Arquivo mensal: fevereiro 2012
Solucionando o problema
As queixas relacionadas à ala do San Antonio Spurs eram pauta antiga de boa parte da torcida. Mais precisamente, as reclamações vêm desde que o antigo titular absoluto, Bruce Bowen, começou a cair de rendimento, após o título conquistado em 2007. Quase cinco anos depois, a posição 3 do time texano parece enxergar uma luz no fim do túnel, que cada vez aumenta e brilha mais forte.

O presente e o futuro, lado a lado
Em 2009, Bowen foi envolvido em uma troca – e logo depois encerrou sua carreira – que trouxe Richard Jefferson para o Texas. Parecia que tudo estava resolvido, já que o novo ala do Spurs vinha de ótimas temporadas com o New Jersey Nets e o Milwaukee Bucks. Mas não foi bem o que aconteceu. Jefferson não conseguiu repetir o mesmo desempenho e despertou a ira de muitos torcedores.
Não que ele tenha ido tão mal assim. Em sua primeira temporada com a camisa prata e preto, ele registrou médias de 12,4 pontos e 4,4 rebotes. Mas a queda de rendimento nos playoffs e a derrota para o Phoenix Suns, antigo freguês, por 4 a 0 nas semifinais do Oeste fizeram com que a torcida elegesse Jefferson como culpado.
Desde então, o camisa 24 andava às voltas com boatos de troca, mas contou com a confiança da diretoria texana e recebeu uma extensão contratual. Depois, superou rumores de que seria anistiado pela equipe, o que acabou não se concretizando. Hoje, as críticas a Jefferson aparecem em tom mais ameno. Talvez porque, após duas temporadas sem tanto brilho, não se espere mais tanto assim dele.
Mas outra razão para as críticas terem diminuído é que hoje o Spurs conta com outras duas ótimas opções para a posição de SF e, com isso, a responsabilidade de Jefferson diminuiu. Tanto que sua média de pontos (10,4) e rebotes (3,4) na atual temporada são as menores desde que chegou a San Antonio, mas não se fala muito nisso. Com Danny Green e o novato Kawhi Leonard tendo atuações consistentes e conquistando a confiança de Gregg Popovich, Jefferson pode jogar com muito menos peso em suas costas.
Sem muito alarde, a direção texana conseguiu resolver o problema na posição 3, que hoje conta com três bons jogadores como opções. Durante a offseason, os rumores de que o Spurs estava atrás de um ala foram frequentes. Caron Butler, Tayshaun Prince, Grant Hill, Shane Battier e até Josh Howard foram sondados segundo a imprensa americana. Nenhum deles chegou, a temporada começou e com ela as boas surpresas de Green e Leonard.
Green tem 24 anos, está em sua terceira temporada na NBA, mas só agora começa a mostrar seu potencial. Nos dois anos anteriores, passou quase despercebido por Cleveland Cavaliers e pelo próprio San Antonio Spurs. Iniciou a temporada 2011/2012 apenas como parte do garbage team – aqueles que entram nos minutos finais quando tudo já está decidido -, mas com um bom trabalho defensivo e sendo consistente no ataque (7,8 pontos por jogo), já registra médias de 21,4 minutos jogados por partida. Se contabilizarmos apenas os últimos dez jogos, esse número sobre para 26,2.
Leonard é ainda mais jovem. Com apenas 20 anos, faz sua primeira temporada na NBA e chegou a San Antonio sob alguns olhares desconfiados. A dúvida era se realmente teria valido a pena se desfazer de George Hill em troca da escolha de Draft que o trouxe ao Texas. Se na hora muitos ficaram sem entender tal troca, hoje Leonard deve, pelo menos, dar um alento aos corações texanos que ficaram partidos com a saída de Hill.
Sabemos que Popovich não é um grande fã de novatos, que costumam ter que trabalhar duro para mostrar ao treinador que merecem mais chances e mais tempo de quadra. Mas Leonard parece, de cara, ter ganho a confiança do chefe. Com a lesão de Manu Ginobili, ele deixou Gary Neal para trás na corrida pela titularidade, muito em função de sua defesa contra os alas rivais. Hoje, ele acumula uma média de 23,6 minutos em quadra e 7,2 pontos por partida.
