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De olho no futuro

Depois de uma forte série de 12 vitórias seguidas, que rendeu uma classificação adiantada para os playoffs, o San Antonio Silver Stars desacelerou. Dos cinco últimos jogos, quatro não foram bem-sucedidos. Porém, não é preciso se preocupar.

Como já disse em uma edição da Vestiário Feminino, mesmo que todos os próximos jogos terminem em derrota, não há chance de desclassificação para a segunda fase. Além disso, os placares negativos não querem dizer que, de repente, a equipe parou de funcionar. Dessas cinco partidas, duas foram feias de verdade (contra o Los Angeles Sparks e o Connecticut Sun), uma foi vencida (Tulsa Shock – por favor, dispensem as ironias), e duas não foram positivas por pouco (Minnesota Lynx e Phoenix Mercury). Essas duas últimas aconteceram na última semana.

O duelo contra o Minnesota Lynx teve placar apertado em todo o momento, tanto que só foi decidido na prorrogação. Nos últimos minutos, as campeãs não deram chance alguma e o tempo extra teve o resultado de 17 a cinco. No sábado, contra o Phoenix Mercury, o San Antonio precisou se esforçar para deixar a vantagem de Diana Taurasi e suas companheiras menos larga e, pelo menos nisso, fez um bom papel. Quase venceu, mas, usando o velho trocadilho, nesse dia a ala, que vinha acumulando desculpas para não jogar, ressurgiu das cinzas e fez todo o Mercury, dentro e fora de quadra, vibrar.

Sophia Young

Agora, três semanas separam as equipes do momento mais esperado da temporada: os playoffs. A partir daí, tudo o que foi feito de bom precisa ser melhorado, e o que foi ruim precisa ser consertado. É por isso que essa é a hora certa de Dan Hughes chamar a atenção para o aperfeiçoamento, principalmente das mais novas (Shenise Johnson, Ziomara Morrison, Danielle Robinson e Danielle Adams). Também é preciso dar um tempo de descanso para Becky Hammon. A impressão é de que ela voltou com tudo das Olimpíadas, fez partidas espetaculares, foi a responsável pela conquista da vaga nos playoffs e cumpriu a primeira parte de sua missão. Sophia Young continua sendo incrível nas jogadas próximas à cesta e em seus arremessos. Seria legal, porém, treinar da linha de três pontos. Em jogos em que Hammon é muito segurada na defesa, a ala poderia ser uma opção forte, já que é a segunda mais consistente do esquadrão.

A melhor parte desse time, da temporada de 2012, é que existe uma equipe na qual se pode confiar, e o peso não fica somente na dupla mais conhecida (Hammon-Young).

Os jogos dessa semana não serão fáceis. Na sexta-feira (7, um viva ao feriado!), o adversário será o Indiana Fever, e no domingo (9) o Minnesota Lynx. Ótimas chances de estudar novas oportunidades de ataque para os playoffs.

Quem aqui está animado para a próxima fase? Eu não vejo a hora de chegar. Pela primeira vez desde 2008, há uma chance real de o San Antonio Silver Stars encostar no troféu de campeão, e não há dúvida de que cada elemento do time está sedento por essa conquista.

Até a semana que vem!

Sem recorde de vitórias, mas com vaga nos playoffs

A notícia é a seguinte: mesmo que o San Antonio Silver Stars perca todos os seus próximos jogos, ainda sim estará dentro dos playoffs de 2012 da WNBA e a campanha do time não ficará abaixo dos 50% de aproveitamento. Os duelos mais difíceis a seguir serão contra o Minnesota Lynx (28/08, 09/09 e 23/09) e o Indiana Fever (07/09). Por que não considero as outras equipes tão perigosas?

Connecticut Sun (30/08): Até hoje, esse time carrega a fama de rei da temporada regular e servo dos playoffs. Chegou a jogar as finais, mas não conseguiu ser campeão. Nessa temporada, está em primeiro no Leste, mas não é uma pedra tão grande no caminho. Na única vez que enfrentou o San Antonio, ganhou. Porém, isso foi no começo da temporada, quando a equipe texana perdeu para Chicago Sky, Atlanta Dream e Seattle Storm (sim, é isso mesmo este ano).

