Arquivo mensal: janeiro 2009

Na UTI do esporte

Não cansamos de nos queixar da situação na qual se encaixa o basquete brasileiro atualmente; isso é um fato. Não vamos para as Olimpíadas com o masculino desde o longínquo 1996, quando Leandrinho, Nenê, Varejão e cia. não era nem projetos de astros da NBA. Muita coisa mudou no mundo de lá para cá, menos a organização do basquete brasileiro, é claro. Mas você já parou para pensar o que VOCÊ já fez pelo basquete brasileiro?

Não, não estou aqui para julgar e nem nada, afinal acredito mesmo que frequentadores de um blog sobre um time da NBA sejam realmente amantes do esporte da bola laranja no país onde o que importa é somente – e somente mesmo – o esporte das bolas brancas no gramado. O julgamento não deve ser feito nem por mim e nem por ninguém, mas o basquete brasileiro é um caso a ser pensado. E tomo como exemplo algumas experiências que tive no basquete e no futebol, para efeito de comparação – e lembrando sempre que sou amante dos dois esportes.

Você já foi em um estádio de futebol no Brasil? Se já, sabe do que estou falando. Se não, darei uma leve impressão. Já fui em muitos, mas muitos jogos mesmo de futebol. Desde partidas quase sem expressão – para a mídia, claro, pois para o torcedor qualquer jogo é importante – até grandiosas finais ou jogos da Seleção.  E o que se vê são estádios aos pedaços, organização precária e um futebol não tão bem jogado assim na maioria das vezes. A paixão, no entanto, move o futebol aqui e no mundo.

E em um ginásio de basquete, você já foi? Pois bem, fui pela primeira vez no último sábado, assistir à semifinal do Paulista masculino entre Paulistano e Franca, sendo o primeiro time o mandante. O clube é organizado, mas não graças ao basquete: é um clube para sócios e a maioria faz parte da alta sociedade paulistana. O ginásio de basquete não é só para o basquete, é um desses poliesportivos que servem até para se jogar peteca. As torcidas? Uma de cada lado e uma meia dúzia de oficiais da Polícia Militar para garantir a paz.

E é neste ponto que eu queria chegar: a torcida. Dividida metade a metade, era constituída de uma maioria de sócios do Paulistano no lado do time da casa, dando espaço para simpatizantes do time e torcedores que foram lá só para ver o jogo – meu caso. Do outro, torcedores do Franca, mas que mais pareciam estar lá para secar o Paulistano, não vindos da distante cidade do interior paulista. Ou seja, poucos ali – poucos mesmo – estavam presentes naquela abafada tarde de sábado por amor ao time. Qualquer time.

Pensei muito sobre aquilo e, somado ao fato de ver na torcida pessoas com uniformes do Cleveland Cavaliers, do San Antonio Spurs, do Miami Heat e de outros, cheguei à conclusão de que hoje não existe paixão do torcedor com o basquete nacional. Não mesmo. Existem aqueles que como eu amam o esporte e se contentam com qualquer jogo para estarem em contato com a modalidade. E esse fator é um dos agravantes da decadência na qual se encontra o basquete aqui em nosso país.

Se duvida, olhe o futebol: organização pífia, pouco dinheiro, clubes falidos e… uma massa de seguidores. Movidos de? Movidos de paixão.

Peço perdão pela espécie de desabafo – até certo ponto nem tão bem feito – que fiz neste espaço hoje. Mas sou daqueles que acompanham com pesar as tentativas de reanimar um paciente em estado terminal. Terminal que parece nunca acabar. Quem sabe não está próximo o dia de o basquete deixar a UTI do esporte? Quem sabe…

Interativo – Spurs vs. Magic – Temporada Regular

Melhores Momentos de Spurs vs. Magic – 11/01/2009


Top 10 da Rodada de 11/01/2009

Entrevistas após a partida com o técnico Gregg Popovich, Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan


Vejam nossa sessão de fotos do jogo clicando aqui

Spurs (24-12) vs. Magic (30-8) – Asa negra do Spurs

resumobrunoxo1

98X105

Orlando Magic e San Antonio Spurs entraram em quadra ontem como dois dos melhores times da liga. A equipe da Flórida comprovou a sina de asa negra do Spurs ao vencer mais uma vez, dessa vez em pleno AT&T Center. Dwight Howard também manteve a escrita de sempre atuar bem contra os texanos; na noite de ontem, foram 24 pontos e 14 rebotes.