Além disso, com sua enorme envergadura, contribui com 5,0 rebotes e 1,1 roubos, desperdiçando apenas 0,6 bolas por jogo. Nada mal.
Com Jefferson, Green e Leonard, o Spurs está bem servido de alas para as próximas temporadas. Com um problema a menos para resolver, a direção texana poderá voltar suas atenções a outro setor que vem passando problemas nos últimos anos: o garrafão. Mas isso é assunto para um outro dia…
Parker se coloca entre os maiores da história do Spurs
Melhor do que bater um recorde é bater um recorde em grande estilo. Foi isso que aconteceu com Tony Parker na noite de sábado (4) contra o Oklahoma City Thunder. Além de marcar 42 pontos e liderar sua equipe diante do time de melhor campanha na temporada, o francês distribuiu nove assistências, ultrapassou Avery Johnson e agora é o maior passador da história do San Antonio Spurs.
“É uma grande honra para mim”, disse o camisa 9, sobre o novo recorde. “Quando cheguei aqui (em San Antonio), sempre ouvia sobre o que Avery Johnson significava para a cidade, para a comunidade local e para o Spurs. Me sinto honrado e feliz por, ao lado dele, ser um dos melhores armadores da história dessa franquia, e devo grande parte disso ao Pop”, completou Parker, em referência ao técnico Gregg Popovich.
“Ele (Popovich) foi o cara que me ensinou a ser um bom armador e entender quando é a hora de passar e quando é o momento de arremessar. É engraçado, porque quando cheguei aqui esta noite sabia que faltavam sete assistências para bater o recorde e logo pensei em entrar e quadra e começar a passar a bola, mas Pop veio até mim antes do jogo e me disse para chutar 25 ou 30 vezes, pois só assim venceríamos o duelo”, pontuou o francês.
Sempre com cara de poucos amigos, Gregg Popovich até esboçou um sorriso ao falar de seu pupilo após o embate. “Ele se tornou o maior passador de nossa história. Estou realmente feliz por isso”, afirmou o treinador. “Tony sabia que tinha de jogar bem e marcar pontos contra esses caras. Ele entrou em quadra com isso na cabeça, foi agressivo durante toda a noite e fez uma grande partida”, finalizou.
TP também foi bastante elogiado pelo amigo Tim Duncan, com quem dividiu as glórias ao longo de todos esses anos em San Antonio. “Inacreditável, ele foi ótimo”, disse Timmy sobre a performance do companheiro. “Ele nos carregou do início ao fim”, completou.
Prestes a completar 30 anos, Parker tem uma única certeza. Mesmo com uma longa estrada a percorrer na NBA, ele sabe que um dia verá seu nome eternizado no teto do AT&T Center ao lado dos ex-companheiros Bruce Bowen, Tim Duncan e Manu Ginobili. Que assim seja!
Eis o momento que ficará na história!
Spurs (16-9) vs Thunder (18-5) – Parker faz história!
107X96
O San Antonio Spurs fez sua última partida dentro de casa antes da Rodeo Road Trip neste sábado (4). A despedida temporária do AT&T Center foi em grande estilo – vitória importante sobre o Oklahoma City Thunder (time de melhor campanha da NBA) por 107 a 96. Vamos aos destaques da noite.
A história sendo escrita
Tony Parker foi apenas o quinto jogador nesta temporada a ultrapassar a marca dos 40 pontos. Contra o Thunder, o francês anotou 42 tentos e se juntou a Kobe Bryant, Dwight Howard, LeBron James e Anthony Morrow. Além desse recorde, o camisa 9 se tornou o maior passador da história do San Antonio Spurs, deixando para traz Avery Johnson. Com as nove assistências anotadas na partida deste sábado, Parker chegou a 4477. Johnson ficou com 4468.