Caso lembrem-se do jogo bom para as garotas da Nova Inglaterra contra o Minnesota Lynx, a partida aconteceu na mesma série de três derrotas seguidas do atual número um do Oeste (quando as Stars também sentiram o gostinho de derrotar as campeãs da liga). Portanto, agora que Dan Hughes encontrou a estrada de tijolos amarelos, a chance maior de vitória está com as meninas do estado do petróleo. O maior perigo: do outro lado do garrafão está Tina Charles.

Phoenix Mercury (01/09): Lastimável é o único adjetivo que encontro para descrever o Mercury em 2012. Com quatro vitórias e 19 derrotas, Diana Taurasi se arrastando para jogar (ninguém entende o por quê, já que foi tão bem na Olimpíada) e Candice Dupree e Penny Taylor fora, se igualar ao Tulsa Shock foi o fundo do poço para as meninas do Arizona.

Tulsa Shock (12/09 e 18/09): Argumentar o motivo de achar que um time não vai perder do Shock chega a ser desnecessário. Por três temporadas seguidas, a equipe de Oklahoma dorme em último no Oeste. Já teve troca de técnico, contratação de jogadora monstro (Liz Cambage) e veterana, mas nada adiantou. Temo que a franquia chegue à falência. É triste, principalmente quando lembramos que já foi o poderoso Detroit Shock.

Seattle Storm (14/09 e 21/09): Nunca pensei que esse dia chegaria, mas não, o Seattle Storm não é um time com o qual os adversários devem se preocupar na temporada regular desse ano. Sem Lauren Jackson, a campanha do bicampeão era de dez vitórias e 12 derrotas até então na temporada da WNBA.

A australiana retornou à ação nos Estados Unidos nessa semana, mas não conseguiu evitar a derrota contra o Indiana Fever, com quatro pontos na súmula apenas, o que aumentou a quantidade de reveses do Storm para 13.

New York Liberty (18/09): Já houve partida entre os dois neste ano, e o San Antonio ganhou tranquilo com 13 pontos de diferença. No quadro geral, o time da Big Apple se encontra no quarto lugar do Leste, com nove vitórias e 14 derrotas.

Na semana passada meus palpites foram certeiros contra o Washington Mystics e o Tulsa Shock.

Sobre o jogo contra o Los Angeles Sparks, realmente foi difícil, mas não acabou com vitória para o San Antonio Silver Stars. Foi uma derrota muito feia, com placar centenário (101 a 77), algo bem atípico para o time nessa temporada. Portanto, a atual campanha do Stars é de 17 vitórias e seis derrotas, no terceiro lugar da Cnferência Oeste, e com classificação garantida para os playoffs.

Até a semana que vem!

Title IX

Neste domingo (26), o assunto desta coluna irá um pouco além do San Antonio Silver Stars ou do basquete feminino. Hoje, contarei um pouco sobre a lei que mudou o esporte feminino nos Estados Unidos, um dos principais caminhos para a chegada ao atual cenário da WNBA. Será uma apresentação breve.

Lá perto dos anos 1970, o senador norte-americano Birch Bay estava lendo a sessão de esportes de um jornal. Conhecendo um pouco da cultura dos Estados Unidos, podemos deduzir que as notícias eram principalmente sobre o basquete, o futebol americano e o baseball… claro, todos eles praticados por homens. Nesse dia, porém, o que chamou mais a atenção do leitor mencionado acima não foi o nome de quem fez mais pontos no dia anterior, ou a previsão para o vencedor da temporada. O que fez seus olhos saltarem e sua mente imaginar um futuro melhor e de igualdade para as mulheres foi uma manchete de um jogo de basquete feminino na noite anterior.

