Antonio Spurs?

The Big Fundamental ainda é fundamental?
Qualquer um que acompanhe o time texano há algum tempo percebe que Duncan não tem mais a mesma forma de antigamente. Claramente limitado por seu joelho, o ala-pivô não consegue mais ser tão dominante quanto em seus primeiros anos na liga. Porém, tão clara quanto sua queda física é a sua importância para a equipe. O camisa #21 ainda é, indiscutivelmente, o jogador de garrafão mais confiável do elenco.
Para que Duncan consiga manter-se em alto nível, Gregg Popovich achou uma solução interessante: tem deixado o ala-pivô cada vez menos tempo em quadra para que ele consiga concentrar melhor sua energia. Claro que, com isso, suas médias caem. Por isso, decidi analisar os números de uma outra maneira: ver quantos pontos, rebotes e tocos The Big Fundamental consegue por minuto e comparar essas estatísticas às do resto de sua carreira. Vejam só o que eu levantei:
|
|
Pontos por minuto |
Rebotes por minuto |
Tocos por minuto |
|
1997/1998 |
0,54 |
0,30 |
0,06 |
|
1998/1999 |
0,55 |
0,29 |
0,06 |
|
1999/2000 |
0,60 |
0,32 |
0,06 |
|
2000/2001 |
0,57 |
0,32 |
0,06 |
|
2001/2002 |
0,63 |
0,31 |
0,06 |
|
2002/2003 |
0,59 |
0,33 |
0,07 |
|
2003/2004 |
0,61 |
0,34 |
0,07 |
|
2004/2005 |
0,61 |
0,33 |
0,08 |
|
2005/2006 |
0,53 |
0,32 |
0,06 |
|
2006/2007 |
0,59 |
0,31 |
0,07 |
|
2007/2008 |
0,57 |
0,33 |
0,06 |
|
2008/2009 |
0,57 |
0,32 |
0,05 |
|
2009/2010 |
0,57 |
0,32 |
0,05 |
|
2010/2011 |
0,47 |
0,31 |
0,07 |
|
2011/2012* |
0,51 |
0,31 |
0,05 |
Por meio dessa tabela, é possível perceber que Duncan não tem o mesmo impacto ofensivo de dez anos atrás. A média de 0,51 pontos por minuto é a segunda pior de sua carreira, atrás apenas do último campeonato, quando Pop já havia limitado bastante seu tempo de quadra. Pouco para um jogador que, em quatro temporadas, chegou à casa de 0,6 pontos por minuto – uma produção invejável.
Mas, ao contrário do que se possa imaginar, a forma física avariada de Duncan não tem atrapalhado tanto assim seu desempenho nos rebotes e nos tocos. Por isso, é possível dizer que, em termos defensivos, o astro do Spurs ainda conserva um belo desempenho.
Depois de alcançar o auge na produção de rebotes por minuto na temporada 2003/2004, esse número caiu um pouco, mas tem se mantido relativamente constante desde o último título do Spurs, conquistado em 2007. Provavelmente, o ala-pivô tem conseguido suprir a limitação nos joelhos com sua experiência, principalmente para se posicionar melhor e conseguir os rebotes mais fáceis das partidas.
O mesmo pode ser dito dos tocos, fundamento em que Duncan apresenta a maior regularidade desde o início de sua carreira. É verdade que a média de 0,05 por minuto, alcançada nesta temporada, é a mais baixa de sua carreira. Mas não fica muito longe dos 0,08 bloqueios por minuto que ele conseguiu em 2004/2005, seu melhor campeonato no fundamento. De novo, é possível perceber que o astro usa a experiência para compensar a falta de explosão – o ala-pivô sabe a hora certa de ir para o toco sem fazer falta.
É fácil olhar para os números de Duncan hoje – 14,3 pontos, 8,6 rebotes e 1,4 tocos por partida – e dizer que ele é decadente. Mas, às vezes, nos esquecemos de que o astro fica em quadra somente 28,4 minutos por noite. Se mantivesse sua produção média deste campeonato mas atuasse, por exemplo, em 40 minutos por partida, The Big Fundamental apresentaria 20,4 pontos, 12,4 rebotes e dois tocos por noite. Nada mal, certo?