Double-Timmy
Apesar dos números inferiores às outras temporadas, Tim Duncan está jogando muito melhor do que nos últimos anos. O ala-pivô errou bastante na tábua ofensiva contra o time de Oklahoma, mas compensou o aproveitamento ruim com 15 rebotes, três assistências e dois tocos.
Kawhi Leonard
O novato Kawhi Leonard voltou a fazer um bom trabalho defensivo sobre Kevin Durant. O astro do Thunder ficou abaixo de sua média na temporada e teve um aproveitamento inferior a 50% nos arremessos: 22 pontos (9-19). Enquanto isso, Leonard também foi efetivo no ataque e contribuiu significativamente em outros fundamentos: 15 pontos (5-7), seis rebotes e cinco assistências.
Vale lembrar…
Às vezes a gente se esquece que o Spurs está jogando sem Manu Ginobili. Imaginem esse time quando o argentino voltar…
Rodeo Road Trip
Os comandados de Gregg Popovich iniciam uma sequência pra lá de indigesta a partir de segunda-feira. A maratona de nove jogos fora de casa começa diante do Memphis Grizzlies (6) e segue contra Philadelphia 76ers (8), New Jersey Nets (11), Detroit Pistons (14), Toronto Raptors (15), Los Angeles Clippers (18), Utah Jazz (20), Portland Trail Blazers (21) e Denver Nuggets (23). A volta para San Antonio acontece apenas no dia 29 de fevereiro, contra o Chicago Bulls.
Destaques da Partida
San Antonio Spurs
Tony Parker – 42 pontos, três rebotes e nove assistências
Kawhi Leonard – 15 pontos, seis rebotes e cinco assistências
Tim Duncan – 13 pontos e 15 rebotes
Oklahoma City Thunder
Kevin Durant – 22 pontos e 11 rebotes
James Harden – 19 pontos, cinco rebotes e quatro assistências
Russell Westbrook – 18 pontos, seis rebotes e seis assistências
Spurs (15-9) vs Thunder (18-4) – Temporada Regular
San Antonio Spurs (15-9) vs Oklahoma City Thunder – Temporada Regular
Data: 04/02/2012
Horário: 23h30 (Horário de Brasília)
Local: AT&T Center
O San Antonio Spurs encara o melhor time da temporada antes de embarcar para a temida Rodeo Trip. Os comandados de Gregg Popovich ocupam atualmente o quarto lugar da Conferência Oeste, mas uma derrota pode jogar a equipe para o meio da tabela.
Confrontos na Temporada (0-1)
8/1/2012 – San Antonio Spurs 96 @ 108 Oklahoma City Thunder
Kevin Durant chegou perto de um triple-double na vitória do Thunder sobre o Spurs no começo de janeiro. James Harden também foi bem naquela noite e castigou a defesa texana com 20 pontos.
PG – Tony Parker
SG – Gary Neal/Kawhi Leonard
SF – Richard Jefferson
PF – DeJuan Blair
C – Tim Duncan
Fique de Olho – Por mais que Durant tenha ficado próximo de um triple-double no primeiro embate entre Spurs e Thunder, o novato Kawhi Leonard conseguiu fazer um excelente trabalho sobre o astro rival. Esperamos que o camisa 2 repita o feito logo mais.
PG – Russell Westbrook
SG – Daequan Cook/James Harden
SF – Kevin Durant
PF – Serge Ibaka
C – Kendrick Perkins
Fique de Olho – James Harden é, no meu ponto de vista, o melhor reserva da temporada até aqui. O ala-armador se destaca pelo bom aproveitamento nos arremessos e deve dar trabalho aos defensores texanos. Olho nele!
O homem que passou pelos olheiros do Spurs

Esse homem se chama Dorrell Wright. Eu explico porque.

"Eu?"
Na última semana, John Schuhmann, colunista do site da NBA, publicou uma interessantíssima análise da ofensiva do San Antonio Spurs, que, inteligentemente, é armada para conseguir arremessos de três pontos da zona morta. Você sabia que, da lateral, a linha do perímetro fica cerca de um pé (30 cm) mais perto da cesta? Pois é, eu nunca tinha reparado antes de ler o artigo. E, de acordo com o jornalista, isso faz diferença: 8,2 arremessos dali produzem em média um ponto a mais do que 8,2 arremessos de qualquer outro lugar da linha dos três pontos.