Senador Birch Bayh correndo com universitárias de Purdue, umas das primeiras beneficiadas com a lei a favor da igualdade no esporte

Mais tarde, em 1972, é aprovado pelo Congresso o Educational Amendments of 1972, que permite direitos iguais de estudos a todos os cidadãos do país. Dentro dessa lei, estava uma sessão chamada Title IX, na qual continha o seguinte: “Ninguém nos Estados Unidos será, baseado no sexo, excluído de participar, ter autorização negada, ou ser proibido por autoridades, por discriminação, de qualquer programa educacional ou atividade financiada pelo Governo Federal.”

Agora, em 2012, a lei completa 40 anos. A WNBA tem prestado homenagem desde antes do início da temporada ao senador que deu o pontapé incial na mudança a favor das garotas. Hoje, ainda é difícil para as mulheres terem a mesma visibilidade que os homens. O salário é menor, as condições de trabalho são menos favoráveis, o prestígio é em menor escala e o reconhecimento muitas vezes passa em branco. Ainda assim, as declarações mais sinceras das jogadoras na liga são aquelas que afirmam jogar por amor, porque escolheram o esporte e porque têm prazer nisso.

Graças ao Title IX, o San Antonio Silver Stars pôde jogar nesta noite (24) e vencer o Los Angeles Sparks por 91 a 71, lá no Staples Center, casa de Candace Parker. Com essa vitória, o terceiro lugar do Oeste continua garantido.

Na semana, serão mais dois jogos. O primeiro novamente contra o Los Angeles Sparks e o segundo, dificílimo, contra o Minnesota Lynx (e as boas lembranças da última partida contra esse time, hein?). Vai ser MUITO – prestem atenção – MUITO legal acompanhar essas partidas!

Até a semana que vem!

Bem, time!

Jogo bem jogado, para a nooooossa alegria!

Essa foi uma semana de um jogo só. No sábado à noite, no próprio AT&T Center, o San Antonio Silver Stars recepcionou o Los Angeles Sparks, mas de cortês o time de casa não teve nada. O resultado final foi 98-85. Por muito pouco (com isso, entenda “se mais um minuto tivesse rolado”), não saiu o primeiro placar centenário do time na temporada.

Partidas como essas mostram que San Antonio não tem uma equipe tão mediana quanto é classificado algumas vezes. Esse conceito é dado, normalmente, porque não há entre as estrelas prateadas atletas como Diana Taurasi, Sue Bird, Lauren Jackson ou Maya Moore (não estou criticando. Todas essas são incríveis!). Antes mesmo de entrarem na liga, elas já “bombavam” na mídia e tiravam o folego de comentaristas. Mas vamos falar um pouco sobre as estrelas do Stars, Becky Hammon e Sophia Young, contra o time de Candace Parker e Kristi Toliver.

A começar pela eficiência; as duas anotaram juntas + 33, enquanto as garotas mencionadas do Los Angeles, juntas, fizeram – 27. Grande diferença, não? Quero ressaltar, sobretudo, o rendimento do time no último período que, na verdade, foi um tempo-extra.

Eis as parciais do jogo (SASS/LAS): 1ºQ: 23/16 – 2ºQ: 21/19 – 3ºQ 17/22 – 4ºQ: 22/26 – Prorrogação: 15/2.

O confronto foi empatado pelo Sparks com um arremesso de lance-livre de Jantel Lavender (LAS). Convenhamos que o San Antonio teve muita sorte quando a garota errou um deles, senão o placar teria sido 84-83. Mas, o univer… digo, o jogo realmente estava mais para o lado das texanas.

Foram 4 bolas dessa que levantaram a galera no AT&T Center

O tempo-extra contou com a forte presença de Sophia Young e Becky Hammon, com suas jogadas espetaculares, verdadeiros “coelhos tirados da cartola” e “cartas tiradas da manga”. Nada, porém, foi mágica, e sim qualidade e técnica. Ambas fizeram o mesmo número de pontos (24) – a armadora ainda deu sete bolas para alguma companheira marcar, e a ala ganhou oito rebotes (assim como, pasmem, Jayne Appel).