Duncan disputa bola com Jameer Nelson. Apesar do double-double, Duncan teve dificuldades para parar D12 (Photo by Ronald Martinez/Getty Images)

Duncan disputa bola com Jameer Nelson. Apesar do double-double, Duncan teve dificuldades para parar D12 (Photo by Ronald Martinez/Getty Images)

O jogo começou e se manteve equilibrado até o final. No primeiro período, ambos atacaram muito bem e erraram pouco – o que garantiu o alto placar de 32 a 28 para o Magic. O Segundo quarto foi um pouco mais comedido, contudo, mais uma vez poucos erros e pontaria calibrada dos dois lados marcaram o período.

Dwight Howard jogou fácil e anotou 24 pontos (Photo by Ronald Martinez/Getty Images)

Dwight Howard jogou fácil e anotou 24 pontos (Photo by Ronald Martinez/Getty Images)

Na volta do intervalo, tudo voltou mais ou menos como já estava. San Antonio se acertou um pouco mais na defesa e conseguiu impedir que os adversários pontuassem como nos quartos anteriores. A forte defesa surtiu efeito, embora o ataque ainda tenha deixado a desejar; resultado final, San Antonio encostou no placar e levou a decisão para o período derradeiro.

Perdendo por apenas dois pontos no início do último quarto, o Spurs até que tentou manter o ritmo de antes. Eles lutaram até o final com igualdade de condições no marcador; contudo, uma bola de três pontos de Jameer Nelson a 1:56 do término da partida, colocou o Spurs quatro pontos atrás no marcador e sem ânimo para reagir na partida. San Antonio perdeu uma sequência que já durava quatro jogos, e seu próximo enfrentamento será na quarta-feira contra o perigoso Los Angeles Lakers. O Magic, que ampliou sua sequência para quatro triunfos consecutivos, vai até Sacramento na terça para enfrentar o Kings.

Destaques da Partida

San Antonio Spurs

Tony Parker – 31 pontos e 6 assistências

Tim Duncan – 18 pontos, 10 rebotes e 5 assistências

Manu Ginobili – 18 pontos e 4 assistências

Orlando Magic

Dwight Howard – 24 pontos e 14 rebotes

Jameer Nelson – 22 pontos e 5 assistências

Hedo Turkoglu – 21 pontos, 5 rebotes e 5 assistências

Rashard Lewis – 15 pontos, 5 rebotes e 4 assistências

McDonald’s Championship 1999 – Parte 4

No “Passando a Limpo” dessa semana, continuaremos a falar sobre o torneio mundial de clubes de 1999. Na Parte 1, falamos um pouco da história do campeonato;  na Parte 2, começamos a contar como foi o primeiro dia de disputas; na Parte 3, mostramos como foram as semifinais da disputa. Hoje terminaremos nossa série de artigos com o último dia, quando foram disputados o 5º e 3º lugares do torneio e a grande final do McDonald’s Championship de 1999.

Dia 3 – 16 de Outubro

Disputa do 5º Lugar

Adelaide 36ers (Austrália) 91 X 84 C.S. Sagesse (Líbano)

Na disputa pela 5ª posição do torneio, os australianos do Adelaide 36ers enfrentaram os libaneses do C.S. Sagesse. No primeiro período, empurrado pela torcida libanesa, o Sagesse conseguiu uma recuperação fantástica e fechou-o empatando em 20 a 20, após iniciar a partida perdendo por 16 a 4. Mas, no segundo quarto, o Adelaide conseguiu o controle da partida e foi para o intervalo com 48 a 34.