Parece pouco, é claro, mas não para uma equipe montada para explorar isso como o Spurs. Schuhmann mostra cinco jogadas desenhadas por Gregg Popovich que acabam em tiros da zona morta. Além disso, segundo o jornalista, os times da NBA tentam, em média 27,6% de seus arremessos de três pontos da zona morta, enquanto na equipe texana esse número sobe para 39,3%, mais de um terço. Bem bacana, né?
E desde o início da temporada 2010/2011, sabem quem foi o jogador que mais acertou arremessos de três da zona morta? Ele mesmo, Richard Jefferson. Aproveitando-se do esquema de Pop, o ala do Spurs foi o único jogador de toda a liga que passou de 100 cestas ali da lateral. Sempre criticamos o camisa 24, mas temos que admitir que ele pelo menos tenta se adaptar ao estilo de jogo da equipe texana.
Em segundo na estatística, aparece justamente ele, Dorrell Wright. Quando a pesquisa de Schuhmann foi publicada, no último dia 28, o ala do Golden State Warriors havia convertido 83 bolas de três pontos da zona morta desde o início da temporada 2010/2011. Está à frente de nomes como Ray Allen, Jason Richardson e Shane Battier. Dali, seu aproveitamento é de 41,7%, enquanto, no total, ele costuma acertar 33,4% dos arremessos de 3 pontos. (Mais uma vez, vale ressaltar que esses números são do dia 28 e que podem ter mudado um pouco) Ainda acha que aqueles 30 cm não fazem diferença?
E vale ressaltar que Wright atingiu esses números no Warriors, que confia muito no talento individual de Stephen Curry e de Monta Ellis e que não tem jogadas coletivas tão bem desenhadas quanto o Spurs tem. Em outras palavras, a equipe de Oakland tem um ataque que se baseia mais no improviso. Imaginem, então, o estrago que o ala podia causar se jogasse com o time texano!
Wright foi um belíssimo achado do Warriors. O ala começou sua carreira no Miami Heat na temporada 2004/2005 e saiu como Free Agent no mercado de 2010. Nesse período, disputou apenas 56 jogos como titular e nunca teve médias superiores a 7,9 pontos, cinco rebotes ou 25,1 minutos por partida. Em seu primeiro campeonato pelo time de Oakland, jogou as 82 partidas como titular e apresentou médias de 16,4 pontos e 5,3 rebotes em 38,4 minutos por embate. Típico caso de um talento adormecido, que só precisava de tempo de quadra para passar a dar resultados.
Vale destacar que, na atual temporada, seu desempenho caiu. Em 18 jogos – todos como titular – o ala apresenta médias de 10,6 pontos e 4,8 rebotes em 29,5 minutos. Mas vale lembrar que o Warriors, como um todo, não faz um bom campeonato. A equipe sofreu com a contusão de Curry e ainda luta para se adaptar ao novo treinador.
Que fique claro, aqui, que isso não é uma crítica aos olheiros do San Antonio Spurs. Longe de mim! Graças a eles, a equipe texana também conseguiu achados incríveis, como os casos dos Free Agents Gary Neal e Danny Green. Isso sem falar no Draft, da onde vieram Tim Duncan, Manu Ginobili, Tony Parker, DeJuan Blair, Tiago Splitter e Kawhi Leonard… isso só para falar do elenco atual.
O objetivo dessa coluna é mostrar que talvez não seja preciso uma grande troca ou uma contratação de peso – como foi a de Jefferson e como seriam a de Caron Butler ou Tayshaun Price, por exemplo. O Spurs já é um time forte com um banco relevante. Às vezes, a peça que falta para uma equipe ser campeã é simplesmente um jogador que tem exatamente o talento que o elenco precisa. E Wright seria esse cara para o time texano.










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