Gostei muito do vídeo de resumo do jogo porque o pessoal do WNBA.com selecionou a jogada que mais gostei na partida, por isso, vou deixá-lo aqui para que vocês possam ver o que rolou em San Antonio no sábado.

Recap de San Antonio Silver Stars x Los Angeles Sparks (16/06/2012)

No próximo domingo, algo bem legal pode acontecer ao Stars: sair do terceiro para o segundo lugar no Oeste. O atual detentor da vaga, vulgo freguês da última partida, tem quatro jogos nesta semana (sendo que o derradeiro será contra o San Antonio), e, se perder dois, troca de posto com as texanas – caso elas também façam seu dever de casa.

Espero trazê-los as boas novas na semana que vem!

Até lá!

Uma nova esperança

Em 1977, George Lucas colocou nas telas dos cinemas um filme chamado Star Wars (Guerra nas Estrelas), que mais tarde teria ganho o subtítulo A New Hope (Uma Nova Esperança). No script, um jovem rapaz vindo das areias do planeta Tatooine seria a arma para derrotar o vilão da galáxia, o malvado Darth Vader, líder do Império. Mas por que essa nerd está falando de Star Wars em um site sobre basquete?

Destaque para Shenise Johnson, que mostrou ritmo e coragem em quadra

Hoje (domingo, 3 de junho), o San Antonio Silver Stars enfrentou o Minnesota Lynx, atual campeão da WNBA, o time com o melhor elenco desde a temporada passada e invicto até agora. Por essa última afirmação, vocês já sabem que foi derrota para as texanas. MAS, foi um dos melhores jogos que já assisti delas. O placar chegou a ter 24 pontos de diferença. (ATENÇÃO: 24 pontos de diferença), e o resultado final foi Minnesota Lynx 83, San Antonio Silver Stars 79. Isso mesmo, quatro pontos, duas jogadas, e quase que a zebra aconteceu.

Assim como Luke Skywalker, o banco do Stars vinha esquecido no calor do estado da estrela solitária. Sempre teve muito a oferecer, mas nunca aparecia a oportunidade de mostrar do que era capaz.

Porém, quando estavam em quadra Tully Beviaqua, Jia Perkins, Danielle Adams, Shenise Johnson e Sophia Young, o poderoso Minnesota Lynx foi ofuscado e por pouco não sofreu a derrota. Assim como na série, não foi no A Nova Esperança que o Darth Vader e o Darth Sidious foram derrotados, mas foi nele que Luke Skywalker descobriu o caminho da Força.

Quem seria o mestre Yoda: Dan Hughes?

Sem dúvidas, esse foi o melhor jogo do San Antonio Silver Stars em 2012. Eu postei no Twitter que a partida seria o primeiro teste do time no ano, e, mesmo com derrota, eu aprovaria a atuação. Na sexta-feira, contra o Phoenix Mercury, o Stars venceu de 85 a 66, placar ótimo, sem Diana Taurasi e Penny Taylor, mas com Candice Dupree e DeWanna Bonner. Vale ressaltar – sempre – os 30 pontos de Becky Hammon na partida em questão.

A veterana foi sensacional e brincou de arremessar da linha de três pontos. Falando em 3 pontos, neste domingo, “at the buzzer”, ela acertou um do outro lado da quadra antes de sair para o intervalo.

O compromisso que deve ser esquecido é o da terça-feira, que acabou com revés para San Antonio contra o Chicago Sky (77-63).

Na semana que está começando, os adversários do Stars serão o Atlanta Dream (8, sexta-feira) e o Seattle Storm (9, sábado). Ótimas oportunidades para acompanhar a notava Shenise Johnson, que está começando a se destacar no time (nove pontos, sete rebotes e um roubo de bola para ela contra o Minnesota Lynx, merece os parabéns).

Até a semana que vem, e, seguindo o título da coluna: que a Força esteja com vocês!