Na volta, o time libanês conseguiu tirar a vantagem de 14 pontos e empatou novamente no terceiro quarto em 64 a 64. Eles conseguiram até virar a partida no começo do último período, mas o 36ers  retomou a liderança e venceu com segurança o quarto, e assim ficou na 5ª posição do torneio vencendo por 91 a 84.

Os libaneses foram comandados pelo cestinha da partida, o ala Elie Mchantaf, com 26 pontos, e pelo ala-armador Mohammed Acha, que marcou 22. Pelo 36ers,  o ala-pivô Martin Cattalini liderou, com 23 pontos, e seus companheiros de equipe, o armador Brett Maher e o ala Paul Maley, anotaram 21 e 22 pontos, respectivamente.

O C.S. Sagesse foi o primeiro time da Ásia a competir no McDonald’s Championship, e deixou uma boa impressão após grandes partidas contra o Varese e o Adelaide. Segundo o técnico do Sagesse Ghassan Sarkis, “nós viemos como o pior time e acho que nós não tínhamos o respeito dos outros times antes de chegar aqui. Mas acredite, provamos que temos um time muito forte.”

Disputa do 3º Lugar

Zalgiris Kaunas (Lituânia) 97 X 78 Varese Roosters (Itália)

Na disputa da 3ª posição do campeonato, o embate foi entre os lituanos do Zalgiris Kaunas  contra os italianos do Varese Roosters. O Varese continuou a boa atuação que teve contra o Spurs, iniciou a partida com uma bela vantagem de 2 a 10 e fechou o primeiro quarto em 21 a 24. No segundo período, o Zalgiris teve de se adaptar ao jogo veloz dos italianos, forçando o jogo em seus pivôs. Com uma rara cesta de três pontos de Minaugas Timinskas, o time báltico alcançou a liderança por 37 a 34 e aumentou essa vantagem, se retirando ao intervalo com 49 a 43.

Na volta ao jogo, o Kaunas continuava seu controle do jogo, indo à última parte do jogo vencendo por 69 a 56. No período final, o Roosters tentou encostar no placar, mas quando a vantagem chegou a 20 pontos, o time italiano viu sua chance de vencer a partida escapar, e o time lituano ficou como 3º lugar do torneio com a vitória em 97 a 78.

O Zalgiris teve o cestinha da partida, Timinskas, com 26 pontos, e o ala Mindaugas Zukauskas adicionou 18. Pelo Varese, O armador Gianmarco Pozzeco anotou 16 pontos, e o ala Maurizio Giadini fez 15.

Final

San Antonio Spurs (EUA) 103 X 68 Vasco da Gama (Brasil)

O pivô José Vargas tenta marcar o MVP do torneio Tim Duncan

O pivô José Vargas tenta marcar o MVP do torneio Tim Duncan (tripod.com/vascohoje)

A grande final do torneio McDonald’s Championship de 1999 foi entre os brasileiros do Vasco da Gama e os americanos do San Antonio Spurs.  O Spurs, após uma dura partida semifinal contra o Varese, iniciou arrasando o jogo com 24 a 10, e, com 18 pontos de Tim Duncan no quarto, o time estava a frente em 28 a 21. O Vasco, com o americano Charles Byrd, conseguiu encostar no início do segundo período e diminuiu a diferença para apenas cinco pontos, mas com uma corrida de 13 a 2, em que David Robinson anotou cinco pontos, o time brasileiro foi para o intervalo sendo derrotado por 56 a 36.

