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A volta do Shaq Attack

O super-pivô Shaquille O’Neal, já com 36 anos, parece estar reencontrando seu basquete no Phoenix neste início de temporada. No último dia 12, Shaq entrou para o grupo dos dez maiores pontuadores da história da NBA, anotado 18 pontos na derrota do seu Suns para o Rockets por 94 a 82. Com isso, passou a lenda do Boston Celtics, o armador John Havlicek, então detentor da décima marca, com 26.395 pontos.

Mas não foi só isso que O’Neal conseguiu nesta temporada. Aparentemente sua vontade de jogar basquete está de volta também. Depois de duas temporadas pífias no Miami, nas quais ficou abaixo dos vinte pontos e dez rebotes de média por jogo, o pivô tem se acertado no Suns. Claro que a forma física não é mais a mesma e dificilmente ele consegue permanecer 40 minutos ou mais em quadra, como fazia em sua época de Lakers e Magic. Mas quando conseguiu, na vitória do Phoenix sobre Sacramento por 97 a 95, anotou 29 pontos e 13 rebotes. E esta não foi a única vez na temporada que Shaq foi fundamental para o Suns. Em outras duas ocasiões foi o cestinha da equipe e em outras três foi o líder em rebotes.

O super-pivô tem recuperado sua importância dentro da equipe, mas esse não é o único indicativo de sua maior disposição em quadra. Por incrível que pareça o fato de ter sido suspenso demonstra um certo grau de comprometimento do jogador com sua equipe. Sempre polêmico, O’Neal colecionou suspensões e multas ao longo de sua carreira. Ultimamente o jogador andava sumido, longe das confusões, mas também longe de sua melhor forma. Nesta temporada, entretanto, Shaq já foi multado, após confusão no jogo contra Houston, e suspenso, após falta dura em Rodney Stuckey do Detroit.

Talvez sua motivação atual se dê pelo fato de estar tão próximo do nono e do oitavo posto de maior pontuador da história da NBA, faltando pouco mais de 200 pontos para alcançá-los. Independentemente do motivo, é ótimo para nós, fãs do basquete, podermos ver um astro como Shaquille O’Neal jogando novamente um basquete de alto nível.

Balanço da primeira rodada

Começou ontem a temporada 2008-09 do maior campeonato de basquete do mundo. A NBA inicia suas atividades sem nenhum tipo de surpresas. Os atuais campeões e vice- campeões estrearam com vitórias em seus domínios. Em Los Angeles, os Lakers bateram sem maiores dificuldades o Blazers. Com ótima atuação de Kobe Bryant, que, tentando cada vez mais evoluir seu jogo em equipe, anotou 11 rebotes e 5 assistências, além dos 23 pontos. No final, sua equipe venceu por 96 a 76.

Em Boston, os atuais campeões também largaram bem contra um de seus mais prováveis adversários nos playoffs, os Cavaliers. Contando com ótima atuação de Paul Pierce, o MVP das finais da última temporada, os Celtics suaram para bater o Cleveland por cinco pontos, 90 a 85. A surpresa do jogo ficou por conta da fraca atuação dos outros dois grandes astros da equipe. Kevin Garnett anotou apenas 11 pontos e 6 rebotes, e Ray Allen foi ainda pior, anotando 8 pontos, 4 rebotes e 4 turnovers.

Já o jogo de Chicago, entre Bulls e Bucks, foi mais tranqüilo. Contando com um bom jogo de equipe (seis jogadores anotaram mais de 10 pontos), o time da casa não teve trabalho para vencer por 108 a 95 a equipe de Michael Redd, que mais uma vez foi o único destaque da equipe de Milwaukee, com 30 pontos.

Um começo de temporada sem surpresas, com os favoritos vencendo e os candidatos a ficarem de fora dos playoffs perdendo. Se essa lógica for mantida, o Spurs não deverá ter trabalho contra o Suns hoje à noite. A equipe de Phoenix não é mais a mesma de anos anteriores. Perdeu jogadores essenciais para a manutenção do ritmo alucinante imprimido pelo time na transição (caso de Shawn Marion) e contratou outros que não conseguiram manter esse estilo de jogo (caso de Shaquille O’Neal). Resta saber se a equipe conseguiu se adaptar a essa nova realidade na pré-temporada ou se a adaptação acontecerá durante a temporada. Já o Spurs não tem com o que se adaptar. A  base foi mantida e as mesmas figuras de sempre continuam desequilibrando os jogos para a equipe do Texas (Ginóbili, Duncan, Parker). Minha aposta é na vitória do San Antonio.

Início de uma nova realidade

O possível êxodo de jogadores da NBA para a Europa parece começar a fazer efeito. As notícias de que times do velho continente estariam fazendo propostas a jogadores da maior liga de basquete do mundo estão cada vez mais constantes. Michael Finley, James Posey, Anthony Parker e Ricky Davis já tiveram seus nomes vinculados a boatos de transferências para o Olympiakos (GRE), que já levou para sua equipe o ala-armador Josh Childress, ex-Atlanta Hawks. O pivô Alexander Johnson, do Memphis Grizzlies, foi contratado pela equipe alemã do Brose Baskets (equipe base da Seleção da Alemanha) e o TAU Cerámica, de Tiago Splitter, está de olho em três pivôs da NBA.