Claro que isso seria impossível – como disse no começo desta coluna, hoje em dia é impensável para Duncan jogar tanto tempo, principalmente por conta de seu joelho. Mas o objetivo deste texto é mostrar que, quando está em quadra, o ala-pivô continua quase tão eficiente quanto em qualquer outro ano de sua carreira. Ele ainda tem lenha para queimar.
* As estatísticas dessa temporada não levam em conta o duelo contra o Clippers. No momento da conclusão dessa coluna, os números ainda não haviam sido atualizados na página oficial da NBA.
Spurs (26-12) vs Clippers (22-15) – Temporada Regular
San Antonio Spurs (26-12) vs Clippers (22-15) – Temporada Regular
Data: 09/03/2012
Hora: 22h30 (Horário de Brasília)
Local: AT&T Center
Na TV: ESPN
O San Antonio Spurs faz nesta sexta-feira seu terceiro jogo contra o Los Angeles Clippers na temporada regular. Nas partidas anteriores, a franquia texana foi superior e conseguiu sair de quadra vitoriosa. Os comandados de Gregg Popovich devem ter um reforço logo mais: o armador Cory Joseph foi chamado da D-League e ficará no banco de reservas. Esse é um sinal de que T.J. Ford, que levou uma pancada nas costas contra o New York Knicks, poderá ficar de fora.
Confrontos na Temporada (2-0)
28/12/2011 – San Antonio Spurs 115 vs 90 Los Angeles Clippers
No segundo jogo da temporada, o San Antonio Spurs passou fácil por Blake Griffin e companhia. Com 24 pontos, Manu Ginobili foi o cestinha do time texano na oportunidade.
17/02/2012 – San Antonio Spurs 103 @ 100 Los Angeles Clippers
Em partida 100% eletrizante, o San Antonio Spurs contou com 30 pontos de Tony Parker e 17 de Gary Neal para sair do Staples Center com um grande triunfo.
PG – Tony Parker
SG – Danny Green
SF – Richard Jefferson
PF – DeJuan Blair
C – Tim Duncan
Fique de Olho – Richard Jefferson precisa jogar melhor do que está jogando nas últimas partidas. O camisa 24 tem seu arsenal cada vez mais limitado a bolas de três pontos da zona morta – o que é muito pouco para um atleta caro como ele.
PG – Chris Paul
SG – Randy Foye
SF – Caron Butler
PF – Blake Griffin
C – DeAndre Jordan
Fique de Olho – Randy Foye ganhou mais destaque desde que o veterano Chauncey Billups se machucou. Na temporada, o ala-armador tem médias de 9,0 pontos e 2,3 assistências por noite.
Rapidinhas: Spurs passará ileso pela trade deadline e Da’Sean Butler quase pronto para voltar à NBA
Faltam apenas sete dias para a trade deadline e o San Antonio Spurs deverá sair desse período sem grandes mudanças – como já é de costume. O único que aparece no radar de trocas é James Anderson, mas o ala tem jogado muito mal e dificilmente verá alguma equipe interessada em seus serviços.
Na quarta-feira antes da partida contra o New York Knicks, Gregg Popovich foi questionado pelos jornalistas, falou sobre o tema e confirmou o que já era esperado por todos. “Raramente nós fazemos alguma coisa”, disse o treinador, em referência ao término do período de trocas. “Nós meio que hibernamos durante a trade deadline“, completou.
Segundo Popovich, o San Antonio Spurs só entrará no mercado se tiver alguma proposta muito vantajosa. “Qualquer troca será feita se ela tiver algum sentido e se ajudar nosso time a ser melhor nos playoffs e no futuro”, pontuou.
E mais…
Da’Sean Butler pretende voltar para a NBA
O ala Da’Sean Butler tinha tudo para fazer sucesso na NBA, mas um grave problema no joelho minou a carreira do ex-astro da Universidade de West Virginia na principal liga de basquete do planeta. Recrutado pelo Miami Heat e com passagem pelo San Antonio Spurs, o ala nunca conseguiu se firmar e decidiu tentar a sorte no exterior durante o locaute.