O técnico Gregg Popovich manteve seus titulares em quadra, mesmo com a boa vantagem conseguida antes do intervalo. Mas, com bons arremessos de três pontos de Rogerio Klafke, o Vasco aproximou-se   novamente do San Antonio perto do final do terceiro período, estando atrás por apenas 11 pontos, e iniciou o último período com 79 a 65. Mas o Spurs mostrou porque era o atual campeão da NBA, marcando muito bem o time brasileiro e só permitindo que eles marcassem dois pontos no quarto, e assim o San Antonio Spurs conquistou o McDonald’s Championship de 1999 vencendo o Vasco da Gama por 103 a 68.

O ala-pivô Rogério Klafke em jogada contra o Spurs

O ala-pivô Rogério Klafke em jogada contra o Spurs (tripod.com/vascohoje)

O Spurs conseguiu apagar a má atuação do time na noite anterior e confirmou a hegemonia da NBA no torneio e a distância que existia entre os times americanos e o resto do mundo. Em entrevista, o técnico Gregg Popovich disse que o Vasco jogou enquanto teve forças, pois teve de jogar três jogos em três dias.

O troféu Drazen Petrovic, para o melhor jogador do torneio, foi para o ala-pivô do Spurs Tim Duncan, em uma atuação de gala na última partida, com 32 pontos e 18 rebotes. Pelo Spurs, o pivô Robinson e Avery Johnson anotaram 16 e 14 pontos respectivamente. O Vasco da Gama foi liderado novamente por Byrd, com 17 pontos, por Vargas e pelo ala-armador Demetrius com 12 pontos cada. Vejam aqui o vídeo postado na primeira parte com os melhores momentos da partida.

O time ideal do campeonato foi Tim Duncan e Avery Johnson, ambos do San Antonio Spurs, Gianmarco Pozzecco, do Varese Roosters, Charles Byrd, do Vasco da Gama, e Francesco Vescovi, do Varese, e Jose Vargas, do Vasco, que ficaram empatados em sua posição.

O pivô David Robinson e o ala-pivô Tim Duncan erguem, repectivamente, o trófeu de campeão e o de MVP do torneio (AP Photo/sportsillustrated.cnn.com)

O pivô David Robinson e o ala-pivô Tim Duncan erguem, repectivamente, o trófeu de campeão e o de MVP do torneio (AP Photo/sportsillustrated.cnn.com)

Duncan atinge marca histórica e Hairtson All-Star

cbssports.com

Tim Duncan tenta o toco pra cima de Vince Carter. O camisa 21 do San Antonio Spurs atinge marca histórica no fundamento. Fonte: cbssports.com

Tim Duncan entrou em quadra mais uma vez ontem à noite para defender a franquia de San Antonio, aonde o jogador é um dos maiores ídolos da história do esporte local. Atuando em New Jersey, frente aos Nets, Duncan jogou aproximadamente 34 minutos; foi o cestinha da partida, com 27 pontos, pegou nove rebotes, distribuiu oito assistências (beirando um triple-double) e deu quatro tocos.

E foi graças a esses quatro tocos que o camisa 21 da equipe texana atingiu uma marca histórica em sua carreira. O atleta ultrapassou George Johnson e agora é o décimo terceiro jogador com mais bloqueios na história da NBA, com 2083 bloqueios na carreira.

E para quem pensa que Duncan parará por aí, aqui vai outra informação; com apenas mais quatro tocos, o ala-pivô ultrapassará Manute Bol e assumirá a décima segunda colocação na estatística. É por essas e outras que todo fã dos Spurs que se preze tem idolatria por seu camisa 21.

E mais…

Hairston nomeado All-Star da D-League

O ala armador dos Spurs e do Austin Toros, Malik Hairston, foi nomeado para participar do All-Star Game da D-League no próximo dia 14. Hairtson, que recentemente vem participando de jogos na NBA com os Spurs, atuará pelo time azul. No time vermelho, teremos Blake Ahearn, que chegou a integrar o plantel da franquia texana no começo da temporada.