Nesta semana, o pivô do Los Angeles Lakers, Andrew Bynum, complicou as negociações de renovação de contrato com a equipe californiana. Tudo porque o o jovem jogador de 21 anos exigiu uma quantia mensal de 17 milhões de dólares. Um alto valor para um jogador tão jovem que já se contundiu gravemente. Até por isso, a diretoria da franquia achou o valor absurdo e não deve renovar seu contrato.

Aparentemente, essas notícias não têm nada em comum, mas Bynum pode ser apenas o exemplo de uma nova tendência na NBA. Com os clubes europeus oferecendo fortunas para a contratação de jogadores, estes mesmos devem começar a abusar de suas equipes, negociando salários astronômicos e impossibilitando a renovação. Este será um problema novo, com o qual a NBA não está acostumada a lidar. Sempre soberana, a liga se dá ao luxo de imprimir um limite de salários às franquias e, ainda, puni-las se saem de tal limite. Pode não ser o caso de Bynum, mas não se surpreenda se casos como esse se tornarem comuns a partir de agora.

O possível êxodo europeu

A NBA se acostumou, durante toda sua existência, a ver jogadores de seus times indo jogar basquete na Europa. Jogadores medianos, que dificilmente entravam em quadra, ou que eram jovens demais, eram constantemente contratados por clubes do velho continente e faziam carreira por lá. A lógica para os bons jogadores sempre foi inversa. Muitos saiam da Europa quando começavam a se destacar e iam jogar no melhor basquete do mundo.

Mas essa lógica parece estar ameaçada. Alguns desses jovens jogadores que se destacam na liga européia têm preferido ficar por lá mesmo nos últimos tempos. Jogadores como Dejan Bodiroga, que preferiu construir carreira no Barcelona, Tiago Splitter, que optou por passar mais um tempo na Espanha, acabaram fazendo essa opção pelos salários. Na NBA, há um limite de salários, chamado “Cap Rom”, que cada equipe pode gastar com todo seu elenco, e, se sair desse limite, a franquia é obrigada a pagar uma multa de um dólar à liga por cada um gasto acima do teto salarial.

Com essa norma e com os clubes europeus se organizando cada vez mais e criando estrutura para o basquete, começam a surgir rumores sobre a transferência de grandes jogadores para lá. Em 2010, jogadores como Kobe Bryant, LeBron James, Chris Bosh e Dwyane Wade se tornam free agents, ou seja, ficam sem vínculo contratual com suas equipes. Um dos grandes especialistas de NBA e mentor de Kobe, Sonny Vaccaro, já declarou que acredita que a possibilidade do astro do Lakers deixar a NBA rumo à Europa é grande. Segundo ele, Kobe seria o maior astro da história do basquete europeu, o jogador mais bem pago da história do basquete e arrecadaria como nunca no marketing. Além de poder voltar para os EUA um ou dois anos depois em condições de continuar a carreira.

Talvez o que segure esse astros à NBA seja o nome, o status de estar jogando no melhor basquete do mundo. Mas se esse tipo de transferência se tornar comum, os cofres das franquias darão uma esvaziada e sabe-se lá o que isso poderá ocasionar. O que deve acontecer de fato é o aumento desse Cap Rom, porque senão, a hegemonia da NBA poderá ser ameaçada.

Nem sempre as estrelas trazem sucesso

Uma notícia divulgada em um grande jornal de Denver surpreendeu os torcedores do Nuggets. A diretoria da equipe estaria interessada em envolver Allen Iverson em uma troca na próxima trade deadline, no início do ano que vem. Ao mesmo tempo, surge a notícia de que Vince Carter estaria na mira do Cleveland Cavaliers, sendo envolvido em uma troca com Wally Szczerbiak. Pode parecer que não, mas essas duas notícias têm muita coisa em comum.

Iverson chegou ao time do Nuggets para fazer uma grande dupla com Carmelo Anthony e tornar a equipe uma das melhores da NBA. No entanto, a dupla, apesar de marcar bastante pontos, não conseguiu fazer o Denver chegar muito mais longe de onde chegara sem eles. Allen tem um contrato de mais de US$ 20 milhões, o que obriga o Denver a pagar uma multa de US$ 6.3 milhões para a Liga todos os anos. Ou seja, evidentemente o valor investido não foi bem aproveitado. Allen sempre foi um jogador de decisão, cestinha, que gosta de ter a bola nas mãos para finalizar a jogada, assim como Carmelo. Talvez por serem jogadores com as mesmas características individualistas essa parceria não tenha dado certo.

Vince Carter ficou famoso na NBA por suas atuações com a camisa do Toronto Raptors, onde era o cestinha, o jogador de decisão, que gosta de ter a bola nas mãos para finalizar a jogada. Mas a equipe do Cleveland, para onde Carter se transferiria, já possui um jogador com essas características: Lebron James. Por que tentar repetir uma receita que tantas vezes não deu certo, não só no basquete como em outros esportes, de contar com estrelas demais no mesmo time? E mais, estrelas com características semelhantes.

A verdade é que em todos os esportes os times tendem a ser megalomaníacos, buscando sempre os melhores, os que aparecem mais na mídia, até como estratégia de marketing. Mas o esporte já nos ensinou que não é assim que se monta uma equipe vencedora. Nem sempre as maiores estrelas formam os melhores times.