De volta aos Estados Unidos, o ala ganhou uma nova chance. Da’Sean Butler foi contratado recentemente pelo Austin Toros, franquia filiada ao Spurs na D-League (Liga de Desenvolvimento da NBA), e está indo muito bem. “O joelho está bom”, analisou Brad Jones, técnico do Austin Toros. “O que mais tem me empolgado é o arremesso dele. Seu chute é bem melhor do que eu imaginava”, completou o treinador.
Com médias de 10,8 pontos, 5,2 rebotes e duas assistências em pouco mais de 29 minutos por noite, Butler está caminhando, ainda que lentamente, para o esperado retorno à NBA – muito provavelmente para o nosso Spurs.
A morte do armador

Kidd e Parker: armadores com diferentes papéis
Respeitável público,
No manual do basquete, a primeira função dada ao armador principal é a de organizar o jogo e distribuir a bola. Este é o que podemos chamar de “armador clássico”, aquele que é responsável por fazer os seus companheiros jogarem. Na NBA de hoje, o melhor exemplo para vestir esta camiseta ainda é Jason Kidd. O veterano do Dallas Mavericks tem uma visão de jogo quase perfeita e cria as jogadas sempre com a primeira intenção de buscar um companheiro melhor posicionado para arremessar.
A preferência por um armador clássico ou um pontuador já me fez presenciar discussões acaloradas e o assunto se faz pertinente, pois tanto o jogador sensação quanto o atual MVP da Liga buscam a cesta a todo momento. O jovem Jeremy Lin, do New York Knicks, tornou-se o queridinho da NBA após uma memorável atuação contra o Los Angeles Lakers, quando, com seus 38 pontos, superou o astro adversário Kobe Bryant e levou sua equipe a uma grande vitória. Para alegria dos que gostam de bola na cesta, Lin tem médias de quase 15 pontos por partida em seu primeiro ano, enquanto distribui seis assistências por noite. Voltaremos a ele daqui a pouco. Derrick Rose, do Chicago Bulls, é outro que também dá de ombros para os passes. O melhor jogador da temporada passada anota 23 pontos e oito assistências por jogo. As estatísticas não chegam a ser um desastre, mas se tornam alarmantes quando vemos que dois jovens armadores de futuros possivelmente brilhantes pensam primeiro em marcar pontos e depois em assistir.
No San Antonio Spurs, Tony Parker nunca foi unanimidade muito em razão de sua avidez pela cesta. Para se ter uma ideia, depois de 11 temporadas na Liga, o francês vem tendo suas melhores médias em assistências agora em 2012, com não muito festejáveis oito passes por noite. Na vitória de ontem sobre o Knicks por 118 a 105, Parker foi o cestinha da noite com 32 pontos, enquanto Lin marcou 20, ficando atrás apenas de Carmelo Anthony, que garantiu 27 pontos para o Knicks. Juntos, os armadores combinaram apenas 10 assistências, sendo seis delas de Parker. Neste ano, mais precisamente no dia 23 de janeiro, Parker alcançou seu recorde de assistências em um jogo ao distribuir 17 passes contra o New Orleans Hornets.
Este “problema” muito mais me parece de mentalidade do que de falta de qualidade. Obviamente que visão de jogo não é algo que se aprenda, ninguém se tornará um Jason Kidd ou um Steve Nash à base de treinamento, embora possa desenvolver este quesito. Me parece mental, pois o ideário do armador-pontuador é algo que parece estar sendo gestado desde a base, sejam nos colégios e universidades norte-americanos ou nas escolinhas e afins por todo canto do mundo. Os que gostam do armador que organiza ainda devem prestar um pouco de atenção em Chris Paul e Deron Williams, embora este último, ao que parece, tenha assumido de vez a condição de cestinha no time do New Jersey Nets. O MVP de Rose e o imediatismo de Lin podem significar para muitos garotos o segredo do sucesso e em contrapartida a morte do armador clássico. Como vaticinou um certo treinador de futebol brasileiro que chegaria um dia onde o esporte bretão não teria mais atacantes, podemos estar próximos do basquete sem armadores. Espero que não.







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